Entre riffs de rock, noites de escrita e dias de troika, Álvaro Santos Pereira afinou uma ideia fixa de autoridade sem favores. Mesmo com ações proibidas pelo caminho, não cede na independência.
- Retrato é uma rubrica do ECO na qual, durante o mês de agosto, é publicado diariamente o perfil de uma personalidade que se distinguiu no último ano, em Portugal
Tinha 16 anos quando percebeu que Viseu lhe apertava os horizontes. Convenceu os pais a deixá-lo fazer o secundário em Coimbra, longe de casa e contra a vontade explícita da mãe. Não há nesta decisão uma epopeia, mas a pressa de crescer de um adolescente que ambiciona outros horizontes.
Dessa pressa, dessa espécie de exílio voluntário e precoce, nasceria um padrão que se repetiria ao longo da vida de Álvaro Santos Pereira: partir antes do tempo, ir mais longe do que se esperava dele e regressar sempre com uma opinião própria.
Quase quatro décadas depois, essa opinião ganhou peso institucional. Santos Pereira tomou posse como 19.º governador do Banco de Portugal a 6 de outubro de 2025 e escolheu a habitação e a literacia financeira como duas das bandeiras do mandato. Não são temas ocasionais, já os discutia no blogue Desmitos, muito antes de entrar no Governo ou de chegar à liderança económica da OCDE.
Antes de ser economista, Álvaro Santos Pereira quis ser músico, mas a carreira musical não vingou, e essa é a primeira de várias derrotas pessoais que reconhece sem grande dramatismo.
Salman Rushdie, um dos autores que mais admira, escreveu um romance sobre um homem cuja vida se torna, sem que ele o tenha escolhido, indistinguível da vida do seu país. Saleem Sinai, o narrador de “Os Filhos da Meia-Noite“, nasce exatamente à meia-noite de 15 de agosto de 1947, no instante em que a Índia se torna independente, e integra um grupo de mil e uma crianças nascidas nessa mesma hora, ligadas entre si por poderes que não pediram e não sabem bem como usar.
Santos Pereira coloca esse romance entre os seus livros de eleição e há algo dessa lógica na forma como a sua própria vida se foi cruzando, sem grande premeditação, com os momentos mais expostos da história financeira portuguesa recente: a troika, o litígio sobre corrupção institucional na OCDE e, agora, a crise da habitação e o défice de literacia financeira das famílias.
Entre o rapaz que saiu de Viseu e o homem que hoje lidera uma instituição com quase 180 anos, existe um fio que passa por Coimbra, Inglaterra, Canadá, Paris e Lisboa. A distância, diz ao ECO, ajudou-o a perceber melhor “o papel e a importância do nosso país num mundo cada vez mais global” e a ganhar uma visão mais ampla, fruto de ter vivido em vários países e lidado com culturas muito distintas.
Cresceu em Viseu, numa família de classe média, como o próprio a descreve. A infância foi feita de futebol na rua, relatos do seu Sporting na rádio e temporadas na aldeia da avó, onde reteve a imagem de crianças descalças, famílias pobres e vidas marcadas pelo álcool. Não há nada de extraordinário nesse ponto de partida, e é precisamente essa normalidade provinciana que torna mais nítido o contraste com o que se seguiria.
Antes de ser economista, Santos Pereira quis ser músico. Na adolescência, foi vocalista e letrista de uma banda de rock em Viseu. Tocava com guitarras emprestadas, cantava em português e chegou a atuar de cara pintada, inspirado por Peter Gabriel, um dos seus artistas de eleição.
A carreira musical não vingou, e essa é a primeira de várias derrotas pessoais que reconhece sem grande dramatismo — uma disposição que lhe permitiria, mais tarde, falar com a mesma naturalidade de reformas falhadas, de rendas excessivas ou, já como governador, de uma compra de ações que não deveria ter feito.
