O ECO compilou alguns dos produtos e serviços cujos preços irão aumentar. No próximo ano são muitas as coisas que vão ficar mais caras.
Ano novo, vida nova e… contas mais altas. No próximo ano são muitas as coisas que vão ficar mais caras, a começar pela conta do supermercado, a renda da casa, os bilhetes de autocarro e a fatura da luz.
O ECO compilou alguns dos produtos cujos preços irão aumentar no próximo ano. O Governo prevê que a taxa de inflação em 2026 seja de 2,1%, o que indicia uma subida dos preços, mas há certos produtos e serviços cujo aumento irá superar este valor. Os seguros de saúde vão subir 10%, a carne o peixe 6% e mandar uma carta vai ficar 6,2% mais caro.
Veja os produtos e serviços que vão subir de preço no próximo ano.
Pão, carne, peixe e ovos vão ficar mais caros
No próximo ano, a ida ao supermercado vai ficar ainda mais cara. O preço do pão vai subir, assim como o peixe, a carne de vaca e os ovos.
O pão e os produtos de pastelaria deverão sofrer um “ligeiro aumento” de preço no próximo ano, impactados pelas revisões laborais e pelo agravamento do gasto com os ovos, frutos secos e cartão, segundo a Associação do Comércio da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares.
“Para 2026, as perspetivas da ACIP [Associação do Comércio da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares] são cautelosamente otimistas. A estabilidade nos mercados internacionais da farinha, energia e logística cria condições favoráveis para um ano sem grandes oscilações”, apontou a presidente da direção da associação, Deborah Barbosa. Contudo, a ACIP antecipa “um ligeiro aumento” do preço do pão e da pastelaria, à boleia dos impactos de revisões laborais e das subidas dos preços dos ovos, frutos secos e do cartão. A isto poderá ainda acrescer o impacto da possível retirada do apoio do Estado aos combustíveis, avisou.
Segundo dados da Deco – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, a 1 de janeiro de 2025 meia dúzia de ovos custava 1,61 euros, mas em 19 de novembro a mesma caixa já estava a 2,12 euros, verificando-se assim um agravamento de 31,68%. O preço dos ovos mantém-se estável desde 22 de outubro, quando atingiu o pico de 2,12 euros. Para o próximo ano, os preços deverão continuar estáveis, mas tudo depende dos potenciais focos de gripe das aves.
Já o peixe e a carne de vaca devem aumentar 6%, segundo a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição. Na carne de porco, leite, azeite e café a tendência é de estabilidade, após anos de fortes subidas.
O porta-voz das empresas de distribuição (APED) já deixou o alerta de que a subida de preços do cabaz alimentar no próximo ano “é inevitável”. Gonçalo Lobo Xavier disse haver uma “pressão enorme do ponto de vista da cadeia de valor” em produtos como carne, peixe, frutas e legumes, cacau ou café. E o CEO da Sonae MC, a dona do Continente, já afirmou que “não há outro remédio”. “Os preços têm de subir. Se há inflação, os preços têm de subir. Pode haver maior ou menor inflação, e espera-se que seja menor [em 2026] do que no passado recente, em 2022 e 2023″, afirmou Luís Moutinho.

Rendas e casas mais caras
A partir de 1 de janeiro de 2026, as rendas poderão subir até 2,3% caso os senhorios pretendam. A inflação que serve de base para calcular o coeficiente de atualização anual das rendas fixou-se nos 2,25% em agosto e na falta de estipulação, ou por acordo expresso das partes nesse sentido, as rendas no próximo ano poderão ser atualizadas, de acordo com o coeficiente legal de atualização, com um aumento de 2,24%. Ou seja, numa renda de 500 euros, são mais 11 euros por mês.
Mas não são apenas as casas arrendadas que vão subir. Quem tem um crédito à habitação também verá a sua prestação mensal aumentar, porque a tendência da Euribor, taxa à qual os créditos estão indexados, é de subida. E quem quiser pagar antecipadamente parte ou a totalidade do empréstimo vai voltar a ter custos com comissões bancárias.
Mas há mais. O Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) para casas novas ou reconstruídas vai aumentar no próximo ano. É a primeira vez que o valor médio de construção por metro quadrado aumenta desde 2023. O preço por metro quadrado para efeitos de IMI e da avaliação fiscal dos imóveis vai subir para 712,5 euros em 2026, contra os atuais 665 euros.

