Impostos, escala empresarial, Estado eficiente. 16 propostas da AEP para “um Orçamento para crescer”

Agregadas em cinco eixos, conheça as sugestões da Associação Empresarial de Portugal ao ministro das Finanças para fazer Portugal “crescer o suficiente para convergir com a Europa”.

Um Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) que coloque o crescimento económico e a competitividade empresarial “no centro da política económica”. É isto que pede a AEP – Associação Empresarial de Portugal, que sugere a inclusão de um conjunto de 16 propostas, agregadas em cinco eixos, que apostam na redução da carga fiscal sobre empresas e trabalho, mais investimento, maior escala empresarial, reforço da internacionalização e um Estado mais eficiente.

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“O OE2027 tem de ser um orçamento para crescer. Para a AEP, Portugal não pode contentar-se com um crescimento que não permite acelerar a convergência com a Europa. Deve assumir uma orientação clara: promover o investimento, reforçar a produtividade, aumentar a escala das empresas, estimular as exportações, atrair e qualificar pessoas e reduzir os custos de contexto”, reclama no documento enviado ao ECO.

Em matéria de impostos, a associação liderada por Luís Miguel Ribeiro defende uma fiscalidade que favoreça o crescimento das empresas, a sua capitalização e a conquista de novos mercados, lembrando que a economia portuguesa precisa de empresas com maior escala, mais capitalizadas e mais internacionalizadas — e “a política fiscal deve incentivar este processo e não penalizar”.

  • IRC de 12,5% durante os três primeiros exercícios fiscais para empresas resultantes de fusões entre PME, com majoração de 30% dos custos elegíveis de integração empresarial;
  • Redução progressiva da derrama estadual, até à sua eliminação;
  • Majoração em 150% das despesas de internacionalização para efeitos de IRC;
  • Prorrogação do SIFIDE direto para além de 2026, garantindo estabilidade ao investimento em I&D;
  • Isenção de Imposto do Selo no financiamento das empresas não financeiras para investimento ou necessidades de tesouraria;
  • Reforço dos incentivos à capitalização através de entradas de capital próprio;
  • Simplificação dos pagamentos por conta;

Por outro lado, porque a escassez de trabalhadores e a dificuldade em atrair e reter talento são “constrangimentos cada vez mais relevantes”, propõe a redução da progressividade do IRS, através da redução do número de escalões e da sua atualização anual, acompanhada pela majoração de 50% em IRC dos custos suportados pelas empresas com o alojamento dos trabalhadores, assim como dos gastos com pessoal jovem altamente qualificado; e a contabilização da formação modular financiada por fundos europeus, quando integrada nos planos de formação das associações empresariais, para efeitos das 40 horas de formação contínua obrigatória.

A morosidade do Estado e da Justiça constitui um custo económico que não pode continuar a ser suportado pelas empresas.

Associação Empresarial de Portugal (AEP)

Reclamando que a morosidade do Estado e da Justiça constitui um “custo económico que não pode continuar a ser suportado pelas empresas” — uma economia competitiva precisa de um “Estado que decida em tempo útil”, pois cada atraso representa um custo para as empresas e um travão ao investimento –, a principal associação empresarial nortenha deixa duas propostas para um Estado mais eficiente e uma Justiça que não penalize as empresas:

  • Metas vinculativas para reduzir progressivamente os prazos da Justiça Económica e Fiscal, com o objetivo de atingir, o mais rapidamente possível, um prazo médio de resolução não superior a 180 dias;
  • Alargamento do deferimento tácito, quando não esteja em causa matéria de interesse público relevante;
  • Publicação sistemática de indicadores de desempenho dos serviços públicos.
Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP)Hugo Amaral/ECO

No atual contexto de pressão sobre os custos energéticos, é também em sede orçamental que a AEP defende apoios excecionais, temporários e direcionados aos setores mais expostos ao aumento dos custos da energia, através de uma subsidiação direta às atividades mais afetadas. “A competitividade das empresas portuguesas não pode continuar a ser penalizada por custos energéticos que comprometem a sua capacidade de competir nos mercados internacionais”, aponta a AEP no caderno de encargos antecipado ao ECO.

Finalmente, porque “a política de coesão territorial deve criar condições concretas para atrair investimento e atividade económica para os territórios de menor dinamismo”, a associação sediada em Leça da Palmeira (Matosinhos) propõe o alargamento para um milhão de euros do limite máximo de matéria coletável abrangido pela taxa de IRC de 12,5%, criando condições para captar investimentos âncora e gerar efeitos de arrastamento sobre as micro e PME desses territórios.

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