Ormuz. Conheça os desafios de Trump para reabrir o Estreito
- Shrikesh Laxmidas
- 18 Março 2026
Praticamente fechado desde o ataque ao Irão, o Estreito por onde passava 20% do comércio de petróleo está a causar tensões entre os EUA e os aliados. Veja aqui o que Trump pediu e as reações globais.
Ormuz. Conheça os desafios de Trump para reabrir o Estreito
- Shrikesh Laxmidas
- 18 Março 2026
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O que se passa no Estreito de Ormuz?
De momento apenas alguns petroleiros iranianos, chineses e indianos estão a passar pelo Estreito que separa o Irão e Omã. O Estreito, por onde passa um quinto do petróleo do mundo, está efetivamente fechado desde 28 de fevereiro quando os EUA e Israel atacaram o Irão, encerrando assim uma das principais vias de passagem de petróleo e gás no mundo.
Mais de 20 milhões de barris de petróleo bruto, condensado e combustíveis passaram pelo estreito diariamente no ano passado. Os membros da OPEP – Arábia Saudita, Irão, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque – exportam a maior parte do petróleo através do estreito, principalmente para a Ásia
O Qatar, um dos maiores exportadores mundiais de gás natural liquefeito, envia quase todo o seu gás através do estreito
Proxima Pergunta: Qual tem sido o impacto do fecho do Estreito nos mercados?
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Qual tem sido o impacto do fecho do Estreito nos mercados?
A guerra dos EUA e de Israel contra o Irão não dá sinais de abrandar e mantém o mercado petrolífero volátil. Embora os futuros do petróleo não tenham repetido a breve subida para quase 120 dólares por barril de crude Brent registada no início do mês, a série de ataques a instalações petrolíferas pelo Irão e a perturbação contínua do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz levam os operadores a prepararem-se para uma redução de longo prazo na oferta, o que poderá manter os preços elevados durante um período prolongado.
Esta quarta-feira o barril de Brent negociava a subir 1,85% para 102,04, enquanto o de West Texas Intermediate (WTI) avançava 1,37% para 93,77 dólares.
A subida dos preços já levou a Agência Internacional de Energia (AIE) a acordar a 11 de março a libertação de um volume recorde de 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas, sendo que os EUA contribuirão com a maior parte desse volume.
A AIE afirmou que todos os 32 países membros apoiaram a medida, a sexta libertação coordenada de reservas desde a criação da agência na década de 1970. Os Estados Unidos assumirão um papel de liderança, contribuindo com 172 milhões de barris, de acordo com o Secretário de Energia dos EUA, Chris Wright.
Proxima Pergunta: O que é que Trump pediu aos aliados?
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O que é que Trump pediu aos aliados?
O presidente americano disse a 13 de março que os EUA estariam disponíveis para escoltar petroleiros pelo Estreito se fosse necessário, mas adiantou que poderá não ser preciso pois o plano é de atacar o Irão de forma “muito dura” nos dias seguintes.
No entanto, no domingo Trump disse que a administração estava a falar com sete países para ajudar a proteger os navios que precisem de passar pelo Estreito.
“Exijo que estes países intervenham e protejam o seu próprio território, porque é o território deles”, afirmou, a bordo do Air Force One, durante o voo da Flórida para Washington. “É de lá que obtêm a sua energia”. Acrescentou depois nas redes sociais que esperava que a China, a França, o Japão, a Coreia do Sul, o Reino Unido e outros países participassem.
Também no domingo, em entrevista ao Financial Times, o republicano aumento a pressão aos aliados europeus, alertando que a NATO enfrenta um futuro “muito mau” se os seus membros não ajudarem Washington.
Proxima Pergunta: Quais foram as principais reações na Europa?
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Quais foram as principais reações na Europa?
Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia reuniram esta segunda-feira, com posições mistas. “É do nosso interesse manter o Estreito de Ormuz aberto e é por isso que estamos também a debater o que podemos fazer a este respeito, do lado europeu”, disse Kaja Kallas, chefe de diplomacia do bloco antes da reunião em Bruxelas.
A seguir à reunião, Kallas admitiu que os ministros manifestaram uma “vontade clara” de reforçar a missão naval no Médio Oriente, mas não demonstraram, por enquanto, qualquer intenção de alargar o seu mandato ao Estreito de Ormuz.
Os Países Baixos vão manter uma “mente aberta” sobre a ajuda, mas não vêm como seria possível de momento dado o nível de ataques. A Dinamarca, como nação marítima mostrou-se aberta a ajudar, enquanto o o primeiro-ministro finlandês Alexander Stubb alertou que os membros da NATO devem aceder ao pedido de Trump.