Foi também em Viseu que começou a ler a sério. E “ler” é, sem exagero, a palavra que mais depressa surge quando alguém tenta descrevê-lo fora do contexto profissional. Por volta dos 17 anos, imaginou o primeiro romance e nunca mais abandonou a ficção.
Álvaro Santos Pereira construiu uma carreira académica ampla, que se consolidou entre a Simon Fraser University, no Canadá, onde recebeu inclusive o “Prémio de Excelência no Ensino”, a University of British Columbia e a University of York, no Reino Unido.
No currículo literário tem pelo menos um romance concluído por publicar, “O Povo Branco e a Revolução das Cores”, que retrata a história de três ditadores e uma cidade pintada de branco que ganha cor com a chegada da democracia; e um romance publicado em 2007, intitulado “Diário de um Deus Criacionista“, em que Deus tem o papel de narrador de um diário que retrata a criação do mundo e as suas batalhas com anjos e demónios, explorando a relação entre ciência e fé.
Ao ECO revela que tem outros romances e um livro de contos prontos a ver a luz do dia, um deles “esteve para ser publicado por uma das principais editoras nacionais há uns dois ou três”, mas a edição acabou por ficar para outra ocasião. Diz não ter “o mínimo receio” de partilhar essa parte de si e garante que os livros “serão publicados a seu tempo”.
A escrita não foi uma vida alternativa à economia, mas algo que o tem acompanhado constantemente, mesmo quando a economia o levou para os centros de decisão. E quando o tempo escasseia para escrever e editar a sua próxima obra, “refugia-se” no papel de ávido leitor de obras de Gabriel García Márquez — com particular destaque para “O Outono do Patriarca” e “Cem anos de solidão” –, Mario Vargas Llosa, Mia Couto, Orhan Pamuk, Alice Munro, Paul Auster e, em português, Fernando Pessoa, em particular o heterónimo Álvaro de Campos, com quem partilha, por coincidência, o primeiro nome.
Tudo o que lhe importa cabe, aliás, em pouco espaço, como um livro, uma fotografia, um caderno, um manuscrito, um livro por acabar guardado num computador — objeto esse que salvaria antes de qualquer outra coisa se a casa ardesse, como referiu ao ECO em 2017.
Do gelo canadiano às fogueiras da troika
Depois de Viseu veio Coimbra, onde após terminar o secundário rumou à Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra para se licenciar em Economia entre 1990 e 1995.
Seguiu depois para Inglaterra para tirar o mestrado na Universidade de Exeter, e mais tarde doutorou-se na Simon Fraser University, no Canadá, com uma tese que desmistifica a ideia de que a Revolução Industrial foi um “salto rápido” gerado apenas por duas ou três indústrias, mas um processo gradual que mudou toda a organização do trabalho nas fábricas, impulsionado pelo crescimento da população e, acima de tudo, pela aposta na educação.
Durante todo este percurso, Santos Pereira construiu uma carreira académica ampla, que se consolidou entre a Simon Fraser University, onde recebeu inclusive o “Prémio de Excelência no Ensino”, a University of British Columbia e a University of York, no Reino Unido.
Foi de Vancouver, onde vivia com a mulher e os três filhos pequenos, que recebeu o convite para entrar no Governo de Pedro Passos Coelho, em 2011. “Portugal na Hora da Verdade” terá funcionado como cartão de visita para a entrada no Executivo. Foi também o primeiro momento em que a sua vida pessoal e a vida financeira do país deixaram de correr em paralelo e passaram a cruzar-se diretamente, como sucede a Saleem Sinai quando a história da Índia invade, sem pedir licença, a história da sua família.
Quando se está a representar o país ou uma organização internacional não há estados de alma. Sempre fui muito institucional, quer quando estava no Governo, quer na OCDE, quer agora como Governador do Banco de Portugal.
