Preço que TAP vai receber pelo handling depende do resultado do concurso das licenças. “Há um valor para cada um dos cenários”

Acordo para a compra dos 49,9% da TAP na Menzies Portugal está "definido com base nos dois cenários": conseguir ou não ficar com as licenças de handling, diz o chairman da britânica Menzies Aviation.

A TAP anunciou, este mês, um acordo para a venda dos 49,9% que detém na antiga Groundforce ao dono dos restantes 50,1%, a britânica Menzies Aviation. O preço não foi revelado, mas o chairman da empresa, que opera em 347 aeroportos em todo o mundo, explica que o valor terá em conta o resultado do concurso para as novas licenças de handling, ainda em curso.

“Tivemos consultores financeiros que modelaram os diferentes cenários e as implicações dos diferentes cenários. E, como resultado, atribuíram um valor a cada um desses cenários“, explica Hassan El-Houry em entrevista ao ECO.

O consórcio espanhol, composto pela Clece e a South, ficou em primeiro lugar no concurso lançado pela ANAC, mas o regulador iniciou um processo de exclusão por não terem sido apresentados todos os documentos exigidos. Caso se confirme a exclusão, a Menzies, o segundo classificado, poderá ficar com as licenças para operar nos próximos sete anos nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro. “O acordo está definido com base nos dois cenários”, garante o responsável.

A Menzies Aviation entrou no capital da antiga Groundforce em 2024, no âmbito do processo de insolvência. Existem ainda dívidas elevadas aos credores, incluindo 24 milhões reclamados pela TAP. “A Menzies Aviation cumprirá todas as suas obrigações contratuais, financeiras ou outras, para com a TAP, para com o Estado, para com os trabalhadores, para com quem quer que seja”, garante Hassan El-Houry.

A Menzies chegou a um acordo com a TAP para adquirir a participação de 49,9% da companhia aérea na SPdH, passando a ter 100% da empresa de handling. Considera que a Menzies conseguiu um bom negócio?

Penso que o que é importante é o facto de esse acordo ser um pré-requisito importante para alguns dos principais objetivos que existem para o país. Penso que é um marco importante para a TAP e para o país, e nós estamos a facilitar isso.

Foi um bom preço?

Quero dizer, ninguém foi forçado a fazer qualquer acordo. Tudo foi feito de forma profissional e honesta. As negociações têm estado a decorrer mantendo todos os organismos e autoridades reguladoras informados e alinhados com as discussões. Diria que é um negócio positivo para a TAP, é um acordo positivo para Portugal, é um acordo positivo para nós, é um acordo positivo para os trabalhadores, que são muito importantes. É virar um capítulo, francamente.

Tivemos consultores financeiros que modelaram os diferentes cenários e as implicações dos diferentes cenários. E, como resultado, atribuíram um valor a cada um desses cenários. É preciso lembrar que adquirimos a Groundforce, SPDH, a partir de um processo de insolvência. Quando chegámos, a Groundforce estava falida.

A Menzies Portugal tem uma avaliação sem as novas licenças de handling e outra avaliação se, no fim, lhe forem atribuídas as novas licenças. Como é que isso foi tido em conta no acordo?

Tivemos consultores financeiros que modelaram os diferentes cenários e as implicações dos diferentes cenários. E, como resultado, atribuíram um valor a cada um desses cenários. É preciso lembrar que adquirimos a Groundforce, SPDH, a partir de um processo de insolvência. Quando chegámos, a Groundforce estava falida. Entrámos e assumimos compromissos, em 2022, na altura da covid, quando ninguém estava a investir na aviação. Arriscámos. Acreditámos no setor, na aviação, acreditámos no país. Por isso, assumimos certos compromissos. Parte desses compromissos são credores a quem devemos dinheiro. Assim, qualquer que seja o valor atribuído pelos consultores financeiros em qualquer dos cenários, há também os credores que têm de ser reembolsados no âmbito do processo de insolvência.

Mas o preço final já está definido ou esses cenários ainda podem ter impacto?

