“Habibi, come to Portugal”. Lisboa tenta captar negócios no Qatar

Mais de 900 anos de História, pertença à Zona Euro, regime de 'stock options' e sete unicórnios foram algumas dos trunfos que Portugal levou ao Qatar. Sheikhs acenam com fundo de 1,7 mil milhões.

O Médio Oriente é uma das regiões do mundo onde Portugal tem de mudar o discurso de apresentação, porque a mais-valia de ter sol na maior parte do ano não é suficiente para conquistar empreendedores ou investimento. Numa sala de aula em pleno centro da cidade de Doha, os representantes da Startup Portugal e da Fábrica dos Unicórnios souberam ‘vender’ o país e a capital além da meteorologia, a julgar pelos comentários e perguntas da audiência, composta por fundadores de empresas e investidores qataris, paquistaneses, entre outras nacionalidades.

No quadro, exposto na Web Summit Qatar, constava a informação a reter: mais de 900 anos de História, o 11º país do mundo no ranking de conectividade da OCDE, membro da União Europeia e da Zona Euro, mais de 5.000 startups, que pagam em média 2.200 euros por mês e 40 unicórnios (maioritariamente estrangeiros), mais sete com ADN português. “Vejo que estão a fazer um bom trabalho em Portugal”, ouviu-se entre os curiosos.

“O capital segue o talento, o talento segue a oportunidade e a oportunidade segue a ação política. Cada país tem as suas formas de trabalhar. Somos um país pequeno e quando começámos neste mundo das startups não tínhamos capital. Muito dinheiro foi investido para trazer a Web Summit para Lisboa e colocar Portugal no mapa, facilitar os vistos… Todas as políticas públicas contribuíram”, afirma o presidente da Startup Portugal, Alexandre Teixeira dos Santos.

Resolver os limites à inovação é a chave das políticas públicas, mas é preciso também criar mentalidades dentro das universidades, sobretudo colocar as comunidades em contacto com outras. Não é só o número de iniciativas aqui e ali. Requer foco e parcerias estratégicas”, acrescentou o diretor-executivo da Unicorn Factory Lisboa, Gil Azevedo.

Depois das intervenções nos painéis de debate, e da lição que foi uma espécie de habibi, come to Portugal, surgiram as dúvidas da ‘turma’, variada em termos de idade, género e perfil. Então, se quisermos ir para Portugal: a quem é que devemos recorrer primeiro: à Aicep, à Fábrica dos Unicórnios de Lisboa ou à Startup Portugal? Como escolho qual a incubadora que faz mais sentido para mim? Como é que a incubadora de Lisboa se distingue de qualquer outra?

As duas organizações, que fizeram parte da comitiva portuguesa na cimeira tecnológica em Doha, explicaram que o ideal é obter um visto para trabalho qualificado ou investimento, que depois dará mais facilmente acesso a uma incubadora. A seguir, existem ferramentas de matchmaking consoante cada negócio ou empresário.

Stand de Portugal na Web Summit Qatar

Rafaela Sheen, manager de Experiência dos Fundadores na Fábrica dos Unicórnios de Lisboa, adiantou ainda que o hub de engenharia “vai abrir nas próximas semanas” em Lisboa. “Costumamos dizer que é um país onde o sol não falta, mas penso que para esta audiência esta não seja a razão pela qual estamos interessados em Portugal”, brincou André Faria, senior manager de Relações Globais da Startup Portugal.

Ambos explicaram que quem tem uma jovem empresa no Qatar, nos Estados Unidos ou qualquer país fora da União Europeia, que há um visto para empreendedores (Startup Visa), bem como outros passaportes para maturidades diferentes do negócio (Tech Visa, D2 Visa) e também o regime de vistos gold para (ARI – Residence Permit for Investment) e o cartão azul da União Europeia (Blue Card EU).

Como precisamos de uma rede de contactos abrangente, fomos criando incentivos à cooperação entre portugueses e parceiros em todo o mundo. Demora mais de uma década para se perceber se está a ser bem-sucedido”, admitiu o presidente da Startup Portugal, Alexandre Teixeira dos Santos. Na visão dos ouvintes, alguns dos quais o ECO contactou depois da aula, Portugal tem marcado pontos, mas ainda peca pela capacidade financeira das sociedades de capital de risco. Nada que se compare ao Reino Unido, por exemplo.

Por outro lado, captou-se a atenção dos 18 ‘bons alunos’ com a fiscalidade. O regime fiscal para stock options, criado em 2023, reduziu a tributação dos planos de ações para trabalhadores das startups – só são tributados após a venda – e a taxa efetiva é de 14%, abaixo dos anteriores 28%. E com os casos de sucesso internacional, como não poderia deixar de ser. Sensei, Windcredible, Anchorage Digital, Smartex ou Sound Particles fizeram parte das menções na Web Summit Qatar.

