Tempestades: nas derrocadas em Porto Brandão, “quem fez a evacuação foi a Transtejo”

A Transtejo está a reparar "como nunca", as suas embarcações. Até março, colocou "mais navios fora do que nos últimos cinco ou seis anos de reparações", diz Rui Rei, presidente, em entrevista.

Mandar reparar navios é um imperativo para a atual administração da Transtejo-Soflusa, empresa liderada desde 13 de outubro por Rui Rei. Quando chegou, havia embarcações à espera de intervenção, como o segundo ferry da ligação entre Belém, Trafaria e Porto Brandão, e escassez de tripulações formadas para operar com os elétricos ao serviço desde novembro de 2023.

No global, a operação está a crescer 7,5% face ao ano passado. “Há margem de crescimento. Precisamos é de ter os navios operacionais para fazer face a essa operação, e é o que estamos a fazer“, diz o gestor público ao ECO/Local Online.

No início do ano, afirmou que antes do verão estarão a operar toda a frota de dez navios elétricos. Como está a decorrer esse processo?

Só não operamos os dez navios elétricos porque temos o Cegonha Branca, o nosso primeiro navio, em estaleiro. Vai entrar em reparação. Esteve avariado e acostado durante um ano e dois meses. Até ao verão, até um pouco antes, teremos os dez navios elétricos disponíveis. Neste momento, operamos com regularidade, por dia, sete, oito navios elétricos. O plano está a ser implementado, também com a formação das tripulações. Em outubro, essa formação não estava totalmente dada. Neste momento, temos nove tripulações, das dez tripulações, com a formação dada. Mais duas semanas, em Cacilhas fica 100% com as tripulações com formação para os elétricos – não iremos fazer totalmente elétrico porque, de vez em quando, queremos colocar o nosso cacilheiro, a nossa imagem de marca, a fazer alguns dos serviços, mas vamos pôr a frota em mais de 90% do tempo elétrico em Cacilhas, tal como já está no Seixal, tal como uma parte da operação no Montijo também será elétrica.

Isso deve ser também um motivo de orgulho do que conseguimos fazer nos últimos meses na Transtejo.

"Até ao verão, espero que tudo isto entre em velocidade de cruzeiro e os elétricos deixem de ser um tema e passem a ser a normalidade da maior operação europeia, diria mundial, desta forma. Uma operação de serviço público, com carregamento rápido, com dez navios. Neste momento, não tem nenhuma na Europa e no mundo a fazer o que nós fazemos no Tejo.”

Por que razão há apenas sete ou oito elétricos a navegar, e não os nove operacionais?

Não operávamos, das três carreiras, a segunda carreira da empresa, que é Cacilhas – Cais do Sodré, Cais do Sodré – Cacilhas, que transporta sete milhões de passageiros por ano. O Barreiro transporta 11 milhões de passageiros por ano. Não operávamos nenhum elétrico em Cacilhas. A partir de 1 de novembro do ano passado, passámos a operar com elétricos em Cacilhas e, portanto, deu-nos uma transformação completa na operação e, a bem da verdade, foi a partir dessa altura que passámos a cumprir o contrato de serviço público com o Estado.

Deixámos de ter supressões em Cacilhas. O único local que ainda fomos tendo algumas dificuldades tem sido essencialmente no Montijo.

O “Cegonha Branca” foi o 1.º navio elétrico a navegar no Tejo, a 28 de novembro de 2023. “Vai entrar em reparação. Esteve avariado e acostado durante um ano e dois meses. Até ao verão, até um pouco antes, teremos os dez navios elétricos disponíveis”, diz Rui Rei.ANTÓNIO COTRIM/LUSA

No Seixal tem havido muitas queixas. Está superado?

