O eRadar reuniu líderes empresariais e especialistas para discutir os desafios e oportunidades da indústria nacional de Defesa, do Espaço, da Cibersegurança e da Inteligência Artificial (IA).
Num momento de profunda transformação tecnológica e geopolítica, com impacto na segurança e defesa da Europa e Portugal, o eRadar reuniu na quinta-feira, no Centro Cultural de Belém, líderes empresariais e especialistas para discutir os desafios e oportunidades da indústria nacional de Defesa, do Espaço, da Cibersegurança e da Inteligência Artificial (IA) e o posicionamento estratégico do país nestes setores.
Abertura da Conferência
O Coronel Pedro Costa, chefe do Centro de Operações Espaciais da Força Aérea, iniciou a conferência eRadar com a mensagem que “a Força Aérea é já, também, do Espaço”, sinalizando a aposta do setor da defesa e do ramo das Forças Armadas nesta nova fronteira com a criação do Centro de Operações Espaciais da Força Aérea, que ganhou recentemente novas valências e capacidade com o lançamento de satélites para o Espaço. O responsável do Centro de Operações Espaciais da Força Aérea também destacou que “o percurso que está a ser desenvolvido está a ser feito ao lado do setor industrial nacional”.
Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa, na abertura da Conferência, realçou que está a emergir uma nova fase para o setor do Espaço, vincando que “a perspetiva do desenvolvimento do setor espacial vai ter o epicentro na Ásia-Pacífico”.
“Temos que pegar nesta característica que é o nosso posicionamento Atlântico, considerá-la como matéria-prima e transformá-la”, referindo que passa por “percebermos que no contexto de defesa e no espaço, a nossa geografia dá-nos esse valor estratégico”.
1º Painel – Europa à Defesa: O que Ganha a Indústria Portuguesa?
O primeiro painel da primeira edição da Conferência Anual do eRadar visou debater a mensagem de Bruxelas, que tem sido a de comprar na indústria de defesa europeia, procurando com isso que os avultados investimentos a serem feitos no setor não só garantam a soberania de defesa da região como tenham um impacto positivo na economia. O tema em discussão contou com a presença de Rui Lobo (diretor da Tekever), Francisco Oom Peres (Chief Operating Officer Orion Technik), José Neves (presidente da AED Cluster) e Adolfo Mesquita Nunes (Country Co-Chair e Partner da Pérez-Llorca) como oradores.
Intervenção de David Gonçalves, partner EY Consulting
David Gonçalves, partner da EY Consulting, deu, em seguida, o seu contributo para o debate, frisando que as tecnologias de uso dual podem ser a chave para o posicionamento estratégico do país no setor da defesa. Os números são claros sobre o impacto que o atual momento geopolítico está a ter no investimento no setor da Defesa na Europa, mas não só.
Para David Gonçalves, “Portugal já tem um tecido empresarial de defesa bastante considerável”, mas também acredita que “existe algo que se possa fazer e ter aqui um valor muito maior no ecossistema da defesa”.
David acredita que há no território nacional oportunidades que podem ser potenciadas pelo setor de defesa mas também por outras indústrias. “Existe uma base industrial com elevado valor para a militarização e não só”, apontou, dando como exemplo o setor da pasta em papel.
2º Painel – Portugal, a “Nova Porta” de Entrada da Europa no Espaço?
No setor espacial, Portugal tem dado passos para se afirmar como um ponto estratégico de entrada na Europa, com investimentos a serem feitos em Santa Maria, nos Açores, o envolvimento de empresas nacionais em projetos europeus e um número crescente de empresas do setor a instalar-se no país para trabalhar em projetos dirigidos para esta nova fronteira.
Uma fronteira que, dada a evolução geopolítica internacional, assume cada vez mais uma natureza dual, com a Defesa também a focar aqui a sua atenção. Francisco Cunha (CEO do Geosat), João Gabriel Silva (presidente da Direção do IPN) e Ricardo Conde (presidente da Agência Espacial Portuguesa) trouxeram a sua visão para debater neste segundo painel.
3º Painel – Cibersegurança: os Desafios da IA e a Capacidade de Resposta Europeia
A inteligência artificial (IA) e a transformação que está a impor na cibersegurança e que capacidade a Europa tem de garantir a sua soberania — quando os maiores operadores do setor são não-europeus — foi outro dos temas em análise nesta quinta-feira durante a conferência eRadar.
Desafios de cibersegurança que já se colocam no setor do Espaço (com os satélites) e quando já se antecipa (não tarda) a existência de data centers nesta nova fronteira os desafios de cibersegurança estão na ordem do dia. Soberania digital e espacial da Europa também se joga aqui. André Dias (Diretor da Unidade de Espaço – Digital do CEiiA), Carlos Carvalho (CEO da Adyta) e Sérgio Barbedo (Country Director & CEO da Thales) deram o seu contributo sobre este tema no terceiro painel do evento.
Encerramento da Conferência Anual do eRadar
Depois de três painéis focados em debater os desafios e oportunidades da indústria nacional da Defesa, do Espaço, da Cibersegurança e da Inteligência Artificial (IA), a primeira edição da Conferência Anual do eRadar encerrou com a intervenção de Nuno Pinheiro Torres, o secretário de Estado Adjunto e da Política da Defesa Nacional.
Nuno Pinheiro Torres destacou que “no âmbito da defesa, Portugal oferece condições estratégicas únicas para os grandes players do setor“, vincando que o país é a “porta de entrada para a Nato e para a União Europeia e também porta de saída para o mundo lusófono”.
O secretário de Estado, ao abordar como Portugal tem captado capital, referiu que tem sido através da procura de investimentos diretos estrangeiros. “Acreditamos que a presença destas âncoras facilita o acesso do tecido empresarial nacional e potencia a sua integração nas cadeias de valor e fornecimento globais“, sintetizou.
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