Parlamento espanhol chumba resposta de Sánchez à crise da habitação
Decretos chumbados incluíam medidas como o IVA a 4% para a construção de habitação pública e a prorrogação, até dois anos, dos contratos de arrendamento em vigor.
O Governo de Pedro Sánchez perdeu esta sexta-feira uma votação decisiva no Parlamento espanhol sobre os seus planos para responder à crise da habitação, que motivou manifestações por todo o país que se intensificaram nas últimas semanas após o despejo de uma idosa de 87 anos que vivia há várias décadas no centro de Madrid.
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Um primeiro decreto, mais abrangente, foi chumbado com os votos contra de 178 deputados, todos os do Partido Popular (PP, direita), Vox (extrema-direita), Juntos pela Catalunha (JxCat, independentistas conservadores) e União pelo Povo Navarro (UPN, direita). Teve apoio de 172 deputados — de todos os partidos de esquerda e do Partido Nacionalista Basco (PNV, conservador).
Este decreto incluía medidas extraordinárias para limitar os despejos que estariam em vigor até 2030, assim como o prolongamento automático, por um período de até dois anos, dos contratos de arrendamento atuais que vencessem antes de 2028. Ao mesmo tempo, impunha limites à compra de casa por fundos de investimento (conhecidos em Espanha por “fundos abutre”) até ao final de 2028.
O pacote abrangia ainda mais benefícios fiscais para proprietários e alguns inquilinos, ajudas à compra de primeira casa, limitação das atualizações anuais das rendas a 2% (mesmo que a inflação fosse superior) ou uma regulamentação do arrendamento de quartos e do arrendamento sazonal.
Já o segundo decreto, que incluía apenas a renovação automática dos contratos de arrendamento, recebeu 184 votos contra.
O partido separatista catalão JxCat, que era fundamental para garantir que as medidas recebiam ‘luz verde’ no Congresso dos Deputados, acabou por chumbar ambos os decretos, alegando que acabariam por restringir o mercado imobiliário.
Após o chumbo das propostas do Executivo espanhol, o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, disse aos partidos que votaram contra que “a história os julgará antes daquilo que pensam e com mais contundência do que imaginam”.
A ministra da Habitação, Isabel Rodríguez, que na terça-feira apresentou as medidas em causa após uma reunião do Conselho de Ministros que se prolongou por várias horas, disse ao partido de Puigdemont que 90% das suas propostas constavam dos decretos, que, assim, deixam de estar em vigor. Rodríguez propôs também transformá-los em projetos-lei para incluir “esclarecimentos ou correções técnicas”.
Apesar de o PSOE (partido socialista que faz parte da coligação governamental) ter afirmado que os decretos “funcionam” porque já evitaram novos despejos, o JxCat justificou, tal como o PP ou o Vox, que “permitem que os fundos continuem a comprar, continuem a especular e continuem a realizar despejos”. Os deputados socialistas repreenderam-nos, afirmando que “votam contra porque entre a sua base de eleitores se encontram os especuladores e os fundos abutres”.
Intensifica-se, agora, o debate sobre se a derrota do Governo esta sexta-feira no Congresso conduzirá a eleições legislativas antecipadas, um cenário que dirigentes do Partido Socialista Espanhol e ministros citados por meios de comunicação social (sem serem identificados com nomes) foram admitindo ao longo da manhã. O primeiro domingo disponível é 29 de novembro.
Sánchez abre “período de reflexão” sem descartar eleições
O primeiro-ministro espanhol abriu “um período de análise e reflexão” e debaterá nos próximos dias com o seu núcleo duro a possibilidade de convocar eleições. Segundo fontes do Governo, citadas por diversos meios de comunicação social, Sánchez avalia a possibilidade de adiantar as eleições legislativas nacionais previstas para o primeiro semestre de 2027 depois de o parlamento espanhol ter rejeitado esta sexta-feira dois decretos com medidas para a habitação.
As mesmas fontes disseram, segundo a agência espanhola EFE, que há diversas opções em análise e não está descartada a marcação imediata de eleições, mas que neste momento não é esse o cenário. Ao jornal El País, as fontes do Governo garantiram que “todas as opções estão em aberto”. “O presidente [do Governo] debaterá a possibilidade de uma antecipação eleitoral com o seu núcleo duro nos próximos dias” e “Pedro Sánchez decidirá este fim de semana se convoca eleições”, escreveram o jornal La Vanguardia e a televisão pública RTVE, nas respetivas páginas na Internet.
(Notícia atualizada pela última vez às 18h38)
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