O acordo está definido com base nos dois cenários. E, obviamente, temos de liquidar todas as dívidas aos credores. Há outros compromissos que temos de assumir. Como parte do processo de licenciamento também investiremos em equipamento, tecnologia, formação, infraestruturas e outros aspetos.

Falou em pagar a dívida aos credores. Pode dizer quais são os números?

Não sei quanto disso é público. A insolvência é um tema sensível. Mas, sim, tencionamos liquidar todas essas dívidas. Há vários credores. Um deles são os aeroportos, as companhias de seguros, o Estado.

A TAP também.

Exatamente. Temos de pagar todas estas dívidas como parte do acordo.

A Menzies Aviation cumprirá todas as suas obrigações contratuais, financeiras ou outras, para com a TAP, para com o Estado, para com os trabalhadores, para com quem quer que seja.

O relatório anual da TAP indica que a companhia tem a receber cerca de 24 milhões da Menzies Aviation Portugal, ou seja, da SPdH. Há 10,5 milhões a pagar este ano e no próximo resultantes de benefícios de escala e penalidades previstas no contrato de prestação de serviços, 12,5 milhões de créditos que faziam parte da massa insolvente, e ainda 1,4 em outros créditos pendentes. Todo este dinheiro vai ser pago?

Quer dizer, se está no relatório anual e devemos o dinheiro, cumpriremos todas as nossas obrigações financeiras.

Mas com todas estas obrigações financeiras, será justo dizer que, por agora, a Menzies Aviation Portugal continua a ser apoiada financeiramente pela TAP?

As palavras “apoiado financeiramente” são vagas. Por isso, deixe-me esclarecer. Mas antes de esclarecer, vamos dar um passo atrás. A Menzies Aviation cumprirá todas as suas obrigações contratuais, financeiras ou outras, para com a TAP, para com o Estado, para com os trabalhadores, para com quem quer que seja. É essa a nossa política. É assim que gerimos a nossa empresa. E estamos muito orgulhosos disso.

A TAP é o maior operador do aeroporto. Penso que são 70% ou 80% do volume no aeroporto. São um grande cliente nosso. Somos apoiados financeiramente pela TAP? Com base nessas informações, pode determinar se somos ou não apoiados financeiramente. Todas as empresas dependem dos seus clientes. Nós dependemos dos nossos clientes. A TAP é um deles.

Hassan El-Houry, Executive Chairman da Menzies Aviation, em entrevista ao ECOHugo Amaral/ECO

Além do acordo para a aquisição dos 49,9% da TAP há também um novo contrato para a prestação de serviços à TAP. O preço acordado na aquisição também reflete este contrato? Uma coisa está ligada à outra?

Tudo está ligado. Todas as coisas de que temos estado a falar estão relacionadas. Os nossos investimentos e compromissos com Portugal, as dívidas que temos para com os credores, a qualidade do serviço, os compromissos que assumimos com os nossos trabalhadores, quaisquer outras obrigações financeiras que tenhamos, outros rendimentos financeiros e fontes de receita que tenhamos. Tudo isto está ligado.

Qual o prazo do contrato?

É um acordo de seis anos.

Inclui também a possibilidade de a TAP fazer auto-assistência? Tem sido dito que se a Menzies não ganhar as licenças, a TAP optará por esse modelo.

Faz parte das conversas, sim.

A privatização pode alterar de alguma forma a relação entre a TAP e a Menzies, tendo em conta que a companhia que entrar no capital ficará com o controlo da gestão?

A única constante na aviação é a mudança. Claro que se a TAP for vendida, as coisas vão mudar, com certeza. Esperemos que para melhor.

Os grupos Air France-KLM e Lufthansa estão envolvidos no processo. Tem alguma preferência?

Não tenho preferência. Cabe ao governo português e às instituições em Portugal tomarem uma decisão. Ambas as companhias aéreas são nossos estimados clientes. Servimo-los em muitos, muitos locais diferentes. E estou confiante de que o governo de Portugal e os decisores políticos escolherão o que é melhor para o país.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Preço que TAP vai receber pelo handling depende do resultado do concurso das licenças. “Há um valor para cada um dos cenários”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião