Bárbara Godinho Correia, sócia da PLMJ, perspetiva para 2026 um ano de aceleramento com grandes grandes projetos, bem como com a corrida contra o tempo na utilização dos fundos do PRR.
Bárbara Godinho Correia é sócia na área de Corporate M&A, contando com mais de 25 anos de experiência em corporate/M&A, direito societário e private equity. O seu nome tem sido associado às principais transações de M&A ocorridas em Portugal nos últimos anos, incluindo grandes operações de fusões, privatizações e aquisições. Concluiu em novembro de 2024 o Programa Avançado para Administradores Não Executivos no Instituto Português de Corporate Governance.
A sócia da PLMJ perspetiva para 2026 um ano de aceleração com grandes grandes projetos, bem como com a corrida contra o tempo na utilização dos fundos do PRR. Assume que o país tem sido visto como um mercado “muito atrativo” em resultado da existência de um elevado número de escolas privadas e do crescente número de escolas bilingue e com currículo internacional.
O seu nome está associado a algumas das mais relevantes operações de M&A em Portugal. Como caracteriza a evolução e a maturidade do mercado português nos últimos anos?
O mercado português de M&A tem revelado maturidade e resiliência nestes últimos três anos em que as condições de mercado foram muito desafiantes. Tivemos um ano extraordinário logo após a pandemia, sobretudo impulsionado pelo investimento estrangeiro direto e a seguir ressentimo-nos, como todas as geografias, de uma alteração de condições macroeconómicas e geopolíticas pouco amigas da tomada de risco.
Olhando para 2025, foi um ano de algum abrandamento, mas que, no final, acabou por registar uma subida no capital mobilizado, em resultado da compra do Novobanco pelos franceses do BPCE.
Os fundos de private equity voltaram a ter um papel essencial, ganhando peso face ao financiamento bancário, o que é claramente um sinal de maturidade do mercado de M&A.
Por outro lado, o M&A em Portugal tem assumido um papel estratégico nas reestruturações e consolidações do setor empresarial, cuja urgência se tornou evidente no contexto pós pandemia e fim dos apoios públicos.
Quanto a 2026, penso que podemos ter algum aceleramento com os grandes projetos que se perspetivam, como a concretização do TGV e o novo aeroporto, bem como com a corrida contra o tempo na utilização dos fundos do PRR e com um Banco de Fomento que parece estar com um fôlego renovado e muito comprometido com fazer mexer o investimento em Portugal e, por essa via, também o M&A.

Que tendências vão moldar o futuro do mercado de M&A em Portugal e na Europa, a médio prazo?
Há uma expectativa, creio que generalizada, de que teremos muito em breve uma contração das economias. Os números para Portugal têm revelado alguma resiliência, mas não temos uma economia que seja capaz de viver em contraciclo, por isso seguiremos aquilo que acontecer na Europa e nos Estados Unidos e o que se perspetiva, em termos de contexto geopolítico e de política macroeconómica, recomenda prudência. Dito isto, e a experiência mostra isso mesmo, o mundo arranja sempre forma de continuar, mesmo quando o cenário é difícil e onde se assistirá, certamente, a mais protecionismo, a mais política nas transações cross border e nas relações comerciais internacionais.
Falando de Portugal e tendências, destacaria algumas que, não sendo novas, afirmaram-se nos últimos anos e vão permanecer. Por um lado, continuaremos a ter um desfasamento de avaliações, com o comprador a ter a última palavra e a esmagar preço. Este desfasamento entre comprador e vendedor relativamente às valorizações dos ativos tem sido um obstáculo real à concretização de mais operações e, em alguns casos, tem implicado um grande arrastamento nos calendários de conclusão das operações. Transações que antes levavam cinco ou seis meses a concluir, hoje podem levar um ano ou mais.
Outra tendência que também merece destaque e que resulta diretamente da anterior, é a crescente adoção de mecanismos de earn-out, que possibilitam ao vendedor receber montantes adicionais caso as empresas atinjam os resultados previstos. Esta prática permite mitigar as dificuldades em acordar avaliações e tem vindo a ganhar destaque tanto em Portugal como em outros mercados internacionais.
Outro fator tem a ver com o financiamento, onde Portugal, apesar da melhoria conseguida, ainda tem muito caminho a fazer de redução da dependência da banca comercial no M&A. Assim, o private equity continuará a ser um motor muito relevante do mercado.