Enquanto estas dispensam apresentações, outras 23 empresas portuguesas aproveitaram os corredores do centro de congressos de Doha para a exposição. Embora com outro intuito, por lá passaram também private equities como a lisboeta BlueCrow Capital ou representantes de grandes consultoras em Portugal. Há ainda que tenha usado a ocasião para criar negócios na área da saúde e ciência, mas opte por deixar as novidades para mais tarde, como aconteceu com José Pereira Leal, ex-vice-presidente da P-Bio – Associação Portuguesa de Bioindústria. O mesmo não se passou com a Complear de Guimarães, que anunciou a entrada na defesa, ou a Itrecruiter, que foi à cimeira e lançou um novo agente de inteligência artificial (IA).

A gestora de fundos BlueCrow foi com “um espírito exploratório”. “Trata-se de um mercado com liquidez disponível e uma estratégia consistente de atração de capital internacional, apoiada na criação de presença local e relações estruturadas. O nosso objetivo é converter o contacto inicial em parcerias duradouras, baseadas em alinhamento estratégico e ambição partilhada”, esclareceu Ricardo Ortigão Ramos, manager de Investimento.

Regressamos de Doha com a perceção clara de que existe potencial para aprofundar a ligação entre Portugal e o Qatar num plano mais estruturado. O desafio passa por evoluir de interações pontuais para uma agenda contínua de cooperação, com prioridades definidas e visão de médio e longo prazo.

Ricardo Ortigão Ramos

Investment Manager na BlueCrow

Ricardo Ortigão Ramos fez-se acompanhar nesta viagem de negócios por Pedro Brito André, que também é gestor de Investimento na BlueCrow e deu como exemplo a Bandora. “Já deu alguns passos nesse sentido, mas é apenas um exemplo do percurso que pretendemos explorar com outras startups, de forma gradual e sempre com os parceiros certos. O objetivo foi perceber o terreno e identificar onde faz sentido aprofundar relações que, numa fase posterior, possam gerar oportunidades para várias startups do nosso portefólio”, adiantou Pedro Brito André ao ECO.

Bandora vai trabalhar com maior operadora do Qatar

O que diz quem já lá está? A empresa portuguesa Bandora, que entrou no Qatar em outubro através de um programa de aceleração local, considera que a região é “imbatível” em termos de incentivos fiscais, em comparação com a Europa e com os Estados Unidos. Márcia Pereira, fundadora e CEO da startup que desenvolve tecnologia para eficiência energética de edifícios, revela ao ECO que o Qatar lhes atribuiu cinco anos de isenção de impostos, vistos de trabalho – e de residência caso estejam pelo menos duas vezes por ano no país – e um ano de renda num apartamento totalmente equipado.

“A partir do momento em que tivemos a chancela do Governo [do Qatar], começaram-se a abrir portas, nomeadamente a potenciais clientes, facilidade de abertura de subsidiária, vistos para fundadores, isenção de impostos… Querem até atribuir vistos a expatriados (fundadores) que queiram investir e dar-lhes residência por dez anos, o que realmente é algo que é completamente fora de série”, conta a empreendedora.

Márcia Pereira, fundadora e CEO da Bandora, no expositor da Ooredoo no Qatar.

Questionada sobre se, enquanto empresária do sexo feminino, sente alguma diferença de tratamento no mundo dos negócios ou no quotidiano, Márcia Pereira recusa qualquer discrepância: “Até tentam transmitir uma imagem oposta. Se é forçado ou não, do meu lado tenho sentido que todas as portas se abrem”.

Há apenas três meses em Doha, a Bandora começou a ser apoiada por uma das principais operadoras de telecomunicações do Médio Oriente, a Ooredoo, com a qual se deslocou até à cimeira tecnológica. Sob a alçada da antiga Qatar Telecom, a startup ganha exposição a mais sete geografias e ainda vai iniciar outros projetos conjuntos na área de software de eficiência energética. Segundo as estimativas da CEO, será “uma questão de semanas” até fechar contrato com o primeiro cliente.

A partir do momento em que tivemos a chancela do Governo [do Qatar], começaram-se a abrir portas, nomeadamente a potenciais clientes, facilidade de abertura de subsidiária, vistos para fundadores, isenção de impostos… Vamos começar em provas de conceito, não só em duas lojas Ooredoo, mas também no próprio edifício da sede.

Márcia Pereira

CEO da Bandora Systems

“O facto de estarmos aqui num stand da chancela da Ooredoo foi por iniciativa deles. Depois de uma primeira reunião em que gostaram do produto, pediram-nos uma segunda e no dia seguinte outra. Agora vamos começar em provas de conceito, não só em duas lojas Ooredoo, mas também no próprio edifício da sede”, conta a fundadora e CEO, reiterando a ideia de que, ainda que o Qatar seja um país pequeno face a outros do Golfo, é “um bom lançamento” para Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Koweit ou Bahrein.

