A inteligência artificial já fala português. O que é o Amália e em que setores vai ser aplicado?
- Tiago Alexandre Pereira
- 1 Julho 2026
O Amália é o primeiro grande modelo de linguagem desenvolvido em português. Neste descodificador explicamos o que é, como funciona, para que serve e o que o distingue de outros modelos de IA.
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Em que consiste o modelo de IA Amália?
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Qual o custo do desenvolvimento do modelo?
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O Amália vai ser aplicado em que entidades?
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O Amália vai ser um ChatGPT português?
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Qualquer utilizador pode utilizar o Amália?
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Qual o volume de dados que foi utilizado para treinar o Amália?
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É importante para Portugal ter um modelo de IA nacional?
A inteligência artificial já fala português. O que é o Amália e em que setores vai ser aplicado?
- Tiago Alexandre Pereira
- 1 Julho 2026
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Em que consiste o modelo de IA Amália?
O Amália é um grande modelo de linguagem (Large Language Model – LLM) e o primeiro a ser desenvolvido em português de Portugal. Trata-se de uma tecnologia de inteligência artificial capaz de processar, compreender e gerar texto a partir de grandes quantidades de dados utilizados durante o seu treino. O projeto foi anunciado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, durante a cerimónia de abertura da Web Summit em 2024.
Este modelo foi desenvolvido para compreender e gerar texto em português, com especial atenção à variante europeia e ao contexto cultural e linguístico de Portugal. O nome “Amália” presta homenagem à cantora Amália Rodrigues e corresponde ao acrónimo Assistente Multimodal Automático de Linguagem com Inteligência Artificial.
O projeto teve um tempo total de execução de 18 meses. Numa primeira fase procedeu-se ao treino do modelo com dados em português, tendo sido disponibilizada internamente, para testes e desenvolvimento, uma versão beta em abril de 2025. Em setembro de 2025, já tinha sido disponibilizada uma versão em desenvolvimento do modelo, baseada numa plataforma para investigadores, professores e alunos universitários portugueses, a IAEdu.
O projeto envolveu um consórcio de várias universidades, incluindo a Nova FCT, o Instituto Superior Técnico (IST), a Universidade de Coimbra, a Universidade do Minho e a Universidade do Porto. Ao todo foram mais de 60 investigadores e alunos envolvidos.
Proxima Pergunta: Qual o custo do desenvolvimento do modelo?
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Qual o custo do desenvolvimento do modelo?
O Amália contou com um financiamento total de 5,5 milhões de euros, atribuído pelo Governo no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Deste valor, 2,475 milhões foram destinados à Universidade Nova de Lisboa e 1 milhão ao Instituto Superior Técnico.
As universidades do Porto, Minho e Coimbra receberam 375 mil euros cada, enquanto 900 mil euros serão executados diretamente pela FCT. A estes montantes juntam-se ainda sinergias provenientes de investimentos já realizados em território nacional, nomeadamente nos supercomputadores Deucalion e Mare Nostrum 5.
O projeto foi coordenado por João Magalhães, professor e investigador da Nova FCT.
Proxima Pergunta: O Amália vai ser aplicado em que entidades?
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O Amália vai ser aplicado em que entidades?
Numa primeira fase, está previsto que o Amália sirva de suporte a várias aplicações da Administração Pública. Um dos primeiros casos de utilização será o portal gov.pt, onde o modelo poderá ser usado para melhorar a interação com os cidadãos e facilitar o acesso à informação e aos serviços públicos.
De acordo com o Governo, o Amália será progressivamente disponibilizado a diferentes áreas da Administração Pública, incluindo a educação, a defesa, a cultura, a saúde e o atendimento ao cidadão.
Sendo um grande modelo de linguagem, o Amália poderá também servir de base ao desenvolvimento de outras aplicações de inteligência artificial, como assistentes virtuais, sistemas de resposta automática, ferramentas de pesquisa e soluções de apoio à análise e produção de documentos. A forma como será implementado em cada entidade dependerá das necessidades e dos projetos desenvolvidos por cada organismo.
Proxima Pergunta: O Amália vai ser um ChatGPT português?
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O Amália vai ser um ChatGPT português?
Não. O Amália não é um chatbot como o ChatGPT, mas sim um LLM. O ChatGPT é uma aplicação que utiliza um LLM para interagir com os utilizadores através de uma interface de conversação.
Por isso, não é correto comparar diretamente o ChatGPT com o Amália, uma vez que se trata de tecnologias com funções diferentes: o ChatGPT é um produto baseado num LLM, enquanto o Amália é o próprio modelo de linguagem.
Embora seja tecnicamente possível desenvolver um chatbot utilizando o Amália, esse não é o principal objetivo do projeto. O objetivo é disponibilizar um modelo de linguagem em português que possa ser integrado em diferentes aplicações, como assistentes virtuais, sistemas de resposta a perguntas, ferramentas de apoio à escrita, tradução, resumo de textos e outras soluções de inteligência artificial.
Proxima Pergunta: Qualquer utilizador pode utilizar o Amália?
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Qualquer utilizador pode utilizar o Amália?
Sim. O Amália será disponibilizado como um modelo de código aberto (open source), o que significa que poderá ser acedido, utilizado, estudado e melhorado por qualquer pessoa.
O modelo será disponibilizado num repositório público, permitindo que investigadores, empresas, programadores e outros utilizadores o utilizem para desenvolver novas aplicações, adaptá-lo a diferentes necessidades ou contribuir para a sua evolução.
Proxima Pergunta: Qual o volume de dados que foi utilizado para treinar o Amália?
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Qual o volume de dados que foi utilizado para treinar o Amália?
O desenvolvimento do Amália foi realizado em duas fases. Na primeira fase, foi criado um modelo com cerca de nove mil milhões de parâmetros, pré-treinado com quatro biliões de palavras e posteriormente afinado com um conjunto de dados em português extraídos e filtrados a partir do Arquivo.pt.
Para o desenvolvimento desta primeira versão, foram combinados dois modelos base desenvolvidos pela equipa do projeto: o EuroLLM e o GlorIA, permitindo reforçar o desempenho do modelo na compreensão e geração de texto em português.
A segunda fase do projeto, que é apresentada esta quarta-feira, prevê a evolução para um modelo multimodal, capaz de processar não só texto, mas também imagens, com conclusão prevista para o primeiro semestre de 2026.
Proxima Pergunta: É importante para Portugal ter um modelo de IA nacional?
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É importante para Portugal ter um modelo de IA nacional?
Os responsáveis pelo projeto Amália defendem que o desenvolvimento de um modelo de IA nacional representa um passo importante para reforçar a capacidade de Portugal na área da IA. Na sua perspetiva, é essencial que o país disponha de instituições capazes de criar ecossistemas de conhecimento, atrair talento e promover a inovação científica, contribuindo para que Portugal acompanhe os avanços tecnológicos neste domínio.
“Atualmente, os novos modelos de IA estão a transformar várias áreas da sociedade e representam um desafio e uma oportunidade para Portugal e para a Europa. A Europa e Portugal devem liderar esta revolução tecnológica, estando já em curso várias iniciativas na Europa para desenvolver LLM soberanos”, lê-se na página oficial do Amália.