Sporting foi o mais eficaz no investimento face aos resultados e Porto fez a maior aposta financeira. Pontos nunca estiveram tão caros no campeonato português.
O Futebol Clube do Porto foi campeão pela primeira vez em quatro anos, mas não foi o mais eficiente no que toca ao investimento financeiro. Esse lugar coube ao Sporting, enquanto o Benfica bateu o recorde de ineficiência na comparação entre gastos e pontos conquistados.
Agora que está prestes a terminar a época futebolística 2025/26, estas são as principais conclusões de uma análise do ECO que procura cruzar a vertente financeira de transferências e os resultados obtidos.
E mais do que as constatações desta época, há padrões históricos que se repetem.
Focando na temporada 2025/2026, em que a equipa de Francesco Farioli conquistou o título de campeão nacional, o FC Porto nem foi a equipa que mais gastou, mas foi claramente a equipa que fez a maior aposta financeira, medida pela diferença entre compras e vendas.
O Benfica gastou mais, quase 150 milhões de euros (incluindo os mercados de verão e de inverno), mas acabou com o saldo praticamente a zeros, porque também vendeu muito (com destaque para as saídas de Carreras, Florentino, Kokçu e Akturkoglu). Já os dragões gastaram menos, à volta de 120 milhões de euros, mas as vendas ficaram-se pelos 82 milhões, isto de acordo com dados do Transfermarkt e cálculos do ECO.
Daqui se conclui que, apesar de o Benfica ter gasto mais em compras, o maior ‘all-in’ financeiro em busca de glória desportiva veio do Porto, que fechou a época com um défice de 36 milhões de euros.
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Na análise do ECO, que abrange as últimas sete épocas completas, todos os três grandes bateram este ano o dinheiro gasto em reforços. E mais, no caso do FC Porto, e em termos de saldo, este foi o maior défice entre compras e vendas dos três grandes no mesmo período. No entanto, isto segue-se a um exercício de 2024/25 em que os dragões tiveram um grande superávite financeiro, graças a muitas vendas e poucas compras.
O Benfica também bateu o recorde de gastos em transferências, tanto do clube como de todos os três grandes, tendo como referência as sete últimas épocas do período de análise.
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Muito dinheiro ou muita eficiência?
Há várias formas de olhar para a eficiência, ou para o resultado, de cada euro gasto. Numa comparação simples entre gastos em compras de jogadores e pontos conquistados, o Sporting foi o mais certeiro no último ano, com um gasto de 1,03 milhões de euros por cada ponto conquistado. O Benfica é de longe o menos eficiente, tanto deste ano como de todos os analisados: cada um dos 80 pontos conquistados no campeonato custou 1,86 milhões de euros em gastos de transferências. O Porto ficou no meio, com 1,35 milhões.

Esta foi a primeira época em que todos os três grandes gastaram acima de um milhão de euros por cada ponto conquistado. Da mesma forma, olhando apenas para os campeões das últimas sete épocas (três vezes o Porto, três vezes o Sporting, e uma vez o Benfica), este foi o campeão mais “caro” de sempre. Só na época 2022/2023 o custo por ponto do campeão (o Benfica) tinha ficado acima de um milhão de euros, mas ainda assim abaixo do custo assumido este ano pelo Porto. Mas nunca, como esta temporada, tinha havido um custo por ponto tão elevado, indicador de ineficiência no investimento, como o atingido pelo Benfica.
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Mas além das compras, também há naturalmente as vendas. No cruzamento das duas vertentes podemos identificar quando os clubes preterem a vertente financeira em favor de uma aposta desportiva, medida pelo menor saldo financeiro (ou até mesmo um saldo negativo). Se este ano o Porto fez a maior aposta e foi recompensado por isso, isso foi verdade em apenas três das últimas sete temporadas (Porto este ano, Sporting na época anterior e Porto em 2019/20). Curiosamente, é o mesmo número em que o contrário aconteceu: o campeão foi aquele que fez o menor esforço financeiro (Sporting em 23/24, Benfica em 22/23 e Porto em 21/22).
A conclusão é fácil: a estatística diz que quem mais gasta não é quem mais ganha e que quem aposta tudo na vertente desportiva ganha tantas vezes como quem aposta sobretudo na vertente financeira. O segredo parece estar mais na disciplina e na gestão dos recursos, do que necessariamente no seu aumento.
Sete entradas na tabela dos jogadores mais caros
Fruto do forte investimento dos três grandes nesta época, o top 15 dos jogadores mais caros de sempre da liga portuguesa registou sete entradas novas, quase metade: Richard Rios, Sudakov, Ivanovic e Lukebakio, para o Benfica; Luis Suarez e Ioannidis, para o Sporting; e Froholdt, para o Futebol Clube do Porto.
A lista, que conta com nove jogadores comprados pelo Benfica, continua a ser liderada por Samu, avançado espanhol do Porto.

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Benfica bate recorde de ineficiência num campeonato que nunca foi tão caro
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