No Seixal tivemos algumas dificuldades por força do mau tempo. Os nossos clientes sabem, porque nós temos dado a cara, e particularmente eu tenho dado permanentemente a cara quando há dificuldades, pedimos-lhe desculpa por isso, mas estamos a normalizar. A rota que teve mais dificuldades foi o Montijo, até mais que o Seixal. No Montijo, devido a constrangimentos de frota dos navios a Diesel. O que estamos a fazer? A reparar, como nunca, os navios. No primeiro trimestre deste ano, colocámos mais navios fora do que nos últimos cinco ou seis anos de reparações.

A rota que teve mais dificuldades foi o Montijo, até mais que o Seixal. No Montijo, devido a constrangimentos de frota dos navios a Diesel. O que estamos a fazer? A reparar, como nunca, os navios. No primeiro trimestre deste ano, colocámos mais navios fora do que nos últimos cinco ou seis anos de reparações.

Estamos a reparar ao mesmo tempo quatro navios para que possamos ter redundância na operação e os nossos clientes do Montijo não tenham problemas.

Quanto estão a investir em reparações?

Só o segundo ferry que temos para a operação de Belém – Trafaria – Porto Brandão custa 1,2 milhões de euros. Mudança de motores, docagem [trabalhos de manutenção fora de água], reparações dentro do navio – um navio que está parado há mais de um ano e meio.

Por que razão esteve parado todo este tempo?

Porque se entendeu que não se deveria reparar, presumo eu.

Que condições foram criadas a partir de 13 de outubro para a sua administração fazer o que não estava a ser feito?

[pausa]

Os navios elétricos têm uma definição de operação, mas não são os únicos navios que a empresa tem. A empresa tem mais 19 navios, e esses restantes 19 navios, embarcações, têm de ser mantidas e reparadas para podermos fazer face à necessidade de serviço público. No caso em concreto de Belém – Trafaria – Porto Brandão, temos dois ferries por alguma razão. Estamos obrigados a dar um serviço público de transporte de passageiros, mas também de transporte de viaturas.

"Se a ponte tiver um problema, o serviço de backup é o de barco. Quando existiu agora problemas em Porto Brandão [devido às tempestades], quem fez a evacuação dos cidadãos de Porto Brandão e das viaturas foi a Transtejo, porque tinha o Lisbonense operacional.”

Portanto, o que estamos a dizer é que temos de cumprir o contrato de serviço público e as expectativas que os cidadãos têm sobre nós. E se tenho dois ferries é por alguma razão, é para os ter operacionais. Não é aceitável que eu não faça a reparação que é absolutamente essencial, e é isso que estamos a fazer neste momento, colocar os navios ao serviço da população.

Destruição na zona da Azinhaga do Formozinho, Porto Brandão, em Almada, 13 de fevereiro de 2026 na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Como decorreu a operação neste período de tempestades?

Tivemos o mês de janeiro e de fevereiro, difíceis por força do mau tempo, mas durante o mês de março estamos a crescer em número de passageiros. Estamos a crescer, aqui na ligação de Cacilhas, mais de 15%.

Face a março do ano passado?

Face a março do ano passado. Os clientes estão a começar a perceber que nós somos fiáveis, nomeadamente nesta ligação de cais Sodré – Cacilhas, Cacilhas – Cais Sodré. Temos fiabilidade, previsibilidade, ofertas na ponta da manhã e da tarde de cinco minutos, dez, 12 minutos, 15 minutos, e que transportamos de cada vez 540 pessoas sentadas. Estamos a dar esta oferta para que os cidadãos nos possam escolher nesta travessia, e eles estão a escolher. Vamos ver agora durante abril, maio e junho. No todo da operação estamos a crescer 7,5%, apesar das dificuldades que tivemos ali no Sul, em Belém. Em Belém estamos a crescer dois dígitos, 21 ou 22%.

Quer dizer que há margem de crescimento. Precisamos é de ter os navios operacionais para fazer face a essa operação, e é o que estamos a fazer.

Quando chegou, a 13 de outubro, ainda havia supressões regulares. O que viu de mal quando chegou?

Eu não gostava, ao dia de hoje, de discutir o passado. Daqui a dois ou três anos poderemos discutir o passado, não numa lógica de culpabilização de quem quer que seja, mas de análise.

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