De que forma o contexto regulatório e político influencia a estruturação de uma grande operação de M&A?
Há alguma influência, claro. É evidente que o contexto político releva, por exemplo, quando falamos de operações que envolvam empresas em setores estratégicos ou com impacto material no mercado ou na comunidade. O contexto regulatório é também um tema crítico na gestão de expectativas do investidor e das partes envolvidas e é preciso, na fase de estruturação da operação, ter uma visão muito clara e informada sobre as etapas da transação ou investimento. Mas diria que parte do trabalho que hoje os clientes nos exigem é precisamente o de pensar estrategicamente estas dimensões e apoiá-los na tomada de decisões informadas e alinhadas com os seus objetivos. Hoje, o trabalho das big law é muito este, ser parceiro estratégico dos clientes, desenhar caminhos, antecipar riscos e tudo isso passa por leituras acertadas dos atuais complexos e voláteis contextos regulatórios e políticos.

Considera que as empresas portuguesas têm vindo a reforçar as suas práticas de corporate governance de forma consistente?
O nível de sofisticação das empresas com as quais trabalhamos exige delas que tenham a casa muito arrumada em matéria de governance e alinhada com as melhores práticas internacionais. A este nível de tecido empresarial, o governance não é uma opção, é um tema de enforcement, é um tema reputacional e é até um tema de investimento. E este caminho não começou agora. Certamente que a era ESG trouxe uma exigência e inovação acrescidas nesta área que leva as empresas a revisitarem este tema continuamente, mas há muito que as médias e grandes empresas nacionais se dedicam a pensar o seu modelo de governo e a forma como o mesmo melhor se adequa à sua atividade.
Enquanto sócia numa das principais sociedades de advogados em Portugal, que desafios específicos identifica para as mulheres em posições de liderança no setor jurídico e financeiro?
A pergunta sobre mulheres e liderança é uma pergunta, estou convencida disso, que desagrada cada vez mais às mulheres. Acredito que os desafios são iguais para todos e estão estritamente ligados ao talento, ao empenho, ao mérito, ao investimento pessoal e intransmissível que todos os líderes – homens ou mulheres – têm de ter e fazer para serem reconhecidos como tal.
Na minha sociedade de advogados sempre tivemos – desde o ano em que entrei em 1995 – sócias mulheres em posições de liderança e com muito peso. Foi sem dúvida inspirador e para mim esse cenário tornou-se natural desde muito cedo.
Em todo o caso, e olhando para o mercado, é um facto que somos menos nos lugares de liderança e isso é visível nas estatísticas publicadas. Se me pergunta a razão para isto acontecer? Não tenho uma resposta científica e penso que existem razões de vária ordem.
Temos uma cultura, nestes setores, que ainda é muito masculina, há mulheres que não podem ou não querem estar menos presentes no acompanhamento familiar e não querem ou não podem ter essa negociação em casa. As empresas têm evoluído muito no apoio a este nível, mas a organização familiar é critica para a disponibilidade das mulheres e isso não se resolve com regras escritas, depende das circunstâncias particulares de cada uma. Destacaria também a maior complexidade que existe para as mulheres num contexto de networking e business development porque nos expõe mais a contextos tipicamente masculinos. Enfim, é uma pergunta que se repete e nenhuma resposta satisfaz plenamente. Nem aos homens, nem às mulheres.
O nosso país tem sido visto como um mercado muito atrativo em resultado da existência de um elevado número de escolas privadas e do crescente número de escolas bilingue e com currículo internacional. Este crescimento é claramente consequência da cada vez maior mobilidade internacional que tem trazido a Portugal, nos últimos anos, um elevado de número de estrangeiros.
O setor da Educação é um dos hot topics de investimento estrangeiro em Portugal. Qual é o business case que os investidores encontraram neste setor?
É, de facto, um dos setores do momento e a sua importância crescente tem vindo a notar-se nos últimos anos de forma bastante expressiva. Depois de algum abrandamento em 2023, em 2024, o investimento no setor disparou 45% em termos de volume de transações, até em contraciclo com o M&A geral, que contraiu no mesmo período.
