Transmitido por ratos e identificado num navio neerlandês: o que se sabe sobre o hantavírus?
- Tiago Alexandre Pereira
- 11 Maio 2026
Com o surto de hantavírus confirmado no navio neerlandês MV Hondius, avançam as operações de repatriamento e vigilância dos passageiros. Mas afinal, o que se sabe sobre este vírus raro?
Transmitido por ratos e identificado num navio neerlandês: o que se sabe sobre o hantavírus?
- Tiago Alexandre Pereira
- 11 Maio 2026
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O que é o hantavírus?
O hantavírus como o nome indica é um vírus que pertence à família de agentes infecciosos, Hantaviridae, e que infeta sobretudo roedores selvagens e morcegos. Os hantavírus já circulam há milhares de anos na natureza, no entanto, apenas foi isolado e identificado em 1978, na Coreia do Sul, estando associado depois a casos em vários países.
Mais tarde, nos anos 90, foi encontrado um novo vírus da mesma família nos EUA, após um surto, e noutros países sul-americanos como a Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai.
Embora tenham sido identificadas muitas espécies de hantavírus ao longo dos últimos anos, apenas algumas podem ser transmitidas aos seres humanos e provocar doenças. No entanto, a gravidade e as características da infeção dependem do tipo de hantavírus envolvido.
Proxima Pergunta: Como se transmite e quais os sintomas que o vírus provoca?
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Como se transmite e quais os sintomas que o vírus provoca?
O principal modo de transmissão das infeções por hantavírus ocorre através da inalação de partículas virais presentes na urina, fezes ou saliva de roedores infetados. Em casos mais raros, o contágio pode também acontecer através de mordeduras. A exposição tende a ocorrer durante atividades que impliquem contacto com espaços contaminados, como a limpeza de locais fechados ou pouco ventilados, trabalhos agrícolas e florestais ou a permanência em habitações infestadas por roedores.
O hantavírus é normalmente transmitido por roedores infetados. Contudo, a variante detetada no navio, o hantavírus Andes, é rara e uma das poucas capazes de passar de pessoa para pessoa, o que acaba por exigir uma maior precaução com este surto.
Os sintomas costumam surgir entre uma e oito semanas após a exposição ao vírus e variam consoante o tipo de hantavírus. Entre os sinais mais frequentes estão febre, dores de cabeça, dores musculares e sintomas gastrointestinais, como dor abdominal, náuseas ou vómitos.
Nos casos mais graves, a doença pode evoluir para dificuldades respiratórias severas, acumulação de líquido nos pulmões e falha do sistema circulatório, na síndrome cardiopulmonar por hantavírus (SCPH). Já na febre hemorrágica com síndrome renal (FHSR), as fases avançadas podem provocar descida acentuada da pressão arterial, alterações hemorrágicas e insuficiência renal.
Proxima Pergunta: É possível prevenir o hantavírus?
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É possível prevenir o hantavírus?
A prevenção das infeções por hantavírus passa sobretudo por reduzir o contacto com roedores e com locais potencialmente contaminados pelos seus excrementos, saliva ou urina. Embora o risco de infeção em Portugal seja considerado muito baixo, as autoridades de saúde recomendam medidas gerais de higiene e controlo de pragas, como manter casas e locais de trabalho limpos, armazenar alimentos de forma segura e vedar possíveis entradas de roedores nos edifícios.
Em áreas contaminadas, deve evitar-se varrer ou aspirar fezes a seco, sendo aconselhável humedecer previamente as superfícies antes da limpeza e reforçar a higiene das mãos.
Atualmente, não existe uma vacina aprovada contra os hantavírus, nem medicamentos antivirais específicos capazes de eliminar a infeção. Por isso, a resposta médica centra-se sobretudo na prevenção e na deteção precoce dos casos mais graves.
O diagnóstico é feito através de testes laboratoriais específicos, capazes de identificar a presença do vírus ou da resposta imunitária do organismo à infeção. Já o tratamento consiste essencialmente no acompanhamento clínico e no controlo das complicações que possam surgir, sobretudo nos casos em que a doença evolui para problemas respiratórios, cardiovasculares ou renais.
Proxima Pergunta: Quantas vítimas mortais e casos de infeção estão confirmados?
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Quantas vítimas mortais e casos de infeção estão confirmados?
O navio MV Hondius partiu da Argentina a 1 de abril com destino às Ilhas Canárias, onde a chegada estava prevista para 10 de maio. A viagem, que prometia semanas de férias e descanso aos passageiros, acabou, no entanto, marcada por um surto mortal de hantavírus.
