Portuguese Women in Tech Awards. E as vencedoras são…

Nove categorias, três finalistas por cada uma. A Portuguese Women in Tech volta a distinguir as mulheres que mais se destacam na tecnologia, em Portugal.

A Portuguese Women in Tech volta a distinguir as mulheres que mais se destacam na tecnologia, em Portugal. Criado para dar visibilidade às mulheres e ao trabalho que desenvolvem em tecnologia, as nove categorias avaliadas anualmente pela comunidade foram escolhidas com base nas posições em que, em tecnologia, as mulheres têm uma maior representatividade.

“No mundo perfeito tínhamos centenas e milhares de mulheres em posições mais técnicas. Percebemos que há muitas mulheres dentro de outras posições, e olhamos para isso como uma vantagem. De uma office manager a uma developer, todas constituem o ecossistema, que é composto por diversas áreas de trabalho. Queremos reconhecê-las nesse contexto”, acrescenta Liliana Castro.

Conheça melhor as vencedoras (e as finalistas) que, todos os dias, contradizem a ideia de que o setor tech é “coisa de meninos”.

Ana Margarida Picoito | Junior Developer @ Turbine Kreuzberg PT

Quem é? Nasceu na Fuseta, concelho de Olhão, a 21 de abril de 1997, onde vive. Em 2019 licenciou-se em Engenharia Informática pela Universidade do Algarve e iniciou a sua carreira como Junior Developer na TurbineKreuzberg, Faro. Há um ano na empresa como júnior developer, confessa que nunca sentiu “ter de fazer mais ou que a opinião fosse menos valorizada por ser mulher”. No entanto, sublinha que essa “sorte” contrasta com os tempos de estudante universitária. “Aí sim, senti que algumas vezes fui posta de parte por ser mulher, não só pelos docentes, mas também por muitos dos meus colegas. Foram anos bastante desafiantes.”

À pressão que sentia de ter de se provar constantemente, juntava-se a incerteza do futuro na área. Muitas vezes, a família e os amigos foram fundamentais: “eles mostraram-me que muitas vezes só precisamos de alguém que acredite em nós”, assinala.

Uma frase…. “A quantidade de coisas que podemos criar, é fascinante e infindável, trata-se de um maravilhoso mundo novo.”

Uma inspiração… Quando era mais nova, não me lembro de ter uma mulher como inspiração, mas ao longo dos anos dei por mim a querer encontrá-las. Foi curioso ver a quantidade de mulheres que estavam na vanguarda da tecnologia nos primórdios da mesma. Ada Lovelace, Hedy Lamarr, the women of ENIAC, Grace Hopper.

Ana Rita Pereira | Frontend Expert Group Lead @ DefinedCrowd

Quem é? Engenheira de software, neste momento está mais dedicada ao Frontend e a ReactJS. Estudou no Instituto Superior Técnico engenharia informática, focando-se em machine learning praticamente todo o meu mestrado. O mundo do trabalho levou-a para a vertente de web development que é, neste momento, o que mais gosta de fazer.

Uma frase… “Tento todos os dias encontrar algo interessante novo para melhorar ou para aprender.”

Uma mulher inspiradora… A minha mãe, como mulher determinada e dedicada ao seu trabalho.

Maria João Lopes | Industry 4.0 Software Engineer @ Bosch Thermotechnik GmbH

Quem é? Formada em Engenharia Física pela Universidade de Coimbra, a tecnologia sempre foi seu objeto de fascínio. Durante o curso descobriu o interesse pela área industrial. Iniciou o seu percurso profissional na Bosch Termotecnologia em 2016 e, no ano seguinte, trabalha na equipa central da empresa que promove a digitalização nas fábricas da Bosch Termotecnologia um pouco por todo o mundo.

Uma frase… “Sempre fui a única mulher nas equipas que trabalhei mas sempre vi isso como um ponto positivo; acho que é muito importante que alguém dê o primeiro passo para que outras raparigas possam ver que é possível e que podem ter uma carreira bastante gratificante em áreas que ainda são predominantemente ocupadas por homens.”

Uma inspiração… A minha avó materna. Sempre foi uma pessoa muito à frente do seu tempo e mostrou-me que a força de vontade, resiliência e capacidade de trabalho são características fundamentais para se ser feliz e ter uma carreira bem sucedida.

