“Seria um erro os bancos acharem que já não precisam dos intermediários de crédito”

Os intermediários de crédito já valem 50% do mercado da habitação, mas os bancos não devem temê-los, considera Tiago Vilaça, presidente da associação que representa o setor.

Mais de 50% do crédito à habitação já passa pelas mãos dos intermediários de crédito, mas os bancos não devem temer a perda de uma parte do seu negócio para este setor em ascensão. Pelo contrário, afirma Tiago Vilaça, que acabou de ser reeleito presidente da Associação Nacional dos Intermediários de Crédito Autorizados.

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“Nós garantimos ao banco que deixa de ter custos fixos, porque já não precisa de agências bancárias nem de colaboradores e pagam em função do negócio que entra dentro de portas. (…) Era um erro do lado do banco achar que já não precisa dos intermediários de crédito. Tinha de fazer todo o reverso deste caminho que era voltar a ter agências bancárias e criar a estrutura”, adianta em entrevista ao ECO.

Atualmente são mais de 6.000 os profissionais que atuam na intermediação do crédito. Tiago Vilaça acredita que a profissão entrou numa fase de consolidação, que irá cimentar com a revisão do regime jurídico — criado em 2017 — que está em curso. O líder dos intermediários de crédito diz que este processo irá trazer maior transparência e benefícios para todos, incluindo consumidores.

Acabou de ser reeleito presidente da ANICA. O que não foi e ainda falta fazer? Quais as prioridades para o novo mandato?

O que conseguimos fazer em sete anos tem de ser muito valorizado. De repente, estamos em tudo aquilo que tem sido a representatividade da intermediação de crédito em Portugal, que é uma profissão jovem, nova, que teve um crescimento massivo. Sete anos depois, estamos já numa fase mais madura e começamos a entrar agora no que tem de ser feito. Precisamos, urgentemente, de atualizar o regulamento jurídico, que foi pensado numa determinada dinâmica e numa realidade no país.

Nós não criamos produtos de crédito, nós distribuímos, mas ganhámos ascensão sobre o cliente bancário, porque no final do dia nós fazemos um trabalho que é muito chato para quem nunca teve um financiamento, nomeadamente um crédito de habitação, que é um trabalho de procura, de apresentação, de entrega de documentos a vários bancos, de recolha de informação, de comparabilidade. Acabamos por ser quase um comparador humano. E o grande desafio também tem agora a ver com as tecnologias e com a parte do digital.

O que falta fazer para o futuro é isto: que os consumidores consigam rever no intermediário crédito esta qualidade, com tudo aquilo que são os princípios de lealdade, transparência e defesa dos interesses da parte do consumidor.

Existem atualmente mais de 6 mil intermediários. Quantos desses são associados da ANICA?

Mais de 400.

Parte do seu trabalho também vai tentar atraí-los para a associação?

Sim, é verdade. Temos aqui uma bandeira dos 500 associados a atingir. Temos de ter consciência que a associação nasceu com a entrada do decreto de lei em Portugal, no seguimento da transposição da diretiva comunitária. A adesão à ANICA é voluntária. Temos de demonstrar aos associados a nossa mais-valia.

E qual é a mais-valia da ANICA?

A nossa mais-valia é conseguir representá-los na parte institucional. Além disso, temos uma série de outros serviços associados, como o apoio jurídico em casos mais complexos, mais eficiente e com uma certa especialização. Temos apoio na parte fiscal, do ponto de vista também de algumas dúvidas que os agentes económicos possam ter. E estamos a tentar chegar a pontos onde o intermediário sozinho pode ter dificuldade.

Hoje estamos envolvidos na tomada a decisão dos agentes económicos, nomeadamente do regulador, da Assembleia da República e os grupos parlamentares, e uma série de outros stakeholders, que já nos olham como uma entidade que representa a intermediação do crédito em Portugal.

Desde 2019, o número de intermediários autorizados pelo Banco de Portugal disparou 30%. Este aumento, bastante expressivo, deve-se a que razões?

Temos aqui o fenómeno da banca de fechar balcões e de redução da sua presença física. As pessoas continuam a gostar muito de se relacionar, também nesta matéria, com pessoas, de se aconselhar com pessoas. O intermediário de crédito acabou por dar essa capacidade de resposta.

Por outro lado, temos níveis de desemprego estáveis. Existe aqui também uma componente de consumo maior. Todos os anos o consumo tem estado a aumentar. São dois fenómenos interessantes.

As poupanças das famílias são menos remuneradas, portanto, olha-se muito para a componente do imobiliário como um investimento. O crédito de habitação é para a aquisição própria permanente, mas muitas vezes também para investimento. Tem as duas particularidades.

Depois, a ausência durante quase dez anos de construção nova, trouxe-nos uma ausência de produto. E temos aqui um conjunto de fatores positivos, nomeadamente, o apoio no crédito habitação para os jovens. Juntou a fome à vontade de comer.