É francamente impressionante e creio que o ano de 2025 terá consolidado esta tendência de aumento de número de transações e de volume no setor da educação. E porque é que isto acontece?
O setor reúne hoje um conjunto de fatores muito apelativos para investidores de longo prazo: tem uma procura estruturalmente resiliente, pouco cíclica e sustentada por tendências demográficas e de mobilidade internacional.
Os investidores e principais grupos de educação estrangeiros têm investido significativamente no aumento do seu parque escolar nos seus países de origem, mas também, e em larga medida, têm adquirido escolas em geografias diferentes, pois só assim conseguem competir globalmente e criar valor de forma consistente e a longo prazo. Este fator tem sido o grande motor da crescente atividade de M&A no setor da educação.
A questão que se coloca agora é porquê Portugal.
O nosso país tem sido visto como um mercado muito atrativo em resultado da existência de um elevado número de escolas privadas e do crescente número de escolas bilingue e com currículo internacional. Este crescimento é claramente consequência da cada vez maior mobilidade internacional que tem trazido a Portugal, nos últimos anos, um elevado de número de estrangeiros. O país, pelas razões que todos conhecemos, posicionou-se como um hub atrativo para famílias internacionais, com qualidade de vida, que procuram segurança e um sistema educativo reconhecido, sobretudo no ensino privado e internacional.
A esta circunstância acresce outra também muito relevante e que é de origem 100% local. Há um efetivo crescimento dos rendimentos no segmento mais elevado, acompanhado de uma willingness to pay por educação de excelência, que resulta da degradação do setor educativo público e de uma maior vontade em investir num currículo internacional que prepare os filhos para um mundo global.
E Portugal mostra um crescimento acima da média no número de inscrições de alunos no setor premium das escolas privadas: considerando o período entre 2022 e 2025, em cidades como Varsóvia, Chipre, Atenas, Milão, Madrid, Barcelona, Dubai, Abu Dhabi, Malásia, Vietnam e Bangkok, estamos a falar de aumentos de 4-5%. Em Lisboa, o crescimento foi de 10%, só comparando com o Dubai, o que é extraordinário.
Estes dados mostram de forma clara que o setor em Portugal tem estado muito dinâmico e, sendo ainda um mercado muito fragmentado, tem um potencial enorme de crescimento e concentração. Este cenário gera oportunidades de investimento e aquisições muito atrativas e tem feito de Portugal um polo preferencial de atenção dos investidores.

Qual é o perfil de investidor em educação em Portugal?
O investimento em educação em Portugal tem atraído sobretudo grandes grupos estrangeiros especializados em educação (em particular no setor k-12, que abrange desde o jardim de infância (Kindergarten) até ao 12º ano), com portfólios internacionais e a operar escolas em várias geografias. Os subsetores das creches e do ensino superior têm registado muito menos movimento de aquisições ou investimento, mas estou curiosa para ver o que sucede nos próximos anos nestes subsetores.
Por outro lado, são investidores de longo prazo, com uma lógica muito estratégica. Procuram um crescimento consolidado e uma competitividade a nível global. É um perfil que procura projetos com boa reputação académica, equipas experientes e potencial de expansão, mais do que retornos rápidos.
Há uma preocupação muito evidente com a qualidade da oferta educativa, inovação dos métodos de ensino, internacionalização do currículo e ligação ao ensino superior no estrangeiro e, em alguns casos, com o impacto social, o que distingue este tipo de investimento de outros em setores mais tradicionais.
Estamos a falar sobretudo de investimento de raiz ou aquisições de escolas portuguesas ou internacionais?
A entrada no mercado português tem sido maioritariamente feita através de aquisições de escolas já existentes. Esta é a forma mais célere e que permite beneficiar de marcas já com reconhecimento no território e aproveitar equipas consolidadas.
Construir e abrir uma escola de raiz é um processo complexo de um ponto de vista regulatório, quer na fase da construção, quer na fase de licenciamento da atividade e de certificação e aprovação do currículo internacional. São processos mais desafiantes, ainda que também estejam a acontecer.
Por outro lado, após as aquisições, os investidores avançam muitas vezes para a melhoria das instalações e equipamentos existentes em benefício dos alunos, equipas e famílias. Num segundo momento, temos observado movimentos de expansão da capacidade e presença no território nacional através da abertura de novos campus.