Beatriz Oliveira | CEO & Founder @ BindTuning

Quem é? Empreendedora, speaker e visionária na indústria web, Beatriz Oliveira é a fundadora e CEO da BindTuning, plataforma para o desenvolvimento de intranets modernas em Office 365, SharePoint e Microsoft Teams. Antes, foi cofundadora da CentralBiz, empresa de desenvolvimento de sucesso onde passou quatro anos como Creative Director. Licenciada em Engenharia Informática e com mestrado em Design e Comunicação, é atualmente presidente do IAMCP Portugal. Ativamente envolvida na educação STEM para jovens e defensora da diversidade em tecnologia, é Regional Director Microsoft e MVP.

Se ser mulher ajudou ou prejudicou o seu percurso? “Por um lado, e nunca de forma assumida, sei que muitas vezes ouvi um ‘não’ ou fui desvalorizada por ser mulher. Mas, felizmente, sei que em tantas outras houve um reconhecimento, até uma admiração, por uma jovem mulher ir à luta e tentar fazer crescer uma marca num mundo ainda muito dominado por homens. Honestamente, acho que as dificuldades contribuíram ainda mais para a minha vontade de querer crescer. Vejo-as como algo que, pessoalmente, me tornou mais forte e capaz”, detalha, à Pessoas.

Uma frase… “O nosso percurso é sempre afetado por quem somos, seja qual for o prisma que escolhamos. Se, em algumas situações, ser uma mulher empreendedora levantou barreiras, noutras abriu portas”.

Uma inspiração… Madonna. Self-made, destemida, corajosa, sempre a desafiar limites, mesmo os seus.

Ana Mikaela Silva | Founder & CEO @ Playbox

Quem é? Para Ana Mikaela Silva, “tecnologia é tecnologia; e um homem ou uma mulher a desenvolver é igual”. Para ser melhor, é necessário que tecnologia tenha vários pontos de vista e que, tanto mulheres como homens possam ser propulsores desse sucesso. Auto-considerada cidadã do mundo, Ana Mikaela nasceu em Moçambique, filha de mãe búlgara e de pai português, e já viveu em cinco países. A sua maior viagem, pelo empreendedorismo, começou aos 7 anos quando pediu aos pais que lhe comprassem velas para as derreter, voltar a fazer e vender aos colegas. Uma coisa que gostava que lhe tivessem dito há dez anos? O que disseram. “Tu consegues. O que tu quiseres fazer vais conseguir desde que te empenhes”.

Uma frase… “Iniciei a Playbox com um bebé de 2 meses ao colo e demonstro sempre aos outros que uma mulher consegue tudo (e muito mais)”.

Uma inspiração… Olivia Cotes-James, fundadora e CEO da Luuna naturals.

Fabiana Clemente | Cofundadora & CDO @ YData

Quem é? Tem liderado projetos state-of-the-art de IA bem como o desenvolvimento de produtos, não só em companhias globais, como o grupo Vodafone, mas também em startups. Licenciada em Matemática Aplicada, sempre foi apaixonada por dados e pela revolução que estamos a viver nesta área. Nos últimos anos, desenvolveu uma preocupação especial com questões sobre a privacidade e o uso consciente dos dados, o que levou à fundação da YData, onde desempenha o cargo de Chief Data Officer. Sobre a sua colaboração para mudar o mundo, Fabiana Clemente acredita que, enquanto fundadora de uma startup, tem partilhado a experiência enquanto mulheres na área. “Ajuda a inspirar outras mulheres a desafiarem-se e, quem sabe, seguirem os mesmos passos.”.

Uma frase… “Enquanto mulheres, num mundo que ainda é, invariavelmente, dominado por homens, fazer valer uma opinião feminina requer o dobro do esforço para que possa ser valorizado como a de um homem.”

Uma inspiração… Sandra Simões, com quem tive o prazer de ser chefiada no meu primeiro desafio profissional, uma excelente líder e provavelmente uma das pessoas que mais me ensinou, e Maria Farrugia, que me mostrou o que é ser uma líder de destaque numa grande organização onde os cargo de chefia são, por norma, ocupados por homens.

