Frulact. “As nossas pessoas são um capital forte, o motor do nosso sucesso”

Cerca de 200 colaboradores de diferentes geografias vão ser integrados na Frulact depois das aquisições de empresas da indústria alimentar. Rita Pereira, global head FrUPeople, explica a estratégia.

Depois das aquisições, a Frulact, agora controlada pelo fundo Ardian, prepara-se para integrar 180 colaboradores de unidades na Alemanha, França e Suíça na cultura Frulacteana. Aos 34 anos, a empresa fundada pela família Miranda, é hoje uma empresa com dimensão internacional, dando emprego a cerca de 900 colaboradores e gerando uma faturação na ordem dos 200 milhões de euros, mas tem nas pessoas o seu principal ativo.

“A cultura Frulact é um ativo em si. O legado dos fundadores da Frulact, a família Miranda, permanece no nosso ADN. Tal como quando éramos uma empresa familiar, as nossas pessoas – os Frulacteanos – são encarados como um capital forte, e como o motor do nosso sucesso”, garante Rita Pereira, global head FrUPeople, à Pessoas.

Rita Pereira é, ela mesma, um exemplo do que se chama a cultura Frulacteana, de recrutamento e progressão interna. Na empresa há mais de 20 anos, nos últimos três assumiu o pelouro dos recursos humanos, que passou a designar-se, FrUPeople. Mas não faltam exemplos de promoção e mobilidade numa empresa com unidades de produção na Europa (Portugal e França), América do Norte (Canadá), e África (Marrocos e África do Sul).

“Cada expatriado Frulact tem um percurso invejável e são todos sem exceção exemplos de compromisso e dedicação, como resposta à oportunidade de carreira internacional que estão a ter”, diz.

A empresa está ainda a contratar. “Neste momento, e para referir apenas as oportunidades na sede, mais de uma dezena de vagas para as áreas de recursos humanos, financeira, procurement, Supply Chain Management (SCM) e industrial”, revela.

Depois da compra do negócio de preparação de fruta da IFF e da Sensient Technologies Corporation vão, a partir de outubro, integrar 180 pessoas de unidades na Alemanha, França e Suíça. Como se integra culturas corporativas tão distintas na cultura Frulacteana ?

A Frulact tem, desde a sua fundação, um histórico de crescimento sustentado e de integrações bem-sucedidas. Temos experiência nestes processos e contamos com um legado inestimável: a nossa cultura de inovação, que tem nos nossos mais de 700 colaboradores os seus maiores embaixadores, e que permitiu à empresa evoluir, crescer e diferenciar-se à escala global – hoje somos um dos líderes globais em soluções de ingredientes para a indústria alimentar!

Este foco na inovação passa também pela capacidade de, que sempre que a família Frulact cresce, termos a capacidade de integrar as melhores práticas dos que chegam, seja em termos de processo industrial, seja em termos de cultura, fazendo-os sentirem-se, desde logo, parte do projeto.

Na Frulact, todos contribuem com ideias, e isso é válido desde o momento da chegada. Valorizamos o espírito crítico e inovador nos colaboradores – os Frulacteanos têm um espírito irreverente, uma forma de pensar que desafia o status quo e propicia a mudança, a confiança, a ambição e o rigor.

Outro elemento essencial para garantir o sucesso deste próximo passo, que temos preparado com todo o cuidado, será a formação: os novos colaboradores contam com a “Frulact Academy”, um projeto dedicado à formação, à partilha de conhecimento e ao desenvolvimento contínuo das equipas. Só em 2020, foram dadas perto de 15 mil horas de formação. A Frulact tem já objetivos de crescimento anual de horas de formação definidos até 2025, de forma a garantirmos a aposta contínua no desenvolvimento das nossas pessoas. Durante a fase de integração vamos também reforçar a comunicação interna.

A Frulact deixou de ser controlada por uma família e foi comprada por um fundo internacional. Que impacto teve na gestão de pessoas e na sua cultura empresarial?

A principal mudança foi na capacidade de fazer o negócio crescer, e no impacto que isso tem nas ainda maiores oportunidades que poderemos proporcionar aos colaboradores. A Ardian adquiriu a Frulact também pelo modelo de gestão de pessoas e a sua cultura de empresa, pelo valor que este aspeto distintivo acrescenta à sua capacidade de investimento e à sua visão de longo prazo.