O investimento neste setor tende, portanto, a evoluir através de uma combinação destes dois movimentos – aquisições e investimentos greenfield – numa trajetória de consolidação para expansão. O volume das transações realizadas e os valores de investimento no setor já são significativos.

Quais são os maiores desafios deste tipo de transações?
Em primeiro lugar, a educação não é um ativo puramente financeiro. Estão em causa ativos muito específicos – qualidade pedagógica, valores e cultura, e a qualidade das relações humanas entre as escolas e as famílias. Alinhar expectativas entre os investidores e as equipas educativas que garantem no terreno a qualidade e manutenção daqueles ativos é absolutamente crítico e desafiante.
Estas transações só serão bem-sucedidas a prazo se, durante os processos de transição, for garantida a continuidade pedagógica para alunos e famílias, e para tal é necessário manter a entrega e dedicação das equipas educativas, bem como o envolvimento das famílias.
É, assim, essencial entender o funcionamento do mercado local, o posicionamento da escola target e as dinâmicas das escolas concorrentes na área, e ainda assegurar junto das famílias uma transição eficiente que não quebre, em nenhum momento, a confiança que estas depositaram na escola que escolheram para a educação dos seus filhos.
Estas transações têm de trazer à comunidade uma melhoria dos resultados académicos, uma oferta educativa diferenciada, infraestruturas de excelência, partilha de experiências internacionais entre as diversas geografias operadas pelos grupos e uma maior exposição a uma cultura verdadeiramente internacional, e isto é mesmo um grande desafio.
Em segundo lugar, existem também os desafios habituais em matérias regulatórias, de licenciamento e de articulação entre os currículos nacionais e internacionais. Trata-se de um setor regulado que exige a articulação com diversas entidades públicas e administrativas, o que por vezes traz alguma burocracia e complexidade acrescida a este tipo de transações.
Com a atratividade do segmento alto para este tipo de investimento, o ensino privado vai tornar-se ainda mais inacessível porque haverá maior consolidação num nível mais caro e, dessa forma, contribuir ainda mais para travar o elevador social?
Vivemos atualmente uma enorme desigualdade neste setor, mas não estou certa de que seja apenas fruto deste tipo de investimento no setor privado.
É evidente que a oferta educativa do privado aumentou e o número de escolas bilingue ou com currículos internacionais disparou em Portugal, em particular desde o período pós-covid. A tal mobilidade internacional que referi há pouco, tem fomentado muito este crescimento, mas a circunstância de termos muitas famílias portuguesas com meios a optar por este tipo de ensino também tem sido um fator significativo de aceleramento.
Ora, esta opção por este tipo de ensino resulta grandemente da degradação do setor educativo público que se vive em Portugal há largos anos. Salvo raras exceções, não há investimento público nas infraestruturas e equipamentos – os liceus de hoje são iguais aos liceus que eu frequentei há décadas – não temos professores nem auxiliares em número suficiente, os que temos estão desencantados e desmobilizados, e há greves com uma regularidade inaceitável. Todos estes fatores têm comprometido a qualidade das escolas públicas e esta falta de qualidade tem contribuído para o aumento da procura do privado. Vemos muitas famílias a fazerem um esforço financeiro acrescido para acederem ao ensino privado e o setor público só se pode culpar a si mesmo.
Quanto à possível articulação entres estes dois setores, o investimento estrangeiro realizado em Portugal tem trazido algum espaço para ofertas educativas mais flexíveis, implementação de bolsas e parcerias com o setor público. Para além da sustentabilidade do investimento, procura-se um impacto social positivo.

À boleia da educação, as cidades estão a posicionar-se em relação aos residentes não habituais. Pode a educação ser uma vantagem competitiva para atração de residentes e de reposicionamento geográfico?
Sem dúvida. A educação é hoje um fator de competitividade territorial.
De acordo com fontes públicas, temos atualmente mais de 50 escolas internacionais em Portugal, o que representa um crescimento no número de escolas de mais de 50% numa década. Por outro lado, há mais investidores estrangeiros de olhos postos em Portugal e os que já cá estão têm planos de expansão em curso ou já anunciados. O setor não dá, portanto, sinais de ir abrandar e a oferta educativa com currículos internacionais vai aumentar.