Um episódio revelador de Santos Pereira enquanto ministro é a chamada “guerra das rendas excessivas” no setor energético. Henrique Gomes, então secretário de Estado da Energia, contou em 2019, numa comissão parlamentar de inquérito, que Santos Pereira lhe teria proibido o uso da expressão “rendas excessivas” e exigido a consulta prévia dos seus discursos. Acabaria por se demitir, dizendo ter-se recusado a alterar uma intervenção a pedido do ministro.
Santos Pereira, confrontado mais tarde com esta versão, chamou-lhe “um mito urbano”, falando em alternativa de uma divergência tática sobre a forma de anunciar os cortes. O próprio Henrique Gomes, apesar do desentendimento, descreve-o como “uma pessoa de bem, uma pessoa íntegra, que não cede a pressões, não se desvia”.
São duas versões do mesmo momento, cada uma convicta da sua exatidão, numa tensão entre memória e verdade que remete para Saleem Sinai, sem pudor, ao longo de todo o seu relato: “confio na minha memória imperfeita mais do que gostaria de confiar em qualquer outra coisa”.
Essa mesma intransigência marcou a sua saída do Governo, em julho de 2013. Em “Reformar Sem Medo”, Santos Pereira conta ter recebido, em Berlim, a notícia da demissão irrevogável de Paulo Portas, líder do CDS-PP e ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros — crise política que acabaria por lhe custar o lugar.
“Senti que a pátria tinha sido traída e que o país tinha sido atirado para a lama”, escreveu, acusando Portas de “intriga e chantagem” num país sob assistência financeira. Ficou fora da remodelação, recusou apertar a mão a Paulo Portas no debate do Estado da Nação — animosidade que permanece até hoje — e não compareceu à tomada de posse dos ministros que o substituíram. Não apresentou carta de demissão.
A cena, porém, não esgota o homem que hoje ocupa o cargo de governador. Santos Pereira separa esse momento pessoal da obrigação de representar uma instituição. “Quando se está a representar o país ou uma organização internacional não há estados de alma”, diz ao ECO, recordando que na OCDE chegou a acompanhar quase 60 países e a lidar com governantes e autoridades de regimes políticos muito diferentes.
Entre 2007 e 2011, ainda professor em Vancouver, manteve atualizado o blogue Desmitos, onde publicou 1.912 textos até 16 de junho de 2011, desmontando os lugares-comuns que, na sua perspetiva, paralisavam a discussão económica portuguesa.
“Sempre fui muito institucional, quer quando estava no Governo, quer na OCDE, quer agora como governador do Banco de Portugal”, sustenta. Uma frase que ajuda a explicar por que razão o mesmo homem que recusou um aperto de mão em 2013 aceita hoje, sem visíveis “estados de alma”, sentar-se à mesa com quem discorda profundamente.
A passagem pelo Governo terminou em 2013, mas a carreira internacional ganhou novo fôlego. Entrou na OCDE em 2014 e chegaria, dez anos depois, ao cargo de economista-chefe da organização. Pelo caminho, em 2019, coordenou o “Economic Survey” sobre Portugal e enfrentou um conflito revelador, quando o Governo português, liderado na altura por António Costa, tentou remover do relatório referências à palavra “corrupção” e Santos Pereira foi impedido de participar na apresentação pública do documento.
Dias depois, resumiria o episódio numa frase que antecipava o discurso de independência que hoje leva para o Banco de Portugal: “Recebo pressões todos os dias. A do Governo português foi muito superior”.
Entre a bancada de Alvalade e a macroprudência diária
A distância entre a imagem pública e a personalidade privada também se revela na relação com os títulos. Ainda ministro, Santos Pereira dizia que preferia que lhe chamassem Álvaro do que ministro, reflexo de um hábito académico anglo-saxónico, o mesmo que o levou, numa conferência sobre a marca Portugal, em janeiro de 2012, a perguntar: “Porque não existe um franchising de pastéis de nata?”
A frase rendeu caricatura fácil, mas revela também um interesse genuíno em pensar Portugal como produto e marca, muito antes de essa linguagem se tornar habitual entre gestores e economistas portugueses.