Como é que perspetiva que vai ser a evolução agora daqui para a frente? Continuar a crescer em número de intermediários ou poderá haver agora aqui um espaço para alguma consolidação?

Temos de aceitar que 6 mil intermediários de crédito em Portugal é um número muito expressivo. Não acredito que vá ter um crescimento de mais de 30%. O mercado está num ponto de consolidação nessa área.

Espero que regulamento jurídico também traga aquilo que começa a ser necessário: a questão da formação obrigatória. Para nós é fundamental, o que pode fazer com que haja um abrandamento de novos intermediários de crédito.

Se conseguirmos colocar mais exigência de qualidade para nós próprios, quero acreditar que será uma maneira de estabilizar esse crescimento em termos de número de profissionais.

Temos de aceitar que 6 mil intermediários de crédito em Portugal é um número muito expressivo. Não acredito que vá ter um crescimento de mais de 30%. O mercado está num ponto de consolidação nessa área.

Tiago Vilaça

Presidente da ANICA

Consegue traçar um perfil do intermediário de crédito, se é alguém que já trabalhou no setor financeiro, na banca, ou no setor imobiliário?

Começou muito com o encerramento das agências bancárias e com as pessoas a compreenderem que podiam continuar a fazer aquilo que fizeram toda a vida, que era lidar com clientes e falar sobre crédito, e podiam fazê-lo de forma totalmente independente e certificados por uma licença do Banco de Portugal. Eu próprio fui dos que iniciou a atividade assim. Sou ex-bancário, fui durante 19 anos, portanto, vi na legislação a possibilidade de fazer aquilo que mais gostava de forma certificada.

O setor acabou por absorver trabalhadores dos bancos…

Numa fase inicial, sim. Claro que, à medida que se foi desenvolvendo a oferta do lado do produto, quer da casa, quer outro tipo de bens e serviços, outras entidades perceberam que para ser intermediário de crédito era preciso uma certificação relativamente simples — não há nenhuma ciência complexa – e começaram a olhar para isto como um potencial negócio complementar ou uma nova área de negócio.

Agora também vejo muitos jovens acabados de sair das faculdades… Eu próprio tenho dado algumas palestras a alunos do secundário, e olham para a profissão de intermediário de crédito com interesse.

No final do dia, o perfil do intermediário crédito não tem de ser bancário. Tem de ser alguém que tenha literacia financeira para poder aconselhar o consumidor a tomar uma decisão que vai ter impacto importante na sua vida. O crédito é uma componente que vai mexer no seu orçamento financeiro a todos os momentos

Os números mostram um grande impacto que os intermediários estão a ter no negócio da banca. Mais de 50% do crédito de habitação teve envolvimento ao intermediário de crédito. Temos imobiliárias, grandes imobiliárias como a Remax e outras com os seus próprios intermediários de crédito…

Eu acho que todas.

Os bancos devem temer esta expansão do intermediário de crédito?

Temos aqui um triângulo harmonioso, porque garantimos ao banco que deixa de ter custos fixos, porque já não precisa de agências bancárias nem de colaboradores e passa a pagar em função do negócio que entra dentro de portas.

Mas mais do que isso: as propostas que os intermediários créditos apresentam aos bancos já vêm qualificadas, porque a banca já nos exige isso. A banca exige-nos que os dossiers tenham mínimos de enquadramento para serem aprovados. Já não entregámos um processo a um banco de um cliente que tenha, por exemplo, incumprimentos no Banco de Portugal. De repente, os bancos também ficaram com propostas a entrar dentro da sua estrutura mais preparadas para darem uma decisão, mais célebre e mais rápida.

Era um erro do lado do banco achar que já não precisa dos intermediários de crédito. Tinha de fazer todo o reverso deste caminho que era voltar a ter agências bancárias e criar estrutura. Espero que nem sejam tentados por isso. Já não faz sentido no enquadramento atual porque a economia portuguesa já não vive sem os intermediários de crédito.

Por sua conta e risco, os profissionais de intermediação de crédito conseguiram fazer isto, que é: têm o consumidor do produto de crédito, não vendem produtos nem podem comercializar, mas conhecem a oferta e tentam fazer este match entre o perfil do cliente e a oferta. Os bancos acabam por poupar muito tempo, acabam por poupar unidades de tempo que custam muito dinheiro, porque os intermediários lhe entregam uma proposta de dossier preparada da maneira como os bancos querem.

