O que são as reservas de petróleo que o G7 pode libertar para baixar os preços?
- Shrikesh Laxmidas
- 9 Março 2026
Dada a escalada da guerra no Médio Oriente e dos preços do crude, países do G7 estão a discutir libertar reservas coordenadas pela Agência Internacional de Energia. Saiba o que são e como funcionam.
-
Para que servem as reservas coordenadas pela Agência Internacional de Energia (AIE)?
-
Onde é que estão essas reservas?
-
Quando é que as reservas foram usadas no passado?
-
Porque é que está a ser discutida uma nova ação agora?
-
Qual é o tamanho dos stocks de emergência atualmente?
-
E Portugal, quanto reserva?
O que são as reservas de petróleo que o G7 pode libertar para baixar os preços?
- Shrikesh Laxmidas
- 9 Março 2026
-
Para que servem as reservas coordenadas pela Agência Internacional de Energia (AIE)?
“Garantir a segurança energética tem estado no centro da missão da AIE desde a sua criação em 1974, na sequência da crise petrolífera de 1973”, afirma a organização liderada pelo turco Fatih Birol. Nessa crise, o preço do barril de petróleo disparou de três para 12 dólares (400%) com um corte na produção pelos países árabes da OPEP e um embargo aos países que apoiaram Israel na guerra de Yom Kippur, incluindo os EUA.
Em reação a esta crise, a AIE estabeleceu o Acordo sobre um Programa Internacional de Energia, sob o qual cada país membro “tem a obrigação de manter reservas de petróleo equivalentes a, pelo menos, 90 dias de importações líquidas de petróleo e de estar preparado para responder coletivamente a graves perturbações no abastecimento que afetem o mercado mundial de petróleo”.
O sistema de resposta coletiva foi concebido para mitigar os impactos económicos negativos da escassez repentina de petróleo, fornecendo petróleo adicional ao mercado global. “O sistema concentra-se em aliviar as perturbações de curto prazo no abastecimento de petróleo, aumentando a oferta (por exemplo, libertando reservas de emergência) e/ou reduzindo a procura (por exemplo, implementando medidas de restrição da procura)”, informa a agência.
Proxima Pergunta: Onde é que estão essas reservas?
-
Onde é que estão essas reservas?
Não estão num sítio específico central, mas postas de parte por cada um dos 32 membros da AIE, que têm uma flexibilidade substancial na forma como cumprem a obrigação de armazenamento.
Isso pode incluir reservas mantidas exclusivamente para emergências e reservas mantidas para fins comerciais (tanto na forma de petróleo bruto como de produtos refinados), bem como a manutenção de reservas noutros países ao abrigo de acordos bilaterais.
Cada país membro pode, assim, determinar a forma mais adequada às suas circunstâncias internas de cumprir o seu compromisso de armazenamento da AIE. Em caso de perturbação grave do abastecimento de petróleo, os membros da AIE podem decidir libertar essas reservas para o mercado como parte de uma ação coletiva.
Proxima Pergunta: Quando é que as reservas foram usadas no passado?
-
Quando é que as reservas foram usadas no passado?
Desde 1991, a AIE coordenou quatro respostas coletivas a grandes perturbações no abastecimento.
Em 1991, com a Guerra do Golfo que se seguiu à invasão do Koweit pelo Iraque, uma ação concertada pela maioria dos membros da AIE para injetar cerca de 60 milhões de barris de petróleo das reservas para os mercados, conseguindo estabilizar os preços.
Em 2005 com o Furação Katrina a paralisar cerca de 25% da produção de crude nos EUA, uma ação concertada libertou novamente cerca de 60 milhões de barris, metade de stocks de governos e metade de reservas da indústria petrolífera, ajudando assim a compensar escassez tanto nos EUA como na Europa.
Em 2011, a guerra civil na Líbia paralisou quase toda a produção de crude no país, que na altura rondava os 1,5 milhões de barris por dia. Os membros da AIE agiram para acrescentar 60 milhões de barris à oferta, conseguindo fornecer um tipo de crude específico que começava a escassear na Europa.
Mais recentemente, em 2022, a AIE coordenou a maior resposta coletiva da sua história, envolvendo pouco mais de 180 milhões de barris de reservas de petróleo, incluindo uma contribuição significativa dos EUA, em resposta à turbulência do mercado que se seguiu à invasão da Ucrânia pela Rússia.
Proxima Pergunta: Porque é que está a ser discutida uma nova ação agora?
-
Porque é que está a ser discutida uma nova ação agora?
A porta-voz da Comissão Europeia, Anna-Kaisa Itkonen, confirmou uma notícia do Financial Times que os ministros das Finanças do G7 vão discutir a possibilidade de uma libertação conjunta de reservas de petróleo de emergência numa reunião que se vai realizar esta segunda-feira.
Os preços do petróleo subiram esta segunda para mais de 119 dólares por barril, atingindo níveis não vistos desde meados de 2022, com alguns dos principais produtores a reduzirem o abastecimento e os receios de interrupções prolongadas no transporte a dominarem o mercado devido à expansão da guerra entre os EUA e Israel com o Irão.
O preço do barril de Brent atingiu um máximo de 119,50 dólares, o maior aumento absoluto de preço num único dia, e o de WTI atingiu 119,48 dólares por barril, antes de recuarem para perto dos 105 e 104 dólares, respetivamente. O Brent subiu 66% e o de WTI 77% desde desde que os EUA e Israel iniciaram os ataques a 28 de fevereiro.
Proxima Pergunta: Qual é o tamanho dos stocks de emergência atualmente?
-
Qual é o tamanho dos stocks de emergência atualmente?
Os últimos dados da AIE, de novembro de 2025, mostram que o total estava nos 4.066 milhões de barris (1.955 milhões na América do Norte, 740 milhões na região Ásia-Pacífico, e 1.371 milhões na Europa.
Entre os países do G7, o Canadá e o EUA estão isentos de manterem barris de emergência, pois são exportadores líquidos de petróleo (tal como México e Noruega fora desse grupo de sete nações)
Por país, a AIE calcula as reservas em termos de dias de importações líquidas. Nos restantes países do G7, Japão tem 206 dias de reserva, Itália 133, Alemanha 130, França 122 e Reino Unido 120.
Proxima Pergunta: E Portugal, quanto reserva?
-
E Portugal, quanto reserva?
Os regimes de armazenamento variam entre os países membros da AIE, refletindo diferenças na estrutura do mercado petrolífero, na geografia e nas escolhas políticas nacionais relacionadas com a resposta a emergências.
Alguns países utilizam apenas uma categoria de reservas, enquanto a maioria dos países utiliza uma combinação de categorias para cumprir a obrigação mínima. Esse é o caso de Portugal, que combina a gestão de stocks públicos por uma agência, a ENSE – Entidade Nacional para o Setor Energético, e pela indústria petrolífera.
Segundo os últimos dados da AIE, Portugal tem reservas equivalentes a 133 dias. A ENSE gere o equivalente a 57 dias e a indústria 56 dias.