Ativo do dia. Yield das Treasuries a 10 anos renova máximos de 2002 e ameaça Wall Street
A yield das obrigações a 10 anos dos EUA ultrapassou os 5,3% e renovou máximos de 24 anos. A subida encarece o crédito e pressiona as ações em Wall Street, onde só a tecnologia resiste.
O ativo
Yield das obrigações do Tesouro dos EUA a 10 anos. A taxa de rendibilidade das obrigações do Tesouro dos EUA a 10 anos tocou nos 5,34% esta quinta-feira, o valor mais alto desde 2002, após uma nova vaga de vendas no mercado de dívida pública (as yields sobem quando os preços das obrigações descem).
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O movimento prolonga a subida de 87,1 pontos base registada no terceiro trimestre, a maior desde 1994. A tensão chegou a Wall Street, onde o aumento do custo da dívida está a travar grande parte do mercado e a pressionar as avaliações das empresas. Ainda assim, o S&P 500, o Nasdaq e o Dow Jones abriram em terreno positivo, apoiados pela tecnologia, mas entretanto perderam o fôlego e negoceiam atualmente em terreno negativo.
Os resultados da Micron reforçaram a confiança na procura ligada à inteligência artificial e as contas da Accenture impulsionaram as consultoras. Esta concentração dos ganhos mostra uma bolsa dividida: os títulos com maior peso nos índices resistem, enquanto as taxas elevadas penalizam o restante mercado
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O marco
A yield a 10 anos das Treasuries ultrapassou o máximo de 5,303% alcançado em 2007 e atingiu um nível que não era observado desde abril de 2002. A taxa a 30 anos subiu até perto de 5,68%, também um máximo de 24 anos. A venda não está limitada aos EUA: os custos de financiamento soberano atingiram máximos de décadas no Reino Unido, em França, na Alemanha e no Japão.
O mercado obrigacionista está a pesar sobre a maioria das ações. O mesmo não acontece com os títulos que têm maior peso nos índices.
A causa
A subida resulta de vários riscos que levaram os investidores a exigir maior remuneração para os assumir. O petróleo perto dos 100 dólares voltou a alimentar receios de inflação, enquanto a resistência da economia norte-americana e o investimento em centros de dados levaram o mercado a admitir taxas de juro elevadas durante mais tempo.
Pesam ainda a dívida e o défice dos EUA, que obrigam o Tesouro a emitir mais obrigações. Nem a inflação de agosto abaixo do esperado travou a venda. Os investidores reduziram a probabilidade de uma subida dos juros da Reserva Federal em outubro, mas continuam a admitir novo aumento em dezembro.
O que esperar a seguir
A evolução da yield dependerá, em primeiro lugar, do relatório do emprego de setembro, que será publicado na sexta-feira. Um mercado de trabalho acima do esperado poderá reforçar a possibilidade de novas subidas dos juros da Reserva Federal e voltar a pressionar as obrigações. Uma descida do petróleo ou sinais de arrefecimento económico fariam o movimento contrário.
Em Wall Street, o nível dos 5,5% é apontado por estrategas do BNP Paribas como a zona em que a pressão sobre as avaliações das ações se torna mais intensa. O efeito já ultrapassa a bolsa: a taxa média do crédito à habitação a 30 anos subiu para 7,6%, o valor mais alto desde novembro de 2023. Para as empresas, yields mais altas encarecem o financiamento e reduzem o valor atual dos lucros futuros, com maior impacto nas ações de crescimento.
A tecnologia tem amortecido as perdas dos índices, mas a diferença face ao resto do mercado deixa o S&P 500 mais dependente de um grupo restrito de empresas. Os próximos sinais virão dos dados económicos, do petróleo e da reunião da Fed de 27 e 28 de outubro.
A frase
“O mercado obrigacionista está a pesar sobre a maioria das ações. O mesmo não acontece com os títulos que têm maior peso nos índices”, afirmou Steve Sosnick, estratega-chefe da Interactive Brokers
Leitura relacionada:
“Global bonds gripped by fiscal worries, US 10-year yield hits 24-year high”, na Reuters.
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