Tiago Vilaça, presidente da Associação Nacional Intermediários Crédito Autorizados (ANICA), em entrevista ao ECOHugo Amaral/ECO

 

“Os intermediários de crédito estão a aumentar a concorrência na banca”

Temos em curso uma revisão do regime dos intermediários de crédito, a primeira revisão desde 2017 quando foi criado o regime. Em outubro do ano passado, o diretor do Departamento de Supervisão Comportamental do Banco de Portugal referiu que existe um nível de opacidade que era importante resolver e disse também que os clientes, por vezes, não tinham a possibilidade de fazer a melhor escolha porque ela não lhe era apresentada pelo intermediário. Como um representante do setor, como é que avalia estas críticas?

O Ricardo [Sousa] também disse que, por norma, quando há um intermediário crédito, os clientes também saem mais beneficiados. Portanto, a mesma pessoa também disse isso. Portanto, é importante também clarificar isso. Ele disse isso num determinado enquadramento.

Referia-se ao facto de o Banco de Portugal avançar com uma proposta para fazer essa revisão.

O que o Ricardo tentou passar, e bem, é que no que diz respeito ao atual regime jurídico, é importante também trazer aqui algum tipo de reforço da transparência e evitar algum tipo de conflito de interesses.

Ainda não consegui ver em lado algum uma informação tangível que diga que os intermediários estão a encaminhar para o banco A ou banco B porque tem um benefício.

Portugal tem poucos bancos. Não temos uma oferta muito abrangente. Os bancos também estão segmentados por produto. A banca tradicional de retalho faz crédito à habitação, as sociedades financeiras de aquisição a crédito fazem crédito ao consumo, o que são dois canais completamente distintos.

O que existe, muitas vezes, são condições de determinados bancos mais vantajosas e os intermediários de créditos têm uma tendência natural para colocar mais propostas nesses bancos. Mas hoje é banco A, amanhã pode ser banco B.

Aquilo que nós temos conseguido fazer é aumentar a concorrência entre bancos, como vimos aquando do aumento das Euribor em 2023 e 2024, quando a nossa participação no crédito de habitação aumentou dos 60% e as famílias conseguem transferir créditos com a nossa ajuda a baixar a prestação mensal

Nós provocámos do lado da banca uma concorrência ao ponto de mexermos o mercado com as transferências de crédito de habitação, para que as famílias pudessem poupar. Isto aconteceu porque percebemos que o mercado tinha uma necessidade e organizamo-nos para poder ajudar as famílias portuguesas nesse sentido.

O consumidor também tem sempre a opção de escolha. Não tem de aceitar só o que o intermediário de crédito lhe apresenta. Não podemos achar que o consumidor não sabe fazer as suas escolhas e não está informado. O consumidor está informado e sabe fazer as suas escolhas.

E da oferta que existe do lado dos bancos, que não é tão grande quanto isso, temos alguns bancos que não trabalham com intermediários de crédito. Nem todos os bancos trabalham com intermediários de crédito. Aqui a oferta ainda baixa mais um pouco.

Portanto, quando se fala em potencial conflito de interesses ou concentração de propostas em bancos, primeiro temos de compreender qual é a nossa realidade. Se me disser que há uma concentração em três bancos, eu vou dizer que é normal. Porque temos três grandes empresas a nível nacional a fazer o crédito de habitação. E não acho que haja aqui uma concertação para que isto aconteça. Acho que é um fenómeno do próprio mercado em si.

O consumidor, quando quer tomar uma decisão de um produto de crédito, também tem um nível de ansiedade. Não quer esperar um mês, um mês e meio para ter uma decisão. Quer decisões rápidas. E nem todos os bancos estão preparados para darem decisões rápidas.

Nós provocámos do lado da banca uma concorrência ao ponto de mexermos o mercado com as transferências de crédito de habitação, para que as famílias pudessem poupar. Isto aconteceu porque percebemos que o mercado tinha uma necessidade e organizamo-nos para poder ajudar as famílias portuguesas nesse sentido.

Tiago Vilaça

Presidente da ANICA

Vamos às mudanças que estão a ser discutidas nesta revisão. Fica proibido a remuneração em espécie, como viagens.

Aí estamos alinhados com o regulador. À mulher de César, não basta ser, tem de parecer. Queremos um caminho de transparência e de crescimento da qualidade da profissão e subscrevemos o entendimento do regulador.

Também se propõe a proibição de remunerações indexadas a taxa de juro?

Isso não acontece em 90% do crédito em Portugal.

Se ler uma FINE, que é a ficha técnica do produto, vai dizer lá qualquer coisa deste género: Se houver intermediação de crédito, esta operação tem intermediação de um intermediário de crédito, há uma remuneração ao intermédio crédito entre o mínimo de X e o máximo de Y, percentual, mas não tem impacto no preço. Portanto, no crédito à habitação não tem impacto no preço.

Exato, também vai passar a haver uma maior transparência sobre a remuneração que é paga ao intermédio. Isso já existia no mercado…

Isto já existe no hipotecário. O que tem de se fazer é aproximar os outros produtos ao hipotecário. Mas a informação não está escondida. Ela já existe, mas não está em todos os produtos. Então, há que aproximar ao que está bem feito.

