“Dos mais de 15.000 satélites ativos em órbita, menos de 300 têm seguro em vigor”

David Wade aprova, ou não, seguros para satélites e foguetões na Lloyd's. Explica como está a evoluir a indústria aeroespacial, como funcionam as coberturas e deixa conselhos a operadores portugueses.

O engenheiro David Wade é subscritor de riscos espaciais e há 20 anos aprova, ou não, seguros para satélites e foguetões através da Atrium Space Insurance Consortium (ASIC). Este consórcio segurador integra nove unidades especializadas da célebre Lloyd’s of London, conseguindo assumir riscos de 42 milhões de dólares. Formado em Inglaterra, em Engenharia Aeroespacial pela Universidade de Kingston e com mestrado em Engenharia Astronáutica e do Espaço pela Universidade de Cranfield, esteve em Portugal a convite da Associação Portuguesa de Seguradores e concedeu uma entrevista exclusiva ao eRadar e ao ECOseguros onde falou dos desafios que o maior foco na economia espacial — e a ligação com o setor de defesa — poderá colocar ao setor segurador e não só.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

“A entrega de cargas úteis à superfície lunar por operadores privados, por exemplo, poderá exigir novos critérios de avaliação de perdas. Talvez a questão mais relevante para o futuro seja a necessidade de seguros contra atos de guerra no espaço”, aponta o especialista. “Uma das questões atualmente debatidas pelo mercado é se futuras apólices de guerra espacial deverão incluir cobertura para ciberataques”, antecipa.

A nível mundial, apenas cerca de 30 seguradoras oferecem cobertura para o setor espacial. Globalmente, existem aproximadamente 450 milhões de dólares de capacidade de seguro disponível, refere David Wade.

Quais são os principais riscos que as empresas espaciais procuram atualmente transferir para as seguradoras?

O único seguro obrigatório para atividades espaciais é o seguro de responsabilidade civil perante terceiros (Third Party Liability – TPL). O montante da cobertura TPL a adquirir é especificado na licença do operador de satélites. Todos os países que emitem licenças exigem a contratação de um seguro TPL para cobrir acidentes durante o lançamento que possam causar danos materiais à superfície terrestre. No entanto, apenas um pequeno número de países exige cobertura TPL para atividades em órbita, onde é necessário atribuir culpa — algo difícil de determinar caso dois satélites colidam.

E em seguros de ativos, dos próprios equipamentos?

O seguro de primeira parte (ou seguro de ativos), como o que fornecemos através da Atrium Space Insurance Consortium (ASIC), depende frequentemente do tipo de satélite a segurar. A indústria espacial está atualmente a passar por uma transformação, passando da abordagem tradicional baseada em grandes satélites individuais para comunicações ou observação da Terra para frotas de satélites mais pequenos e económicos (designadas por “constelações”) que trabalham em conjunto para prestar o mesmo serviço.

O seguro espacial é um setor de nicho. Apenas cerca de 30 seguradoras em todo o mundo oferecem este tipo de cobertura. Globalmente, existem aproximadamente 450 milhões de dólares de capacidade de seguro disponível.

Presente e futuro serão diferentes?

Na abordagem tradicional, cada satélite é normalmente concebido para operar durante 15 anos em órbita. Como não podem ser reparados, incluem componentes redundantes para garantir a sua sobrevivência durante esse período. Estes satélites têm frequentemente valores superiores a 250 milhões de dólares, pelo que os operadores contratam seguros para proteger ativos tão valiosos. Na abordagem “New Space”, são lançados dezenas, centenas ou milhares de satélites que operam em conjunto. Cada satélite é mais simples e, sendo produzido em massa, tem um custo significativamente inferior. Com tantos satélites, estes operadores tendem a confiar mais em satélites de reserva já posicionados em órbita do que em seguros como mecanismo de transferência de risco. Nestes casos, é mais provável que o seguro seja adquirido apenas para a fase de lançamento, quando vários satélites viajam no mesmo foguetão e existe uma acumulação significativa de valor. A cobertura termina normalmente quando os satélites são colocados em órbita e se separam do lançador.

Qual o nível de capacidade financeira disponibilizado atualmente pela indústria seguradora ao mercado espacial?

O seguro espacial é um setor de nicho. Apenas cerca de 30 seguradoras em todo o mundo oferecem este tipo de cobertura. Globalmente, existem aproximadamente 450 milhões de dólares de capacidade de seguro disponível e a ASIC, para a qual sou subscritor de riscos em nome de nove syndicates do Lloyd’s, dispõe de uma capacidade de 45 milhões de dólares.

É suficiente?

