Guimarães aposta na inovação para acelerar produtividade e salários

O "Mês da Economia de Guimarães" junta empresas, academia e poder público para discutir novas oportunidades e relançar economia local.

Apresentação do Mês da Economia de Guimarães

Com 43% do emprego concentrado na indústria transformadora, sobretudo cutelaria e metalomecânica, e as exportações próximas dos 1,5 mil milhões de euros anuais, Guimarães tem uma forte base industrial. Mas ainda não consegue traduzir essa capacidade numa maior produtividade e salários que se mantêm abaixo da média nacional, segundo o diagnóstico apresentado esta quinta-feira pelo autarca Ricardo Araújo. O desafio, defendeu durante a apresentação da quarta edição do “Mês da Economia”, passa por diversificar o tecido empresarial, torná-lo mais competitivo, reforçando a capacidade de inovação e internacionalização.

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“Apesar destes desafios, nós temos fatores de atratividade, centros de conhecimento, aquilo que nós chamamos de recursos e competências”, assinalou o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, destacando, por isso, a forte capacidade científica e tecnológica do concelho, que considerou ser fundamental para identificar vantagens competitivas face a outras regiões.

O desafio passa agora por transformar essa capacidade industrial em mais valor e melhores rendimentos. Para isso, o município aponta a inovação como uma das ferramentas centrais para aumentar a competitividade das empresas, acrescentar valor aos produtos e serviços e abrir caminho a novos mercados.

“A inovação é mesmo chave para o nosso futuro. É o elemento mais relevante para que nós possamos acrescentar valor ao produto ou serviço”, sustentou Ricardo Araújo, durante a conferência de imprensa de apresentação da iniciativa que, a partir desta sexta-feira e até dia 28 de outubro, junta empresários, académicos para debater o futuro da economia do território.

Temos este desafio pela frente de fortalecer a nossa economia e a competitividade das nossas empresas e, no fim de linha, termos maior rentabilidade nas nossas empresas e subirmos o rendimento médio dos trabalhadores.

Ricardo Araújo

Presidente da Câmara Municipal de Guimarães

O objetivo passa por aproximar empresas, academia e centros de conhecimento e investigação e explorar novas cadeias de valor, incluindo áreas como a inteligência artificial.

“Temos este desafio pela frente de fortalecer a nossa economia e a competitividade das nossas empresas e, no fim de linha, termos maior rentabilidade nas nossas empresas e subirmos o rendimento médio dos trabalhadores“, defendeu o autarca. Ricardo Araújo reconheceu que “o salário médio do concelho está abaixo da média nacional e regional; ao longo dos últimos 10 anos não houve aproximação, não houve convergência, pelo contrário, houve até algum afastamento”.

É este cenário que o presidente do município vimaranense tenciona inverter. O “Mês da Economia de Guimarães”, que conta com um orçamento municipal de 100 mil euros, pode ser uma das alavancas ao colocar a inovação e criação de valor sustentável no epicentro.

O objetivo passa, sustentou o autarca, por estimular a inovação colaborativa e potenciar novas oportunidades para as empresas, de modo a ganharem escala. A iniciativa encerra precisamente a 28 de outubro com a Conferência ECO – 10.º Aniversário, dedicada ao futuro económico fora dos grandes centros.

É neste quadro que o executivo municipal colocou a economia entre as áreas prioritárias do mandato e avançou com um estudo sobre o desenvolvimento económico e a captação de investimento que será em breve publicado. A autarquia criou também um Departamento de Economia, Inovação e Turismo, integrado numa estrutura municipal que articula economia e urbanismo.

A internacionalização é outro dos desafios. O autarca quer que as empresas ganhem escala e cheguem a novos mercados, mas sem perderem a ligação ao território. “Queremos que as empresas se fixem aqui em Guimarães, criem talento aqui em Guimarães.”

Mês da Economia em Guimarães

Com o propósito de discutir os desafios da economia local e regional, o programa do “Mês da Economia de Guimarães” está organizado em três eixos: comunidade, conhecimento e cultura; aliança para a inovação; e raiz, escala e impacto.

Entre as iniciativas está o Hack4Guimaraes2035, uma maratona de inovação que procura responder à questão de como transformar Guimarães numa economia positiva até 2035, com desafios nas áreas aeroespacial, proteção e defesa, tecnologias inteligentes e sustentabilidade.

O programa inclui ainda o Planetiers World Gathering, entre 21 e 23 de outubro, e a conferência do ECO “Um país, 10 capitais: O futuro económico fora dos grandes centros”, marcada para 28 de outubro, no Paço dos Duques de Bragança.

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