Greve dos tripulantes da easyJet arranca esta sexta-feira com 80% dos voos já cancelados

  • Lusa
  • 2 Outubro 2026

A greve dos tripulantes de cabine da easyJet prolonga-se até terça-feira, sendo que estão já cancelados 443 voos das bases de Lisboa, Porto e Faro previstos para os cinco dias de paralisação.

A greve dos tripulantes de cabine da easyJet arranca esta sexta-feira e prolonga-se até terça-feira, com 80% dos voos já cancelados, segundo o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC).

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De acordo com a dirigente sindical Ana Dias, estão já cancelados 443 voos das bases de Lisboa, Porto e Faro previstos para os cinco dias de paralisação. O sindicato admite que outros voos ainda programados possam ser afetados pela greve, embora alguns possam ser assegurados por aeronaves e tripulações de outras bases europeias.

A dirigente sindical denunciou que na quinta-feira “chegaram tripulações de França ao Porto, e provavelmente irão operar voos em substituição de grevistas, mais uma vez de uma forma ilegal”.

Por sua vez, fonte oficial da easyJet disse à Lusa que prevê operar cerca de 55% da sua programação durante o período de greve, explicando que, além dos serviços mínimos, que correspondem a cerca de 22% da atividade baseada em Portugal, mantém voos de e para o país operados por outras bases europeias.

A companhia garante que essa operação é feita “em total conformidade com a legislação e regulamentos aplicáveis”, enquanto o SNPVAC considera “ilegal” a utilização de trabalhadores de outras bases para substituir grevistas e admite avançar para tribunal.

Na origem da greve estão, entre outras reivindicações, a estabilidade das escalas, a progressão remuneratória em função da antiguidade e as condições propostas no âmbito da negociação do Acordo de Empresa.

“Em primeiro lugar por causa do atraso nas negociações pelo acordo de empresa. A proposta que a empresa entregou está muito abaixo do que era suposto quando estamos a falar de bases das mais rentáveis da rede da easyJet. A proposta que apresentou em agosto foi chumbada por esmagadora maioria e está abaixo do que é praticado na aviação em Portugal e muito mais muito abaixo do que se pratica a nível europeu, disse o presidente do SNPVAC, Ricardo Penarroias.

Na opinião do presidente do sindicato, a empresa não pode ter lucros astronómicos em Portugal e não pagar em consonância com isso mesmo.

“O outro motivo tem a ver com uma questão operacional, tal como ocorreu em 2024 em que os tripulantes fizeram greve, em que a empresa em nome do lucro, da não contratação provoca um desgaste tremendo físico e mental com alterações constantes para os seus voo. Um triplamente não consegue ter controlo sobre a sua vida pessoal, familiar”, disse.

Está ainda marcada uma segunda greve dos tripulantes da easyJet para os dias 19 a 23 de dezembro.

Sindicato avança com queixa na ACT e tribunais.

Segundo o presidente do SNPVAC, Ricardo Penarroias, esta manhã começaram a sair os primeiros voos que vão ser realizados como serviços mínimos que estavam planeados e um do Porto em que a empresa vai substituir grevistas, pelo que o sindicato vai utilizar os meios legais “para punir a empresa”.

“Neste momento estão previstos sair os serviços mínimos e um voo que vai sair do Porto em que a empresa vai utilizar a ilegalidade para poder realizar o voo utilizando as chefias locais (…). A empresa optou mais uma vez por contornar a greve com ilegalidade e, por isso, vamos utilizar os meios legais para punir a empresa de mais um ato ilegal em períodos de greve”, disse.

Ricardo Penarroias adiantou que o sindicato vai avançar com uma queixa na Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) e nos tribunais.

“Já temos algumas ações em tribunal exatamente contra a substituição de grevistas noutras greves. É uma pratica recorrente por parte da empresa que prefere pagar multas do que cancelar o voo”, afirmou.

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