A corretora em Portugal e na Lloyd’s quer ser referência na mediação de seguros de FinTech, IA, blockchain, criptoativos e pagamentos digitais. O DG Francisco Monteiro explica por que são diferentes.
A Elmore Insurance Brokers foi fundada pelo atual CEO Simon Gilbert, um ex-Howden que passou várias férias em Portugal quando era mais novo e sempre teve uma relação especial com o país. Por isso, em 2020, depois do Brexit, procurou uma base alternativa em Cascais, território na União Europeia. A Elmore tem estatuto de corretora em Portugal e junto da Lloyd’s e uma forte especialização em seguros para tecnológicas e para novas financeiras. Francisco Monteiro, que após passagem pela corretora Villas Boas ACP trabalhou dois anos na Austrália, voltou em 2020 para a Elmore Portugal, que já faturou 587 mil euros no ano passado. Está a liderar o negócio em Portugal desde o início das operações e foi entrevistado por ECOseguros.
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Porque veio a Elmore para Portugal. E porque é corretora e não agente de seguros?
A Elmore chegou a Portugal em 2020, na sequência do Brexit. Nesse ano obtivemos a nossa licença de agente de seguros e, posteriormente, em 2022, a licença de corretor de seguros, passo necessário para que a operação portuguesa pudesse também obter o estatuto de Lloyd’s Broker. A Elmore Insurance Brokers, no Reino Unido, pretendia continuar a desenvolver a sua atividade junto de clientes e parceiros europeus e, por isso, tornou-se necessário criar uma estrutura própria dentro da União Europeia. Portugal acabou por ser uma escolha muito natural. Existem razões práticas, como estarmos no mesmo fuso horário do Reino Unido e termos excelentes ligações a Londres, mas existia também uma ligação pessoal. O Simon Gilbert, fundador e CEO da Elmore, passou várias férias em Portugal quando era mais novo e sempre teve uma relação especial com o país.
E qual foi o seu papel nessa chegada?
Entrei na Elmore em 2020 com o desafio de lançar a operação em Portugal e ficar responsável pelo desenvolvimento do negócio no mercado europeu. Regressei a Portugal para criar a operação de raiz, desde a obtenção da licença e implementação da estrutura local até ao desenvolvimento comercial. Desde então, tenho liderado a operação portuguesa e o crescimento da Elmore na União Europeia. Ao longo destes seis anos, fomos consolidando a nossa presença em vários mercados europeus e tornando Portugal numa parte cada vez mais relevante da estratégia internacional do grupo.
Como foi a resposta ao Brexit?
Aquilo que começou essencialmente como uma resposta ao Brexit acabou por se transformar numa verdadeira oportunidade de crescimento. Portugal deixou de ser apenas a solução para manter a presença da Elmore na União Europeia e tornou-se a base do nosso negócio europeu.
Qual o perfil de clientes da Elmore em Portugal?
Temos essencialmente dois modelos de negócio distintos em Portugal. Enquanto Lloyd’s Broker, a Elmore tem acesso a mercados e capacidade seguradora internacional que nem sempre estão diretamente disponíveis para todos os corretores. Por esse motivo, uma parte importante da nossa atividade em Portugal é desenvolvida em modelo wholesale, trabalhando em parceria com corretores portugueses. Normalmente entramos quando o corretor tem perante si um risco mais complexo, para o qual não encontra uma solução adequada no mercado segurador nacional, ou quando estamos perante riscos de maior dimensão que exigem a construção de programas com várias seguradoras e diferentes camadas de capacidade.

Então trabalham para concorrentes?
Não procuramos substituir o outro corretor que tem a relação com o cliente. Pelo contrário, funcionamos como uma extensão da sua capacidade, dando-lhe acesso aos mercados internacionais e à especialização da Elmore.
E qual a atividade no retalho?
No negócio retail, diretamente com clientes empresariais, a nossa especialização é sobretudo o setor tecnológico. Trabalhamos desde empresas tradicionais de IT e software até FinTechs, instituições de pagamento, inteligência artificial, plataformas de crowdfunding e empresas ligadas a blockchain, criptoativos e Web3. Temos, em particular, uma experiência significativa com empresas reguladas que necessitam de seguros não apenas como proteção do seu negócio, mas também para cumprir requisitos regulamentares, nomeadamente no âmbito da PSD2 e, mais recentemente, do regulamento MiCA para prestadores de serviços de criptoativos.
Quais os produtos que a Elmore mais comercializa?
A nossa origem e principal especialização são as chamadas Linhas Financeiras e os riscos tecnológicos. Entre os produtos que mais trabalhamos estão o Professional Indemnity (Responsabilidade Civil Profissional), Cyber, Directors & Officers (D&O), ramo Crime e outros seguros especificamente desenvolvidos para empresas tecnológicas e instituições financeiras.
E quais os produtos mais atraentes em Portugal e internacionalmente?
Em Portugal o perfil da carteira reflete bastante esta especialização, quer através dos nossos clientes diretos, quer através dos riscos que recebemos dos nossos parceiros corretores. Internacionalmente, a lógica é semelhante. A Elmore nasceu como um corretor especializado e essa continua a ser uma parte importante da nossa identidade: procurar soluções para riscos que, pela sua dimensão, complexidade, atividade ou enquadramento regulatório, nem sempre encontram uma resposta simples nos mercados seguradores tradicionais.
Quais os objetivos que a Elmore pretende atingir globalmente?
A nossa ambição é muito clara: queremos que a Elmore seja a referência europeia em seguros para empresas ligadas ao setor tecnológico e aos novos serviços financeiros. É um setor que evolui extremamente depressa. FinTech, inteligência artificial, blockchain, criptoativos, pagamentos digitais e novas formas de prestação de serviços tecnológicos criam riscos que há poucos anos praticamente não existiam. É precisamente aí que um corretor especializado consegue acrescentar mais valor.
E em Portugal?
Em Portugal, ainda temos um enorme espaço para crescer. Até agora concentrámo-nos essencialmente em Linhas Financeiras e riscos tecnológicos e ainda não desenvolvemos de forma significativa áreas de seguros mais tradicionais. A médio e longo prazo, gostaríamos de alargar progressivamente a nossa oferta e a nossa presença no mercado português. Começámos por fazer aquilo em que somos verdadeiramente especialistas. No futuro, quem sabe, a Elmore poderá abrir as portas a um universo muito mais amplo de empresas e necessidades de seguros.
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Elmore: “Queremos ser referência em seguros para tech e para financeiras”
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