Juros dos depósitos voltam a subir para 1,63%, mas ainda estão abaixo da média da Zona Euro

A taxa de juro dos depósitos sobe há sete meses em Portugal, mas permanece abaixo da média da Zona Euro. Apenas cinco países pagam pior que os 1,63% da banca nacional.

A taxa de juro média dos novos depósitos a prazo de particulares aumentou em agosto pelo sétimo mês consecutivo para 1,63%, mais 0,04 pontos percentuais do que os 1,59% de julho, de acordo com os dados divulgados esta quinta-feira pelo Banco de Portugal.

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Apesar deste movimento de subida nos últimos meses, o valor continua abaixo da taxa média da área do euro (Zona Euro), que também subiu 0,04 pontos percentuais, para 2,18%. A diferença é de 0,55 pontos percentuais.

Isto faz com que, apesar de Portugal ter subido uma posição no ranking entre julho e agosto, apresenta ainda a sexta taxa média mais baixa nos novos depósitos a prazo da área do euro, ficando apenas atrás de Bulgária, Chipre, Eslovénia, Croácia e Grécia.

Os dados do Banco de Portugal mostram ainda que, em agosto, as novas operações de depósitos a prazo de particulares somaram 12.727 milhões de euros, menos 977 milhões do que em julho, e 94% tinham prazo até um ano.

Nas empresas, a taxa média dos novos depósitos a prazo fixou-se em 1,97%, menos 0,01 pontos percentuais do que no mês anterior. O montante das novas operações foi de 9.239 milhões de euros, menos 2.194 milhões do que em julho. Os depósitos com prazo até um ano representaram 99,5% do total.

Subida dos juros chegaram mais nos empréstimos do que nos depósitos

Num estudo do Banco de Portugal que acompanha os dados, o regulador indica que a taxa média aplicada ao stock de depósitos dos particulares é inferior em Portugal à da área do euro em todas as modalidades. Nos depósitos a prazo é de 1,11%, contra 1,93% na área do euro. Nos depósitos com pré-aviso é de 0,24%, contra 1,28%, e nos depósitos à ordem é de 0,04%, contra 0,29%.

A taxa média de todo o stock de depósitos dos particulares é de 0,63%, perto da mediana da área do euro (0,65%) e abaixo da média (0,85%). O Banco de Portugal explica esta proximidade com o peso dos depósitos a prazo, que têm remunerações mais altas e representam 55% do total em Portugal, a proporção mais elevada da área do euro, contra 19% em média.

O Banco de Portugal refere também que a evolução das taxas de juro dos depósitos e dos empréstimos acompanhou a política monetária da área do euro e as condições de financiamento dos bancos, notando que a subida iniciada das taxa de juro do BCE em 2022 refletiu-se mais depressa nos empréstimos do que nos depósitos em Portugal por causa do peso do crédito à habitação com taxa variável indexada às Euribor, o que aumentou o diferencial entre as duas taxas para níveis superiores aos da área do euro.

Como consequência, “as taxas de juro dos empréstimos aumentaram mais do que as dos depósitos, levando ao aumento do diferencial entre ambas para níveis superiores aos observados na área do euro”, sublinhando que, embora, “esse diferencial tenha diminuído ao longo de 2025 e nos primeiros meses de 2026, continuava acima da média da área do euro em agosto de 2026.

O Banco de Portugal nota ainda que os depósitos dos particulares correspondem a 41% do passivo dos bancos em Portugal, quase o dobro da média da área do euro (22%), e que a subida das taxas de juro iniciada em 2022 repercutiu-se mais depressa nos empréstimos do que nos depósitos, em parte pelo peso do crédito à habitação com taxa variável indexada às Euribor.

O diferencial entre as taxas dos empréstimos e dos depósitos, que desceu ao longo de 2025 e nos primeiros meses de 2026, continuava acima da média da área do euro em agosto. O banco central acrescenta que, desde 2021, as taxas dos depósitos ficaram, em geral, abaixo da inflação, o que reduziu o poder de compra das poupanças dos particulares.

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