Joana Barbosa | Lead BI Engineer @ DevScope

Quem é? Era apaixonada pela matemática mas o entusiasmo foi crescendo pelos computadores ao mesmo tempo que a informática se tornou um caminho natural. Depois da faculdade, juntou-se à Devscope, onde inicialmente esteve envolvida em desenvolvimento Web e .NET. Pouco depois, começou a focar-se em BI & Analytics, tendo oportunidade de trabalhar em projetos de diferentes dimensões e áreas de negócio, desde indústria ou retalho, passando pela saúde ou pela banca. No setor, assume que as mulheres ainda são uma minoria e que isso “traz naturalmente dificuldades acrescidas”. Mas acredita que é possível provar o quanto essa visão é errada.

Uma frase… “Para diminuir o gap temos de dar mais voz às mulheres que trabalham connosco; isso pode partir dos elementos de liderança de equipa, mas é também muito importante que tenhamos confiança para falar num espaço onde somos sempre a minoria”.

Uma inspiração… Karen Spärck Jones. O seu trabalho em Language Processing e Document Retrieval foi totalmente inovador, e não só para a época, pois ainda serve de base aos motores de pesquisa da atualidade dos quais tanto dependemos.

Carina Sofia Andrade | PhD Student & Invited Professor @ University of Minho

Quem é? Iniciou o percurso nas tecnologias quando escolheu um curso profissional de Informática. Em 2015, terminou o mestrado em Engenharia e Gestão de Sistemas de Informação na Universidade do Minho. Enquanto estudava, iniciou o percurso de investigação tendo, até agora, explorado áreas como Sentiment Analysis, Big Data e Complex Event Processing. Em 2018, com base no seu percurso e ciente da importância das mulheres na Engenharia, iniciou a sua jornada na Secção Portuguesa das Women in Engineering. Para a profissional, a questão do gender gap pode ser simplificada “apoiando, incentivando e realçando o bom trabalho das mulheres. Faz toda a diferença quando, no geral, esse valor é menosprezado”, assinala.

Uma frase… “Esta normalidade de ‘mais homens que mulheres’ na minha área, nunca impediu que me conseguisse destacar pelo meu empenho e trabalho”.

Uma inspiração… As minhas professoras de diferentes áreas tecnológicas que, de alguma forma, me incentivaram a perseguir este caminho sem perceberem que estavam a fazê-lo.

Daniela Costa | Head of Data Visualization @ JTA: The Data Scientists

Quem é? Daniela Costa nasceu numa aldeia em Santa Maria da Feira. Sonhava ser atriz mas a necessidade de algo mais estável profissionalmente levou-a a seguir Engenharia Biomédica. Terminado o curso, percebeu que o mercado não satisfeito com o que tinha estudado nem com o que a universidade ensina.

“Foquei toda a minha aprendizagem em ciências de programação e data science, onde vi uma grande procura e uma oportunidade de crescer num ramo em ascensão”, conta à Pessoas. Antes de chegar à JTA passou por outras duas empresas mas é na empresa atual que pretende evoluir “e mostrar que, tanto as mulheres como os homens conseguem crescer nos seus sonhos”.

Uma frase… “Senti em algumas empresas uma divisão quase natural: mulheres sempre com cargos que exigem inteligência emocional, como recursos humanos e/ou manutenção de clientes, enquanto o sexo masculino facilmente se via com cargos de direção”.

Uma inspiração… É muito difícil escolher uma mulher que me inspire. Várias têm esse papel na minha vida, por diversas razões. A primeira é a minha mãe, pela resiliência consistente que teve na minha vida, por me encorajar sempre a traçar o meu caminho sem depender de outra pessoa. E nas palavras constantes sobre eu ser capaz de qualquer coisa, bastava querer.

Carolina Trigo | Project Manager | Portals – Office365, SharePoint & .NET @ DevScope

Quem é? O que gostava que lhe tivessem dito há dez anos? Que a tivessem incentivado a enveredar pela área de IT, “pois já antes de 2010 se falava que as tecnologias eram o futuro”. Só que nesse ano, Carolina Trigo estava a começar a licenciatura em Gestão e Administração Hoteleira. O caminho mudou entretanto: agora, é gestora de projetos da DevScope. Na empresa desde 2018, Carolina passou pela hotelaria e pelo marketing digital, áreas que a levaram a Espanha e Moçambique para trabalhar. Em constante busca de aprender mais, sempre adorou o contacto com os clientes. Para Carolina, “apesar do aumento de campanhas e iniciativas sobre a igualdade de oportunidades de género, ainda existe um gap no mercado de trabalho”.