A capacidade global é suficiente para cobrir a maioria das atividades atuais, quer se trate de grandes satélites tradicionais, quer do valor acumulado de vários satélites menores lançados conjuntamente num único foguetão. No entanto, seria normalmente insuficiente para cobrir uma constelação inteira em órbita, composta por centenas ou milhares de satélites idênticos a operar em conjunto e com um valor acumulado de vários milhares de milhões de dólares.

Então, no futuro como será?

A indústria espacial está a desenvolver foguetões de grande dimensão, como o Starship da SpaceX ou o New Glenn da Blue Origin, capazes de lançar enormes quantidades de satélites numa única missão. Além disso, novas estações espaciais comerciais substituirão a Estação Espacial Internacional após a sua retirada prevista para o início da década de 2030. Em ambos os casos, as necessidades de seguro poderão ultrapassar significativamente a capacidade atualmente disponível, constituindo um dos principais desafios para a indústria espacial e para o mercado segurador nos próximos anos.

David Wade esteve no Estoril para intervir no Encontro de Resseguros, realizado pela Associação Portuguesa de Seguradores.

Quem são os principais motores do mercado de seguros espaciais: corretores, seguradoras ou resseguradoras?

Todos desempenham um papel importante. Embora existam atualmente mais de 15.000 satélites ativos em órbita, menos de 300 possuem seguro em vigor, ainda que muitos outros estejam cobertos apenas durante a fase de lançamento. Dada a reduzida quantidade de satélites segurados, os corretores desempenham um excelente trabalho ao aproximar a indústria espacial do mercado segurador e ao demonstrar os benefícios que o seguro pode proporcionar. As seguradoras adotam geralmente uma abordagem altamente técnica. Muitos subscritores de riscos espaciais trabalharam anteriormente na indústria espacial ou contam com consultores especializados. Ao mesmo tempo, mantêm uma amplitude de apetite pelo risco suficiente para que a maioria dos projetos espaciais consiga encontrar cobertura. Embora existam apenas cerca de 30 seguradoras especializadas em seguros espaciais a nível mundial, muitas recorrem a programas de resseguro que aumentam significativamente a capacidade disponível.

O crescente número de lançamentos e satélites em órbita torna o mercado mais desafiante ou mais atrativo para as seguradoras?

O aumento do número de lançamentos e de satélites é certamente atrativo para as seguradoras. Contudo, como muitos destes satélites são atualmente segurados apenas durante a fase de lançamento, e não durante toda a sua vida operacional em órbita, este crescimento nem sempre se traduz num aumento proporcional dos prémios. Nos próximos anos, espera-se que a expansão da economia espacial e o aparecimento de novas aplicações para satélites contribuam para um crescimento do mercado segurador.

Qual o principal risco específico?

O principal desafio está relacionado com a Órbita Terrestre Baixa (LEO – Low Earth Orbit), situada até cerca de 2.000 km de altitude. O lançamento massivo de satélites, especialmente de constelações, está a tornar esta região cada vez mais congestionada. As preocupações relativas ao risco de colisão estão a aumentar, levando as seguradoras a analisar com maior detalhe os sistemas e procedimentos utilizados pelos operadores para monitorizar outros objetos orbitais e evitar acidentes.

Em algumas inovações, os testes laboratoriais podem não reproduzir fielmente as condições reais. Para novos veículos lançadores, as seguradoras normalmente exigem pelo menos dois voos bem-sucedidos antes de disponibilizarem cobertura.

Como avaliam as seguradoras os riscos num setor onde a inovação tecnológica avança mais rapidamente do que a disponibilidade de dados históricos?

Embora existam muitos desenvolvimentos tecnológicos, em muitos casos trata-se de evoluções de gerações anteriores, impulsionadas pela obsolescência de componentes ou pela procura de maior desempenho. Mesmo quando são introduzidos novos componentes, muitos mantêm características semelhantes às tecnologias anteriores. Os fabricantes realizam extensos programas de testes que simulam as condições espaciais como temperatura, radiação ou vibração, para garantir a aptidão dos equipamentos para operação no espaço. Esses programas permitem que os componentes avancem ao longo da escala de Nível de Prontidão Tecnológica (Technology Readiness Level – TRL), demonstrando a sua capacidade operacional. Contudo, em algumas inovações, os testes laboratoriais podem não reproduzir fielmente as condições reais. Nestes casos, são necessárias missões de demonstração. Por exemplo, para novos veículos lançadores, as seguradoras normalmente exigem pelo menos dois voos bem-sucedidos antes de disponibilizarem cobertura.

Que requisitos de seguro costumam ser exigidos por investidores e financiadores de projetos espaciais?