A cultura Frulact é um ativo em si. O legado dos fundadores da Frulact, a família Miranda, permanece no nosso ADN. Tal como quando éramos uma empresa familiar, as nossas pessoas – os Frulacteanos – são encarados como um capital forte, e como o motor do nosso sucesso. Continuamos a garantir aos colaboradores oportunidades de formação, evolução e mobilidade.

Repare: a nossa anterior Diretora RDI (Research, Development & Inovation) FruitPrep, Clara Meira, após um percurso notável de quase 20 anos de carreira Frulact faz hoje parte da Comissão Executiva; apenas nos últimos dois meses, promovemos, através de recrutamento interno e apenas na sede, cinco pessoas nas áreas RH, SCM (Supply Chain Management), RDI, Business Development.

O legado dos fundadores da Frulact, a família Miranda, permanece no nosso ADN. Tal como quando éramos uma empresa familiar, as nossas pessoas – os Frulacteanos – são encarados como um capital forte, e como o motor do nosso sucesso.

Como é que definiria a cultura Frulacteana da nova Frulact?

A Frulact está a crescer, mas, na essência, é a mesma. E, como lhe disse, a cultura Frulacteana vai manter-se: inovadora, com um espírito irreverente, que fomenta a capacidade de adaptação à mudança; uma cultura que continua marcada também pela confiança, pela ambição e pelo rigor; pelo compromisso e dedicação das nossas pessoas, pela agilidade das equipas e pela sua orientação para resultados. Isto, claro, sem prejuízo de acolhermos boas práticas e, como sempre, novas ideias, de todos – dos que já estavam connosco aos que chegam.

A mudança de mãos praticamente coincide com a pandemia. Que desafios esta situação sanitária colocou à empresa? Como apoiaram os trabalhadores neste momento de elevado stress? Que custos implicaram para a empresa?

Os desafios foram enormes em todos os setores da economia e da sociedade. Atravessámos um momento para o qual não havia manuais de instruções. Também na Frulact tivemos de readaptar o dia-a-dia de trabalho. Começámos por formar um comité de crise, que acompanhou mais de perto o tema da pandemia, tendo em conta os desenvolvimentos da situação em todas as geografias onde estamos presentes. A prioridade foi garantir a segurança das pessoas – fomos sempre além do que as autoridades de saúde recomendavam e das regras impostas. Por exemplo, implementámos um sistema de testagem, houve países em que assegurámos o transporte dos colaboradores e fornecemos refeições.

Embora não possamos ainda falar do fim da pandemia, já podemos fazer um balanço e penso que é positivo. As equipas reagiram de forma extraordinária a todos os desafios que iam sendo colocados pela pandemia – e houve momentos em que os desafios eram diários. Reforçámos a ligação entre as unidades e o envolvimento de todos na resolução dos problemas. Encontrámos resposta para esses desafios no empenho inexcedível dos Frulacteanos, que, mesmo quando a grande maioria das pessoas estavam em casa, e, apesar da incerteza, continuaram nas fábricas, e nos permitiram manter a produção, e até reforçar a nossa posição em todos os mercados onde que estamos presentes. Creio que este é um ótimo exemplo da força da cultura Frulact. Temos hoje equipas mais resilientes e mais bem preparadas para os desafios que se avizinham.

Muitos setores, caso do Horeca, mas não só, enfrentam dificuldades de recrutamento no relançamento da economia. Têm sentido essa dificuldade quando procuram talento? Qual tem sido a vossa experiência nos mercados onde estão presentes?

Creio que esse contexto é transversal. A pandemia transformou o mercado de trabalho, e as empresas têm de se ajustar a essa mudança. Também aqui considero que a resposta passa muito pela força da cultura das empresas, e pela sua capacidade de apresentarem às pessoas uma carreira com oportunidades de evolução e, sobretudo para as novas gerações, de flexibilidade e mobilidade.

A Frulact tem também como fator de atração o negócio ao qual se dedica. Trabalhamos no setor alimentar e procuramos fornecer alimentos naturais e saudáveis. Saber que estamos a contribuir para a produção de um bem essencial à vida contribui para que as pessoas se identifiquem com a Frulact e a sua cultura e por isso se sintam atraídas a trabalhar connosco.

As equipas reagiram de forma extraordinária a todos os desafios que iam sendo colocados pela pandemia. (…) Temos hoje equipas mais resilientes e mais bem preparadas para os desafios que se avizinham.

