Passe ferroviário verde alargado a todo o país. Veja o que vai mudar
- Alexandre Batista
- 16 Setembro 2026
Passe Ferroviário Verde (PFV) com abrangência nas linhas urbanas de Lisboa e Porto foi anunciado pelo Governo para esta semana, mas, afinal, a data ainda não está fechada.
Passe ferroviário verde alargado a todo o país. Veja o que vai mudar
- Alexandre Batista
- 16 Setembro 2026
-
Quando entra em vigor?
A 21 de agosto, o Ministério das Infraestruturas e Habitação anunciou o início da medida para a semana da mobilidade, que se realiza entre esta quarta-feira e dia 22. No entanto, já nesta quarta-feira, o ministério indicou à RTP Antena 1 que não existe uma data. “O alargamento do Passe Ferroviário Verde aos serviços urbanos de Lisboa e Porto está a ser operacionalizado, não existindo ainda informação sobre a data de início do seu funcionamento”, informou o ministério.
Proxima Pergunta: O que é o Passe Ferroviário Verde?
-
O que é o Passe Ferroviário Verde?
Lançado a 20 de outubro de 2024, esta modalidade veio permitir viajar em praticamente toda a rede ferroviária nacional por 20 euros mensais. Com o Passe Ferroviário Verde (PFV) foi revogado o passe ferroviário até então vigente, vendido com um preço de 49 euros.
De fora ficaram, logo de início, o Alfa Pendular, o Celta e a primeira classe dos intercidades e inter-regionais. Também excluídas até ao início da nova fase estão as linhas urbanas de Porto e Lisboa das redes Andante e Navegante.
O sucesso foi instantâneo. Logo no primeiro mês de existência, somavam-se 30 mil títulos emitidos. Menos de dois anos depois, em abril último, já havia mais de um milhão de pessoas que adquiriram o cartão físico ou utilizavam o PFV na versão digital, seja na aplicação da CP, seja na gov.pt.

Proxima Pergunta: Que vantagens trouxe?
-
Que vantagens trouxe?
O maior argumento é a abrangência de praticamente todo o continente e em quase todos os serviços. Na rede, apenas se excluíam linhas marcadamente urbanas das duas principais cidades do país, como a quase totalidade da linha de Sintra, a mais procurada por passageiros em Portugal (já era possível usar o serviço regional que circula de Lisboa a Mira Sintra-Meleças).Usar o serviço Intercidades no trajeto mais curto, ou na ida e volta de Viana do Castelo a Faro custa sempre 20 euros. A viagem até pode ser feita todos os dias, sem sobrecusto.
A mesma viagem entre extremos do país só de ida, e válida apenas para esta quarta-feira, adquirida no site da CP um dia antes custaria 54,50 euros, tal como o ECO/Local Online verificou na bilheteira online.
Proxima Pergunta: Quais as regras de utilização?
-
Quais as regras de utilização?

O Passe Ferroviário Verde já foi adotado por mais de um milhão de pessoas. À exceção dos serviços Intercidades, nos quais é necessário reservar nas 24 horas anteriores à viagem, e no Alfa Pendular, excluído do âmbito do PFV, basta aparecer na estação e entrar no comboioANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA Nas suas regras de utilização, o PFV tem algumas particularidades que o diferenciam de um passe intermodal regular.
Se nos comboios urbanos, regionais e inter-regionais, ao passageiro basta apresentar-se na estação e iniciar viagem, no Intercidades há que marcar lugar antecipadamente. Nas 24 horas antes da viagem, o utilizador tem de aceder à plataforma digital da CP e reservar o seu lugar no Intercidades em segunda classe.
Para dias de maior movimento, pode significar que o passageiro fica em terra. Já para quem adquire um bilhete regular, a compra pode ser feita com dois meses de antecedência, e não apenas para as “sobras” das últimas 24 horas. O titular tem até 15 minutos antes da viagem para desmarcar.
Viajando sem a reserva feita, e mesmo que o PFV esteja válido, o passageiro será considerado infrator e fica sujeito à multa como se não tivesse título de transporte.
Proxima Pergunta: Quais as novidades?
-
Quais as novidades?
Para o primeiro-ministro e líder do PSD, o evento anual de rentrée, a Festa do Pontal, é o local de eleição para anúncios relacionados com o Passe Ferroviário Verde (PFV).