Meo, Vodafone e Nos confirmam agravamento dos preços
A Meo e a Vodafone Portugal vão subir os preços em 2026 conforme as condições contratuais previstas, e a Nos vai aumentar os preços em alguns serviços em 2026.
“A Meo vai proceder, em 2026, à atualização de preços contratualmente prevista, com exceção dos serviços da marca digital Uzo e da marca para o segmento jovem, Moche”, adianta fonte oficial da operadora. “Esta atualização contribui para manter o elevado padrão de qualidade e o nível de investimento na inovação e nas redes móvel e de fibra ótica”, refere a Meo.
Já a Nos, através de fonte oficial, lembrou que no último ano “optou por não refletir os efeitos da inflação nos seus preços, absorvendo o aumento dos custos ao longo de toda a cadeia de valor”. Assim “num contexto em que em diversos mercados têm anunciado revisões significativas de preços, em 2026 a Nos realizará um ajuste em alguns serviços, alinhado com a taxa de inflação”, acrescentou.
Também a Vodafone vai atualizar os seus preços no próximo ano. “A 9 de janeiro de 2026, o preço dos serviços Vodafone será atualizado até ao valor máximo da taxa de inflação prevista para 2025 e conforme condições contratuais”, refere fonte oficial da Vodafone Portugal.

Preço da eletricidade vai subir 1% em janeiro
Os preços regulados da luz vão subir, em média, 1% no próximo ano, informou a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE). A decisão do regulador vai ao encontro da proposta apresentada em outubro passado, na qual já havia sido proposto um aumento dos preços, em média, de 1%.
“Com taxas e impostos, a fatura mensal apresentará aumentos entre 0,18 e 0,28 euros no início do próximo ano”, calcula, ainda, o regulador, que sublinha que o aumento é inferior à taxa de inflação prevista.
Os aumentos de 18 cêntimos e 28 cêntimos dizem respeito, respetivamente, ao típico casal sem filhos (com uma potência de 3,45 kVA e consumo que ronda os 1900 quilowatts-hora (kWh) por ano) e a um casal com dois filhos (potência 6,9 kVA, consumo 5000 kWh/ano).
Assim, o típico casal sem filhos deverá passar a pagar uma fatura mensal de eletricidade de 36,82 euros, enquanto um casal com dois filhos receberá uma conta, todos os meses, em torno dos 95 euros.
Já no mercado livre, a EDP Comercial, empresa dominante neste mercado para o segmento doméstico, indica que os respetivos preços vão descer, em média, 1%. A Galp aponta para uma descida de 0,5%. A Iberdrola indica que não vai mexer na sua componente da energia, pelo que deverá agravar os preços, já que a componente das redes sobe. Contactadas, Endesa, Repsol e Goldenergy não avançaram informação.
Na água faltam dados, mas tendência é subir
Ainda não é possível aferir a real evolução do preço dos serviços de águas para o ano que vem, já que estes tarifários estão do lado dos municípios e estes ainda não comunicaram, na totalidade, as suas propostas ao regulador.
Contudo, existe já um indício de que a tendência é de subida: no que diz respeito às tarifas em alta, ou seja, do serviço de captação e tratamento de água, que antecede a distribuição (baixa), as tarifas foram atualizadas à taxa de inflação recomendada pela Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos para 2026, isto é, 1,8%.
“É expectável que o valor desta atualização [1,8%] possa vir a ser refletido na atualização das tarifas municipais, na vertente em baixa [distribuição]”, antevê o regulador.