Este fator será seguramente decisivo na escolha de países de destino pelos residentes não habituais. Os países e regiões com uma oferta educativa de qualidade estão a reforçar o seu posicionamento global e a atrair talento. Penso que Portugal está na linha da frente e tem sido a primeira escolha de muitos estrangeiros que se têm mudado com as suas famílias para o nosso território.
Em Portugal as regiões que têm registado uma maior atratividade são as zonas de Lisboa, toda a linha até Cascais, Porto e Algarve, mas a expansão territorial está a acontecer. Os novos modelos de trabalho flexível, incluindo modelos híbridos, remotos e home office, têm deslocado muitos residentes não habituais e famílias internacionais para fora dos grandes centros urbanos. Este fator vai influenciar a expansão da oferta educativa em curso e levá-la a zonas menos evidentes. Já estamos a ver este fenómeno em áreas como Sintra e zona oeste do país.
A educação pode tornar-se um catalisador paralelo do setor imobiliário como já o é o turismo e a habitação?
Já está a acontecer. Portugal é valorizado por este fenómeno. A existência de uma oferta de ensino internacional de qualidade é um enorme fator de atração para o país.
O impacto positivo é evidente e a presença deste tipo de escolas tende a valorizar as zonas onde operam e estimula a procura de habitação de longo prazo. Quanto maior forem as escolas, maior será esse impacto e podem mesmo funcionar como um motor de desenvolvimento dessas zonas.
O ensino privado vai tornar-se mais flexível e diversificado, mais internacional, com maior foco em tecnologias e uma enorme personalização da aprendizagem. A ligação ao ensino superior, nacional e estrangeiro, vai também crescer e caracterizar este tipo de escolas.
Que configuração vê para a oferta pública e privada de educação daqui a 15 anos?
Acredito verdadeiramente que a concorrência é o maior fator de crescimento da economia. Faz aumentar a qualidade e eficiência e obriga todos os agentes económicos a inovar e reduzir custos. Acredito também que a forma como educamos as crianças diz muito sobre a sociedade que somos e Portugal tem urgentemente de investir na oferta pública, recuperando anos de atraso e uma enorme quebra do investimento público neste setor.
O ensino privado vai tornar-se mais flexível e diversificado, mais internacional, com maior foco em tecnologias e uma enorme personalização da aprendizagem. A ligação ao ensino superior, nacional e estrangeiro, vai também crescer e caracterizar este tipo de escolas.
Espero, assim, que o crescimento do setor educativo privado em Portugal tenha um efeito de arrastamento positivo e que, a médio prazo, o setor público protagonize uma profunda reforma e volte a proporcionar a todos uma educação de qualidade. Tem de haver capacidade de atrair investimento para a educação e tem de haver competência para liderar e transformar a escola pública.
Veja-se o caso de sucesso da Nova SBE em Carcavelos. É um projeto de ensino superior público da Universidade Nova de Lisboa, mas o campus de Carcavelos foi construído com um modelo de financiamento maioritariamente privado. É atualmente um campus de excelência e a Nova SBE é reconhecida como uma das melhores escolas de gestão em Portugal e ocupa posições de liderança em todos os rankings internacionais.
Num país ideal, daqui a 15 anos o ensino público deveria ter novamente um papel central no setor educativo e seria complementado por um setor privado de excelência. Deveria existir uma maior articulação entre os dois setores através de parcerias e modelos inovadores de cooperação que permitam uma maior vivência entre crianças de todas as origens sociais e uma exposição tendencialmente semelhante a métodos de ensino inovadores e tecnologias de ponta. Só assim será garantida alguma mobilidade social e só assim evoluiremos como sociedade.
Estamos a falar de um investimento que tem um efeito reprodutivo na economia. Que outros setores beneficiam deste interesse do investimento privado na educação?
Creio que os efeitos multiplicadores são significativos. Como já referi, o setor imobiliário beneficia grandemente deste fenómeno que estamos a assistir em Portugal e, por arrastamento, diria que também os setores da construção, serviços, tecnologias educativas, cultura e até do turismo saem beneficiados.
Não menos importante, a melhoria da oferta educativa em Portugal vai trazer uma maior capacitação e qualificação das nossas próximas gerações e isso impactará transversalmente a nossa economia.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
“A educação é um dos setores do momento para investidores estrangeiros”
{{ noCommentsLabel }}