Seguro soube “estar no sítio certo, na hora certa” para ser eleito Presidente da República

Luís Filipe Menezes tira o chapéu a António José Seguro por ter tido "a coragem" de se candidatar, quando nada fazia prever que poderia vencer. Soube "estar no sítio certo, na hora certa".

Apesar de não ter manifestado apoio a António José Seguro para a segunda volta das presidenciais, Luís Filipe Menezes reconhece-lhe mérito e elogia as suas qualidades como “um homem de consensos, de construção de pontes”. É, defende, “um homem, ideologicamente, do centro-esquerda moderado”.

O antigo líder do PSD e um dos fundadores da Juventude Social Democrata, no tempo de Francisco Sá Carneiro, tira o chapéu ao ex-líder da Juventude Socialista e ex-secretário geral do PS, por ter tido “a coragem” de se candidatar “quando aparentemente as previsões não apontavam para um sucesso claro”. Em entrevista ao ECO/Local Online, o presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia considera, por isso, que “em política é muito importante saber estar no sítio certo, na hora certa”.

Como vê a eleição de António José Seguro para Presidente da República?

Se andarmos uns meses para trás, vemos que esta foi uma eleição muito imprevista. António José Seguro não era, manifestamente, o candidato que o Partido Socialista, a sua esmagadora maioria, desejava. Havia a ideia de que ao centro e à direita haveria sempre um candidato mais forte que, na segunda volta das presidenciais, derrotaria qualquer candidato da esquerda. Mas a verdade é que isso não aconteceu. É de realçar o mérito do doutor António José Seguro. Em política é muito importante saber estar no sítio certo, na hora certa. É uma ciência complexa. Às vezes, não é a qualidade só que interessa, é o instinto. Além disso, a coragem que, em determinados momentos, determina dar um passo em frente, quando aparentemente as previsões não apontam para um sucesso claro.

Encontra algum momento semelhante na história da política nacional?

Recordo, porventura, um caso muito semelhante nas eleições presidenciais portuguesas, o de Jorge Sampaio que também não era o candidato preferido do PS, e na altura até da figura de referência do Partido Socialista, que era Mário Soares. E Jorge Sampaio teve a coragem de pegar na bandeira nacional, pô-la atrás da cadeira, e ir à aula magna dar uma conferência de imprensa e dizer ‘aqui estou eu’. E a partir daí, como muitas vezes acontece, naquela área política não houve mais ninguém que se atrevesse a enfrentar aquele desafio. Portanto, é saber estar no sítio certo, na hora certa.

Luís Filipe Menezes, Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, em entrevista ao ECO/Local OnlineRicardo Castelo/ECO

Equacionou dar o seu apoio ao ex-secretário-geral do PS na segunda volta das eleições presidenciais?

Não manifestei apoio a ninguém por uma questão de princípio: sou presidente da câmara de 350 mil gaienses que votaram, de uma forma muito diversificada, durante as eleições. Evidentemente que eu tinha as minhas preferências interiores. Exerci o meu direito de voto de acordo com essas preferências, que não são difíceis de prever, e faço o meu percurso político.

Só há que realçar o mérito do doutor António José Seguro. Em política é muito importante saber estar no sítio certo, na hora certa.

O que espera agora do novo Presidente da República, que ganhou a segunda volta com uma maioria de dois terços?

Fui colega dele durante quatro anos no Conselho de Estado; conheço-o razoavelmente bem. Ideologicamente, é um homem do centro-esquerda moderado. É um homem equilibrado, prudente, de consensos, de construção de pontes. Acho, por isso, que tem um conjunto de características que podem ser interessantes, dada a lógica do sistema semi-presencial português. Portanto, tenho uma expectativa muito positiva em relação à escolha que o povo português fez.

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