Bilhetes de transportes ficam mais caros, mas passes não mexem
A Carris vai aumentar, a partir de 1 de janeiro, as tarifas da sua rede na cidade de Lisboa, mantendo os preços dos passes mensais. Uma opção seguida também pela homóloga Transportes Metropolitanos do Porto.
De acordo com o novo tarifário, o título de bordo nos autocarros, para uma viagem, aumenta para 2,30 euros (atualmente custa 2,20), nos elétricos passa para 3,30 (é 3,20), nos ascensores, até duas viagens, custará 4,30 (são 4,20) e no elevador de Santa Justa 6,20 (6,10).
O bilhete de uma viagem (uma hora em toda a rede) Carris/Metro passa a custar 1,90 euros (custa 1,85), enquanto o bilhete de 24 horas Carris/Metro aumenta para 7,25 (7,00), Carris/Metro/Transtejo custará 10,35 (10,00), e Carris/Metro/CP ficará em 11,40 (11,00).
Uma viagem na Carris (uma hora em toda a rede) com o cartão ‘Zapping’, que pode ser carregado com montantes entre três e 40 euros, passa a custar 1,72 euros (atualmente fica por 1,66). “O preço dos passes mensais e de 30 dias não será atualizado”, indicou a empresa, mantendo os preços dos passes mensais Navegante Municipal (30 euros), Navegante Metropolitano (40 euros) e Navegante Metropolitano +65 (20 euros).
O mesmo se passa com os passes mensais Navegante Família Municipal (60 euros), Navegante Família Metropolitano (80 euros) e, de 30 dias, Navegante urbano 3.ª idade, por 15 euros, mas que continua gratuito para munícipes de Lisboa. Entre os outros títulos por 30 dias que vão manter os preços atuais estão o Carreiras de Bairro (10 euros) e o Carris/Metro/Parque (55 euros), que inclui estacionamento em alguns parques da EMEL e da Empark em zonas de entrada em Lisboa.
Já no Porto, os bilhetes de bordo e os títulos ocasionais do Andante, dos transportes públicos da Área Metropolitana (AMP) vão sofrer um aumento em 2026, mas os preços dos passes mensais também vão manter-se — na generalidade dos casos é de 40 euros (passe metropolitano) ou 30 euros (municipal ou três zonas) — tal como o valor do bilhete ocasional Z2 (1,40 euros).
Os preços dos bilhetes ocasionais Andante vão aumentar em 2026, a partir do Z3, com este bilhete a passar dos atuais 1,80 euros para 1,85, o Z4 dos 2,25 euros para os 2,30 euros, o Z5 dos 2,75 para os 2,80 euros, o Z6 dos 3,20 para 3,25 euros, o Z7 dos 3,65 para os 3,75 euros, o Z8 dos 4,10 para os 4,20 euros e o Z9 dos 4,55 euros para 4,65 euros.
Já os bilhetes de bordo da rede Unir sofrem também um aumento em 2026, passando o Bilhete de Bordo 1 (BB1) de 2,25 euros para 2,30 euros, o BB2 de 4,50 euros para 4,60 euros e o BB3 de 6,75 euros para 6,90 euros.
Quanto aos passes, os valores do “Municipal e Metropolitano, bem como das variantes com Intermodalidade Regional (IR), permanecem inalterados face aos praticados em 2025”.
Por outro lado, no próximo ano, se quiser ir de Lisboa ao Porto num Alfa Pendular, um bilhete apenas de ida vai passar a custar 35,70 euros em classe turística, enquanto num Intercidades a mesma viagem terá um custo de 28,05 euros (em 2.ª classe). Isto traduz um aumento de 1,10 euros no caso do Alfa Pendular e de 65 cêntimos no Intercidades.
Estes valores constam da nova tabela de preços, divulgada pela CP, para todos os serviços de comboio em 2026. Segundo a transportadora ferroviária, os preços terão uma subida, em média, de 2,26% — acima do aumento de 2,02% deste ano.

