Gestora de fundos de investimento com impacto vai lançar mais dois fundos. Um na área de saúde e clima de 25 milhões. E outro de habitação social com 40 milhões para comprar casas para quem não tem.
A gestora de investimentos em ativos de impacto social e climático Maze está a preparar o lançamento de dois novos fundos. Um deles, adianta o fundador e líder do projeto António Miguel, é um fundo de habitação social que será lançado no início do próximo ano e terá cerca de 40 milhões de euros para comprar casas na região de Lisboa para pessoas em situação de sem abrigo.
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Com cerca de meia centena de empresas no seu portefólio, num total de 46 milhões de euros sob gestão, a Maze detém atualmente dois fundos com investimentos na área de biotecnologia, saúde e clima e que estão “correr muito bem”. “Começámos a investir bastante cedo em áreas de inteligência artificial com uma diferença, inteligência artificial nativa ou de base fundamental (…) Essas empresas têm crescido muito”, frisa António Miguel em entrevista ao ECO, que não tem dúvidas: “Investir em impacto social e ambiental é a maior oportunidade económica dos nossos tempos”.
António Miguel foi um dos vencedores da 1º edição dos Prémios ECO/Cimpor, na categoria de Rising Stars, juntamente com Cristina Fonseca, Marcelo Lebre e Joana Magalhães da Silva.
Como é que está a correr este ano em termos de projetos? Têm feito muitos investimentos e há muita procura?
Está a correr muito bem. A Maize é uma gestora de ativos na área de investimento de impacto, temos fundos atualmente sob gestão e estamos a angariar novos fundos.
Dos fundos que temos atualmente sob gestão, este ano tem sido bastante positivo.
Qual é o volume sob gestão?
Nós temos 46 milhões de euros sob gestão, ainda temos uma pequena dimensão. Começámos a investir com os primeiros fundos em 2020, o que significa que estamos agora na curva de desinvestimento das 40 empresas em que investimos em toda a Europa.
Começámos a investir bastante cedo em áreas de inteligência artificial com uma diferença, inteligência artificial nativa ou de base fundamental, ou seja, em empresas cuja solução é de base científica e utiliza a inteligência artificial para promover essa base científica e não necessariamente empresas de software que agora adaptam inteligência artificial. E essas empresas têm corrido bastante bem e crescido muito.
Por exemplo, na área de biotecnologia, de ensaios clínicos…
Começámos a investir bastante cedo em áreas de inteligência artificial com uma diferença, inteligência artificial nativa ou de base fundamental, ou seja, em empresas cuja solução é de base científica e utiliza a inteligência artificial para promover essa base científica e não necessariamente empresas de software que agora adaptam inteligência artificial. E essas empresas têm corrido bastante bem e crescido muito.
Pode-nos dar uma ideia dos retornos em termos financeiros? Ok, sei que o objetivo é o impacto social, mas não é apenas isso…
São ambos. A nossa missão é mostrar que investir em impacto social e ambiental é a maior oportunidade económica dos nossos tempos. E por isso trabalhamos para eliminar a distância que se crê existir entre ter desempenho financeiro, retorno financeiro e impacto social.
E têm conseguido fazer isso?
Sim, o nosso fundo, o primeiro fundo sob gestão, se olharmos para os benchmarks do mercado, Cambridge Associates, por exemplo, para o último que saiu, do final do ano de 2025, nós estamos no quartil superior, ou seja, estamos no percentil 75 em termos de performance do nosso fundo, quando comparado com fundos dos EUA e Europa e fundos não impacto. Por isso, penso que a nossa tese está a ser demonstrada. Sendo fundos a dez anos, ainda temos um caminho a percorrer para conseguir chegar a esse retorno.
Quantos fundos tem a Maze?
Nós temos dois veículos sob gestão. E as áreas que têm vindo a crescer muito, a área da biotecnologia, saúde, a área climática, nós temos feito investimentos na área de ciência de materiais para captura de carbono, que têm crescido muito, temos empresas com investimento da Nvidia e de outros fundos a nível europeu e americanos, porque são áreas que têm muito crescimento.
Quais são planos para este ano?
Estamos muito focados nos dois novos fundos em que estamos a trabalhar. O nosso novo fundo de capital de risco de impacto, que mais uma vez terá um foco em saúde e clima, na intersecção de inovação científica e impacto. É um fundo de 25 milhões de euros que esperamos lançar ainda este ano e completar até ao final do próximo ano.
E estamos a trabalhar num fundo de habitação social cujo foco exclusivo é na Área Metropolitana de Lisboa. Vamos comprar apartamentos que são dedicados exclusivamente a uma intervenção que existe em Lisboa desde 2009, que é o Housing First, que trabalha com pessoas sem teto.
