“Ambicionamos estar acima de 25 milhões” em faturação com a ajuda do Legal e da IA

Sérgio Santos Pereira, Country Managing Partner da Forvis Mazars Portugal, aponta como alavanca do crescimento a área de Legal, que deve duplicar em faturação e pessoas. A IA é outra das apostas.

A Forvis Mazars em Portugal espera alcançar uma faturação de 25 milhões de euros este ano. Em entrevista ao ECOntas, Sérgio Santos Pereira, country managing partner da Forvis Mazars Portugal, explica que para este crescimento vai contribuir a expansão do departamento de Legal, que deve duplicar em faturação e pessoas, numa altura em que os clientes procuram cada vez mais uma one-stop-shop.

“O mercado vai, tendencialmente, concentrar-se mais nas consultoras e menos nas sociedades de advogados tradicionais”, refere o responsável, apontando também para as novas tecnologias, nomeadamente a inteligência artificial (IA), como outra das alavancas de crescimento da consultora que está entre as cinco maiores do mercado, logo atrás das big four.

Consciente de que é preciso encontrar outras formas de se diferenciar no mercado, a Forvis Mazars em Portugal está neste momento a criar uma equipa focada nesta área, apostando, inclusive, em auditoria a sistemas de IA. “Não queremos perder o comboio”, diz Sérgio Santos Pereira nos novos escritórios em Lisboa.

Qual a meta da Forvis Mazars em Portugal em termos de faturação?

Em 2017, o volume de faturação da Forvis Mazars Portugal era cerca de sete milhões de euros. Este ano – o nosso ano fiscal começou a 1 de setembro -, a nossa ambição é estar acima de 25 milhões. É um grande salto em oito anos. No último plano estratégico da empresa, um dos nossos mantras era o Growing with Purpose. Ou seja, não pode ser crescer por crescer. Tem de haver um objetivo para esse crescimento. E esse objetivo também permitiu, não só inspirar, como contagiar todos os nossos colaboradores, cientes que este crescimento ia permitir termos outro tipo de condições para todos, quer ao nível salarial, de perspetivas de carreira e ao nível das infraestruturas.

A renovação dos escritórios em Lisboa faz parte desta estratégia?

A inauguração deste escritório acaba por ser o reflexo do sucesso dos últimos anos e um payback [retorno] de todo o esforço, de toda a colaboração de toda a organização da Forvis Mazars Portugal, e também um trampolim para aquilo que nós queremos que seja o percurso Forvis Mazars daqui em diante, que é crescimento contínuo, mantendo o propósito e cada vez mais afirmarmo-nos como uma alternativa no mercado português. Estamos nessa conquista de quota de mercado, mas, como costumo dizer na brincadeira, ainda nem arrancámos.

Sérgio Santos Pereira, Country Managing Partner da Forvis Mazars Portugal

Como é que vão fazer esse crescimento? Vai haver, por exemplo, uma aposta em novos serviços?

Estamos cientes de que temos que encontrar outras formas de encarar os próximos anos de crescimento. Uma delas, que já está em curso, tem a ver com a criação de novas linhas de serviço. Com a alteração legal que existiu há cerca de dois anos, criámos o departamento de Legal. Já tivemos um primeiro exercício completo com o Legal e este ano é o segundo. Para ter uma ideia, vai duplicar em termos de faturação e em número de pessoas. Até vou pressionar para que o objetivo seja um bocadinho superior do que aquilo que foi definido há relativamente poucos meses, porque o mercado está de tal forma recetivo a esta oferta de Legal dentro de uma realidade de consultoria que acreditamos que este percurso de crescimento vai ser ainda mais acelerado do que o que estávamos a antecipar.

Há agora uma grande aposta das consultoras nesse sentido…

Isto permite, digo eu, é a minha análise, que haja uma perceção do mercado que a realidade Legal vai ser cada vez mais dentro das consultoras.

Porquê esta mudança?

Por várias razões. Primeiro, acho que é uma questão de one-stop-shop, ou seja, os clientes não querem ter de discutir com três ou quatro prestadores de serviços matérias distintas e preferem ter um pivô de contacto que dentro da sua própria casa consiga dar resposta a todos os assuntos que a empresa, o cliente, precisa. Naturalmente, respeitando as questões de independência. É muito mais confortável para um cliente ter este tipo de organização do que agora ir falar com uma sociedade de advogados tradicional em que vem a questão legal, mas depois não vem a questão fiscal nem do impacto contabilístico. Acredito que o mercado vai, tendencialmente, concentrar-se mais nas consultoras e menos nas sociedades de advogados tradicionais.