“Na área da tecnologia, é bastante notório haver mais homens, mas também esta prevalência é evidenciada desde logo na frequência de cursos desta vertente”, assinala. Por isso, cada um tem um papel nessa jornada: o dela “é motivar o recrutamento feminino nas empresas e incentivar as mulheres a demonstrarem o que valem nas funções que desempenham”. Por agora, claro.

Uma frase… “Em algumas funções que desempenhei em hotelaria, ouvi ‘isso é trabalho de homem’ e, por mais que argumentasse, nem sequer punham em questão colocar uma mulher a realizar o trabalho”

Uma inspiração… Marie Curie!, sem qualquer sombra de dúvida. A enorme coragem, perseverança, resiliência numa sociedade conservadora e oprimida dominada pelo homem, conseguiu impor-se e contribuir com o seu saber para o bem da humanidade.

Catarina Gonçalves | Product Manager & UX Researcher @ Utrust

Quem é? Formada em Engenharia e Gestão Industrial pela Universidade do Minho, Catarina Gonçalves olha para a tecnologia como uma oportunidade para melhorar a vida das pessoas. Começou a carreira como Product Manager na Utrust, onde foi responsável pelo desenvolvimento de produtos no mercado dos pagamentos com criptomoedas. Atualmente em Viena, é Product Manager na Robo Wunderkind, empresa que está a revolucionar a forma como as crianças aprendem sobre novas tecnologias, ajudando-as a desenvolver skills necessárias para um futuro brilhante.

Essa missão é partilhada pela profissional, na sua área. “Gosto de incentivar colegas esclarecendo dúvidas, aconselhando e encaminhando para oportunidades nesta área que vão ao encontro dos seus interesses”, detalha.

Uma frase… “Acredito que a educação é o principal motor no combate à diminuição deste gap entre homens e mulheres”.

Uma inspiração… Melissa Perri, oradora, consultora, e professora de product management. Um dos seus trabalhos é o livro “Escaping the Build Trap”, que aconselho vivamente, onde partilha as suas aprendizagens e estratégias para ajudar as empresas de produto a ter sucesso.

Mihaela Draghici | Product Manager @ SDC:LX – Volkswagen Digital Solutions

Quem é? Um dos maiores obstáculos ao sucesso das mulheres no local de trabalho é o facto de não serem tratadas de forma justa e igual, devido ao seu género. Para Mihaela Draghici, é nesta frase simples que assenta o cerne da questão. Por isso, acredita, é promotora ativa de ambientes inclusivos e oportunidades para mulheres em tecnologia e mentora de outras que procuram iniciar ou avançar nas suas carreiras em tech. Com mais de 12 anos de experiência internacional em gestão de produtos e marketing digital para produtos B2C e B2B em educação, e-commerce, affiliate marketing e indústria automóvel, Mihaela Draghici trabalha como product manager na Volkswagen Digital Solutions, em Lisboa, onde é responsável pela gestão de todo o ciclo de vida do produto, trabalhando em ambiente Agile e balanced-teams.

Uma frase… “Conseguir uma representação mais igualitária no setor da tecnologia e na comunidade empresarial em geral é uma oportunidade. Temos muito mais a ganhar do que temos a perder enquanto sociedades e economias”.

Uma inspiração… Tive a sorte de estar rodeada de muitas mulheres com personalidade forte que pude seguir como exemplo: a minha mãe, amigas próximas, colegas de várias organizações ou gestoras diretas. Elas inspiraram-me com a sua inteligência, bravura, motivação, resiliência e com o quanto se esforçaram por resolver os problemas dos outros.

Andreia Gonçalves | Interaction designer @ Nokia Solutions and Networks

Quem é? Estudou design na ilha da Madeira, onde nasceu. Com o objetivo de aprofundar os seus conhecimentos, concorreu ao mestrado Human-Computer Interaction, programa CMU Portugal. Além da experiência multicultural, Andreia teve a oportunidade de estagiar e vivenciar os métodos de trabalho numa cultura diferente. Depois do mestrado encontrou o seu primeiro trabalho na área arquitetura de informação e analista de usabilidade em São Paulo, no Brasil.