Essa informalidade convive com o gosto pela provocação. Como professor, era conhecido entre alunos e colegas por desafiar os estudantes nas aulas, confrontando-os com certezas para os obrigar a pensar por conta própria – algo bem visível nos textos publicados no seu blogue Desmitos e no debate de ideias com os seus leitores.
Sou outsider em relação a uma certa maneira de ser e de estar que muitas vezes é promovida no nosso país, com a qual não me identifico e que não serve o melhor interesse nacional.
Sportinguista assumido, por influência familiar, manteve o clube como ligação doméstica a Portugal durante mais de duas décadas enquanto viveu fora do país. Em Vancouver, habituou-se a ver hóquei no gelo com os filhos.
Nas redes sociais, antes de fazer uma pausa na conta de Instagram, alternava entre fotografias de viagens, dos livros que ia lendo e de Mel, a golden retriever da família. Musicalmente, oscila entre os Radiohead e o jazz, e aponta o “Cinema Paraíso”, de Giuseppe Tornatore, como filme favorito.
Entre 2007 e 2011, ainda professor em Vancouver, manteve atualizado o blogue Desmitos, onde publicou 1.912 textos, entre 16 de novembro de 2007 e 16 de junho de 2011, desmontando os lugares-comuns que, na sua perspetiva, paralisavam a discussão económica portuguesa.
É nesse arquivo, mais do que em qualquer declaração posterior de circunstância, que se encontram as raízes das duas bandeiras que hoje carrega para o Banco de Portugal, assentes em vários textos de reflexão sobre o peso do crédito no endividamento das famílias, a crítica à fragilidade do mercado de arrendamento e defesa da poupança como “imperativo nacional”.
- Na habitação, resume hoje a receita a “oferta, oferta, oferta” e pediu às autarquias, na tomada de posse, que acelerassem os licenciamentos. Mas a instituição que lidera atua sobretudo pela via prudencial: em agosto, apertou a taxa de esforço recomendada para as famílias, de 50% para 45%, reduziu as exceções de 15% para 10% e ajustou os prazos máximos de financiamento. A aparente contradição é apenas institucional: defende mais casas do lado da política de oferta e limita riscos do lado do crédito.
- Se a habitação tem raízes documentadas no Desmitos, a literacia financeira tornou-se a causa que colocou no centro simbólico do mandato. Em março, na apresentação do Plano Nacional de Formação Financeira 2026-2030, foi inequívoco: “a literacia financeira tem de ser uma prioridade total para o país” e “investir na formação financeira é investir no nosso futuro”. Chamou-lhe depois “uma verdadeira ferramenta de proteção social”, ideia que já defendia em outubro de 2008, no blogue, num texto em que perguntava por que razão os bancos eram ajudados em tempos de crise enquanto as famílias endividadas ficavam entregues à própria sorte.
Um deslize na bolsa que valeu uma confissão pública rara
Nenhum retrato justo do governador pode, porém, ignorar o momento mais desconfortável do seu ainda curto mandato: um governador que insiste na literacia financeira e na responsabilidade individual encontrou-se, poucos meses depois de tomar posse, em desconformidade com as regras que disciplinam a conduta dos banqueiros centrais.
Em dezembro, já como governador, adquiriu ações da Galp Energia e reforçou o investimento que já detinha em ações da Jerónimo Martins, a que se seguiram novos investimentos em janeiro, com a compra de ações da Nestlé e da The Navigator Company, e reforços adicionais em ações da Galp Energia SGPS, SA e da Jerónimo Martins. Todas as operações eram incompatíveis com o código de conduta do Banco Central Europeu (BCE) aplicável aos governadores dos bancos centrais nacionais.
