O que é e para que serve o drone Reaper que está a caminho das Lajes?
- Ana Marcela
- 26 Março 2026
Nas Lajes é esperada a chegada de drones Reaper americanos a caminho do Médio Oriente. A Autoridade Aeronáutica Portuguesa terá pedido informação sobre estas aeronaves. Defesa não comenta.
O que é e para que serve o drone Reaper que está a caminho das Lajes?
- Ana Marcela
- 26 Março 2026
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O que são os Reapers MQ-9?
Chamam-se MQ-9A, mas foram batizados de “Reaper” pelas forças áreas dos EUA e Reino Unido, numa referência ao Grim Reaper (Ceifador). Trata-se de um drone, construído com base na experiência adquirida pela construtora General Atomics Aeronautical com um outro drone, o RPA Predator, e ”representa um grande salto evolutivo em termos de desempenho e fiabilidade”, segundo a empresa.Com 11 metros de comprimento e uma envergadura de 20 metros, o MQ-9A tem autonomia para mais de 27 horas de voo e pode operar até 50.000 pés de altitude, tendo uma capacidade de carga útil de 1.746 kg, incluindo 1.361 kg de armamentos externos, descreve a empresa.
O drone pode ser equipado com um conjunto de sensores, permitindo missões de vigilância ou reconhecimento, mas pode transportar armamento como mísseis Hellfire ou bombas guiadas de precisão. O que o transforma num drone de ataque.
Até ao momento, várias forças aéreas já o têm no seu arsenal: além da Força Aérea dos Estados Unidos, foi adquirido pelo Departamento de Segurança Interna (EUA), NASA, a Royal Airforce (Reino Unido), e as forças áreas italiana, francesa e espanhola, segundo informa a General Atomics no seu site.
Proxima Pergunta: Quem produz?
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Quem produz?
Filiada da General Atomics, a General Atomics-Aeronautical Systems, dedica-se à produção de sistemas de aeronaves pilotadas remotamente — ou seja, drones — radares e sistemas eletro-óticos. Os drones Predator e o radar Lynx são alguns dos seus produtos.
Fundada em 28 de abril de 1992, com sede na Califórnia, ganhou nesse ano o seu primeiro contrato para seis drones para o governo turco, dois anos depois o seu primeiro grande contrato para o programa Predator para os Estados Unidos. Hoje os seus drones Reaper são usadas por várias Forças Aéreas a nível global, como a Royal Airforce ou a força aérea espanhola e italiana, segundo informa a empresa no seu site.
Tem várias unidades de produção em várias zonas do país Arizona, Utah ou Dakota do Norte.
Proxima Pergunta: Os Reaper estão a ser usados pelos EUA no Irão?
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Os Reaper estão a ser usados pelos EUA no Irão?
Estes drones têm sido usados pelos Estados Unidos no ataque ao Irão. Mas também têm sofrido baixas. Pelo menos 11 Reaper foram já abatidos no conflito, segundo noticiou a imprensa internacional citado fontes militares americanas, representando perdas na ordem de mais de 330 milhões de dólares (mais de 285 milhões de euros).
Proxima Pergunta: Reaper irão passar pela Base das Lajes?
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Reaper irão passar pela Base das Lajes?
A Base das Lajes tem sido um ponto de trânsito para aeronaves norte-americanas em trânsito para o conflito no Irão ao abrigo de um acordo entre os EUA e Portugal.
A aterragem dos Reapers MQ-9 na Base das Lajes era esperada no início desta semana, mas ainda não aconteceu. Segundo a SIC Notícias, a Autoridade Aeronáutica Nacional pediu à Embaixada Americana informação como especificações técnicas do drone, certificados dos pilotos e a área prevista para amaragem em caso de emergência, mas até agora não terá obtido essa informação. O ECO/eRadar contactou a Embaixada Americana em Lisboa que remeteu o tema para o Departamento de Guerra norte-americano. Até ao momento não foi possível obter uma reação.
Ainda de acordo com a SIC Notícias, que avançou a notícia, os bombeiros portugueses que trabalham na Base das Lajes já tiveram formação para responder a qualquer situação de emergência que ocorra com a chegada destas aeronaves não tripuladas à base açoriana.
Proxima Pergunta: Qual o uso que os EUA podem dar à Base das Lajes?
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Qual o uso que os EUA podem dar à Base das Lajes?
Portugal tem mantido que não está envolvido no conflito que envolve EUA, Israel e Irão e que tem gerado ondas de choque no Médio Oriente e na economia mundial. Todavia, a Base das Lajes tem sido palco de um intenso tráfego aéreo de aeronaves militares norte-americanas em trânsito para a região ao abrigo do acordo de uso da base açoriana firmado entre os dois países.
Segundo Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros, depois do início do conflito foi emitida aos Estados Unidos uma “autorização condicional” do uso das Lajes. Nesse âmbito, os EUA só poderia utilizar a base açoriana “em resposta” ou “como retaliação”; obedecendo ao “princípio da necessidade e proporcionalidade”, e visando apenas “alvos de natureza militar”.
Até ao momento não foi possível obter do Ministério dos Negócios Estrangeiros uma indicação sobre se o uso da base pelos drones Reaper estão cobertos pelo acordo entre os dois países. Contactado, o Ministério da Defesa não quis comentar.