A evolução da sua carreira, acredita, “resulta do conhecimento” adquirido ao longo dos anos, “do ambiente onde trabalha” e das pessoas com quem trabalha, dos projetos em que tem participado e do apoio familiar que tem recebido. “É uma combinação de fatores que não acredito estar associado apenas ao facto de ser mulher, mas sim ao ambiente em que cresci e vivo”, assinala. O que gostava que lhe tivessem dito há dez anos? “Que nada é permanente, e que é importante estar preparada para evoluir constantemente”. Atualmente trabalha como UX Designer na Nokia.

Uma frase… “Durante muito tempo a área da tecnologia foi, por razões culturais e geracionais, incutida maioritariamente ao género masculino, e isso resulta num maior número de homens a trabalhar nesta área”.

Uma inspiração… A história humana foi e é significativamente influenciada por mulheres inspiradoras e como tal é difícil nomear apenas uma. Por exemplo, a cientista portuguesa Maria Pereira, responsável pela cola utilizada para fechar feridas abertas no contexto cirúrgico; ou Stephanie Kwollek, responsável pelo material usado nos coletes à prova de balas; ou ainda Ada Lovelace, que criou o primeiro algoritmo de computador.

Carlota Silva | Senior Product Designer @ Blip (Betfair)

Quem é? Confessa que não existe uma história encantadora da sua ligação com a tecnologia. “O que mais me fascina é que não existe uma fórmula única. Existe a possibilidade de observar comportamentos e criar experiências que irão espoletar emoções únicas em cada pessoa”, assinala, à Pessoas.

Uma “sortuda” por fazer parte da equipa que, na Blip, promove a inclusão e a igualdade de géneros, Carlota Silva não sente que o seu percurso tenha sido afetado por ser mulher. No entanto, assume que essa é uma realidade pouco comum. “Acredito que a disparidade salarial entre homens e mulheres num trabalho equivalente deve-se a um estereótipo e premissas sociais”, sublinha.

Uma frase… “Não existe uma mudança de comportamentos nem uma pré-concepção de acordo com o género. Confio igualmente no trabalho de cada pessoa e relaciono-me de igual modo no meu dia-a-dia”.

Uma inspiração… A minha mãe. Pela sua garra e coragem. E pelo incentivo diário que recebo para ser e fazer melhor.

Eva Vital | Game Designer/Developer @ Doppio

Quem é? “O perfecionismo leva à síndrome do impostor”, atira Eva Vital. É sempre com a máxima em mente que a programadora e designer prefere “acabar as coisas ‘em bom’ do que nunca as terminar, em busca do perfeito”. Nasceu em Macau em 1992 e, aquando da transição do país para a China, mudou-se com a família para Portugal. Antes de entrar na indústria dos videojogos foi atleta profissional de atletismo. Começou a trabalhar na Doppio Games como designer e developer de jogos com foco na interação por voz em 2019. A cereja no topo do bolo? Que as histórias de diversidade que conta em jogo possam “inspirar alguma rapariga a perseguir uma carreira em jogos”.

Uma frase… “Os projetos pessoais que escolho fazer são bastante influenciados pelas minhas vivências enquanto do sexo feminino e minoria racial.”

Uma inspiração… A minha mãe, que trabalhou arduamente para chegar a um cargo de chefia do departamento no hospital em que trabalhava, em Macau, e que, depois de mudarmos para Portugal, sempre deu o seu máximo e melhor atendimento aos seus utentes, mesmo levando com stonewalling e desconfiança das suas capacidades por ser mulher e asiática. O sexismo e racismo que deparou durante os seus anos de trabalho nunca diminuíram a sua ambição.

Susana Silva Prudêncio | People Manager @ Deloitte Portugal

Quem é? Arriscar e não ter medo. Num mundo de “inúmeras oportunidades e várias opções”, “a mudança é algo que pode ser muito positivo, quando o trabalho de casa é bem feito”, acredita Susana Prudêncio. Foi pela área da educação que teve o seu primeiro contacto com a tecnologia, quando teve oportunidade de trabalhar com engenheiros de diferentes áreas, desde a mecânica à informática e onde ganhei uma grande sensibilidade para os temas da tecnologia. Seguiram-se uma experiência na gestão, “muito importante pelo conjunto de ferramentas para a gestão de pessoas, projetos e processos que hoje em dia são cruciais para qualquer função” e, finalmente, o regresso à tecnologia.