O caso tornou-se público na primavera, valeu-lhe uma audição parlamentar em maio e, em julho, vendeu as posições e doou 3.361 euros de mais-valias à associação Make-A-Wish. A frase com que assumiu o erro foi das mais desarmantes que pronunciou em público: “Foi uma imprevidência, sem dúvida, e ninguém lamenta mais essa imprevidência do que eu.”
Santos Pereira não é um herói triunfante, mas um economista com um blogue antigo cheio de certezas que a realidade foi obrigando a matizar, sem que isso o tenha alguma vez levado a esconder os erros cometidos ou a poupar quem lhe pareceu errado.
Há, neste episódio, algo que recorda a “Viúva” de “Os Filhos da Meia-Noite”: uma autoridade superior, distante da política do dia a dia, que retira poderes a quem os tinha em excesso, sem pedir licença nem explicação.
No caso do romance de Salman Rushdie é o Estado de Emergência que anula, um a um, os dons dos filhos nascidos à meia-noite. No caso de Santos Pereira, foram as próprias regras do BCE (a instituição que está, ela mesma, no topo da hierarquia que ele agora integra) a obrigá-lo a desfazer-se, em poucos dias, daquilo que tinha adquirido.
Há uma ironia difícil de ignorar em ver o homem que fez da poupança um imperativo nacional e da literacia financeira uma prioridade total admitir que tropeçou nas próprias regras. Mas é também na resposta que se mede o episódio: reconheceu a falha, vendeu os títulos e doou as mais-valias, sem procurar subterfúgios para o seu erro, num gesto coerente com o discurso que tem feito, ao longo dos anos, sobre responsabilidade individual e integridade.
É precisamente sobre essa posição institucional que, questionado pelo ECO sobre como o outsider que combateu lóbis, rendas excessivas e compadrio lida com o facto de ser agora o topo da pirâmide, sublinha a sua independência. “Sou independente. Sempre fui. E assim continuarei”. E acrescenta: “Sou outsider em relação a uma certa maneira de ser e de estar que muitas vezes é promovida no nosso país, com a qual não me identifico e que não serve o melhor interesse nacional. Mas considero que a melhor maneira de mudar o sistema é exatamente estar nos principais centros de decisão”.
E sobre o receio de ser engolido pelo sistema que tantas vezes criticou é igualmente perentório, ao salientar que continua “e continuarei a bater-me contra o compadrio, o branqueamento de capitais e a corrupção, bem como contra os interesses instalados. Não mudei a esse respeito”.
Saleem Sinai termina “Os Filhos da Meia-Noite” a fragmentar-se literalmente, o corpo a rachar em pedaços, arrastado por uma história que nunca controlou por inteiro, mas da qual continua, até ao fim, a ser o narrador. Santos Pereira não se fragmenta, mas também não escolheu inteiramente o papel que agora desempenha.
O rapaz que saiu de Viseu aos 16 anos, o ministro que recusou um aperto de mão, o economista da OCDE pressionado para não falar em corrupção no seu país e o governador que teve de se desfazer de ações compradas por descuido são, todos, o mesmo homem que, capítulo a capítulo, escolheu invariavelmente dizer o que pensava, ainda que isso lhe custasse um cargo, uma amizade ou uma tarde desconfortável perante os deputados.
Santos Pereira não é um herói triunfante, mas um economista com um blogue antigo cheio de certezas que a realidade foi obrigando a matizar, sem que isso o tenha alguma vez levado a esconder os erros cometidos ou a poupar quem lhe pareceu errado, do secretário de Estado ao Governo que o empregava.
É um ex-ministro que saiu sem se despedir de quem considerava tê-lo traído, e é um governador que, mal confrontado com uma falha própria, optou por assumi-la em público em vez de a diluir em explicações. É, sobretudo, alguém que continua a gostar de contrariar certezas, as dos outros e por vezes as próprias, sem que isso pareça alguma vez ter dependido de quem estava, em cada momento, do outro lado da sala.
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Álvaro Santos Pereira, governador alérgico a compadrios e de caneta afiada
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