É necessário não esquecer as particularidades locais, que vão além dos costumes, da gastronomia, da religião ou do tempo. A partir da próxima semana, a 17 de fevereiro, começa o Ramadão, portanto durante um mês o ritmo das empresas também abranda. A semana de trabalho passa a ser apenas de três ou quatro dias para privilegiar o descanso, mas assim que que termina este ritual de fé no calendário Islâmico volta tudo a acelerar nos escritórios.

“Chegam a trabalhar cerca de 12 horas por dia para conseguir, de alguma forma, contrabalançar esses períodos de calmaria, não só do Ramadão, mas também no momento do verão, que também é um período em que normalmente tiram férias e saem do país, vão para a Europa, Canadá, Estados Unidos…”, destaca Márcia Pereira, que conta com três pessoas a trabalhar para a Bandora no Médio Oriente. É uma zona do globo onde a empresa tem oportunidades de vender o seu software, porque enquanto o segmento residencial tem energia subsidiada, os edifícios comerciais ainda enfrentam significativos aumentos de gastos de energia devido ao custo do arrefecimento, nomeadamente a produção de água gelada.

Fundo com mais 1,7 mil milhões e vistos a dez anos

Logo na noite de abertura, o primeiro-ministro do Qatar deu o mote ao que seria a mensagem qatari para o mundo nos dias seguintes: a inovação mundial interessa-lhes, insere-se perfeitamente no plano de reforma do país Vision 2030 com objetivos de modernização e sustentabilidade – e há moeda de troca para quem investir. O sheikh Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani anunciou a expansão do Fundo de Fundos (Fund of Funds Programme) do Estado, no valor de dois mil milhões de dólares (cerca de 1,7 mil milhões de euros) e a criação de um programa de vistos a dez anos para empreendedores internacionais.

Para os fundadores que tenham aberto alguma sociedade no Qatar durante esta cimeira, o sheikh avançou com a desburocratização de algumas regras de criação de empresas, autorizações de residência e contas bancárias, que “agora podem ser completadas numa questão de dias”.

“Não queremos estar a ver o futuro à nossa frente, mas queremos moldá-lo com parceiros de todo o mundo. Em apenas dois anos, a Web Summit Qatar tornou-se um ponto de referência para a comunidade tecnológica conversar, fazer parcerias e definir prioridades de investimento para os próximos anos”, afirmou o líder do Governo qatari.

Primeiro-ministro do Qatar, sheikh Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim bin Mohammed Al Thani

“O momentum é extraordinário: o investimento global em investigação e desenvolvimento está próximo dos três biliões de dólares por ano, em 2024 as startups de IA capturaram um terço do venture global, cerca de seis mil milhões de pessoas estão online e 1,2 mil milhões têm entre 15 a 24 anos e estão a a programar, a construir e a fundar o que virá a seguir”, referiu Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani, acrescentando que o programa de fundos já ancorou 20 fundos de capital de risco em Doha.

O primeiro-ministro do Qatar considera que ali existe um “regime fiscal onde o capital pode escalar”, os aeroportos e a companhias aéreas, como a Qatar Airways, permitem conectividade terrestre, enquanto a marítima é garantida pelos cabos submarinos que dão a “infraestrutura e redução da latência de que a IA precisa”.

Quem também deixou dicas aos investidores de venture capital, sobretudo quando são confrontados com piores notícias, foi Larry Li, fundador e managing partner da Amino Capital, investidor do Zoom e investidor-anjo em mais de 20 unicórnios, incluindo a Chime.

Fundador e managing partner da Amino Capital, Larry Li

“Poucas sociedades de capital de risco fazem dinheiro, tal como acontece com as startups. Mas mesmo o dinheiro que foi investido numa startup que falhou não é dinheiro em vão, porque cria um ecossistema. Silicon Valley nasceu porque muita gente falhou e desenvolveram-se bons engenheiros. Não tenham medo de falhar. Não faz mal se investirem e falharem”, afirmou.

Mas mesmo o dinheiro que foi investido numa startup que falhou não é dinheiro em vão, porque cria um ecossistema. Silicon Valley nasceu porque muita gente falhou e desenvolveram-se bons engenheiros.

Larry Li

Fundador e managing partner da Amino Capital

Larry Li explicou que o desafio é maior, porque “a IA tornou-se uma utility” e aconselhou os inovadores a começarem negócios “menos óbvios”. “O desafio é que há muito dinheiro a ir para as grandes empresas e pouco para aquelas que são desconhecidas. Também existem tantos empreendedores, portanto a concorrência é feroz”, referiu ainda.

