Governo aprovará fusão Galp-Moeve se salvaguardar “valor estratégico evidente” da refinaria de Sines
Em entrevista à Bloomberg o ministro da Economia disse ainda que os planos para lançar um fundo soberano estão ainda em "fase embrionária" e defendeu a reentrada na REN.
O Governo está disposto a permitir que a Galp avance com uma fusão dos negócios ibéricos de refinação e postos de abastecimento com a espanhola Moeve, desde que o acordo salvaguarde a importância estratégica da única refinaria de petróleo do país, afirmou o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, em entrevista à Bloomberg.
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“Acredito que é possível alcançar ambos os objetivos”, afirmou o ministro, numa entrevista realizada no Porto. O Governo tem mantido conversações com a Galp sobre o negócio, adiantou.
A Galp anunciou em janeiro que tenciona fundir os seus negócios a jusante com a Moeve e espera que o negócio seja concluído nos próximos meses. A empresa portuguesa contribuiria com uma refinaria e a Moeve com duas para a joint venture industrial, na qual a Galp deteria mais de 20% e os acionistas da Moeve o restante. As empresas uniriam separadamente as suas redes de postos de abastecimento numa joint venture com uma participação de cerca de 50-50.
A principal preocupação do Governo é a refinaria da Galp em Sines, a única refinaria de petróleo em funcionamento em Portugal e um ativo de “valor estratégico evidente”, afirmou o ministro. “Quando estão em causa ativos dessa importância, o Estado tem a obrigação de colocar os interesses do país em primeiro lugar”, acrescentou.
Em relação ao fundo soberano anunciado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro em junho, os planos para continuam numa “fase embrionária”, com o Governo ainda a trabalhar na sua estrutura e no seu papel, afirmou Castro Almeida.
O ministro defendeu também a decisão do Estado de adquirir uma participação de até 20% na REN, operadora da rede elétrica, afirmando que as infraestruturas energéticas estão a tornar-se cada vez mais importantes, uma vez que investimentos como os centros de dados exigem grandes quantidades de eletricidade.
“É positivo que o Estado esteja o mais envolvido possível neste processo” afirmou Castro Almeida, acrescentando que o Governo avaliará a conveniência da participação acionista de acordo com os interesses nacionais, em vez de seguir uma abordagem fixa.
No que diz respeito à TAP, Castro Almeida afirmou que a integração da companhia aérea num grande grupo internacional de aviação beneficiaria o turismo português, independentemente do comprador selecionado.
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