Empresas cresceram a um ritmo mais baixo face à Zona Euro desde a crise

  • Diogo Mendo Fernandes
  • 2 Outubro 2026

As empresas portuguesas ficaram mais saudáveis na última década, mas o balanço cresceu menos do que noutros países da moeda única. Portugal teve segundo maior desfasamento entre o PIB e o ativo.

Na última década o crescimento da economia portuguesa situou-se acima do da Zona Euro, mas as empresas portuguesas não acompanharam esta tendência. Uma análise do Banco de Portugal (BdP), no boletim económico de outubro, nota que, atrás da Bélgica, Portugal é o país da região da moeda única em que o desfasamento entre o ativo das empresas e o Produto Interno Bruto (PIB) é maior.

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O estudo, que incide sobre o período entre 2013 e 2024, mostra que o balanço das empresas portuguesas cresceu, mas menos do que na maioria dos membros da Zona Euro, passando o rácio entre o ativo e o PIB a situar-se na mediana europeia. O aumento do ativo em Portugal justifica-se pelo forte crescimento das empresas, de 373 mil em 2013 para mais de meio milhão em 2024, no entanto, 70% desta subida é justificada pelas empresas com zero ou um trabalhadores, que representam mais mais de metade das empresas em Portugal.

“Em contraste, todas as classes entre dois e 14 trabalhadores perderam peso relativo, embora tenham, em geral, registado aumentos em número de empresas. No extremo superior da distribuição, o número de empresas com mais de 250 trabalhadores aumentou de cerca de 730 para perto de 1.200, um crescimento de aproximadamente 60%”, notam os autores, do departamento de estudos económicos do Banco de Portugal.

A estrutura do tecido empresarial nacional leva a que o ativo das empresas portuguesas esteja concentrado em grandes empresas e nas empresas que não reportam quaisquer trabalhadores, mas que têm um balanço com uma dimensão elevada. Em 2024, as empresas com mais de 250 trabalhadores representavam 21,5% do ativo total e as empresas com zero trabalhadores representavam 16%. “Metade deste valor corresponde a empresas do setor da construção e atividades imobiliárias”, detalha o BdP.

Alavancagem das empresas aproxima-se da Zona Euro

O facto do aumento do balanço das empresas portuguesas ter sido financiado sobretudo através de capitais próprios levou a uma redução significativa do rácio de alavancagem, que mede a proporção de dívida usada em relação ao capital próprio para financiar ativos ou investimentos.

Os dados do período em análise mostram que o capital próprio das empresas quase duplicou entre 2013 e 2024, enquanto o passivo aumentou apenas 10%. “Em resultado, o rácio de alavancagem, medido como o rácio entre o passivo total e o ativo, diminuiu de 59,8% para 45,4%, um valor próximo da mediana da área do euro”, pode ler-se na análise. A desalavancagem do tecido empresarial nacional foi a segunda maior numa década, tendo apenas como paralelo a Grécia.

No entanto, o banco central nota que há uma quantidade significativa de empresas que continua a apresentar rácios muito elevados. Ou seja, à semelhança de 2013, “cerca de um quarto das empresas portuguesas continua a apresentar rácios de alavancagem superiores a 100%, correspondentes a capitais próprios negativos, uma condição suscetível de limitar o recurso a financiamento bancário em condições normais”, detalham.

Este cenário é particularmente evidente no setor do alojamento e restauração que continua a ter um número grande de empresas com um rácio muito elevado – das quais 40% tem capitais próprios negativos, a maioria da restauração.

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