Mas Alemanha, Grécia, Espanha, França e Itália já recusaram apoiar os EUA. “O que é que Trump espera de um punhado de fragatas europeias que a poderosa Marinha dos EUA não consiga fazer? Esta guerra não é nossa, não fomos nós que a começámos”, afirmou o ministro alemão Boris Pistorius.
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer afirmou que o Reino Unido não se deixaria “arrastar para uma guerra mais ampla no Irão” e reiterou que está a trabalhar com os aliados para reabrir o estreito. “Estamos a trabalhar com outros para elaborar um plano credível para o Estreito de Ormuz, de modo a garantir que possamos reabrir a navegação e a passagem pelo Estreito. Deixem-me ser claro: isso não será, nem nunca foi concebido para ser, uma missão da NATO”, disse aos jornalistas.
Proxima Pergunta: E Portugal, o que vai fazer?
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E Portugal, o que vai fazer?
“Portugal não está nem vai estar envolvido neste conflito, não vamos participar neste conflito”, insistiu Paulo Rangel, múltiplas vezes, em declarações aos jornalistas a partir de Bruxelas.
“Tudo aquilo que se possa fazer para desobstruir o Estreito de Ormuz e permitir a liberdade de navegação é positivo. Há imensas coisas que se podem fazer no plano político, diplomático e é nesse plano que Portugal está e que estará também, julgo eu, a União Europeia”, sublinhou o governante português.
“Tenho falado com todos os ministros meus homólogos no Golfo no sentido de procurarmos uma solução que possa evitar a escalada. Esse é o ponto principal de todos. E o segundo é voltar à mesa das negociações”, indicou o ministro dos Negócios Estrangeiros, reiterando: “O envolvimento de Portugal está fora [de questão], como está desde o início. Não subscreveu nem está neste conflito.”
Proxima Pergunta: Fora da Europa, como têm reagido os países?
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Fora da Europa, como têm reagido os países?
O Japão não tem, neste momento, planos para enviar navios de guerra para escoltar embarcações no Médio Oriente, afirmou a primeira-ministra Sanae Takaichi.”Não tomámos qualquer decisão sobre o envio de navios de escolta e continuamos a analisar o que o Japão pode fazer de forma independente e o que pode ser feito dentro do quadro legal” afirmou, no parlamento.
A Austrália não enviará navios de guerra para ajudar na reabertura do Estreito de Ormuz, afirmou a ministra das Infraestruturas, Transportes, Desenvolvimento Regional e Administração Local. “Não vamos enviar um navio para o Estreito de Ormuz”, afirmou Catherine King, membro do gabinete do primeiro-ministro Anthony Albanese. “Sabemos como isso é extremamente importante, mas não é algo que nos tenha sido pedido nem para o qual estejamos a contribuir”.
A Coreia do Sul vai manter uma comunicação estreita com os EUA e tomar uma decisão após uma análise cuidadosa, afirmou o gabinete presidencial da Coreia do Sul no domingo. Nos termos da Constituição da Coreia do Sul, o envio de tropas para o estrangeiro requer aprovação parlamentar, e figuras da oposição afirmaram que qualquer envio de navios de guerra para o Estreito necessitaria do consentimento do poder legislativo.
Proxima Pergunta: Como é que Trump reagiu às posições dos aliados?
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Como é que Trump reagiu às posições dos aliados?
Num discurso proferido num evento na Casa Branca, Trump afirmou que muitos países lhe tinham dito que estavam dispostos a ajudar, mas manifestou frustração em relação a alguns aliados de longa data. “Alguns estão muito entusiasmados com isso, e outros não”, disse sem dar detalhes. “Alguns são países que ajudámos durante muitos, muitos anos. Protegemo-los de terríveis ameaças externas, e eles não se mostraram assim tão entusiasmados. E o nível de entusiasmo é importante para mim”.
O presidente americano expressou especial desilusão com o Reino Unido, cuja decisão viu como “surpreendente”.
Trump retomou a sua guerra de palavras com Keir Starmer sobre o Irão, acusando o primeiro-ministro de depender excessivamente dos seus conselheiros e de não estar disposto a tomar decisões por conta própria.
“O primeiro-ministro do Reino Unido disse-me ontem: ‘Vou reunir-me com a minha equipa para tomar uma decisão’”, revelou Trump. “Eu disse que não precisava de se reunir com a sua equipa, que é o primeiro-ministro, que pode decidir por si próprio. Por que tem de se reunir com a sua equipa para decidir se vai ou não enviar alguns caça-minas para nos ajudar ou enviar alguns navios?”, interrogou.