“Ilha de Santa Maria poderá ser principal ponto de partida e chegada do espaço na Europa”

Gregory Mann, representante da NASA na Europa, considera que há novas oportunidades para parceiros e países membros dos Acordos Artemis com o aumento de missões espaciais da agência americana.

Levar novamente o Homem à Lua é um dos grandes projetos onde a NASA está apostada, num esforço de coligação com outras nações e agências, como é o caso da Agência Espacial Europeia (ESA). Nada como ver um astronauta a fazer aquilo que consideramos quase um feito impossível para servir de inspiração coletiva. Há aqui um aspeto aspiracional que não se consegue com o envio de robôs, mesmo aqueles que possam ser otimizados com IA, aponta Gregory Mann, representante da NASA na Europa.

Mann esteve em Portugal, a convite da Agência Espacial Portuguesa, na semana em que a NASA anunciou alterações na sua estratégia para as futuras missões espaciais e colocou em pausa a estação orbital Gateway, projeto que envolve a ESA. O impacto e as novas oportunidades que podem surgir ainda estão a ser discutidos entre as duas agências espaciais, mas o representante da agência norte-americana acredita que não faltarão novos projetos e desafios.

A Portugal, a 60.ª nação a assinar os Acordos Artemis com a NASA e os EUA, Gregory Mann deixa uma mensagem de entusiasmo e cautela, num momento em que o país se quer posicionar como um local privilegiado para o lançamento de foguetões ou reentradas a partir da ilha de Santa Maria, nos Açores.

“Essa localização tem muitas vantagens para a Europa, podendo muito bem ser um dos principais, senão o principal, pontos de partida e chegada no continente. Seria, portanto, uma base sólida para o desenvolvimento de Portugal, dentro do contexto mais amplo do ecossistema europeu”, diz.

Gregory Mann, representante da NASA na Europa, em entrevista ao ECO/eRadar Hugo Amaral/ECO

Mas, deixa um aviso à navegação. “Existem outros operadores, outros concorrentes, e poderá suceder o caso de Portugal investir uma parte considerável dos seus fundos nisso, e não se tornar um interveniente tão relevante, devido à geopolítica europeia ou a outras considerações. Eu teria cuidado com o quanto me dedicaria a isso. Acho que a coisa mais sensata é Portugal, com os fundos que tem disponíveis, focar-se em áreas de nicho, em áreas que não estão saturadas, onde estão as oportunidades”, diz.

Portugal fechou recentemente com os EUA os Acordos Artemis. O que representa em termos de possíveis colaborações entre os dois países ao nível de projetos para o setor do espaço?

Estamos no quinto ano dos Acordos de Artemis. Portugal foi a 60ª nação a assiná-los. Tem sido um trabalho em contínuo no que respeita aos acordos, à medida que analisamos a melhor forma de aproveitar todos esses diversos parceiros e países em todo o mundo que os assinaram e de encontrar maneiras de promover uma interação e cooperação significativas, tanto para os países que possuem grandes agências espaciais e orçamentos robustos, como para aqueles que não os possuem. O que iremos ver concretizar-se este ano, nos próximos meses — a próxima reunião está para breve —, é o lançamento de algumas novas iniciativas, oportunidades para os signatários dos Acordos de Artemis.

Uma delas é relativa ao potencial para cargas úteis dedicadas ou compartilhamento de viagens como parte do programa Artemis, com algumas ofertas exclusivas para os signatários dos acordos, incluindo Portugal. A segunda proposta passa por criar uma espécie de rede de partilha ou banco de dados de todas as missões lunares. Novamente, haverá acesso a dados de todas as missões lunares e pesquisas científicas sobre a Lua, algo reservado ou mais exclusivo, para os signatários dos acordos. Estão ainda a considerar fazer algo parecido com o que fizemos com a Apollo há 60 anos, verificar se existe uma maneira de trazer amostras lunares para os signatários dos acordos, como parte dessas missões que se vão iniciar com o aumento da cadência de lançamentos que estamos a planear.

Gregory Mann, representante da NASA na Europa, em entrevista ao ECO/eRadar.Hugo Amaral/ECO

É aqui que tudo se encaixa no grande anúncio feito [na semana passada] sobre o aumento da frequência de missões à Lua, que levará uma série de experiências científicas, cargas úteis e demonstrações de tecnologia à Lua. Nos próximos três ou quatro anos, são esperadas mais de 30 missões à Lua, das quais 26 missões de aterragem na superfície, algumas apenas em órbita, mas haverá oportunidades reservadas para os signatários dos acordos. Haverá muitas oportunidades, inclusive para estudantes, em termos de pesquisa e ciência. Parte será reservada para os signatários, portanto, haverá oportunidades para Portugal.