Em agosto de 2024, Luís Montenegro anunciou a criação desta modalidade, que viria a ser efetivada a 21 de outubro daquele ano, após a promulgação de Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, ao diploma que instituiu o PFV como substituto do Passe Ferroviário Nacional.
Já a alteração, anunciada pelo Governo para a Semana Europeia da Mobilidade (16 a 22 de setembro), surgiu como novidade no discurso na Festa do Pontal do mês passado.
A novidade é o alargamento da utilização do “passe verde” aos comboios urbanos de Lisboa e Porto nos percursos abrangidos pelo passe intermodal urbano.
Até agora, na rede de urbanos de Lisboa, este título apenas permitia viajar entre Carregado e Azambuja e nos regionais, inter-regionais e intercidades que usam estes percursos. Já nos urbanos do Porto, dava acesso às ligações Vila das Aves/Guimarães, Paredes/Marco de Canaveses, Paramos/Aveiro e Lousado/Braga.
Agora, todos os troços destas duas redes urbanas ficam dentro do raio de abrangência do “passe verde”. Isto permite a quem apenas usa comboio não pagar mais de 20 euros por mês. Um habitante da Azambuja, por exemplo, tinha de adquirir, para lá do PFV, o título de transporte (bilhete ou o passe Navegante Metropolitano) para viajar do Carregado a Lisboa num dos urbanos. Com a alteração, basta apresentar o seu “passe verde”. O mesmo acontece, a Norte, para quem embarque de Marco de Canaveses para São Bento, e que até aqui teria de adquirir título de bordo ou Andante para fazer a viagem de Paredes ao centro do Porto.
Outra medida anunciada em agosto é o acesso aos comboios da Fertagus, de Setúbal a Lisboa, pela Ponte 25 de Abril.
Inalteradas ficam as regras de utilização no Intercidades, nos regionais, inter-regionais e urbanos de Coimbra, bem como a impossibilidade de aceder ao Alfa Pendular e à primeira classe do Intercidades.
Proxima Pergunta: Que valores estão em causa?
-
Que valores estão em causa?
O grande argumento a favor do PFV é o seu preço. Por apenas 20 euros mensais pode-se viajar por todo o país coberto por linha férrea. A exceção até aqui existente para as linhas das duas áreas metropolitanas onde só circulam urbanos (Cascais, por exemplo), deixará de vigorar.
O cidadão residente em Portugal pode adquirir o título para 30, 60 ou 90 dias, o que, na verdade, apenas simplifica o ato da compra, já que o custo é proporcional: cada 30 dias continua a custar 20 euros.
Na apresentação desta segunda fase, em que entram as linhas urbanas sujeitas a Andante ou Navegante, o Governo fez contas que abrilhantam esta solução.
A poupança acrescida vale, contudo, somente para quem apenas usa o comboio urbano em zona servida pelo passe intermodal, dispensando qualquer outro tipo de transporte público.
Se no lugar de adquirir o Navegante de 40 euros, o residente em Sintra comprar o PFV, poupará 20 euros mensais, ou 240 euros anuais – caso viaje num autocarro, metropolitano, elétrico ou nos barcos da Transtejo/Soflusa necessitará de bilhete extra, o que o passe Navegante dispensa.
Para quem utilize o comboio do Entroncamento a Lisboa ou de Famalicão ao Porto, e hoje tem de adquirir o Navegante ou Andante em conjunto com o PFV, agora bastará comprar este último. Ainda que poupe, nesta simplificação, 480 euros, perde o acesso aos demais transportes públicos das duas áreas metropolitanas.
No entanto, porque o PFV passa a permitir chegar ao centro das duas maiores cidades nos comboios urbanos, pode-se agora articulá-lo com os passes intermodais urbanos municipais. Se por enquanto o passageiro tem de adquirir o PFV e, no exemplo do Entroncamento à Gare do Oriente, acrescentava o Navegante Metropolitano de 40 euros, com a alteração pode juntar o PFV e o Navegante Municipal de 30 euros, e em vez de 60 paga 50 euros mensais.
O impacto financeiro anual para os cofres públicos estimado pelo Executivo para este alargamento da abrangência é de 1,5 milhões de euros, valor que soma a um montante que o Governo estimou em 18,9 milhões de euros anuais quando lançou o PFV.