• Entrevista por:
  • Helena Garrido

Álvaro Santos Pereira: “Os principais riscos para a economia portuguesa são externos”

O relatório da OCDE sobre Portugal considera que o país está mais vulnerável. O desafio é mais externo mas também há desafios internos.

Álvaro Santos Pereira é o responsável pelos estudos que a OCDE faz sobre cada um dos seus estados. O relatório sobre Portugal, publicado de dois em dois anos, foi revelado este mês de fevereiro. Em entrevista ao ECO, o ex-ministro da Economia e atual diretor do Departamento de Economia da OCDE fala aqui dos riscos que Portugal enfrenta. As previsões para o país não foram alteradas, apesar de a OCDE considerar que as vulnerabilidades aumentaram.

“As perspetivas são agora mais desafiantes e as vulnerabilidades estão a aumentar”. É o que se pode ler no relatório da OCDE sobre Portugal. Quais são as vulnerabilidades que estão a aumentar?

Os principais riscos para a economia portuguesa são externos. Existem alguns ventos protecionistas que poderão ser um grande desafio para as economias europeias e consequentemente para Portugal. O grande risco que está a aumentar é externo. Obviamente, dentro dessa componente externa, há ainda a frente do sistema financeiro em Itália. O que se passar em Itália vai ter uma repercussão bastante grande no nosso sistema financeiro. E também o que se vai passar com a Grécia, na negociação com os credores. Finalmente, na frente interna, os nossos principais desafios são conseguir inverter a tendência de aumento da dívida pública e resolver e estabilizar os problemas do sistema financeiro.

Se esses riscos se concretizarem — os economistas gostam de trabalhar em cenários — que efeitos teriam sobre Portugal?

Estimamos que, se existir um aumento das tarifas aduaneiras da ordem das 10%, o efeito na economia europeia será entre meio e um por cento por ano de queda do PIB. Estamos a falar de valores bastante elevados. Se aumentar o protecionismo, isso terá um impacto muito grande em economias abertas como a nossa.

E os outros riscos associados ao sistema financeiro?

Não calculamos o impacto [dos riscos no sistema financeiro] nos cenários macroeconómicos. O nosso cenário central prevê que Portugal vai crescer este ano entre 1,2 e 1,3%, mantendo-se o mesmo em 2018. E a Europa está a crescer entre 1,4 e 1,5%.

Nas perspetivas que agora publicaram em Fevereiro não alteraram as previsões que tinham para Portugal…

Não alteramos muito porque consideramos que, embora os riscos estejam a aumentar, o nosso cenário central ainda é o mesmo.

  • Helena Garrido

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