Nós temos pessoas em situação de sem abrigo, que são pessoas que não têm alojamento estável, e temos pessoas sem teto, que são as pessoas que dormem na rua, dentro do segmento de pessoas em situação sem abrigo.
E esse fundo será um fundo de cerca de 40 milhões de euros para adquirir estas casas e esperamos lançar este fundo também no início do próximo ano.
Estamos a trabalhar num fundo de habitação social cujo foco exclusivo é na Área Metropolitana de Lisboa. Vamos comprar apartamentos que são dedicados exclusivamente a uma intervenção que existe em Lisboa desde 2009, que é o Housing First, que trabalha com pessoas sem teto.
(…)
E esse fundo será um fundo de cerca de 40 milhões de euros para adquirir estas casas e esperamos lançar este fundo também no início do próximo ano.
Este tipo de investimento em ativos com impacto ainda é um nicho de mercado ou há cada vez maior procura?
Depende das áreas a que olhamos. Nas áreas que nós estamos focados, que é principalmente saúde e clima, tem crescido imenso.
Principalmente quando estamos a falar, dentro da saúde e dentro do clima, em áreas de inovação científica. Ou seja, eu não estou a falar dentro da área da saúde em aplicações de gestão de recursos, estou a falar em novas terapêuticas, em ensaios clínicos mais avançados, em desenho de medicamentos através de inteligência artificial e desenvolvimento, ou seja, em todas essas áreas fundamentais há enormes oportunidades de negócio.
Investem sobretudo em startups de impacto. Estas têm mais dificuldades em encontrar financiamento ou em relação às startups tradicionais, ou não há assim grande diferença?
Não vejo essa diferença. Nós investimos em fases muito iniciais, nós investimos em ideias, somos o primeiro investidor mais institucional em muitos dos casos, e por isso o nosso trabalho é ajudar estas empresas a crescer e a levantar rondas superiores.
Um exemplo, a Biorce. Uma equipa portuguesa, entre Espanha e Portugal, agora nos EUA. Fomos os primeiros investidores numa ronda de investimento pequena, de 3,5 milhões de euros na altura, e em 14 meses eles levantaram uma ronda de 52 milhões de euros, que foi a maior ronda Série A de sempre na Península Ibérica.
Eu não vejo essa dificuldade, ou seja, temos empresas com dificuldades em angariar, mas não é por serem de impacto, é por outros motivos.
No portfólio da Maze, quantas empresas são portuguesas?
Nós, das 50 empresas onde investimos, temos 11 ou 12 empresas portuguesas e perto de 30% do capital alocado é em Portugal. Os países onde investimos mais é na Alemanha e Reino Unido.
Onde vão buscar o financiamento?
Nós temos uma variedade de investidores. Temos investidores institucionais, seja o Fundo Europeu de Investimento, alguns fundos de pensões, por exemplo, o fundo de pensões da BMW na Alemanha é o nosso investidor. Temos algumas fundações que investiram por querer experimentar e perceber se é possível alinhar a sua missão com o retorno financeiro dos seus endowments. A Fundação Calouste Gulbenkian é um exemplo de um grande investidor nosso. Temos algumas empresas que investem em nós.
Como o Crédito Agrícola e o BNP Paribas…
Sim, esses são nossos parceiros, com quem temos outros projetos. Além da área de investimento, temos depois temos uma área dentro da Maze de ajudar grandes empresas, de consultoria.
O que é que faz exatamente e quantos projetos é que estão a ser desenvolvidos nessa área?
Nós temos dezenas de projetos nessa área, também não só em Portugal, em toda a Europa. E normalmente o que nós trabalhamos é com a liderança executiva destas empresas que querem perceber como podem integrar elementos de impacto social e ambiental na sua estratégia de negócio.
Às vezes, como é que podem alocar ativos próprios em investimentos de impacto, outras vezes como é que podem inovar os seus produtos e as suas unidades de negócio para terem mais impacto social e ambiental. E por isso é o nosso aconselhamento, a nossa parte de advisory e acaba por ser mais estratégico.
O que é que representa cada uma das áreas em termos de volume de receitas?
É bastante equilibrada. Nós temos três grandes áreas: a área de gestão de ativos, a área de advisory e a área de programas de aceleração e crescimento, que são programas de capacitação com startups, com PME, e é cerca de um terço cada uma das áreas, ou seja, é bastante equilibrado.
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Maze avança com mais dois fundos. Um terá 40 milhões para comprar casas para sem abrigo
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