Cláudia Azevedo vai deixar de ser CEO da Sonae. João Dolores assume liderança

Atual CFO da empresa da Maia vai ser o novo líder da companhia, substituindo Cláudia Azevedo no cargo de CEO. A empresária vai ocupar o cargo de "chairman", deixado vago pelo irmão Paulo Azevedo.

João Dolores ao lado de Cláudia Azevedo

Após oito anos à frente da empresa da família, Cláudia Azevedo vai deixar de ser CEO da Sonae, com a liderança a passar para as mãos do atual CFO, João Dolores, e seu braço direito na “holding” da família Azevedo. A empresária vai ficar com o lugar de presidente do conselho de administração, que é atualmente ocupado pelo irmão, Paulo Azevedo, que não se vai recandidatar ao cargo.

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Com 45 anos de idade e com 12 anos “de casa”, João Dolores é atualmente membro do Conselho de Administração e da Comissão Executiva da Sonae, onde exerce a função de CFO desde 2019. Natural do Porto, o gestor é formado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto, contando ainda com um MBA pela London Business School e formação executiva em gestão na New York University, na Wharton School, na Chicado Booth School of Business e na Harvard Business School.

O gestor iniciou a sua carreira na McKinsey & Company, tendo passado ainda pela Portugal Telecom, antes de se juntar à Sonae em 2014. Ao longo da sua carreira exerceu diversas funções de liderança e administração, tendo vasta experiência em finanças corporativas, gestão de investimentos e governo societário em diversas geografias.

João Dolores preside e integra ainda os “boards” de diversas empresas do Grupo, incluindo MC, Worten, Sierra, Sparkfood, Musti Group, Universo, NOS, Sonaecom e Bright Pixel Capital. Em 2025, venceu o CFO Award dos Investor Relations and Governance Awards (IRGAwards).

Na Sonae, João Dolores contribuiu de forma decisiva para a definição da estratégia da empresa nos últimos anos e para a execução da sua atividade de investimento, incluindo a onda de aquisições protagonizada pela empresa da Maia, em 2024.

A empresa gastou mais de 1.100 milhões a reforçar a sua presença lá fora, com negócios que incluíram a aquisição da nórdica Musti por cerca de 700 milhões de euros, da Diorren e a “combinação dos negócios” da Druni e da Arenal em Espanha. Investimentos que permitiram reforçar o peso das vendas no exterior, que já pesam 20% do total.

A mudança na comissão executiva da empresa foi proposta pelo conselho de administração e anunciada esta quinta-feira, dia 1 de outubro, e conta com o apoio da Efanor, holding da família Azevedo que controla a empresa, e deverá acontecer no início do novo mandato, após a eleição do Conselho de Administração pela Assembleia Geral de acionistas de abril de 2027, adianta a empresa em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

“É uma enorme honra receber a confiança para liderar a Sonae, uma responsabilidade que encaro com profundo compromisso e grande entusiasmo pelo futuro“, afirma João Dolores, citado em comunicado.

É uma enorme honra receber a confiança para liderar a Sonae, uma responsabilidade que encaro com profundo compromisso e grande entusiasmo pelo futuro.

João Dolores

CFO da Sonae e futuro CEO

“Quero agradecer à Cláudia, com quem tive o privilégio de trabalhar de perto nos últimos oito anos, pela sua liderança e inspiração. Agradeço, também, ao Paulo, ao restante Conselho de Administração e à Efanor o apoio e a confiança depositada em mim”, acrescenta o futuro CEO da empresa, que fechou o primeiro semestre com uma faturação superior a 5,6 mil milhões de euros.

O futuro líder da empresa, que detém os supermercados Continente, assinala que “a força da Sonae está nas suas empresas e equipas excecionais, numa visão partilhada e numa cultura única”. “A partir destas bases, continuaremos a criar valor sustentável e a construir uma Sonae ainda mais forte para os nossos clientes, as nossas pessoas, os nossos acionistas, as comunidades onde estamos presentes e as gerações futuras”, afiança.

Descrito como um “profissional competentíssimo, preparado e com conhecimento”, “próxima das equipas, com leveza e bom humor” João Dolores trabalhou ao lado da CEO nos seus oito anos de liderança.

“O João, o meu braço direito nos últimos oito anos, representa os valores da Sonae e sei que vai liderar a empresa à sua maneira, com ambição, sensatez e um forte sentido de responsabilidade“, destaca Cláudia Azevedo, no mesmo comunicado. De acordo com a ainda CEO, “representa os valores da Sonae e sei que vai liderar a empresa à sua maneira, com ambição, sensatez e um forte sentido de responsabilidade“, garante.

“Ser CEO da Sonae foi um privilégio“, diz Cláudia Azevedo, citada em comunicado. “Em conjunto com equipas verdadeiramente extraordinárias, tomámos decisões de portefólio importantes, investimos nos nossos negócios existentes fortalecendo as suas posições competitivas e adquirimos novos negócios reforçando as nossas avenidas de crescimento para uma Sonae cada vez maior e melhor. Cada vez mais preparada para vencer no futuro”, acrescenta a empresária.

Segundo um comunicado feito pela empresa, “a proposta resulta de um processo de planeamento da sucessão iniciado na sequência das decisões de Paulo Azevedo de não se recandidatar ao Conselho de Administração da Sonae e de Cláudia Azevedo de não exercer um terceiro mandato como CEO, por entenderem estarem reunidas as condições necessárias para uma transição e início de um novo ciclo na liderança do Grupo, que conta com o apoio e entusiasmo de toda a Família Azevedo”.

“Foi uma honra contribuir para o desenvolvimento da Sonae ao longo destas quatro décadas. Tenho toda a confiança na experiência da Cláudia e do João, tal como na capacidade das nossas equipas, para continuar a fazer crescer o Grupo, tendo sempre por base os nossos valores“, afirma Paulo Azevedo, no mesmo comunicado. O empresário acrescenta ainda que “a Efanor continuará empenhada em apoiar o sucesso da Sonae e o cumprimento da sua missão”.

A mudança na comissão executiva da empresa criada por Belmiro de Azevedo surge num momento de forte crescimento, com o grupo a bater sucessivos recordes de vendas. A dona dos supermercados Continente atingiu um novo marco histórico de vendas em 2025, com as receitas a superarem pela primeira vez os 11 mil milhões de euros, enquanto os lucros aumentaram 11% para 247 milhões de euros.

Uma dinâmica positiva que a companhia manteve na primeira metade do ano, com a empresa a fechar o primeiro semestre com um resultado líquido de 123 milhões de euros, o que representa uma subida de 20,5% face ao período homólogo, e receitas de 5,6 mil milhões de euros, acima dos 5,3 mil milhões no mesmo período do ano passado.

(Notícia atualizada às 19h50)

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