O primeiro caso fatal foi registado a 11 de abril, quando morreu um passageiro neerlandês infetado com o vírus. Dias depois, a mulher da vítima teve de ser evacuada da ilha britânica de Santa Helena, situada no Atlântico Sul, ao largo da costa africana, para Joanesburgo, na África do Sul. Acabaria por morrer a 26 de abril.
Já a 2 de maio, quando o navio seguia em direção a Cabo Verde, foi confirmada uma terceira vítima mortal: um cidadão britânico. O caso levou as autoridades sanitárias a acompanhar os restantes passageiros e tripulantes, numa altura em que se procurava perceber a origem da infeção a bordo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou esta segunda-feira o número de casos associados ao surto de hantavírus detetado num cruzeiro, indicando que já foram reportados nove casos suspeitos, dos quais sete estão confirmados laboratorialmente.
Segundo a OMS, o número representa um aumento face às atualizações anteriores, depois de ter sido confirmado um novo caso em França. As autoridades francesas revelaram que uma mulher, que regressou de Tenerife, em Espanha, está internada num hospital após testar positivo para o vírus, com o seu estado de saúde a agravar-se.
Os números divulgados pela OMS não incluem ainda dois casos reportados nos Estados Unidos. Num deles, um cidadão norte-americano apresentou um resultado “ligeiramente positivo” para o vírus, apesar de não ter sintomas. O outro caso diz respeito a um homem com sintomas compatíveis com a infeção, mas cujo resultado laboratorial ainda não foi divulgado.
Proxima Pergunta: O desembarque de passageiros já começou?
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O desembarque de passageiros já começou?
Sim. A operação começou no domingo e já permitiu retirar do navio, atracado na ilha espanhola de Tenerife, 94 passageiros e tripulantes de 19 nacionalidades diferentes. Ao todo, a embarcação transportava cerca de 150 pessoas, entre passageiros e membros da tripulação.
As 94 pessoas retiradas foram transportadas em oito voos de repatriamento com destino a Madrid (14), França (5), Canadá (4), Países Baixos (26), Reino Unido (22), Irlanda (2), Turquia (3) e Estados Unidos (18).
Segundo o ministro da Saúde de Espanha, citado pela Reuters, os dois últimos voos de evacuação deverão partir até ao final desta segunda-feira, concluindo assim a operação de retirada dos passageiros do cruzeiro afetado pelo surto mortal de hantavírus.
De acordo com as autoridades, um dos voos, organizado pela Austrália, deverá transportar seis passageiros, enquanto outro, proveniente dos Países Baixos, levará 18 pessoas. Ambos irão também receber cidadãos de outros países que não disponibilizaram voos próprios de repatriamento.
Proxima Pergunta: O hantavírus pode provocar uma nova pandemia?
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O hantavírus pode provocar uma nova pandemia?
Tendo em conta as características do vírus, os especialistas consideram pouco provável que o hantavírus venha a atingir níveis de pandemia mundial. Embora a estirpe Andes seja uma das raras variantes capazes de transmissão entre pessoas, este tipo de contágio continua a ser incomum e exige normalmente contacto próximo e prolongado entre os infetados.
A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que o risco associado a este surto para a população em geral permanece baixo.
As autoridades de saúde sublinham ainda que o surto ocorreu num ambiente relativamente controlado, um navio de cruzeiro, o que permitiu identificar rapidamente os casos suspeitos, isolar passageiros e avançar com operações de evacuação e vigilância sanitária. Estas medidas ajudam a reduzir significativamente o risco de propagação do vírus para fora da embarcação.
Além disso, o hantavírus não se transmite com a facilidade de outros vírus respiratórios, como a covid-19 ou a gripe. A principal via de contágio continua a ser o contacto com roedores infetados ou com partículas presentes na sua urina, saliva ou fezes, o que torna a disseminação em larga escala muito mais difícil.
Proxima Pergunta: O que recomenda a OMS?
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O que recomenda a OMS?
A OMS recomenda um período de quarentena de 42 dias, com “seguimento ativo”, para os passageiros e tripulantes do navio “MV Hondius” após o desembarque, revelou o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus. A medida poderá ser cumprida em casa ou em unidades de saúde, dependendo da avaliação feita pelas autoridades de cada país.
O responsável sublinhou, contudo, que a Organização Mundial da Saúde apenas emite recomendações e não impõe medidas obrigatórias aos Estados. “A OMS aconselha os países, não impõe”, afirmou Tedros, reconhecendo ainda que existem riscos caso não sejam aplicadas quarentenas aos passageiros potencialmente expostos ao vírus.
Vários países, entre os quais Espanha, Reino Unido e França, já anunciaram que os seus cidadãos provenientes do cruzeiro irão cumprir períodos de isolamento preventivo. Outros, como os Estados Unidos, admitiram não avançar com esse tipo de medida.