Estarem presentes em vários mercados é fator de atração para o talento? Até que ponto promovem a mobilidade para reter o talento na companhia?

A mobilidade é muito valorizada, sem dúvida. Isso é ainda mais evidente nas gerações mais jovens, para as quais a possibilidade de terem uma experiência internacional é, muitas vezes, um requisito na procura de emprego. A Frulact tem, desde sempre, uma política de recrutamento interno que nos permite ter histórias muito interessantes de evolução profissional – algumas até curiosas.

Eu, por exemplo, estou na empresa há mais de 20 anos. Depois de um percurso mais associado a números, assumi, há cerca de três anos, o desafio nos Recursos Humanos, a que passámos a chamar FrUPeople. A empresa permitiu-me uma reconversão profissional, e entre áreas que, tenho que reconhecer, não têm muita relação.

Outro exemplo: o diretor de fábrica da nossa unidade no Canadá começou como estagiário na Maia, no RDI. Temos um casal de expatriados que já passou pela Maia, pela Tunísia, Marrocos, Argélia e está atualmente na África do Sul. Ele é diretor de fábrica, e ela é responsável de compras da unidade. E podíamos ficar aqui mais um bom bocado a enumerar casos destes. Cada expatriado Frulact tem um percurso invejável e são todos sem exceção exemplos de compromisso e dedicação, como resposta à oportunidade de carreira internacional que estão a ter.

A Frulact tem também uma grande aposta nos estágios (curriculares e profissionais) como via de entrada na empresa e sempre numa lógica de longo prazo. A grande maioria dos estagiários fica connosco.

Esta expansão geográfica da companhia alterou os perfis do talento na empresa? O que procuram quando recrutam?

A alteração de perfis foi mais influenciada pelo crescimento e diversificação do negócio, mais do que pela internacionalização em si. Ao longo do tempo, surgiram novas funções, em áreas como marketing, procurement e área financeira. Neste momento, e para referir apenas as oportunidades na sede, mais de uma dezena de vagas para as áreas de recursos humanos, financeira, procurement, Supply Chain Management (SCM) e industrial.

A Frulact valoriza, mais que o conhecimento técnico – que é desenvolvido também internamente, através de uma aposta forte na formação –, as soft skills. É muito importante para nós o sentido de compromisso, a disponibilidade para aprender, a transparência, o foco nos resultados e a vontade de fazer sempre mais.

Estudos recentes apontam que as empresas contam reforçar equipas e efetuar aumentos até 2%. Qual é a estratégia da Frulact neste campo em 2021? O que prevê para 2022?

Estamos ainda em fase de fecho do orçamento do próximo ano, e esse tema ainda está em análise.

A pandemia também colocou (ainda mais) na ordem do dia os temas da sustentabilidade. De que modo a gestão de pessoas pode ajudar a empresa a atingir as metas propostas? O que está a ser feito nesse sentido?

Para nós, a sustentabilidade é uma preocupação com vários anos. Temos dado um contributo relevante para uma cadeia de valor mais sustentável, em linha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. É uma área na qual continuamos a trabalhar, pois estamos conscientes do longo percurso ainda a fazer.

Criamos há poucas semanas um Comité de Sustentabilidade, que desenha a estratégia da empresa nessa área, nomeadamente a definição de metas, e foram nomeados embaixadores em todas as unidades, que irão colaborar na sensibilização e na mobilização de toda a organização. O Comité de Sustentabilidade é presidido pelo CEO, o que demonstra a importância que damos a esta área. Este ano, a equipa de recursos humanos da Frulact passou a integrar uma área e uma pessoa 100% dedicada à sustentabilidade. Também a Frulact Academy passou a incluir a Sustainable School, com formação prevista para todos os colaboradores nessa área.

Com o regresso ao escritório, muitas empresas têm vindo a reformular os seus modelos de trabalho. No caso da Frulact, como estão a gerir este tema? Que modelo estão a adotar?

Nesta fase, mantemo-nos num sistema misto entre trabalho presencial e teletrabalho nas funções em que isso é possível. Estamos a estruturar a forma como vamos funcionar num contexto pós-pandemia. Embora o modelo não esteja fechado, tenho duas convicções: o trabalho não voltará a ser o que era, e a cultura de empresa é hoje mais importante do que nunca.

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