“Todos os caminhos vão dar a Siena”. Saiba o que está em causa na corrida pelo Monte dei Paschi, o banco mais velho do mundo
- Shrikesh Laxmidas
- 8 Junho 2026
O banco mais antigo do mundo é também um dos mais desejados em Itália. Em poucas horas foi alvo de duas ofertas - uma proposta de fusão pelo Banco BPM e outra de compra pelo Intesa Sanpaolo.
“Todos os caminhos vão dar a Siena”. Saiba o que está em causa na corrida pelo Monte dei Paschi, o banco mais velho do mundo
- Shrikesh Laxmidas
- 8 Junho 2026
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Porque é que o banco Monte dei Paschi está no centro das atenções?
“Todos os caminhos vão dar a Siena”, disse recentemente Luigi Lovaglio, CEO do Monte dei Paschi di Siena (MPS), adaptando o velho adágio sobre Roma. E, de facto, o banco mais velho do mundo parece também ser um dos mais desejados em Itália. No espaço de poucas horas o MPS foi motivo de duas ofertas — primeiro, no domingo, uma proposta de fusão pelo Banco BPM que criaria um grupo avaliado em 50 mil milhões de euros e, já esta segunda-feira, uma oferta pública de aquisição não solicitada do Intesa Sanpaolo, no valor de 30,6 mil milhões de euros em dinheiro e ações.
Proxima Pergunta: Qual é o histórico que levou ao interesse dos concorrentes?
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Qual é o histórico que levou ao interesse dos concorrentes?
Nos mais de cinco séculos e meio da história do MPS — o banco remonta a 1472 — alguns dos anos mais conturbados foram já neste milénio. Em novembro de 2007, o MPS anunciou a aquisição do Banca Antonveneta ao Santander por nove mil milhões de euros. A operação foi financiada com aumentos de capital, dívida e venda de ativos, sendo posteriormente considerada excessivamente cara. A aquisição coincidiu com a crise financeira global e poucos meses depois da compra, rebentou a crise financeira internacional de 2008.
Em 2016, o banco foi o pior classificado nos testes de stress da Autoridade Bancária Europeia e uma tentativa de recapitalização privada fracassou. Em consequência, em julho de 2017 o Governo italiano aprovou uma recapitalização preventiva apoiada por Bruxelas. A Comissão Europeia autorizou uma ajuda estatal de cerca de 5,4 mil milhões de euros, considerando o banco solvente mas necessitado de capital. No mês seguinte, o Tesouro italiano injetou cerca de 3,85 mil milhões de euros e passou a controlar cerca de 53,5% do capital do banco, numa das maiores intervenções públicas no setor bancário italiano.
Entre 2017 e 2024, o banco vendeu grandes carteiras de crédito malparado, reduziu trabalhadores e balcões e alienou ativos internacionais para cumprir os compromissos assumidos perante Bruxelas. O objetivo era regressar à rentabilidade e preparar a saída do Estado.
Essa saída começou em 2023 e aconteceu em várias fases com o Governo a vender vários blocos a investidores institucionais e grupos privados italianos até reduzir a participação para 4,863%. Segundo dados divulgados pelo banco em março deste ano, a Delfin, holding da família de Leonardo Del Vecchio, é a maior acionista individual com 17,5%, seguida do grupo do empresário Francesco Gaetano Caltagirone, com cerca de 10,3%.
O MPS tornou-se um ponto central para uma maior consolidação do setor bancário italiano após a aquisição do Mediobanca numa primeira vaga de fusões no ano passado. O negócio tornou-o no maior investidor na seguradora Generali, a maior de Itália e um ativo que tornou o MPS num alvo de apetite.
Proxima Pergunta: Qual é a proposta de fusão do Banco BPM?
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Qual é a proposta de fusão do Banco BPM?
Este domingo, num contexto de expectativas crescentes quanto a uma iniciativa do Intesa, o Banco BPM, quarto maior banco italiano, anunciou que o seu conselho de administração aprovou por unanimidade a intenção de iniciar negociações com o MPS sobre uma potencial fusão no valor de 50 mil milhões de euros.
Uma fusão entre o Banco BPM e o MPS criaria o segundo maior banco da Itália, ultrapassando o UniCredit. O Banco BPM — que se tornou investidor do MPS em novembro de 2024 — detém atualmente uma participação de 3,7% no banco toscano.
O Banco BPM, que tem um valor de mercado de cerca de 20 mil milhões de euros, afirmou que uma fusão com o MPS “criaria um novo campeão nacional” e poderia proporcionar ao banco mais opções estratégicas, incluindo a potencial venda da participação do MPS na Generali. Não divulgou os termos financeiros da proposta.
Proxima Pergunta: E o que oferece o Intesa Sanpaolo?
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E o que oferece o Intesa Sanpaolo?
O Financial Times noticiou no domingo que o board do Intesa Sanpaolo, o maior banco italiano, tinha aprovado uma oferta, que veio mesmo a ser oficializada esta segunda-feira. Trata-se de uma oferta não solicitada, em dinheiro e ações, no valor de 30,6 mil milhões de euros. Segundo o Intesa a oferta implica um prémio de 12,5% em relação ao preço de fecho das ações do MPS na sexta-feira, o que conferia ao MPS um valor de mercado de 27,4 mil milhões de euros.
O Intensa sublinhou ainda que se a oferta for bem-sucedida, a entidade resultante da fusão tornar-se-ia o segundo maior grupo bancário da Zona Euro em termos de valor de mercado, a seguir ao espanhol Santander com uma capitalização de 126 mil milhões de euros e uma meta de resultado líquido de 16 mil milhões de euros em 2029.
Como parte da sua oferta, o Intesa chegou a um acordo com a seguradora Unipol, principal investidora do BPER Banca, para vender um negócio bancário que inclui 635 agências do MPS, cerca de metade da rede de retalho do banco, e a própria marca MPS, caso a sua oferta fosse bem-sucedida.
O acordo visa resolver questões de concorrência decorrentes da aquisição do MPS pelo Intesa e ajudaria a manter o MPS como uma força no setor da banca de retalho. O Intesa e a Unipol uniram-se de forma semelhante em 2020, na altura da aquisição da rival UBI Banca pelo Intesa.
Ao abrigo da legislação italiana em matéria de aquisições, a oferta formal do Intesa impede agora o MPS de chegar a acordo com o BPM sem a aprovação prévia dos acionistas.
Proxima Pergunta: Quais foram as reações nos mercados?
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Quais foram as reações nos mercados?
As ações do MPS disparam 11,65% para 9,985 euros cada, tendo chegado a tocar nos 10,04 euros, máximos de julho de 2022. As do Mediobanca saltam 10,64%.
“À primeira vista, a transação proposta faz sentido do ponto de vista estratégico a longo prazo para a Intesa”, afirmaram os analistas do RBC, citados pela Reuters.
Adiantaram que, no entanto, comentários anteriores de líderes políticos italianos mostram que apoiam a consolidação do setor bancário nacional mas excluindo a Intesa, deverão influenciar o resultado. As ações da Intensa perdem 3,4% para 5,481 euros cada.
As ações do BPM ganham 1,14%, enquanto as do BPER avançam 4%.