“Seguradoras portuguesas têm de mudar cultura e capacitar equipas para a Gen IA”

Rui Neves, sócio senior da Mckinsey, revela conclusões do novo estudo da consultora sobre Inteligência Artificial e considera que a IA não elimina mediadores de seguros, mas vai redefinir o seu papel.

Para Rui Neves, sócio senior da McKinsey & Company, é evidente que em Portugal “as seguradoras começaram há vários anos a desenvolver modelos de IA e mais recentemente começam a dar os primeiros passos na IA Generativa”, mas considera que, tal como as congéneres internacionais, “as seguradoras Portuguesas têm como desafio a transformação cultural e capacitação das equipas”.

Na McKinsey, Rui Neves apoia seguradoras, bancos e fintechs, lidera o trabalho da consultora em digital and analytics no setor segurador europeu com especial incidência nas áreas de bancassurance e seguros diretos.

Em entrevista a ECOseguros, a propósito do lançamento do estudo AI in insurance: Understanding the implications for investors, o consultor alerta para a necessidade de transformações profundas nas seguradoras para aproveitar uma vaga imparável.

A McKinsey publicou recentemente um estudo sobre o impacto da inteligência artificial na indústria de seguros. Quais são as principais conclusões?

O setor segurador reúne características particularmente favoráveis à adoção de inteligência artificial generativa. Identificamos que a IA não é apenas uma ferramenta de eficiência: é uma transformação estrutural na forma como o valor é criado e capturado. Segundo o estudo, a aplicação destas tecnologias ao longo da cadeia de valor poderá gerar entre 50 e 70 mil milhões de dólares em novas receitas anuais a nível global.

Para Rui Neves mediadores e corretores, MGAs, fornecedores de software e third-party administrators (TPAs) vão ter as maiores oportunidades com a IA.

Quais áreas da indústria de seguros têm maior potencial de transformação com IA?

Vemos oportunidades significativas em marketing e vendas, operações de clientes e engenharia de software. Também áreas tradicionalmente manuais, como subscrição e gestão de sinistros, podem ganhar eficiência e personalização. Mas é importante sublinhar que a IA não se limita a automatizar tarefas isoladas: ela reconfigura modelos operacionais de forma profunda.

O estudo menciona o conceito “AI staircase”. O que é isso?

“AI staircase” descreve um percurso evolutivo de adoção tecnológica. Começa com análise preditiva tradicional, evolui para soluções de IA generativa e poderá culminar nos chamados Agentes de IA, onde sistemas inteligentes gerem fluxos de trabalho complexos de forma autónoma. Cada degrau aumenta a sofisticação e o potencial de criação de valor.

Que segmentos apresentam maior oportunidade para investidores privados?

Destacamos mediadores e corretores, MGAs, fornecedores de software e third-party administrators (TPAs). Nestes segmentos, a combinação de modelos de negócio ágeis com integração tecnológica pode acelerar a criação de valor. A vantagem competitiva dependerá da capacidade de integrar a IA de forma estratégica e transversal ao longo do ciclo de investimento.

A velocidade e a profundidade da adoção tecnológica determinarão quem conseguirá capturar maior valor na próxima fase da evolução da indústria seguradora.

Que desafios ou cuidados os investidores devem ter em mente?

Apesar do potencial, a IA não vai eliminar intermediários tradicionais, como corretores de seguros, mas vai redefinir o seu papel num ecossistema mais digital e orientado por dados. Para capturar valor, os investidores devem focar em quatro prioridades: avaliar a IA nos processos de investimento, criar um playbook estruturado de adoção tecnológica, usar a IA para modelizar cenários futuros e alinhar talento e operações.

Como se comportou o investimento em seguros recentemente?

Há diferenças geográficas claras. Nos EUA, o investimento de private equity no setor cresceu a uma taxa média anual de 26% entre 2020 e o primeiro semestre de 2025. Na Europa, observou-se uma desaceleração média anual de cerca de 18% no mesmo período, refletindo diferenças de maturidade de mercado e participação de investidores em ativos seguradores.

Em resumo, qual é a mensagem principal para investidores e empresas do setor?

A IA representa uma oportunidade única para criar vantagem competitiva, mas apenas se for integrada de forma estratégica, abrangente e sustentada. A velocidade e a profundidade da adoção tecnológica determinarão quem conseguirá capturar maior valor na próxima fase da evolução da indústria seguradora.

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