Os satélites tradicionais de grande porte possuem geralmente valores muito elevados. Por isso, as empresas operadoras costumam contratar seguros para proteger as suas obrigações financeiras e os seus balanços. À medida que a indústria evolui para soluções New Space baseadas em múltiplos satélites menores e de menor valor individual, tem-se verificado uma maior dependência de satélites de reserva em órbita como mecanismo de mitigação de risco, reduzindo a necessidade de segurar cada unidade. Esta realidade também está relacionada com a forma de financiamento destes projetos. Muitos continuam a ser financiados por capital de risco (venture capital), cujos investidores aceitam níveis elevados de risco em troca de potenciais retornos elevados. Espera-se, contudo, que a procura por seguros aumente à medida que estas empresas ultrapassem as fases iniciais de demonstração tecnológica e procurem financiamento através de dívida para expandir as suas operações.

A crescente dependência de satélites por setores como agricultura, energia e defesa está a criar novas necessidades de seguro?

Muitas das novas aplicações continuam a basear-se em serviços de comunicações ou observação da Terra, áreas em que as seguradoras já possuem experiência. Por exemplo, alguns satélites destinados à monitorização de consumos energéticos utilizam sensores infravermelhos para identificar fontes de calor. A cobertura de seguro é semelhante à dos satélites de observação convencionais, embora os critérios de indemnização sejam ajustados ao desempenho específico da missão.

E esperam-se coberturas adicionais?

Algumas novas aplicações comerciais irão exigir coberturas adicionais. A entrega de cargas úteis à superfície lunar por operadores privados, por exemplo, poderá exigir novos critérios de avaliação de perdas. Talvez a questão mais relevante para o futuro seja a necessidade de seguros contra atos de guerra no espaço. Atualmente, atos de guerra estão excluídos das apólices espaciais. No entanto, à medida que forças armadas recorrem cada vez mais a serviços fornecidos por operadores comerciais de satélites, cresce o risco de estes sistemas se tornarem alvos militares. Poderá surgir a necessidade de criar apólices específicas para cobrir atos de guerra contra satélites, semelhantes às existentes nos setores da aviação e marítimo.

Até que ponto os ciberataques são atualmente considerados um risco significativo no setor espacial?

Já ocorreram vários ciberataques. O caso mais relevante até hoje foi o ataque à rede Ka-Sat, na véspera da invasão da Ucrânia pela Rússia. Contudo, o alvo principal foi a infraestrutura terrestre da rede e não o satélite propriamente dito. Também se registaram casos de interferência e bloqueio de comunicações, como durante a Primavera Árabe entre 2010 e 2012, embora estes eventos tenham provocado apenas interrupções temporárias. Assumir o controlo efetivo de um satélite é substancialmente mais complexo do que perturbar temporariamente as suas comunicações. Por essa razão, os fabricantes incorporam frequentemente sistemas de encriptação para reduzir esse risco. As apólices de seguro espacial cobrem incidentes cibernéticos não maliciosos, mas excluem ataques cibernéticos deliberados. Uma das questões atualmente debatidas pelo mercado é se futuras apólices de guerra espacial deverão incluir cobertura para ciberataques.

A entrega de cargas úteis à superfície lunar por operadores privados, por exemplo, poderá exigir novos critérios de avaliação de perdas. Talvez a questão mais relevante para o futuro seja a necessidade de seguros contra atos de guerra no espaço.

O uso crescente de inteligência artificial (IA) em sistemas espaciais cria novos desafios para as seguradoras?

Ainda não observamos uma adoção significativa de IA nos equipamentos embarcados dos satélites, mas essa evolução é inevitável. A inteligência artificial será também utilizada nos centros de controlo para otimizar operações e coordenar manobras orbitais. E, à medida que surgem constelações compostas por milhares ou mesmo centenas de milhares de satélites, a IA tornar-se-á essencial para evitar colisões e gerir o crescente congestionamento orbital. Numa perspetiva mais ampla, os projetos de centros de dados espaciais poderão criar desafios adicionais. À medida que os processadores se tornam mais avançados e miniaturizados, podem tornar-se mais vulneráveis aos efeitos da meteorologia espacial, incluindo radiação solar e raios cósmicos galácticos. Esses fenómenos podem causar falhas temporárias, reinicializações dos sistemas ou mesmo danos permanentes em componentes eletrónicos.

Espera que o seguro de responsabilidade civil se torne cada vez mais importante para a indústria espacial? Em que áreas?

Sem dúvida. A responsabilidade civil perante terceiros (TPL) deverá assumir uma importância crescente. Esta matéria é regulada pela Convenção das Nações Unidas sobre Responsabilidade Internacional por Danos Causados por Objetos Espaciais, de 1972 e essa Convenção estabelece que o Estado lançador é absolutamente responsável por danos causados à superfície terrestre ou a aeronaves em voo. Consequentemente, os países transferem parte dessa responsabilidade para os operadores através dos regimes de licenciamento e exigem a contratação de seguros TPL para lançamentos.

