O co-managing partner da Fieldfisher Portugal, André Miranda, explicou como foi a entrada deste novo player no mercado português e garantiu que pretendem preservar a identidade local.
O anúncio foi feito no início de julho: a sociedade de advogados europeia Fieldfisher entra no mercado português com dois novos escritórios, um em Lisboa e outro no Porto. O player surgiu em Portugal através da integração da firma André Miranda Associados, que era liderada por André Miranda e João André Antunes, que mantém a chefia da sociedade em Portugal.
O co-managing partner André Miranda explicou que o processo de seleção do parceiro português por parte da Fieldfisher foi “longo” e “exigente”, tendo durado cerca de dois anos. “Acreditamos que o critério decisivo foi a forte afinidade entre ambas as equipas, tanto ao nível dos valores como da visão estratégica para o futuro do nosso setor de atividade”, acrescenta.
Para André Miranda, o escritório português demonstrou um “percurso sólido”, com um “crescimento sustentado”, uma “estrutura profissionalizada” e uma “equipa coesa e experiente”. “A sua carteira diversificada de clientes, com uma expressiva componente internacional, aliada à aposta consistente na inovação, gestão e proximidade com o cliente, posicionou-a como a parceira ideal para representar a Fieldfisher em Portugal”, assume o advogado.

O co-managing partner revela que o feedback que têm recebido tem sido “extremamente encorajador” e que os clientes estão entusiasmados e confiantes com esta nova etapa. Mas não só, André Miranda sublinha também que tanto no meio jurídico, como no empresarial, a integração tem sido vista como um “movimento estratégico de grande relevância”.
Uma transição sinónimo de evolução
Com sede em Londres e com escritórios espalhados por diversos países, como Alemanha, Espanha, China e Estados Unidos, é necessário garantir uma transição suave entre as culturas das duas firmas. Por isso, a integração foi “cuidadosamente” preparada de forma também a garantir a “continuidade da atividade da André Miranda Associados na sua adaptação aos procedimentos internos da Fieldfisher”.
“Manteremos a identidade e os valores da equipa portuguesa, respeitando a sua estrutura não hierarquizada, a proximidade entre os membros da equipa e a autonomia profissional que caracteriza a nossa prática desde sempre”, revela, adiantando que a integração vai permitir incorporar as ferramentas, processos e métodos de trabalho da rede internacional, como a utilização “mais acentuada” de tecnologia.
Uma coisa é certa, André Miranda considera que esta transição não é encarada como uma “rutura”, mas sim como uma “evolução”. “Esta abordagem garante que a equipa portuguesa mantenha a sua coesão e identidade, ao mesmo tempo que se beneficia das vantagens de pertencer a uma rede internacional em expansão”, acrescenta.
À Advocatus, o co-managing partner explicou que a grande diferença entre o escritório português e os restantes internacionais está na forma como a integração combinou o “conhecimento profundo do mercado português com a ambição e os recursos de uma das sociedades de advogados europeias mais dinâmicas”.
“Ao contrário de outras operações internacionais que replicam modelos rígidos ou estruturas distantes, a Fieldfisher Portugal mantém uma equipa com forte enraizamento local e autonomia, mas agora com capacidade de resposta global, acesso a tecnologia jurídica de vanguarda e possibilidade de mobilizar equipas multidisciplinares em diferentes países”, garante.
André Miranda assume ainda que o alinhamento entre jurisdições exige uma coordenação “cuidadosa” ao nível de processos, comunicação e gestão de equipas, destacando entre os principais desafios a “harmonização de metodologias de trabalho, a adaptação às ferramentas digitais utilizadas na rede e a criação de canais de cooperação eficientes para assegurar uma resposta integrada aos clientes com operações transfronteiriças”.
Do crescimento na faturação à integração tecnológica
Em Portugal, a Fieldfisher conta com um total de mais de 70 profissionais, dos quais 53 são sócios e advogados, mas a previsão é de um “crescimento progressivo” e “estratégico” alinhado com o aumento da procura nos setores prioritários e com os objetivos de expansão da carteira de clientes.
“A curto prazo, estão previstas novas contratações, sobretudo em áreas como energia, serviços financeiros e tecnologia, em que antecipamos um aumento do volume de trabalho. A médio prazo, o objetivo é também alargar o número de sócios, garantindo uma liderança robusta e capaz de assegurar a continuidade e o crescimento sustentável do projeto”, avança André Miranda.

No que concerne às áreas, também existem quatro setores prioritários em que a firma pretende ganhar quota de mercado: energia, life sciences, tecnologia e serviços financeiros. “Estes setores foram identificados não só pela sua relevância na estratégia internacional da Fieldfisher, mas também pelo potencial de crescimento que apresentam em Portugal. O nosso país tem vindo a afirmar-se como um hub de inovação e investimento nestes domínios, impulsionado por incentivos públicos, fundos europeus e uma base crescente de talento qualificado”, nota o advogado.
Para o primeiro ano, o co-managing partner revela que os objetivos são “ambiciosos”, mas “realistas”. “Em termos de faturação, a previsão é de um crescimento de 20%, dando continuidade ao desempenho sólido registado em 2024, em que ultrapassamos a marca dos cinco milhões de euros. A nível de clientes, pretende-se consolidar a base atual, que conta com cerca de 2.000 processos abertos, sendo 75% da faturação proveniente de clientes institucionais”, avança.
André Miranda adianta ainda que será dada especial atenção à captação de grandes transações, especialmente nas áreas de M&A e investimento estrangeiro. “Este primeiro ano será também fundamental para fortalecer o posicionamento da marca Fieldfisher no mercado português e para iniciar a expansão das áreas estratégicas definidas”, acrescenta.

Com a equipa empenhada e os objetivos traçados, o líder considera que a integração será considerada bem-sucedida quando for possível “constatar uma continuidade na relação de confiança com os clientes, um aumento sustentado da faturação, a expansão da equipa de forma qualitativa e a consolidação da reputação da sociedade como um dos principais players no panorama jurídico português”.
“Outro indicador essencial será o grau de integração funcional e cultural com a rede Fieldfisher, nomeadamente com os escritórios de Espanha e de outras jurisdições relevantes. Quando a marca Fieldfisher Portugal for sinónimo de excelência, inovação e alcance internacional junto dos seus stakeholders, poder-se-á afirmar que a integração atingiu plenamente os seus objetivos”, revela.
No futuro, o escritório quer aprofundar a integração tecnológica e metodológica com a rede Fieldfisher, reforçar as equipas nas áreas estratégicas e desenvolver parcerias com clientes internacionais que pretendem investir em Portugal. “Simultaneamente, será dado foco à comunicação institucional e à presença ativa em fóruns e eventos do setor, de forma a afirmar a nova marca no mercado”, acrescenta, avançando que a curto prazo pretendem também explorar oportunidades para projetos de grande dimensão que envolvam múltiplas jurisdições.
Sobre uma possível expansão para outras cidades portuguesas, André Miranda não exclui a hipótese, mas garante que a presença em Lisboa e no Porto continuará a ser o centro da operação. “A prioridade será sempre consolidar a qualidade dos serviços prestados e aprofundar a presença nos setores onde a sociedade pretende liderar, mantendo uma abordagem seletiva e coerente com os valores que a definem”, conclui.
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Fieldfisher aposta em Portugal. Objetivo é crescer faturação em 20% no primeiro ano
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