“Todos nós devemos festejar, até mesmo a concorrência”, a vinda da MFE para Portugal
Francisco Teixeira, country manager do grupo WPP Portugal, aplaude a entrada da italiana MFE, agora segunda maior acionista da Impresa, no mercado. "Todos devemos festejar", diz.
No dia 10 de março, concretizou-se a entrada do grupo italiano MFE em Portugal, com uma participação de 32,934% na Impresa. Francisco Teixeira, country manager do grupo WPP Portugal, vê o movimento como positivo. “Uma boa notícia. É como nascer uma criança, para mim, sportinguista, é ver um golo do Sporting. Investimento no setor dos media é bom e recomenda-se, principalmente quando é um investimento de indústria”, frisa em entrevista ao +M.
O responsável destaca que a entrada de um player global representa reconhecimento do ecossistema português. “Não tenho a mínima dúvida que é um sinal de reconhecimento. Reconhecimento desde logo do grupo Impresa, mas também do nosso ecossistema, do nosso país. Ninguém investe onde não tem expectativa de ter reconhecimento e remuneração.”
Francisco Teixeira sublinha ainda a atratividade de Portugal para investidores internacionais: um mercado consolidado, maduro, com segurança jurídica e financeira, mas também capaz de produzir conteúdo em português para milhões de falantes no mundo. “É com grande naturalidade que vemos estes investidores a vir. Somos um mercado com segurança jurídica, com segurança financeira, faz todo o sentido que este investimento continue a vir para Portugal. Que venha mais”, conclui.
No dia 10 concretizou-se a entrada do grupo italiano MFE em Portugal, com uma participação de 32,934% na Impresa. Como vê este movimento?
Uma boa notícia. É como nascer uma criança, para mim, Sportinguista, é ver um golo do Sporting. Investimento no setor dos media é bom e recomenda-se, principalmente quando é um investimento de indústria.
Estamos a falar de um player global, com uma posição muito relevante na Itália. Faz-nos bem, a todos nós, ver o que se faz lá fora, o bom que se pratica lá fora. Em Itália, mas é um acionista também presente em Espanha, comprou uma posição recente na Alemanha. Não tenho a mínima dúvida que é um sinal de reconhecimento. Reconhecimento desde logo do grupo Impresa, mas também do nosso ecossistema, do nosso país.
Ninguém investe onde não tem expectativa de ter reconhecimento e remuneração. É este o mundo das empresas e, portanto, eu leio nesta vinda de um grupo global, para um investimento em um setor como o nosso, que necessita, sem dúvida, de investimento, data, tecnologia, conhecimento, mas também de independência – eu relevo muito, para mim é muito importante aquilo que continua a ser o papel dos meios de comunicação social, não só em Portugal, mas nas democracias.
Não tenho a mínima dúvida que é um indicador avançado do estado de desenvolvimento do nosso país. Sentir que existe um player global reconhecido, que reconhece Portugal e que vem investir num dos nossos principais players, acho que todos nós devemos festejar, até mesmo a concorrência.
Ninguém vem investir onde não acredita que pode ter reconhecimento e remuneração e, com essa expectativa, é um bom sinal para aquilo que é o ecossistema de meios em Portugal.
Que impacto vai ter no mercado?
Terão de ser eles a anunciar. Eu estou expectante, como acontece com todos os players no setor dos media. Para nós este ecossistema é muito importante, desde logo porque trabalhamos com uma grande proximidade.
Nós acreditamos muito que o Made in Portugal é absolutamente crucial e crítico. Temos um bom relacionamento com as plataformas globais, mas a verdade é que reconhecemos uma grande diferenciação no ecossistema de meios locais, porque é com eles que muitas das vezes conseguimos ter uma maior agilidade, uma maior capacidade de co-construir, juntamente também com os nossos clientes e com as marcas locais e também globais.
Estamos todos na expectativa, mas é sem dúvida um sinal muito positivo o concretizar deste investimento. Ninguém vem investir onde não acredita que pode ter reconhecimento e remuneração e, com essa expectativa, é um bom sinal para aquilo que é o ecossistema de meios em Portugal.
Tantas vezes nos queixamos quando fecha um título, quando uma empresa acaba por falir, quando existem salários em atraso, tudo isto são notícias que nos levam tantas vezes a sentir tristeza e algum desalento. Quando acontece o contrário, acho que devemos claramente festejar. Eu não festejo como um golo do Sporting, mas fico contente.

O que é que Portugal tem de atraente na área dos media para os grupos internacionais? A Bauer Media Audio também chegou a Portugal há quatros, anos, A Bola foi comprada por um grande grupo suíço. Queixamo-nos muito, Portugal é um mercado pequeno, as contas dos grupos de media são públicas e não são fantásticas, mas há grandes grupos a investir.
Não gostaria de falar sobre nenhum em particular, mas parece-me evidente que, cada vez mais, aquilo que está a acontecer em Portugal acontece em todo o mundo. A comunicação é cada vez mais global, a ligação entre todos os meios, o conteúdo navega independentemente da plataforma onde é produzida.
Podemos produzir bom conteúdo em português. Existem 10 ou 11 milhões de potenciais impactados em Portugal, mas a verdade é que no mundo, falantes de portugueses, existem 280 milhões de pessoas.
Portugal é um mercado consolidado, maduro, com uma grande penetração de um conjunto de indicadores, do ponto de vista de consumo de internet, de consumo de redes sociais, de literacia digital, enfim, a crescer e a melhorar, mas claramente positivos. Mas a verdade é que Portugal é um dos países que fala português e certamente existe também uma estratégia de, a partir de Portugal poder explorar outras geografias.
Temos também a JCDecaux, podemos mencionar outros grupos globais. O nosso grupo está presente em Portugal há 40 anos, faz este ano, e continua a acreditar que, onde estão as marcas que acompanha globalmente, deve estar. E deve estar com uma presença fixa, permanente.
Nós não andamos no toque e foge, esta indústria muda muito, é uma indústria que está acelerada, a indústria do marketing e das marcas. Costumamos dizer dentro do nosso grupo que a única variável estável é a mudança, mas ainda assim nós estamos com as marcas onde elas estão. Trabalhamos marcas globais, e Portugal é apenas mais um mercado onde elas são trabalhadas, mas também trabalhamos marcas locais, não apenas em Portugal, mas a partir de Portugal para o mundo.
E esta dupla relação, do produzido cá para o global ou do produzido cá que também vem do global, é cada vez mais normal nos dias de hoje. Estes grupos reconhecem a importância de um mercado como o nosso, que opera dentro da União Europeia, um mercado de 500 milhões de pessoas, numa comunidade de 280 milhões de falantes portugueses.
É com grande naturalidade que vemos estes investidores a vir. Somos um mercado com segurança jurídica, com segurança financeira e, portanto, faz todo o sentido que este investimento continue a vir para Portugal. Que venha mais. É o que todos nós desejamos. Bom, sólido e sustentado.
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