Ativo do dia. Obrigações dos EUA ‘respiram’ com travagem do emprego
Os dados do emprego de setembro nos EUA surpreenderam pela negativa e aliviaram o mercado da dívida. Com a Fed menos pressionada a subir os juros, as yields das obrigações norte-americanas recuaram.
O ativo
Obrigações do Tesouro dos EUA. Os preços dos títulos de dívida pública norte-americana sobem esta sexta-feira, levando as yields a recuar, depois de o relatório do emprego do Bureau of Labor Statistics revelar uma travagem da contratação em setembro. A economia criou 29 mil postos de trabalho fora do setor agrícola, menos de um terço dos 90 mil previstos pelos economistas consultados pela Reuters, e a taxa de desemprego subiu de 4,1% para 4,2%.
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
Depois da abertura de Wall Street, a yield das obrigações a dez anos descia para perto de 5,2%, após ter tocado na véspera o nível mais alto desde 2002, junto de 5,35%. A taxa a dois anos, mais sensível às expectativas para a política monetária, cedia para 4,76%. Numa obrigação, a queda da yield corresponde a uma subida do preço.
Os números reduziram as apostas numa nova subida dos juros pela Reserva Federal dos EUA (Fed) em outubro e deram fôlego às ações, que foi visível com uma subida de 0,9% do índice S&P 500 no início da sessão.

O marco
A criação de emprego nos EUA em setembro ficou abaixo das estimativas dos analistas e prolongou um ano de contratação contida. Nos 12 meses terminados em setembro, a economia norte-americana criou, em média, 45 mil empregos por mês.
O relatório trouxe ainda uma correção ao retrato do verão: julho passou de um ganho de 21 mil postos de trabalho para uma perda de 10 mil, e agosto foi revisto de 162 mil para 133 mil. No conjunto, desapareceram 60 mil empregos das estimativas anteriores.
Este relatório reforça a justificação para a Reserva Federal manter a prudência.
A causa
As empresas norte-americanas continuam a contratar, mas fazem-no com prudência perante custos elevados e procura incerta. Os ganhos de setembro concentraram-se na saúde, com mais 17 mil empregos, na construção, com 11 mil, e na indústria transformadora, com 9 mil. As atividades financeiras perderam sete mil postos.
Os salários médios por hora aumentaram 0,1% no mês e 3% face a setembro de 2025, sinais de menor pressão sobre os custos do trabalho. A subida do desemprego também não resultou apenas de despedimentos: a população ativa cresceu em 485 mil pessoas e o emprego medido pelo inquérito às famílias avançou 406 mil. A taxa de participação subiu duas décimas, para 61,8%.
O que esperar a seguir
A atenção passa agora para os próximos dados da inflação e para a reunião da Reserva Federal de 27 e 28 de outubro. Após o relatório, os contratos sobre juros chegaram a atribuir uma probabilidade próxima de 20% a uma subida de 25 pontos base nesse encontro, contra 64% uma semana antes. Uma pausa em outubro ganhou peso após a divulgação dos dados do emprego, embora o mercado continue a admitir novo aumento dos juros em dezembro.
A leitura do emprego exige cautela. Economistas citados pela Reuters associam parte da fraqueza a fatores sazonais ligados à data tardia do feriado do Dia do Trabalhador, enquanto os pedidos de subsídio de desemprego permanecem perto de mínimos de 57 anos.
Para os investidores em obrigações, o rumo das yields dependerá de saber se os 29 mil empregos representam uma travagem duradoura ou uma oscilação mensal. A próxima referência chegará a 6 de novembro, com o relatório de outubro. Até lá, a evolução dos salários, dos preços e dos pedidos de subsídio ajudará a determinar se a Fed mantém os juros ou retoma as subidas ainda este ano.
A frase
“O mercado obrigacionista está a pesar sobre a maioria das ações. O mesmo não acontece com os títulos que têm maior peso nos índices”, afirmou Steve Sosnick, estratega-chefe da Interactive Brokers
Leitura relacionada:
“Traders now see little chance of a Fed rate hike in October after weak jobs report“, na CNBC.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Ativo do dia. Obrigações dos EUA ‘respiram’ com travagem do emprego
{{ noCommentsLabel }}