Gonçalo Castel-Branco, fundador e CEO da Lohad, produtora de experiências como o Presidential Train ao Chefs on Fire cria "Um Domingo na Avenida". Responde ao 7 Perguntas e Meia do ECO Avenida.
Quem é Gonçalo Castel-Branco?
"Tenho 45 anos. Sou apenas alguém que tem a sorte de viver num país onde consegue brincar e tentar fazer coisas que me fazem feliz a mim e aos outros. Algumas delas acabam por funcionar e tenho o luxo de ter uma equipa de 25 pessoas alinhada em fazer os outros felizes. Fazemos dez anos no próximo ano.”
O que é que quis criar com “Um Domingo na Avenida”?
Há muitos anos que queria fazer algo com o conceito de piquenique. É um ritual informal, mas que pode ser premium. É familiar, mas também pode ser muito social. Sempre gostei muito dessa ideia. Ao mesmo tempo, havia um espaço que queria trabalhar: a música clássica ao vivo, que ganha imenso quando sai da sala. A combinação destas duas dimensões, com o desafio da Associação da Avenida da Liberdade, fez tudo encaixar numa cidade como Lisboa. A ideia foi recriar a experiência de descer a Avenida da Liberdade, mas de forma desconstruída. Como se estivesse a passear pela avenida e a provar diferentes pratos. O piquenique permite essa mistura: tem do croquete às saladas, não é uma refeição coerente no sentido tradicional, é uma mescla de sabores.
Já viu as previsões meteorológicas?
Não podia estar melhor: 20 graus! Um bocadinho de nuvens mas não chove. Está ótimo. É rezar para que fique exatamente como está.
Como foi pensada a experiência para o Parque Eduardo VII?
Estamos a ocupar o primeiro talhão de relva do parque. À chegada, o nosso sistema identifica os convidados e, quando chegam à toalha, recebem o cesto e o vinho. Depois, basta carregar num botão para serem servidos. Temos mordomos a servir, zonas de bar e áreas de lounge para quem quiser levantar-se e esticar as pernas. É permitido entrar e sair do recinto. É o típico tratamento Lohad: está tudo tratado.
Como selecionou os restaurantes e os pratos?
Tentámos equilibrar várias dimensões. Por um lado, o standard da Lohad. Montamos uma cozinha completa no local, o que condiciona o tipo de pratos — têm de ser executáveis com rapidez e consistência. Depois, procurámos diversidade, para apelar a diferentes gostos. E, claro, escolhemos marcas e restaurantes que admiramos muito e que acreditamos que elevam a experiência [Addiction, Cervejaria Liberdade, Cura, Davero, Eleven, Ritz, Praia no Parque, Rossio Gastro Bar, Rubro, Sellva]. Aponto sempre para a mesma sensação: que as pessoas se sintam mimadas do início ao fim e que queiram voltar. Desenho muitas vezes as experiências para mim próprio. Neste caso, sendo também o Dia da Mãe, imaginei famílias na relva, crianças a brincar, pessoas a relaxar. O cesto, por exemplo, é um elemento muito importante. Quisemos que fosse completo, com tudo o que é necessário para viver a experiência.
Qual é o papel da música no piquenique?
Temos uma regra: nunca fazemos a escolha fácil. Escolhemos aquilo que melhor alimenta a experiência. A música clássica, apesar de erudita, pode ser informal. Num mundo cada vez mais unidimensional, gosto da responsabilidade de tentar educar o público para coisas que se estão a perder. É também uma forma de educar, de inspirar, sobretudo os mais novos — as minhas filhas e os meus sobrinhos vão lá estar. Preocupamo-nos com a dieta que estamos a dar aos nossos clientes e aos filhos. A comida, mas também a música. Queríamos dar coisas que incendeiem a imaginação.
Como tem sido a adesão ao piquenique?
Estamos com 70% dos bilhetes vendidos. A expectativa é esgotar uns dias antes. Há muita gente a comprar a versão com o cesto [300 euros], que depois leva para casa, e quisemos dar a possibilidade de ter a experiência [150 euros] — comida, bebida e ambiente.
Depois do Presidential Train e do Chefs on Fire, o que vem a seguir para a Lohad?
Temos o Chefs on Fire a regressar a Cascais, em setembro, e estamos prestes a anunciar o cartaz. E há um grande projeto em desenvolvimento há três anos, em Lisboa, que queremos apresentar em breve. Tem potencial para ser uma das coisas mais bonitas que já fizemos.
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7 perguntas e meia a Gonçalo Castel-Branco: “Quero que as pessoas se sintam mimadas do início ao fim”
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