“Fazer parte da lista das nomeadas para os PWIT Awards 2020 é uma grande vitória, tanto a título pessoal, como profissional. Pessoalmente, fazer parte de uma lista de mulheres espetaculares que se distinguiram na sua carreira no mundo da tecnologia é uma honra e um grande privilégio. É algo que nos sensibiliza e que nos marca”, sublinha.

Uma frase… “Neste mundo da tecnologia, posso dizer que a maior parte dos meus interlocutores são homens”.

Uma inspiração… Michelle Obama, por ser uma força da natureza que contribui diariamente para reforçar o papel da mulher na sociedade, incentivando jovens mulheres a perseguirem os seus sonhos e lutarem pelos seus objetivos. E Melinda Gates, uma mulher de referência no mundo da tecnologia que conseguiu marcar a diferença na Microsoft e, posteriormente, criou uma Fundação juntamente com Bill Gates que é hoje em dia um ícone na defesa de causas filantrópicas.

Adriana Tavares Alves | HR @ Volkswagen Digital Solutions

Quem é? Se há dez anos, pudesse escolher um conselho, seria “Confia e segue o teu gut feeling!” Desde 2018 na SDC:LX, uma das três unidades tech da Volkswagen Digital Solutions em Portugal, Adriana Alves estudou gestão de recursos humanos e continua a tentar desenvolver-se profissionalmente todos os dias: além do mar e das artes, é o interesse pelas pessoas, pelas suas reações e pensamentos, que a motiva. Acredita que é nessa missão diária que pode dar a sua contribuição para a diminuição do gender gap. “Desde o recrutamento de profissionais tech, ao seu desenvolvimento e recompensa, acredito contribuir para uma maior consciencialização do tema entre equipas, tal como para a diminuição do gap”.

Uma frase… “Felizmente, nunca me senti afetada pessoalmente mas, muito provavelmente, este privilégio deve-se ao facto de trabalhar na área dos recursos humanos, uma área dominada por mulheres”.

Uma inspiração… Tenho várias mulheres que me servem de inspiração. Tenho uma família com uma presença feminina bastante acentuada e com princípios bem assentes, desde a minha mãe e tias, às minhas avós e primas. Mas tendo de escolher apenas uma mulher, escolheria uma amiga de família. Não é uma pessoa da área tech, mas é uma das mulheres mais empreendedoras que já conheci e que sem se aperceber, através da partilha das suas histórias, me guiou para a direção em que hoje caminho. Obrigada Xana Barata!

Catarina Guilhoto Loureiro | Talent Acquisition Specialist @ Talkdesk

Quem é? Sempre quis trabalhar com pessoas. O fascínio pela área da tecnologia, “especialmente se estivermos a falar de inovação”, foi o gatilho que faltava para apontar candidaturas. Aceitou o desafio da Talkdesk para “ajudar” o unicórnio a “construir equipas”. Sabe que “existe uma grande diferença face a homens e mulheres” em matéria de igualdade de oportunidades mas acredita, sobretudo, que “é indissociável ser mulher e ser profissional”. “Ser mulher ajuda-me muito a ser como sou e a profissional que sou”, assinala. A trabalhar em Coimbra, pelo caminho passou por Lisboa e pelo Porto, onde estudou Psicologia e Desenvolvimento de Recursos Humanos e iniciou o percurso profissional.

Uma frase… “Quando queremos mudar cultura, valores, é importante olharmos também para as pequenas coisas”.

Uma inspiração… Tenho várias mulheres que me servem de inspiração. Poderia começar por mulheres como a minha mãe, avó ou enumerar imensas outras que tiveram impacto na sociedade ao longo dos anos. Por isso, diria que aprendo com cada mulher que vou descobrindo ao longo do meu percurso e aprendo coisas diferentes com cada uma delas.