Portagens mais caras
Viajar nas autoestradas nacionais vai ficar mais caro no próximo ano. As taxas das portagens vão subir 2,21% a 1 de janeiros de 2025. O valor é apurado pela inflação, sem habitação, de outubro, para o continente que se fixou em 2,11%, a que se soma 0,1% de compensação às concessionárias.
Há, no entanto, um conjunto de autoestradas, antigas vias sem custo para o utilizador (SCUT), do Interior e do Algarve que vão deixar de ser portajadas por força de um diploma do PS aprovado pelo Parlamento e à revelia de PSD e CDS, partidos que suportam o Governo da Aliança Democrática (AD).
O projeto de lei foi aprovado, em votação final global em junho, com os votos favoráveis do PS, Chega, BE, PCP, Livre e PAN, com a abstenção da IL e contra do PSD e CDS. Entra em vigor a 1 de janeiro de 2025 e acabar com as portagens na A4 – Transmontana e Túnel do Marão, A13 e A13-1 – Pinhal Interior, A22 – Algarve, A23 – Beira Interior, A24 – Interior Norte, A25 – Beiras Litoral e Alta e A28 – Minho nos troços entre Esposende e Antas e entre Neiva e Darque. De acordo com os socialistas, a medida tem um impacto orçamental de 157 milhões de euros. No entanto, o Governo orçamentou um impacto de 180 milhões de euros.

Nas embalagens, cobra-se mais, para depois devolver
O Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) entra em vigor a 10 de abril de 2026. Este pretende ser um incentivo financeiro a que os cidadãos reciclem mais. Funciona da seguinte forma: no momento de adquirir embalagens de bebidas de uso único, até três litros, vai ser cobrado um valor extra, o qual só lhe é reembolsado caso devolva a embalagem. Este sistema abrange garrafas e latas de bebidas como água, sumos, refrigerantes, cervejas, misturas alcoólicas e bebidas energéticas.
A embalagem pode ser depositada num ponto de recolha, que estará disponível não só no estabelecimento onde a comprou mas também noutros. Ou seja, pode depositar a embalagem em qualquer ponto de recolha, independentemente do local onde o produto tenha sido adquirido.
Este valor “extra” que os consumidores pagarão aquando da compra ainda não foi definido por lei, embora dez cêntimos seja o valor mais apontado até ao momento. “Esse montante será oportunamente fixado e publicado em Diário da República”, afirma a SDR Portugal, a organização responsável pela implementação do sistema.

CTT aumentam preços do correio regulado em 6,2% a partir do dia 2 de fevereiro
Os preços praticados pelos CTT ao abrigo da concessão do serviço postal universal, que abrange o correio, vão aumentar em média 6,20% a partir de 2 de fevereiro de 2026.
O incremento proposto pela empresa foi determinado pela aplicação da fórmula em vigor, acordada com a Anacom e a Direção Geral do Consumidor, e formalmente aprovado no final de novembro pelo Governo. Trata-se de um agravamento inferior aos 6,9% aplicados em fevereiro de 2025.
Custo dos seguros de saúde vai subir 10%
Os custos com seguros de saúde em Portugal deverão voltar a subir em 2026 e, desta vez, o aumento poderá chegar aos 10%, segundo o “2026 Global Medical Trend Rates Report” da Aon, um valor muito acima da inflação de 2% prevista pelo Banco de Portugal.
Este aumento dos prémios é uma tendência global, evidenciando uma pressão crescente sobre os seguros de saúde. O aumento destes custos em Portugal deverá ser em linha com os registados a nível global (com previsões para um aumento de 9,8%), mas ficam acima da média europeia (8,2%).
Outros fatores, como “o envelhecimento da população segura nas empresas”, o prolongamento da idade ativa até à reforma, e a “transferência de custos do SNS para o privado em doenças de alto custo” quando “até há poucos anos as pessoas usavam o SNS neste tipo de patologias, mesmo quando tinham seguro privado”, são outros fatores a pressionar o aumento dos custos dos seguros de saúde.
Os preços mais altos nos prestadores de saúde após a pandemia, a escassez de profissionais e a consequente subida salarial, também contribuem para o aumento dos custos na saúde.
Mas não são só os seguros de saúde que vão aumentar, os seguros automóvel vão ficar mais caros em 2026. As seguradoras já antecipam aumentos entre 6% e 10% no próximo ano.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})
Do pão às rendas, dos seguros à luz. O que muda nos preços em 2026
{{ noCommentsLabel }}