Tribunal de Contas chumba menos de 1% dos vistos prévios, como diz o Governo?
- Filipa Ambrósio de Sousa
- 21 Maio 2026
O ministro Gonçalo Matias disse no Parlamento que o Tribunal de Contas chumba menos de 1% dos vistos prévios para contratos públicos. Veja os números.
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Governo diz que TdC acaba por chumbar menos de 1% dos contratos, depois do visto prévio. É verdade?
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E nos anos anteriores?
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E quais as razões para recusas tão baixas?
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Quais as razões que o TdC pode invocar para recusar o visto?
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Que tipo de Ilegalidades foram detectadas pelo TdC?
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Porque é que o ministro se justifica nos números?
Tribunal de Contas chumba menos de 1% dos vistos prévios, como diz o Governo?
- Filipa Ambrósio de Sousa
- 21 Maio 2026
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Governo diz que TdC acaba por chumbar menos de 1% dos contratos, depois do visto prévio. É verdade?
Sim. É verdade. Se avaliarmos os dados mais recentes – previstos no relatório do Tribunal de Contas (TdC) relativo ao ano de 2024 – dos 2.603 atos analisados, apenas 23 foram recusados. O ano de 2024 registou a taxa mais baixa do quatro anos anteriores: 0,88%, confirmando uma tendência de diminuição proporcional das rejeições.
Proxima Pergunta: E nos anos anteriores?
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E nos anos anteriores?
Em 2020, o TdC avaliou cerca de 1.500 contratos, recusando 26 — o equivalente a 1,73% do total. Nos anos seguintes, a taxa manteve-se estável e sempre abaixo desse valor. Em 2021, foram analisados 2.131 procedimentos e recusados 27 (1,27%); em 2022, 1.805 processos foram submetidos e 22 rejeitados (1,22%); e em 2023, perante 2.004 processos fiscalizados, o Tribunal recusou 27 (1,35%).
Proxima Pergunta: E quais as razões para recusas tão baixas?
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E quais as razões para recusas tão baixas?
A leitura conjunta dos dados aponta para uma combinação de fatores: maior rigor na preparação dos procedimentos pelas entidades públicas antes de os remeterem ao Tribunal, melhor adaptação das entidades às regras de contratação, e um esforço continuado do TdC em uniformizar critérios de fiscalização.
Apesar da baixa percentagem de recusas, o Tribunal mantém um papel determinante na prevenção de ilegalidades e irregularidades, assegurando que os contratos públicos cumprem as normas legais e financeiras exigidas. “Estes números reforçam o impacto da fiscalização prévia na contratação pública e mostram que o escrutínio do Tribunal de Contas continua a funcionar como mecanismo de controlo, atuando sobretudo de forma preventiva”, explica ao ECO o advogado João Matos.
Proxima Pergunta: Quais as razões que o TdC pode invocar para recusar o visto?
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Quais as razões que o TdC pode invocar para recusar o visto?
O Tribunal pode recusar o visto com fundamento na desconformidade com a lei aplicável que implique nulidade, encargos sem cabimento orçamental, violação direta de normas financeiras ou ilegalidade que altere ou possa alterar o resultado financeiro, segundo relatório do TdC.
Proxima Pergunta: Que tipo de Ilegalidades foram detectadas pelo TdC?
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Que tipo de Ilegalidades foram detectadas pelo TdC?
Em 2024, a título de exemplo, segundo o TdC, as ilegalidades detetadas (que fundamentaram a recusa de visto) foram financiamento das despesas endividamento, celebração de contrato sem compromisso válido e sequencial, assunção de encargos sem que tenha sido demonstrado o compromisso em verba orçamental própria, insuficientes meios financeiros para assegurar a totalidade dos encargos decorrentes da contratação (as despesas decorrentes da manutenção e assistência técnica não são elegíveis para efeitos de obtenção do financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência).
Proxima Pergunta: Porque é que o ministro se justifica nos números?
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Porque é que o ministro se justifica nos números?
A declaração de Gonçalo Matias surge em reação aos pareceres apresentados no Parlamento pelo Conselho Superior da Magistratura (CSM), pelo Conselho Superior do Ministério Público e pelo MENAC (Mecanismo Nacional Anticorrupção) que concluem que estas novas regras podem agravar o risco de corrupção, caso a proposta de lei venha a ser aprovada.