Carolina Rocha | Marketing Lead @ Doppio

Quem é? Responsável pelo marketing na Doppio Games, um estúdio inovador na indústria do gaming ao utilizar a voz como comando em plataformas como a Amazon Alexa e o Google Assistant, Carolina Rocha começou a carreira como repórter na Rádio Renascença. Hoje, dá “expressão ao diálogo aberto com pessoas sobre a sua vida no The Pull Podcast, que visa desmistificar profissões, decisões, e a vida de cada um dos seus convidados. Única lisboeta numa família de minhotos, habituou-se a “ser considerada a estrangeira” e, talvez por isso, tenha trabalhado em Lisboa, Madrid, Vigo e Londres.

“Diria que compreensão precisa-se: o grau de tolerância para a diferença, ou mesmo o erro, é muito menor quando se trata de mulheres. Ao fomentar um local de trabalho (ou mesmo um estilo de vida) em que é igualmente compreensível – e fundamentalmente humano – estar envolvido de forma desinibida em processos de criação, gestão, liderança e vivência, podemos fechar o que é por muitos ainda visto como duas condições completamente díspares”, defende.

Uma frase… “A nossa sociedade aborda-nos com imagens e referências do que é suposto devemos ser e fazer para ser bem sucedidos e felizes. Este confronto sente-se com maior intensidade nas mulheres”.

Uma inspiração… Imagino que será uma resposta clichê, e muitas outras nomeadas irão responder exatamente da mesma forma: a minha mãe. Ambas somos mulheres de personalidade forte e determinada, o que nos faz por vezes andar às cabeçadas uma com a outra. Não poderia ter melhor rocha de apoio do que ela.

Inês Coelho | Head of Digital Growth @ CTT

Quem é? Inês Coelho nasceu em Lisboa e começou a carreira na Deloitte mas foi a Accor que lhe alimentou o “fascínio por estratégia digital”. Depois dessa experiência, passou a dedicar-se a 100% a projetos de transformação digital nos quais “é essencial criar uma pegada digital sustentável e com retorno”. Talvez por isso, tem vindo a estar atenta às diferentes oportunidades e pressões a que, homens e mulheres, estão sujeitos. “As mulheres são sempre julgadas em dois parâmetros no mundo profissional: familiar e em ambiente corporativo”, assinala. Uma coisa que gostava que lhe tivessem dito há dez anos? Duas. “Não faz mal errar e não faz mal ambicionar”

Uma frase… “Despedi-me proativamente de uma empresa por estarem claramente a desrespeitar-me pessoal e profissionalmente”.

Uma inspiração… A minha tia bisavó é uma das minhas maiores inspirações na minha vida, independente do género. Veio de Castelo de Vide para Lisboa “com uma mão á frente e outra atrás” aos 18 anos, foi mãe solteira aos 20 e não sabia ler nem escrever. Era uma pessoa que via sempre o copo meio cheio.

Violeta Malheiro Swart | Alliances Manager @ Unbabel

Quem é? Nunca sentiu que o seu percurso podia ser diferente por ser mulher. É que, para Violeta Malheiro Swart, “a ideia de igualdade sempre foi inculcada por educação e experiência”. Formada e pós-graduada pela University of the Arts, em Londres, Violeta Malheiro Swart passou por várias startups tech e até ajudou a fundar o escritório da Web Summit, em Lisboa. Atualmente é partnerships manager na Unbabel, focada em trazer mais receitas para a empresa através das relações que gere.

Uma frase… “Gostava que me tivessem dito para apostar imediatamente no mundo das startups em tech devido à comunidade incrível que é, e que estou a adorar conhecer e fazer parte”.

Uma inspiração… Uma não, todas. Todas as minhas colegas, amigas e mulheres de outras empresas com quem lido profissionalmente, que me inspiram a ser melhor, aim higher e a dar tudo, sempre.

Isabel Delgado | Center of Competence PCB Group leader @ Bosch Car Multimedia

Quem é? Licenciada em Engenharia Eletrónica Industrial e pós-graduada em 6-sigma nível “black belt”, Isabel Delgado tem mais de 20 anos de experiência na área de engenharia de processos. Já liderou equipas, coordenou atividades e é, atualmente, responsável pelo desenvolvimento do processo e industrialização ao nível da divisão, liderando uma equipa internacional de 32 colegas. “Sempre fiz o meu trabalho com a máxima dedicação e de uma forma apaixonada, e isso acaba por se sobrepor a qualquer preconceito inicial que possa existir”, acredita.