Por fim, Portugal, enquanto Agência Espacial, direciona a maior parte do seu financiamento para o espaço, para atividades espaciais civis, através da Agência Espacial Europeia (ESA). Há, naturalmente, um forte envolvimento da Agência Espacial Europeia, com a NASA em geral, mas, claro, também com o programa Artemis, em termos do módulo europeu, de várias cargas úteis planeadas, do futuro módulo lunar — o Argonaut — de missões à Lua. Há muitas atividades previstas e Portugal está a financiar e a participar em algumas dessas iniciativas.

Referiu o recente anúncio feito pela NASA de mais missões espaciais, onde foi conhecida a suspensão da base orbital lunar Gateway. Dado o envolvimento da ESA na base orbital, que impacto tem esta decisão nos projetos que estão a decorrer, bem como em projetos futuros?

Com o projeto Gateway estamos a usar os termos “pausa” e “reorientação”. Existe a possibilidade de ainda construirmos uma estação orbital ao redor da Lua em algum momento, daqui a alguns anos, mas, no curto prazo, o foco é levar os humanos de regresso à Lua até 2028, mas também começar a construir os elementos para a colónia lunar. Isso vai exigir toda a nossa atenção e energia.

Ainda há negociações a serem feitas com a Agência Espacial Europeia. O acordo para as atividades do Gateway dava à Europa três oportunidades para astronautas participarem no programa. A forma como essas oportunidades de transição para a superfície lunar serão exploradas ainda está em aberto, assim como a maneira como esse compromisso evoluirá.

O que puder ser reaproveitado, seja para a base base lunar, sejam módulos — não o europeu, mas um dos módulos que os EUA está a construir será reaproveitado e tornar-se-á o primeiro módulo de propulsão nuclear para um veículo orbital que irá a Marte no final de 2028 — será. Vamos analisar a possibilidade de reutilizar alguns elementos a curto prazo, bem como alguns dos desenvolvimentos tecnológicos.

Ainda há negociações a serem feitas com a Agência Espacial Europeia. O acordo para as atividades do Gateway dava à Europa três oportunidades para astronautas participarem no programa. A forma como essas oportunidades de transição para a superfície lunar serão exploradas ainda está em aberto, assim como a maneira como esse compromisso evoluirá.

Já tínhamos tido discussões iniciais com a Agência Espacial Europeia. Eles apoiam essa mudança, compreendem o que estamos a tentar alcançar e porquê. Veem um grande benefício em prosseguir com o projeto lunar. A forma como iremos endereçar os compromissos assumidos, os fundos já gastos, ainda precisa de ser discutida e resolvida. Mas há apoio de ambos os lados para avançar com este novo plano.

Com esta aceleração do número de missões que agora se avizinha, há novas oportunidades de cooperação entre as duas agências?

A boa notícia, na minha perspetiva, é que estamos a falar do aumento na frequência de lançamentos com humanos — com a cápsula Orion [pode transportar até quatro astronautas] e o módulo de serviço europeu [que irá dar à nave o sistema de eletricidade, propulsão, controlo de temperatura, ar e água] —, como do aumento de aterragens tripuladas na Lua. Potencialmente, estamos a falar de duas aterragens tripuladas em 2028 e, depois disso, pelo menos anualmente, se não duas vezes por ano, missões com humanos.

Haverá muito mais oportunidades para astronautas, o que certamente será benéfico para os europeus, mas também para muitos dos nossos outros parceiros, pois, mais oportunidades significa mais astronautas a serem enviados à superfície lunar. Mas, mais do que isso, um aumento significativo no número de cargas úteis científicas e demonstrações de desenvolvimento tecnológico no local.

Há muitas oportunidades para os Estados, grandes e pequenos, em toda a Europa, para desenvolverem atividades, fazerem ciência e pesquisa significativas e experimentarem o desenvolvimento tecnológico que começará a construir as bases para essa base lunar.

Acredito que esta seja uma notícia realmente positiva, não apenas para a NASA e os EUA, mas também para todos os nossos parceiros internacionais, bem como para a indústria, pois haverá muito mais oportunidades nesse setor.

Quando falamos de astronautas a ir à superfície da Lua, as pessoas frequentemente perguntam, ‘por que não enviam robôs? É mais barato’. Já temos veículos exploradores em Marte a fazer ciência e coisas incríveis, e é muito mais barato. Para mim, a questão é mais inspiracional. Como pessoas, revimo-nos em outros seres humanos, em outros astronautas.

Tem referido o regresso do homem à Lua, o fator humano, mas tem havido uma grande discussão do papel da IA em diversos setores. É correto assumir que a IA tem um papel cada vez maior nos projetos da NASA ou ainda estão a analisar que papel é esse?