Make-A-Wish admite que tensão geopolítica afeta doações

No extenso leque de participantes neste evento estão também organizações sem fins lucrativos, cujo foco é espalhar a mensagem solidária, eventualmente captar voluntários e atrair financiamento corporativo que lhes permita continuar a missão. Às grandes empresas, com maiores ou menores valores sociais, e pressionadas pelo cumprimento dos critérios ESG, também lhes interessa ouvir estas vozes. A Make-A-Wish, que em Portugal tem uma base à qual se deslocam cada vez mais voluntários vindos das empresas, também pisou o palco da Web Summit Qatar, menos de três anos após a estreia em Lisboa.

Em entrevista ao ECO, o presidente e CEO da Make-A-Wish International, Luciano Manzo, explica os objetivos de expansão da fundação nos próximos quatro anos e revela que a filial em Portugal, sob a liderança de Margarida Galvão, “está numa situação financeira muito sólida, resiliente e sustentável”.

Presidente e CEO da Make-A-Wish International, Luciano Manzo.

O plano estratégico da Make-A-Wish International, que realiza sonhos de crianças e adolescentes em risco, prevê aberturas em mais cinco territórios até 2030, depois de se lançarem no Equador, Indonésia, Arábia Saudita, Sri Lanka e Tanzânia. O Qatar poderá ser o próximo? Talvez.

“Estamos a analisar outros locais. Temos recursos específicos alocados para estudar a expansão geográfica e não temos restrições. A nossa visão é chegar a todas as crianças elegíveis, onde quer que estejam, por isso não temos ideias preconcebidas sobre qualquer território. Se houver condições para termos uma filial no Qatar, vamos considerar com muita satisfação”, garante Luciano Manzo.

O principal critério para a abertura de uma filial é ter “a base certa” para manter a operação no longo prazo. Logo, existe um processo de due diligence extenso que inclui a disponibilidade de pessoas com tempo, os recursos, as competências de gestão, o público-alvo, a disponibilidade de infraestruturas e a posição no ranking mundial de cultura de donativos. “É um modelo federado. Oferecemos-lhes apoio tecnológico, de marketing e de comunicação, mas o país e a filial precisam de ser autossustentáveis”, explica o chairman e CEO da Make-A-Wish International.

Certo é que essas doações são impactadas pelo contexto internacional, pelo que todas as cimeiras internacionais ajudam a mudar o paradigma. “Está a tornar-se cada vez mais complexo. Não há uma conjuntura geopolítica amigável, há tensão e instabilidade. Quando existem preocupações, as pessoas tendem a retrair-se um pouco por temer pelo futuro. Por isso, as doações podem ser um pouco mais difíceis de obter. Felizmente, até agora, conseguimos cumprir a nossa promessa, mas está a tornar-se mais desafiante”, lamenta Luciano Manzo.

Quem também conseguiu cumprir a promessa de entregar a terceira edição no Médio Oriente com lotação esgotada foi o cofundador e CEO da Web Summit, Paddy Cosgrave. Ciente do poder financeiro da região, aterrou em Doha com pompa e circunstância: não só cumprimentou a audiência com Salam Aleikum como deixou as sweatshirts no armário e vestiu um fato. O empreendedor irlandês defende que o mapa tecnológico já não está só dividido em dois, os Estados Unidos e a China. As economias emergentes podem dividir o trono.

“O futuro da tecnologia é verdadeiramente global. Alguns podem temer esta profundidade de mudança. Eu, pessoalmente, não. Acredito que a nova ordem mundial. O mundo multipolar em que entrámos é a maior oportunidade global dos últimos séculos”, defendeu Paddy Cosgrave, recordando o discurso do primeiro-ministro do Canadá em Davos. E enquanto cresce a versão mais árabe da Web Summit, Lisboa pode descansar, porque continua a ser a rainha e senhora das conferências e a do Qatar “não é uma ameaça” mas uma parceira, garantiram várias fontes.

Cofundador e CEO da Web Summit, Paddy Cosgrave.

A Web Summit Qatar em números

  • 30.274 participantes de 127 países, o que faz com que este tenha sido o maior e mais diversificado público, entre os quais 427 foram oradores
  • 931 investidores, representando um aumento de 29% em relação a 2025
  • 1.637 startups, 85% das quais internacionais e 38% fundadas por mulheres, o que significa um aumento de sete pontos percentuais face a 2024
  • 22 delegações governamentais, entre as quais Portugal, Itália, Palestina, Arábia Saudita, Sérvia, Suíça e Estados Unidos, que fizeram a sua estreia na Web Summit Qatar

*A jornalista viajou até Doha a convite da Startup Portugal

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