Subida do petróleo carimba mês negro para as obrigações
A escalada do petróleo em setembro, alimentada pelas tensões em torno do Irão, está a pressionar a inflação e as taxas de juro, num mês particularmente penalizador para o mercado obrigacionista.
O petróleo está esta quarta-feira em ligeira alta, depois do Presidente dos Estados Unidos ter negado a possibilidade de aliviar as sanções ao Irão. A matéria-prima acumula, em setembro, uma subida de 13,5% em Londres e de 4,4% em Nova Iorque que ditou um mês negro para as obrigações.
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A cotação dos futuros do Brent para entrega em novembro estão esta manhã a subir 0,11% para os 102,7%. O petróleo que serve de referência para as importações europeias regista uma valorização de 13,5% em setembro, naquele que será o terceiro mês de subidas. Nos Estados Unidos, o WTI segue com um ganho ligeiro de 0,23%, para os 89,57 dólares, acumulando um ganho mensal de 4,4%.
“A persistente incerteza em torno do levantamento das sanções e das negociações está a manter incorporado nos preços um prémio de risco geopolítico”, afirmou Sugandha Sachdeva, fundadora da SS WealthStreet, uma empresa de research indiana, em declarações à agência Reuters.
A conter uma maior apreciação da matéria-prima está o aumento das exportações através do Golfo Pérsico. Segundo estimativas do JPMorgan, as exportações de crude recuperaram para 17,5 milhões de barris por dia, o equivalente a 98% dos níveis anteriores à guerra. Já os produtos refinados, como gasóleo e gasolina, estão a recuperar muito mais lentamente, situando-se em 58% dos níveis pré-guerra.
O aumento muito mais pronunciado do preço na Europa resulta da possibilidade de os Estados Unidos avançarem com restrições à exportação de gasóleo, ou mesmo uma proibição, para baixar o preço no mercado doméstico. A medida, à qual o presidente Donald Trump já manifestou apoio, levaria a um aumento dos stocks internos, reduzindo a pressão para o aumento da cotação.
Por outro lado, a Administração Trump apelou na terça-feira à União Europeia para que liberte reservas de diesel para ajudar a baixar os preços do combustível.
Petróleo mais caro, taxas de juro mais altas
A subida da cotação do petróleo e, por arrasto, dos combustíveis, tem contribuído para um aumento da inflação e reforçado a expectativa de uma subida das taxas de juro pelos banco centrais, que já começaram a apertar a política monetária. O que por sua vez se reflete nas yields das obrigações.
As taxas implícitas na dívida americana a 10 anos, a referência mundial, estão esta quarta-feira a recuar dois pontos base para 5,215%, perto dos máximos de 2007. Caminham para uma subida de cerca de 50 pontos base. A maior em dois anos, segundo cálculos da Reuters. Este aumento significa uma descida no preço dos títulos, já que estes se movimentam em sentido contrário às taxas.
No Japão, as yields das obrigações a 10 anos, que estão nos 3,03%, encaminham-se para uma subida de 42 pontos base, naquele que será o quinto trimestre consecutivo de aumentos de dois dígitos nas taxas, o que não acontecia desde 1992.
Além da inflação, nas obrigações também tem pesado a degradação da situação orçamental em vários países e o forte aumento das emissões, sobretudo de dívida privada para financiar os investimentos em inteligência artificial.
“Acredito que estamos a caminhar para um regime estrutural de taxas de rendibilidade mais elevadas. O regresso sustentado das yields aos níveis ultrabaixos a que os investidores se habituaram depois da crise financeira global parece agora muito mais difícil”, afirmou Charu Chanana, estratega-chefe de investimento do Saxo, à Reuters.
A subida das yields também contagiou a Europa, com as taxas das obrigações alemãs a 10 anos a superar os 3,5% e as de Portugal a atingirem os 4%.
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