Acho que ainda não há um veredicto. É uma questão em aberto. Tenho a certeza de que já está a ser utilizada em softwares de voo e no desenvolvimento de código na NASA, provavelmente há pessoas a fazer trabalhos de design usando ferramentas otimizadas por IA, mas ainda não vi um grande impacto da IA no que é feito pela NASA.

Quando falamos de astronautas a ir à superfície da Lua, as pessoas frequentemente perguntam: ‘por que não enviam robôs? É mais barato’. Já temos veículos exploradores em Marte a fazer ciência e coisas incríveis, e é muito mais barato. Para mim, a questão é mais aspiracional. Como pessoas, revemo-nos em outros seres humanos, em outros astronautas.

Gregory Mann, representante da NASA na Europa, em entrevista ao ECO/eRadarHugo Amaral/ECO

Quando os astronautas da Apollo regressaram e viajaram pelo mundo, nas conversas e encontros com as pessoas, ficaram impressionados com o fato de todos dizerem ‘nós fizemos isso’. Não você fez isso, ou a NASA ou os EUA, mas ‘nós fizemos isso. Os humanos fizeram isso. Chegámos a outro planeta’. É um esforço coletivo. Desta vez, será realmente uma coligação internacional. Embora a NASA esteja a liderar esse esforço, serão todos os nossos parceiros e a indústria que nos levarão até à linha de chegada. Não podemos fazer isso sozinhos.

Esse elemento humano realmente reacende a inspiração de uma forma que a robótica, até hoje, não conseguiu. E mesmo com IA, não acho que isso vá mudar. Um robô otimizado por IA não vai necessariamente permitir nos revermos como humanos em Marte.

Um pequeno passo para o homem, um passo gigante para a humanidade…

Um pequeno passo para a robótica, não sei. Um pequeno passo para a IA.

Não pensa então que num futuro próximo a IA assuma a liderança na exploração espacial?

Vou ser cuidadoso. No “futuro próximo” é a melhor forma de dizer isso, porque existe um mundo que não compreendemos à nossa espera. Mas, num futuro próximo, entendendo como isso os próximos dois, três ou quatro anos, não creio que as coisas mudem de forma dramática em relação aos atuais planos de execução da NASA.

Isso pode muito bem evoluir com o tempo. Certamente, vejo um papel enorme no desenvolvimento da robótica, tanto na Lua como em Marte, ajudando a pré-configurar os elementos necessários para uma base nesses locais. Quando pré-posicionarmos elementos — estruturas de habitat, energia, comunicações e todas essas coisas — num futuro local potencial de aterragem em Marte, suspeito que a tecnologia robótica com inteligência artificial, como os veículos exploradores (Rovers) e/ou robôs, certamente desempenhará um papel fundamental. Mas não estamos nessa fase, e o no que estamos hoje a executar na Lua, a IA ainda não tem um papel de grande relevância.

Gregory Mann, representante da NASA na Europa, em entrevista ao ECO/eRadar.Hugo Amaral/ECO

Neste momento é arriscado o uso de IA?

Dando um bom exemplo concreto, Marte. As nossas comunicações com Marte levam mais de 20 minutos para serem recebidas e mais 20 minutos para obter uma resposta. Portanto, da Terra não podemos operar remotamente robôs exploradores, manipular objetos e realizar tarefas. Iremos precisar, então, de agentes otimizados com machine learning ou inteligência artificial capazes de tomar decisões, executar ações e de se movimentar. Se tivermos uma tripulação em órbita temporariamente, eles poderão manipular, direcionar e supervisionar esses elementos em tempo real, e isso pode muito bem fazer parte de um processo de longo prazo. Suspeito que essa será uma área quase crítica, porque não podemos configurar algumas coisas com antecedência sem ter algum tipo de inteligência artificial que assuma, pelo menos parcialmente, a liderança nessa atividade.

Vamos manter uma distinção entre espaço civil e espaço de defesa. Mas essas linhas estão a tornar-se mais ténues do que eram antes. O espaço está a tornar-se um espaço congestionado. […] Acredito que a NASA mantém o foco no setor espacial civil, assim como a Agência Espacial Europeia e muitos dos nossos parceiros no mundo, mas as linhas já não são tão nítidas e definidas como costumavam ser.

Assistimos a uma corrida ao espaço não só no setor público como privado, com inúmeros lançamentos de foguetões com envio de satélites. Há operadores com planos ambiciosos em termos de missões. A atual regulação é suficiente, ou necessita de ser reforçada?