Os riscos associados a um porto espacial são, em muitos aspetos, semelhantes aos de um aeroporto. A principal diferença reside nos combustíveis utilizados. Os propelentes dos foguetões são geralmente muito mais energéticos e potencialmente explosivos do que o combustível de aviação. Quando o foguetão New Glenn, da Blue Origin, explodiu durante um teste na plataforma de lançamento na Florida, causou danos cuja reparação poderá demorar cerca de um ano.

E quando estão em órbita?

Em órbita a responsabilidade exige prova de culpa, algo extremamente difícil de demonstrar. Atualmente, apenas quatro países exigem seguros TPL para operações orbitais. No entanto, espera-se que mais Estados passem a transferir esta responsabilidade para os operadores à medida que aumenta a congestão espacial. No futuro, a responsabilidade civil também deverá tornar-se relevante para os voos espaciais tripulados e para o turismo espacial.

Os Açores foram identificados como uma localização estratégica para atividades espaciais. Que implicações seguradoras surgem na criação de infraestruturas de lançamento e portos espaciais?

Os riscos associados a um porto espacial são, em muitos aspetos, semelhantes aos de um aeroporto. Tal como os aeroportos, os portos espaciais possuem hangares, instalações de abastecimento, centros de controlo e outras infraestruturas de apoio. A principal diferença reside nos combustíveis utilizados. Os propelentes dos foguetões são geralmente muito mais energéticos e potencialmente explosivos do que o combustível de aviação. Enquanto um incidente de abastecimento num aeroporto pode originar um incêndio localizado, a explosão de um foguetão totalmente abastecido pode gerar uma enorme bola de fogo e causar danos extensivos às infraestruturas. Um exemplo recente ocorreu quando o foguetão New Glenn, da Blue Origin, explodiu durante um teste na plataforma de lançamento na Florida, causando danos cuja reparação poderá demorar cerca de um ano. Por este motivo, as operações em portos espaciais exigem níveis muito elevados de controlo e regulamentação.

Que tipos de empresas portuguesas já deveriam considerar coberturas de seguro especializadas para a sua participação no setor espacial?

A cobertura de ativos espaciais disponibilizada pelo ASIC é adequada para fabricantes e operadores de satélites que pretendam proteger os seus ativos espaciais. As apólices podem cobrir situações como: explosão do foguetão durante o lançamento; falha na separação do satélite do lançador; problemas elétricos ou mecânicos que impeçam o funcionamento normal e colisões com detritos espaciais. Os prestadores de serviços de lançamento deverão também contratar seguros de responsabilidade civil para cumprir os requisitos das suas licenças. Além disso, poderão surgir novas necessidades relacionadas com a crescente dependência dos satélites. Por exemplo, eventos severos de meteorologia espacial podem perturbar sinais de navegação e comunicações, afetando atividades como a agricultura de precisão. Os impactos económicos desses eventos poderão ser mitigados através de soluções seguradoras específicas.

O acesso ao seguro é um fator decisivo para a viabilidade financeira de um projeto de porto espacial?

Sim. Qualquer incidente num porto espacial pode provocar danos extensos nas plataformas de lançamento e noutras infraestruturas críticas. O seguro é essencial para garantir a reconstrução e a continuidade operacional. Como os portos espaciais dependem das taxas pagas pelos operadores de lançamento e o número de lançamentos anuais ainda é relativamente reduzido, um acidente pode comprometer significativamente as receitas futuras. A cobertura seguradora permite acelerar a recuperação e o regresso às operações.

Que conselho daria a uma startup portuguesa que esteja a desenvolver tecnologia para o setor espacial? A proteção por seguro deve ser uma prioridade?

O principal conselho é iniciar o diálogo com o mercado segurador o mais cedo possível. Se existir a possibilidade de o projeto necessitar de seguro no futuro, o ideal é envolver as seguradoras desde as fases iniciais do desenvolvimento. É importante que os seguradores acompanhem a evolução do projeto, compreendam como a empresa enfrenta contratempos, avaliem a sua capacidade de superar desafios e se familiarizem com as novas tecnologias que estão a ser desenvolvidas.

As seguradoras e corretoras podem trazer know-how às startups?

O seguro deve ser encarado como uma parceria baseada em transparência e confiança. Além disso, o mercado de seguros espaciais concentra um enorme conhecimento técnico. Muitos corretores e subscritores possuem experiência em engenharia espacial e já acompanharam inúmeras situações semelhantes. As startups devem aproveitar esse conhecimento e apoio desde cedo, uma vez que os custos só surgem quando a apólice entra efetivamente em vigor, mas os benefícios da colaboração podem ser obtidos muito antes disso.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

“Dos mais de 15.000 satélites ativos em órbita, menos de 300 têm seguro em vigor”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião