Acionistas da Cofina aprovam saída de bolsa. Investidores vão receber 10,99 euros por ação
As ações da antiga dona do Correio da Manhã e Negócios já não voltam a negociar, após a aprovação da dissolução da sociedade e a partilha imediata do capital. Exclusão deverá ocorrer dia 3 de março.
A proposta de dissolução e consequente saída de bolsa da Cofina foi aprovada, esta quinta-feira, em assembleia geral de acionistas, na qual esteve representado 71,25% do capital. As ações já não voltam a negociar, nem dentro nem fora do mercado, e deverão ser excluídas de bolsa no dia 3 de março. Os acionistas vão receber 10,99 euros por cada ação da antiga dona do Correio da Manhã e do Negócios.
“Na sequência da aprovação da dissolução da sociedade por parte dos acionistas, as ações da Cofina, SGPS, S.A. ficarão suspensas de negociação na Euronext Lisbon a partir da presente data até à data de exclusão de negociação que ocorrerá previsivelmente no dia 3 de março de 2025″, refere a empresa em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
O mesmo comunicado refere que, no dia 4 de março de 2025, data até à qual têm que ser liquidadas todas as transações feitas até hoje, dia 27 de fevereiro, “o ISIN das ações da Cofina, SGPS, S.A. será bloqueado pela Interbolsa após as liquidações das transações efetuadas em bolsa até 27 de fevereiro de 2025 serem concluídas“.
“A partir do próximo dia 5 de março de 2025 e até 31 de março de 2025, encontra-se a pagamento aos acionistas, com base nas respetivas participações no capital social da Cofina, SGPS, S.A., excluindo as 382 ações próprias, os haveres sociais da sociedade, à data da dissolução, ou seja 27 de fevereiro de 2025 (incluindo as transações realizadas até esta data) no montante de 2.249.872 Euros, o que corresponde a um valor por ação de 10,9883858363 Euros, sendo o agente pagador o Caixa – Banco de Investimento, S.A”, informa a empresa.
No dia 5 de março ocorrerá o cancelamento definitivo de todas as ações da Cofina, que se despediram do mercado com uma cotação de 10,35 euros, esta quinta-feira.
A proposta de dissolução da sociedade foi aprovada com 80,47% dos votos a favor e 19,52% abstenções. A aprovação da dissolução da sociedade já estava garantida, uma vez que era necessário que dois terços dos acionistas votassem a favor e a proposta contava com os votos do núcleo duro de acionistas da empresa, formado pelo empresário Paulo Fernandes, João e Pedro Borges de Oliveira, Domingos Vieira de Matos e Ana Mendonça, que junto controlam cerca de 71% do capital social e dos direitos de voto.
O comunicado explica ainda que, ao longo de 2025, o CaixaBI “deverá receber o ativo superveniente de que a Sociedade venha a ser titular nos termos da linha 2 do Projeto de Partilha, no montante de 224.173 euros, bem como outro eventual ativo superveniente de que a Sociedade possa vir a ser titular, e proceder à partilha desse eventual ativo aos acionistas da Sociedade à data da dissolução (incluindo as transações realizadas até 27 de fevereiro de 2025), através dos Intermediários Financeiros junto dos quais se encontrem depositadas as suas ações nesta data, realizando todos os acertos que se revelem necessários, tudo com a maior celeridade possível e sempre no decurso do corrente ano de 2025″.
A empresa comunicou ao mercado no final de janeiro que levaria à sua AG a proposta de dissolução de sociedade e saída de bolsa, justificando a proposta com o facto de “até à data, o Conselho de Administração não logrou encontrar alternativas de investimento para a sociedade e não tem qualquer perspetiva de que venha a surgir uma oportunidade nesse sentido”, depois de ter vendido a Cofina Media, a “única participação social material e relevante detida pela sociedade”, à Expressão Livre, que inclui atuais e antigos quadros da empresa e Cristiano Ronaldo.
A venda da Cofina Media, que tem os títulos Correio da Manhã, CMTV, Record, Sábado e Jornal de Negócios, foi concretizada no passado dia 8 de novembro, por 56,8 milhões de euros, gerando uma mais-valia de oito milhões para o grupo. Já no ano passado, a Cofina vendeu os 50% que detinha na Vasp ao Grupo Bel de Marco Galinha, num negócio de 4,5 milhões de euros.
Ao longo do último ano, a empresa realizou duas amortizações de ações com redução do capital social, para distribuir reservas livres pelos acionistas. A primeira operação foi concretizada em julho e a segunda no final do ano. Em ambas as operações, os acionistas receberam 40 cêntimos por ação e 11,3 euros de reservas livres.
Confirmada a dissolução da sociedade, este é o último dia que os títulos negoceiam em bolsa. Segundo adiantou a Cofina, em comunicado à CMVM, a partir de 27 de fevereiro de 2025, “após o fecho do mercado, as ações representativas do capital social da sociedade deixarão de poder ser transacionadas, dentro e fora de mercado regulamentado”.
“Após esta data, ou seja, a partir de 28 de fevereiro de 2025, a negociação das ações ficará suspensa até que as mesmas sejam definitivamente excluídas de negociação pela Euronext Lisbon em resultado da dissolução da sociedade”, informou a empresa, no passado dia 11 de fevereiro.
Todo o processo deverá ser rápido. O mesmo comunicado refere que “a sociedade apresentará a registo a deliberação de dissolução com partilha imediata junto da Conservatória do Registo Comercial, pelo que, assim que o registo se encontre lavrado (o que se espera que venha a acontecer no prazo máximo de 48 horas após a apresentação do registo), a matrícula da sociedade será cancelada e a sociedade deixará de existir para todos os efeitos legais”.
De holding a grupo de media
A Cofina atravessou várias transformações ao longo das últimas décadas. Ao contrário do que se possa pensar, não era um grupo de media, mas sim a holding para comprar ativos do núcleo de acionistas Paulo Fernandes, João e Pedro Borges de Oliveira, Domingos Vieira de Matos e Ana Mendonça, que juntos fazem negócios há três décadas.
Através da Cofina – sociedade que contava agora apenas com a liquidez gerada pela venda dos ativos de media –, os cinco sócios realizaram muitos negócios ao longo dos últimos anos, passando por várias áreas de negócio. Fundada em 1990, a Cofina detinha participações em empresas de media, pasta de papel, aços, entre outros. Foi apenas em 2005 que foi realizado o spin off das participações fora do setor de media (Altri), ficando a Cofina, exclusivamente, com os ativos de imprensa.
Com a saída da Cofina, a bolsa despede-se de mais uma empresa histórica do mercado português. A empresa estreou-se no mercado em novembro de 1998 e foi promovida (e despromovida) ao PSI-20 por várias vezes. A última vez que negociou no principal índice nacional foi em setembro de 2012, tendo saído em março de 2014 para dar lugar à Impresa, que detém a SIC e o Expresso.
(Notícia atualizada às 17h26)
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