Que outras áreas estão a ajudar ao crescimento?

Estamos a apostar na formação de um departamento de IT Consulting que nos permita também fazer trabalhos de IT Assurance e também dar mais suporte ainda na IT Audit. É uma aposta que hoje já temos em casa, mas muito pequena, sobretudo na área do IT Audit, e queremos extravasar, alargar, crescer para uma oferta também muito mais alargada da IT Consulting. É um investimento que vamos fazer já.

O mercado está de tal forma recetivo a esta oferta de Legal dentro de uma realidade de consultoria que acreditamos que este percurso de crescimento vai ser ainda mais acelerado do que o que estávamos a antecipar.

Sérgio Santos Pereira

Country Managing Partner da Forvis Mazars Portugal

É nesse segmento que entram as auditorias aos sistemas de inteligência artificial?

Exato. E depois entra a parte da consultoria também. Não queremos perder o comboio destas necessidades e vamos investir forte na constituição de uma equipa. Já estamos a ultimar os processos de recrutamento. Outros vetores de crescimento continuam a ser a nossa aposta quer em auditoria, quer tax, porque, não obstante este percurso de crescimento muito considerável, dos sete para os 25 milhões de objetivo este ano, se olharmos individualmente para cada um destes departamentos, por comparação com os nossos competidores maiores, percebemos que ainda há muita capacidade de crescimento e de conquista de quota de mercado. Queremos encontrar outras formas de nos diferenciarmos dos nossos concorrentes.

De que forma?

Procuramos tentar ter o melhor dos dois mundos. Somos uma empresa global, estamos em mais de 100 países, mas não queremos perder o nosso ADN de serviço personalizado e de proximidade. Ao contrário do que muitas vezes acontece nas outras concorrentes, queremos avançar por uma lógica de regionalização. Isto vai permitir diferenciar-nos. Podemos ajudar também, do ponto de vista social, a que os jovens, nesta luta pelo talento, se possam concentrar onde estão mais confortáveis. Com isso, vamos, não só, ter uma pool de recursos muito mais alargada, como eles vão estar, provavelmente, muito mais satisfeitos e com uma vida socioeconómica mais confortável. Vamos explorar mercados que não são tão fáceis de explorar e, com isto, também ajudar as economias locais. Braga, Aveiro, por aí fora.

Pensam em abrir escritórios nesses locais?

Pensamos. Não lhe posso dizer se é amanhã ou daqui a um ano, mas está claramente na nossa vontade prosseguir este caminho de crescimento em colocar escritórios nesse tipo de regiões.

Escritórios da Forvis Mazars Portugal em Lisboa

A questão da sustentabilidade também faz parte das vossas apostas?

Faz, mas de uma forma um pouco diferente daquela que fazia há cerca de um ou dois anos. Antes, não havia conferência nenhuma em que não se falasse sustentabilidade, de ESG. Entretanto, houve uma legislação europeia que saiu, que é o Omnibus, que fez com que os prazos para a introdução dessas exigências fossem postecipados. Também por pressão do que está a acontecer nos EUA, onde a desregulamentação através de Donald Trump está a acontecer e, portanto, a Europa para manter algum tipo de competitividade também teve de aliviar alguns custos de contexto e acabou por ser a área da sustentabilidade a primeira a sofrer dessas alterações.

Continuamos a apostar forte. É uma área que está a crescer francamente. Mas a oferta mudou ligeiramente, porque é uma oferta para clientes que cada vez mais têm perceção de que, independentemente da obrigação ou não, faz sentido [cumprir estas exigências]. E que faz sentido ter um plano e uma estratégia de sustentabilidade. É um caminho de sensibilização do mercado português.

O mercado português está preparado para dar estes passos?

Culturalmente, ainda temos aquela coisa de que se não é obrigatório, então não faço. Mas depois nem sempre percebemos que até íamos tirar dividendos rápidos, até do posicionamento junto dos nossos clientes, da banca, dos seguros, porque íamos conseguir ter eventualmente melhores spreads, melhores condições, eventualmente ganhar mais quota de mercado, porque conseguimos cumprir uma quantidade de parâmetros que os nossos concorrentes não conseguem. Veria isso como algo óbvio para investirem, se querem efetivamente manter a sua competitividade. Agora, temos é de mudar o discurso, porque anteriormente era uma necessidade, agora deve ser uma aposta estratégica.

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