O presidente da Câmara de Cascais afirma que há um 'gap' geracional nos trabalhadores do município e que encontrar talento com competências em tecnologia é uma "dificuldade grande".
O presidente da Câmara Municipal de Cascais, Nuno Piteira Lopes afirma que o investimento do concelho em habitação pública vai ser reforçado em 100 milhões de euros para chegar a 4.500 novos fogos para os jovens e a classe média. “Comigo nenhum jovem será obrigado a sair de Cascais por não conseguir aceder ao mercado de habitação”, garante.
Em entrevista ao “À Prova de Futuro”, um podcast do ECO com o apoio da Meo Empresas, o autarca afirma que é uma “dificuldade grande” recrutar talento jovem com as competências em tecnologia que o município necessita.
“Temos de acelerar a renovação dos quadros do município de Cascais, reforçando também com agentes de IA sempre que possível, que são quadros não humanos, mas que ajudam o município de Cascais a tomar decisões, a poder resolver problemas, a poder encurtar o espaço entre aquilo que é a necessidade e aquilo que é a resolução, seja de que problema for”, defende.
Afirma que o objetivo deste executivo é “cuidar da vida dos cidadãos de Cascais”. Que investimentos estão previstos neste mandato com esse objetivo?
Uma grande aposta e uma grande prioridade naquilo que é a habitação pública municipal. Eu assumi um compromisso com todos os jovens de Cascais, na construção da habitação pública municipal para os jovens de Cascais. Comigo nenhum jovem será obrigado a sair de Cascais por não conseguir aceder ao mercado de habitação. Por isso vamos fazer um investimento em 3.600 novos fogos de habitação pública, mas para os cascalenses, para os jovens, para as classes médias, para as classes médias baixas.
Estamos a falar de um investimento de que ordem?
Um investimento de 350 milhões de euros, que já está previsto, e que irá ser reforçado com mais 100 milhões de euros para conseguirmos ultrapassar inclusivamente este objetivo dos 3.600 novos fogos.
Para chegar a quantos fogos?
O objetivo é conseguirmos chegar aos 4.500 fogos de habitação pública, exclusivamente para arrendamento, durante este mandato. Nenhum cascalense será obrigado a deixar Cascais por não conseguir aceder ao mercado de habitação.
É um objetivo difícil de cumprir.
É um objetivo ambicioso, mas existe um grande consenso por parte de todos os partidos que se candidataram às eleições em Cascais. Eu diria que é um desígnio municipal, suportado por todas as forças políticas e por isso eu julgo que, apesar de ambicioso, será um objetivo que será atingido, porque é imperioso para que Cascais consiga atingir o compromisso de ser a capital da qualidade de vida. Mas temos também investimentos muito grandes na área da segurança, na área da saúde, na área da educação, na área da coesão do território, na área da cidadania e participação.
Cascais é este ano Capital Europeia da Democracia.
O que releva também o caminho que Cascais já fez neste âmbito de cidadania, dos orçamentos participativos, da democracia colaborativa. Sempre com os olhos postos naquilo que eu chamaria de democracia do impacto. É, nós eleitos, conseguirmos perceber que todas as decisões que tomamos no dia-a-dia, desde o buraco da calçada à porta do munícipe, a grandes investimentos em bacias de retenção para resolver o problema das cheias, todas as decisões têm impacto na vida dos munícipes e poder tomar essas decisões precisamente com base no impacto que cada uma dessas decisões vai ter no dia-a-dia de cada um dos munícipes, ao invés de muitas vezes tomar decisões porque achamos que é giro ou porque achamos isto ou porque achamos aquilo.
Na área específica das cidades inteligentes, o que é que está previsto de novos investimentos?
Nesta área das cidades inteligentes, vamos continuar a investir na inovação, vamos investir no reforço da inteligência artificial para ajudar à decisão, mas também na inteligência artificial para ajudar a resolver aquilo que hoje é também um grande problema das autarquias, que é de conseguir captar recursos humanos com competência nas áreas que são absolutamente necessárias.
Conseguir captar esses recursos humanos é uma dificuldade?
É uma dificuldade muito grande. Existe um gap geracional muito grande entre aquilo que são os mais novos que entraram para o município e os mais antigos que estão no município e que estão de saída. Este gap leva a que exista uma grande preocupação, porque não é possível com o gap geracional que existe nos funcionários do município de Cascais transmitir o histórico, de transmitir o conhecimento, de transmitir a cultura. E é muito importante não se perder este conhecimento.
Temos de acelerar a renovação dos quadros do município de Cascais e reforçar esses quadros também sempre que possível, reforçando também com agentes de IA, que também são quadros não humanos, mas que ajudam o município de Cascais a tomar decisões, a poder resolver problemas, a poder encurtar o espaço entre aquilo que é a necessidade e aquilo que é a resolução, seja de que problema for.
Assista aqui à entrevista na íntegra:
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