Os atrasos no controlo na Portela mantêm-se. "Se a fila atingir uma hora, duas horas, já é irrecuperável para o resto do dia, e vai haver passageiros a perder voos", diz o country manager da Easyjet.
“Vejo um verão difícil, não sou propriamente um otimista relativamente à matéria.” A posição do country manager da Easyjet, em entrevista ao ECO, prende-se com o sistema de controlo de passageiros no Aeroporto Humberto Delgado. José Lopes espera “que da parte da gestão do dia-a-dia da PSP exista a aplicação do bom senso” que tem existido nos últimos tempos, fazendo a passagem do sistema novo para o antigo sempre que as filas começam a aumentar. Contudo, alerta, não se pode deixar que estas passem do ponto em que já não é possível evitar que passageiros fiquem em terra. “É preciso um equilíbrio entre a aplicação destas novas regras e defender o turismo, que é de importância vital para o PIB português”, diz.
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O ministro Miguel Pinto Luz referiu que já não há confusão no aeroporto. Ainda existe?
A nível do EES [Entry/Exit System; Sistema de Entrada/Saída das fronteiras da UE]? Continua, em certos dias da semana, nos dias em que existe maior aglomeração de voos não Schengen. Especialmente nos dias em que existem voos para a mesma zona de duas, três horas, e existem cinco voos para o Brasil, cinco voos para os Estados Unidos, vários voos para a África e para o Reino Unido. Sim, existem aglomerados de passageiros.
O que está a correr mal?
O sistema que foi implementado a nível da União Europeia é mais rígido ao nível do controlo de informação, e mesmo no mundo perfeito, em que tenhamos todas as boxes ocupadas, tenhamos mais boxes, o sistema software não entre em colapso, as máquinas, o hardware, não tenha deficiências – infelizmente nada disto acontece em pleno –, um passageiro que, com as regras antigas era escrutinado num minuto, agora, com as análises adicionais, é analisado em três minutos, se for um passageiro de um país considerado seguro, como o Reino Unido, a Irlanda ou os Estados Unidos. Ou seis minutos, se for um passageiro de um país africano, ou do Brasil, ou da Ásia.
Mesmo havendo mais efetivos e mais boxes, não acredito que fisicamente seja possível termos três ou seis vezes mais boxes do que tínhamos originalmente. Haverá sempre, fruto da implementação destas regras adicionais de segurança da União Europeia, do Espaço Schengen, um aumentar das filas.
No melhor dos casos, com o mesmo número de boxes, a fila ou triplicava ou aumentava seis vezes. Era urgente aquilo que está a ser feito agora, haver mais efetivos e haver mais boxes. Mesmo havendo mais efetivos e mais boxes, não acredito que fisicamente seja possível termos três ou seis vezes mais boxes do que tínhamos originalmente. Haverá sempre, fruto da implementação destas regras adicionais de segurança da União Europeia, do Espaço Schengen, um aumentar das filas.
Sugere alguma medida para o verão?
No verão já estamos [na operação, o verão decorre de abril a outubro]. Nestes dias em que há maior aglomeração de tráfego, haver uma gestão equilibrada, o que realmente está a ser feito no terreno. Quando a PSP vê que a fila começa a crescer, não faz a recolha de dados biométricos na sua totalidade e, dessa forma, consegue agilizar o processo.
E com isso pode haver brechas de segurança?
Brechas de segurança não há, porque é feito no controlo antigo. Agora, não é o controlo tão apertado como as novas regras exigem. Aqui, é o tal equilíbrio que tem que ser gerido por parte das autoridades, e é da sua responsabilidade, entre uma solução mais drástica, como os gregos tomaram – basicamente, disseram “o turismo é mais importante para nós do que a implementação deste sistema no verão, e não implementarmos, ponto”, e só vão começar a implementar no inverno.
Aqui, as nossas autoridades têm uma abordagem mais equilibrada. Quando começam a acumular as filas, entra-se no sistema manual, em vez de fazer recolha de dados biométricos. Aquilo que nós pedimos é que, por bem da imagem que os passageiros levam [do país], por bem da experiência do passageiro, que esta gestão mais equilibrada seja feita antes de as filas serem demasiado grandes. Se a fila atingir uma hora, duas horas, já é irrecuperável para o resto do dia, e vai haver passageiros a perder voos.
Brechas de segurança não há, porque é feito no controlo antigo. Agora, não é o controlo tão apertado como as novas regras exigem. Aqui, é o tal equilíbrio que tem que ser gerido por parte das autoridades.
O que pedem às autoridades?
Se as filas, no máximo, chegarem a meia hora, devia ser tomada logo essa decisão, para começar a agilizar. E, depois, continuar a fazer o que também tem estado a ser feito, que é as obras que já deviam ter começado há mais tempo e já deviam estar mais do que entregues, de haver mais boxes e aquilo que o Governo está a fazer também, que é de colocar mais efetivos para preencher essas boxes. Depois, repensar se não vale a pena investir em máquinas melhores, que não exijam uma paragem para limpeza tão frequente. E se não vale a pena pensarem em soluções – aí já teria que ser a nível da União Europeia – de um software que funcione melhor.

A ANA está a fazer o que lhe compete?
A parte do investimento, da alocação de espaço [para boxes], sim. Isso está a ser feito, começou um pouco tarde, mas está a começar a ser entregue. Em Lisboa, está prestes a ser finalizado. Espero que em Faro e no Porto também.
Que expectativas tem em relação à operação no verão?
Vejo um verão difícil, não sou propriamente um otimista relativamente à matéria. O que espero é que da parte da gestão do dia-a-dia da PSP exista a aplicação deste bom senso, que tem vindo a ocorrer, tendencialmente, para se tentar minimizar as coisas… afinal, é preciso um equilíbrio entre a aplicação destas novas regras e defender o turismo, que é de importância vital para o PIB português.
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Easyjet espera “verão difícil” no aeroporto de Lisboa devido ao controlo de passaportes
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