Depois, em relação às simulações, o intermediário de créditos vai ter de apresentar simulações de todos os bancos com quem trabalha, até um máximo de 5. A ANICA considera que é exagerado este número? É exequível?

Nós discordamos do supervisor por vários motivos. Primeiro, não está claro o que é que se entende com cinco propostas, se é aprovações ou meras simulações. Segundo, mais uma vez, vem trazer algo que para o consumidor não vai valorizar, que é a fila de espera. E vamos levar mais tempo a apresentar as condições. Terceiro, não é um número mínimo de 5. Quem tem 5 ou mais contratos de vinculação com bancos, tem de apresentar um número mínimo de 5. Quem tem menos de 5 bancos, apresenta só os que tem.

Então, vou colocar um caso prático. Se nós temos um intermediário de crédito com um só banco, só tem de apresentar uma proposta. Isto é uma forma desleal para todos os outros que querem ter mais oferta. Isso desincentiva claramente à concorrência. Porque se der muito trabalho, o que os profissionais vão fazer é ter menos oferta.

A forma de motivar os intermediários de crédito a terem mais oferta para apresentar ao consumidor não é o número mínimo de propostas, mas antes o número mínimo de bancos mutuantes que eles estão a representar.

E já colocou essa posição junto do regulador e foi bem recebida?

Todas as nossas propostas foram bem recebidas, mas estamos numa fase inicial de discussão do tema.

Acredita que vão ser incorporadas as propostas da ANICA?

Se não for tudo, parte.

Há pouco falámos da formação inicial que a ANICA pretende que seja introduzida nesta figura do intermediário. O que é que defende exatamente?

Somos basicamente o único país da União Europeia onde o profissional de intermediação de crédito não tem formação anual obrigatória. Nós temos uma certificação inicial, uma certificação de níveis mínimos de capacidades para poder ter licença para operar. E ficamos por aqui.

Se olharmos para a congénere da área de seguros, o mediador de seguros obriga-se a 15 horas de formação mínima anual em regime de e-learning. Os consultores de investimento, abaixo do chapéu da CMVM, obrigam-se um ‘x’ número de horas de formação obrigatória anual.

Esta formação que gostaríamos que acontecesse é uma formação que não fosse só porque sim, mas antes uma formação de renovação de conhecimentos, de atualização do que se passa no mercado. Por exemplo, tivemos um rápido crescimento do crédito com taxa fixa em Portugal, foi algo inovador.

Não haver formação mínima obrigatória é que não parece que faça sentido. Por um lado, porque na União Europeia, que também abraçou esta legislação, tem formação obrigatória mínima com renovação anual. Por outro lado, quando eu estou a apresentar uma proposta a um cliente de crédito de habitação, o que tem mais impacto na decisão dele é a taxa de juro, e eu não tenho formação obrigatória… não me parece que se faça muito sentido, e o Banco de Portugal sabe perfeitamente a nossa proposta.

Queremos qualificar a profissão, achamos que uma certificação inicial não é suficiente. E a proposta do Banco de Portugal nesta matéria, para uma atualização de RGIC, é uma renovação da certificação ou de conhecimentos a cada cinco anos. É muito tempo. As pessoas precisam de conhecimento, no mínimo, numa base de renovação anual e acho que 15 horas por ano será suficiente.

Tiago Vilaça, presidente da Associação Nacional Intermediários Crédito Autorizados (ANICA), em entrevista ao ECOHugo Amaral/ECO

Temos tido uma discussão sobre uma das regras macroprudenciais, que é o loan to value de 90%. Alguns bancos têm defendido que, hoje em dia, não faz muito sentido ter essa regra, porque já existem outras regras macroprudenciais que também funcionam bem. Como é que se posiciona?

O passado já nos ensinou muita coisa. E se no passado achamos que não financiar 100% da casa era um problema de compromisso do lado do devedor, porque a ausência de compromisso podia levar a mais incumprimento — pelo menos foi esse entendimento que se chegou –, é prudente não voltar a esticar a corda.

Compreendo que os bancos sejam tentados a financiar mais porque o dinheiro está muito barato. Percebo que, olhando para o momento só de hoje, com preço das casas a subir, a avaliação das casas a subir, que haja uma tentação de voltar a financiar a 100%. Mas o nosso problema é a falta de habitação, não é o financiamento.

Em relação à garantia pública para os jovens, que termina no final do ano, é uma medida que deve ser prolongada? Tem tido forte procura por parte dos jovens?

Mais de 50% do crédito concedido é aos jovens neste momento. Sentimos que há muita procura. Espero que seja possível reavaliar no final deste ano para dar continuidade, pelo menos por mais algum tempo. Continuamos a precisar de medidas de apoio nessa área.

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