Essa é uma boa questão. Os Acordos de Artemis foram lançados há cinco anos, tentando abordar algumas dessas questões sobre como operar de forma sustentável e pacífica no espaço, com total transparência e abertura, e com a proteção de zonas de operação. Tentamos minimizar essas questões. São princípios não vinculativos. Atualmente, são 60 nações signatárias, existem outras nações com programas espaciais que não assinaram esses princípios, podem não os assinar e são uma peça desse puzzle. Penso que, na era em que vivemos, as questões legais e regulatórias frequentemente ficam para atrás em relação aos avanços tecnológicos que estamos conquistando. Certamente, há espaço para melhorias.

Uma das áreas mais importantes com que estamos a lidar é com os detritos espaciais e como gerir esse tipo de situação.

Que está a tornar-se um problema.

Está a tornar-se um grande problema. E não sei se, neste momento, o ambiente regulatório que temos é capaz de fazer o que precisamos, portanto, acredito que há espaço de melhoria em algumas áreas. Diria também que é preciso alertar para o facto de que o excesso de regulamentação pode representar um verdadeiro desafio.

Gregory Mann, representante da NASA na Europa, em entrevista ao ECO/eRadar Hugo Amaral/ECO

Temos olhado para espaço mais numa perspetiva de exploração civil, científica. Com o atual momento geopolítico, de tensão entre blocos continentais, o tema da defesa assumirá mais a liderança? Será menos exploração do espaço para efeitos científicos e mais como defender esta ‘fronteira’ de potenciais ataques?

Acho que vamos manter uma distinção entre espaço civil e espaço de defesa. Mas essas linhas estão a tornar-se mais ténues do que eram antes. O espaço está a tornar-se um espaço congestionado. E, portanto, existem questões em aberto, preocupações legítimas sobre como isso pode ser usado por diferentes partes e atores. Acredito que a NASA mantém o foco no setor espacial civil, assim como a Agência Espacial Europeia e muitos dos nossos parceiros no mundo, mas as linhas já não são tão nítidas e definidas como costumavam ser.

A palavra mais usada é tecnologia de uso dual.

Acho que isso é inevitável, considerando o mundo, o ambiente geopolítico em que vivemos e o que está acontecendo agora. Mas o foco da NASA, assim como o da ESA, permanece o mesmo: o desenvolvimento pacífico e civil do espaço. E é isso que fazemos, é essa a nossa primeira diretiva. Não creio que isso vá mudar num futuro próximo.

Essa localização [ilha Santa Maria nos Açores] tem muitas vantagens para a Europa, podendo muito bem ser um dos principais, senão o principal, pontos de partida e chegada no continente. Seria, portanto, uma base sólida para o desenvolvimento de Portugal, dentro do contexto mais amplo do ecossistema europeu.

Portugal está a posicionar-se como local de lançamento de foguetões, tem vindo a desenvolver projetos para reforçar a soberania espacial europeia, caso da Constelação do Atlântico. Onde deveria apostar as suas fichas para ter um ecossistema espacial mais robusto?

Um dos desafios é que, da perspetiva dos EUA ou da NASA, é uma decisão bastante extrema pagarmos a um lançador estrangeiro ou lançar [foguetões] num local de lançamento estrangeiro. Portanto, não seremos necessariamente um cliente para essa base de lançamento. Mas é muito importante para a NASA, em termos genéricos, que os europeus tenham acesso e continuem a desenvolver e a aprimorar as suas próprias capacidades de lançamento na Europa, de modo a que possam assumir e realizar mais essa atividade.

Penso que, para Portugal, faz muito sentido. Essa localização [ilha de Santa Maria nos Açores] tem muitas vantagens para a Europa, podendo muito bem ser um dos principais, senão o principal, pontos de partida e chegada no continente. Seria, portanto, uma base sólida para o desenvolvimento de Portugal, dentro do contexto mais amplo do ecossistema europeu.

Sei que existem outros operadores, outros concorrentes, e poderá suceder o caso de Portugal investir uma parte considerável dos seus fundos nisso, e não se tornar um interveniente tão relevante devido à geopolítica europeia ou a outras considerações. Eu teria cuidado com o quanto me dedicaria a isso. Acho que a coisa mais sensata, é Portugal, com os fundos que tem disponíveis, focar-se em áreas de nicho, em áreas que não estão saturadas, onde estão as oportunidades. Depois, é preciso conciliar isso com os pontos fortes, as capacidades e a indústria já existentes em Portugal e procurar pontos de convergência.

Para Portugal, ajuda começar por fazer isso dentro do ecossistema europeu, e depois, talvez, olhar mais globalmente para o que a NASA está à procura. Espero que o que iremos lançar nas próximas semanas com o novo plano Artemis inclua áreas bem definidas, que dê informações específicas para que todos os nossos parceiros internacionais possam dizer que têm algo a oferecer.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

“Ilha de Santa Maria poderá ser principal ponto de partida e chegada do espaço na Europa”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião