Chauncey McIntosh, vice-president e general manager do programa F-35 da Lockheed Martin, diz que Portugal tem vantagens em ter só um fabricante de caças: custos, formação, manutenção e integração,
O Governo português ainda não abriu o processo oficial de compra de novos caças para substituir os F-16 que estão em fim de vida, mas já há três interessados na corrida: a americana Lockheed Martin, a sueca Saab e o consórcio Eurofighter. O ministro da Defesa, Nuno Melo inicialmente pareceu descartar o ‘incumbente’ americano, devido à turbulência geopolítica provocada pela administração Trump, mas entretanto já admitiu que a corrida está em aberto, com alguns especialistas a considerarem que Portugal poderá chegar a uma opção de ‘melhor de dois mundos’ — uma combinação dos americanos F-35 e de aeronaves europeias, de forma a garantir a soberania.
Na enorme fábrica de F-35 da Lockheed Martin em Fort Worth, no Texas, Chauncey McIntosh, vice-president e general manager do programa, explica ao ECO/eRadar que a melhor solução para Portugal será “ter uma única frota“, pois é melhor em termos de “custos, manutenção e facilidade de integração com a Europa”.
Aliás, para McIntosh, o F-35 tem “a superioridade aérea” e é um “elemento de dissuasão” que garante a soberania dos 13 países europeus que estão no programa e ao qual Portugal se pode juntar. Em termos de bases, Portugal está bem equipado para essa integração.
Como é que vê as necessidades da Europa em termos de caças e porque Portugal deve optar pela solução americana e não uma europeia?
A dinâmica na Europa está claramente a mudar, e isso deve-se sobretudo ao contexto de ameaça que se tem vindo a verificar ao longo dos últimos anos. Quando olho para a forma como o F-35 se posiciona neste cenário é que ele funciona, antes de mais, como um elemento de dissuasão face a qualquer agressão que possa surgir à porta de qualquer nação. Os países têm de pensar duas vezes quando existe um F-35 presente a garantir essa superioridade aérea. É algo que altera verdadeiramente as regras do jogo neste panorama e assegura que, com esta tecnologia, sabemos do que ela é capaz — está comprovada e é eficaz. Por isso, penso que esse é provavelmente o primeiro ponto que destacaria e a principal razão pela qual o F-35 representa uma opção tão válida não só para Portugal, mas também para os outros 13 países europeus que escolheram o F-35.
Em segundo lugar, relativamente à importância para Portugal, quando olhamos para o facto de existirem mais de 700 F-35 na Europa durante a década de 2030, isso significa uma ligação imediata de Portugal ao trabalho conjunto com todas as nações europeias para garantir a liberdade e a soberania da Europa. E, do ponto de vista português, garantir as liberdades de todos os cidadãos portugueses. Portanto, é desta forma que devemos olhar para esta equação: o F-35 é um verdadeiro fator transformador neste contexto.
Quando olho para a forma como o F-35 se posiciona neste cenário é que ele funciona, antes de mais, como um elemento de dissuasão face a qualquer agressão que possa surgir à porta de qualquer nação. Os países têm de pensar duas vezes quando existe um F-35 presente a garantir essa superioridade aérea.
Portugal tem as bases aéreas necessárias para integrar o programa F-35?
Sim, tendo em conta as bases aéreas atualmente disponíveis em Portugal e o facto de o F-35 ser uma plataforma fácil de integrar em qualquer estrutura, já passámos por esse processo em vários países que adotaram e utilizam o F-35. Isso proporciona-nos muitas lições aprendidas que ajudam a acelerar a adaptação da Força Aérea Portuguesa à integração do F-35. Por isso, penso que este é o momento certo para isso, assim como a facilidade do programa de formação e do programa de manutenção, tanto para pilotos como para técnicos de manutenção, que se enquadram perfeitamente naquilo que a Força Aérea Portuguesa já faz. Não vejo isso como um problema, do ponto de vista das bases aéreas. O programa de formação, a facilidade de implementação daquilo que já conseguimos alcançar e todas as lições aprendidas com os outros parceiros na criação de operações em Portugal tornam esta integração bastante simples.
Portugal poderá acabar por escolher uma solução mista, ou seja ter F-35 e outros caças. Como é que vê essa opção?
Quando se analisa aquilo que é necessário para uma força aérea manter uma frota de aeronaves, é preciso concentrar-se em como manter esse avião. Posso ter um único conjunto de equipamentos? Como é que treino um piloto para operar essa aeronave? Existe um único programa de formação? E depois, como faço a manutenção desse avião? Tenho de garantir que os técnicos de manutenção estão preparados, independentemente do local onde o avião aterre. Uma solução baseada num único tipo de aeronave, particularmente o F-35, facilita bastante a incorporação dessa capacidade na frota. Assim, quando se tomam decisões — sobretudo em relação aos custos, à racionalização e à redução de custos proporcionadas por uma configuração de frota única — penso que faz todo o sentido Portugal analisar essa opção e garantir não apenas a facilidade de operar um único avião, mas também a integração desse avião com o resto da Europa.
Um F-35 pode aterrar na Finlândia, na Alemanha ou regressar a Portugal, independentemente da base aérea, e em qualquer desses locais haverá pessoas que sabem apoiar, equipar e operar esse F-35.
Quando se tomam decisões — sobretudo em relação aos custos, à racionalização e à redução de custos proporcionadas por uma configuração de frota única — penso que faz todo o sentido Portugal analisar essa opção e garantir não apenas a facilidade de operar um único avião, mas também a integração desse avião com o resto da Europa.
Não seria útil a Portugal esperar pela sexta geração de F-35, em vez de avançar já com a quinta?
Se pensarmos na sexta geração e no F-35, neste momento o F-35 é o avião de combate mais avançado e bem-sucedido existente. As tecnologias de quinta geração que apresenta — a furtividade, a capacidade de ligação, de ver e conhecer tudo e de fornecer essa informação a qualquer piloto e também às forças no terreno — são, por si só, revolucionárias. E se analisarmos qualquer país que pretenda evoluir e tenha ambições de chegar à sexta geração, esta é uma plataforma que prepara e permite a qualquer nação começar a pensar no que virá daqui a 40 anos.
Mas, olhando para o F-35, trata-se de uma aeronave com capacidade para se manter operacional até 2070. É um avião para gerações. E também prepara os países para aquilo que poderá ser a próxima evolução da aviação e da superioridade aérea. Por isso, acreditamos que o F-35 é a solução adequada para este momento, garantindo a proteção de Portugal, em articulação e cooperação com o resto da Europa.
*O ECO/eRadar viajou a convite da Lockheed Martin
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Nos custos e na facilidade “faz todo sentido que Portugal tenha uma frota única de caças”
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