Câmara de Cascais: “Não farei a Rui Rio o que Rio fez a Passos Coelho”

O autarca de Cascais rejeita "mitos urbanos" de que o PSD tenha sido um partido unificado, já que sempre foi "muito dinâmico". Falou ainda da sua autarquia e da necessidade da descentralização.

O presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, não escondeu o seu apoio a Santana Lopes e, entrevistado no programa ECO 24 esta quinta-feira, deixou críticas à atuação de Rui Rio. “Da minha parte, não farei nem convocarei para que se faça a Rui Rio o que muitos apoiantes de Rui Rio, e o próprio também, fizeram a Pedro Passos Coelho”, afirmou, garantindo, no entanto, que pessoalmente trabalhará para a união no PSD.

A crítica ao presidente eleito do partido, na véspera da sua tomada de posse, veio com uma promessa de “convergência, de união” dentro do partido. “Não irei contribuir para fazer ao atual líder o que os apoiantes do presidente do partido eleito fizeram a Pedro Passos Coelho em momentos de grande dificuldade, isso eu não farei”, garantiu Carlos Carreiras, questionado sobre se existe união dentro do partido. Sobre o PSD, afirmou, “há mitos urbanos”. Afinal, “o PSD nunca foi propriamente um partido conhecido por ter um grande nível de união. É um partido muito dinâmico e com aspirações individuais”, acrescentou.

"Todos dizemos no PSD que aprendemos de Sá Carneiro que primeiro está o país, depois está o partido, e só depois os interesses pessoais, embora por vezes misturem a ordem dos fatores. O PSD, se continuar nesse caminho, não tem um futuro auspicioso.”

Carlos Carreiras

Presidente da Câmara de Cascais

“Eu estou bem em Cascais, Cascais não tem rio, só tem mar”, brincou o autarca, “mas tudo farei para que não se prolongue este ambiente negativo de contestar o líder e a liderança”, acrescentou. “Todos dizemos no PSD que aprendemos de Sá Carneiro que primeiro está o país, depois está o partido, e só depois os interesses pessoais, embora por vezes misturem a ordem dos fatores. O PSD, se continuar nesse caminho, não tem um futuro auspicioso”.

Sobre a possibilidade de o PSD vir a realizar pactos com o PS, Carlos Carreiras não disse que sim nem que não. O social-democrata afirmou que o PSD já chegou a propor pactos do género, mas que o PS nem sempre cumpriu a sua palavra. De qualquer forma, “não é o momento” de fazer pactos, já que as legislativas estão quase à porta. “Vale a pena estabelecê-los no pós-eleições”, reconheceu.

Da “cidade estúpida” à smart city em Cascais

Carlos Carreiras também falou amplamente sobre a necessidade de uma boa reforma de descentralização, algo que lhe parece que o atual Governo, com o seu acordo parlamentar de esquerda, não está a fazer corretamente. A esquerda, afirmou, pretende que a descentralização seja universal e igual para todos os municípios, mas para este autarca não faz sentido que “um município com 4.000 habitantes, com um orçamento que rondará seis ou oito milhões de euros por ano, possa ter o mesmo tipo de descentralização que outros municípios como é o caso de Cascais, com 210 mil habitantes e 200 milhões de euros de investimento”.

Carlos Carreiras defendeu a postura de António Costa, ele próprio ex-autarca, perante a descentralização.Paula Nunes / ECO

Louvou, no entanto, a defesa da descentralização feita por António Costa e pelo ministro Eduardo Cabrita, assim como pelo secretário de Estado da Administração Local, que também é um ex-presidente da Câmara. “O problema está nesse condicionamento que é colocado à esquerda”, afirma, referindo-se ao acordo parlamentar com o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda.

Cascais, porém, está na vanguarda do desenvolvimento urbano, afirmou Carlos Carreiras. “Estamos muito ligados à questão das smart cities“, contou. “Fizemos cidades estúpidas, daí a necessidade agora de fazer cidades inteligentes”.

O que é uma cidade estúpida? “As cidades estúpidas são aquelas que foram feitas contra as pessoas. Agora é preciso humanizar as cidades e introduzir tecnologia que pode ajudar a vida dos cidadãos. A cidade estúpida é uma cidade em que nós desregulámos o território, não tivemos um bom ordenamento do território”, afirmou. Em contrapartida, chegam as oportunidades que advêm das smart cities.

E a Nestlé? Há “fortes expectativas”

Carlos Carreiras também foi confrontado com o seu anúncio, antes das eleições autárquicas que lhe valeram a Câmara de Cascais, de que a multinacional Nestlé criaria milhares de postos de trabalho em Cascais com um projeto em Carcavelos. A notícia foi então contradita pela Nestlé, que afirmou não ter compromissos nesse sentido. E agora, em que pé estão as coisas?

A Nestlé poderá ainda ir para Cascais, afirmou Carlos Carreiras, referindo que o investimento possa vir a ser ainda maior do que o previsto.Paula Nunes / ECO

“Eu agora sou muito prudente nestas matérias”, disse Carlos Carreiras. “Normalmente gosto de ser direto e frontal, mas neste caso não o posso fazer a título de que se o fizer posso inclusivamente perder o investimento. Eu tenho fortes expectativas de que, inclusivamente, seja ainda maior o envolvimento da Nestlé em Cascais do que aquele que foi anunciado nesse período”.

Na altura, a multinacional suíça, contactada pelo ECO, disse que “ainda não [havia] contrato assinado nesse sentido”, e que a expansão da unidade estava em fase de prospeção, não sendo certo sequer que seja naquele município.

  • Marta Santos Silva
  • Redatora
  • Paula Nunes
  • Fotojornalista

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