Sobre o que gostava que lhe tivesse sido dito há dez anos, atira: “aquilo que digo hoje às minhas colegas: potenciem ainda mais os vossos pontos fortes e procurem destacar-se pela vossa competência, pelos vossos resultados, pelas vossas conquistas”.

Uma frase… “Não é incomum pensar-se que as mulheres são menos disponíveis para o trabalho devido à suas obrigações familiares”.

Uma inspiração… Existem muitas mulheres que me inspiram, que se destacam pela sua luta pelo direito à educação para meninas, pelos direitos humanos, pelo ambiente, … e na ciência, veja-se agora este grande feito a favor da paridade de género, a primeira missão espacial da Nasa, totalmente composta por mulheres (Jessica Meir e Christina Koch) em outubro do ano passado.

Anabela Ferreira | WINN Portugal Team Leader @ Natixis in Portugal

Quem é? Senior Agile Business Analyst com experiência em Sistemas de Informação, Anabela Ferreira tem mais de 15 anos de carreira na área das Tecnologias de Informação, maioritariamente ligada à banca. O percurso foi sendo construído através das relações interpessoais que, considera, “são a base do sucesso profissional e pessoal”. “Tive a sorte de ter começado o meu percurso profissional junto de pessoas que sempre me encorajaram a ser mais e melhor todos os dias, independentemente do facto de ser mulher”, assinala.

Uma frase… “Tudo é possível não por seres mulher ou homem mas pela dedicação e vontade de vencer”.

Uma inspiração… A minha mãe Olinda, que sempre me apoiou e continua a apoiar e a acreditar em mim e que, com a sua resiliência, foi sempre ultrapassando os vários obstáculos atingindo os seus objetivos.

Raquel Ponte | Ambassador @ Geek Girls Portugal

Quem é? Uma Ponte que gosta de criar pontes. “Ser esse elo que desencadeia e ativa ligações entre coisas e pessoas aparentemente muito diversas”, Raquel Ponte é responsável pela estratégia de comunicação e marca da tecnológica alemã Turbine Kreuzberg PT. Estudou sociologia e, depois de uma carreira de 15 anos como jornalista e de ter sido mãe, decidiu abraçar o mundo da tecnologia. É embaixadora do Geek Girls Portugal em Faro, e colabora activamente na dinamização do ecossistema tecnológico algarvio.

Uma frase… “Nunca senti que o meu percurso tivesse sido afetado por ser mulher, embora tenha tido de lidar, no passado, com situações de assédio, no desempenho das minhas funções”.

Uma inspiração… Por questões afetivas, a minha mãe. Porque esteve, está e estará sempre lá. Pela excelente médica que é, e pela avó extremosa que se tornou. Por questões profissionais, Ada Lovelace, pioneira da computação, uma biografia que vale a pena pesquisar.

TonicApp | Daniela Seixas

Médica neurorradiologista apaixonada pela tecnologia, Daniela Seixas cofundou em 2016 a Tonic App, startup de saúde digital pela qual deixou de exercer medicina.

Na startup, 61% do talento é feminino, 33% é estrangeiros e 27% acima dos 40 anos de idade. “Não há discriminação salarial por género ou outra condição. É assim que contribui para a diminuição deste e de outros gaps”, assinala a empreendedora. Uma das suas bandeiras é, dentro do ecossistema empreendedor nacional, chamar a atenção para o capital de risco e o gap de género existente no acesso ao investimento. “Evidentemente que este problema é multifatorial e de resolução complexa, mas é algo que me preocupa como mulher CEO”, assinala.

Uma frase… “Na primeira metade da minha carreira exerci medicina e encontrei um gap muito maior nesta área do que na tecnologia”.

Uma inspiração… Michelle Obama. É mais fácil explicar o porquê com um exemplo concreto. Na sua biografia ela escreve algo como: a partir de hoje, todos os que visitarem os retratos dos presidentes americanos na National Gallery, vão saber que existiu um presidente afro-americano. Vão saber que é possível.

Didimo | Verónica Orvalho

Quem é? Fundadora e CEO da DIDIMO, Verónica Orvalho é mãe de duas crianças “adoráveis” e uma “engenheira otimista”, assinala. Com mais de 14 anos de experiência em investigação 3D facial, confessa o fascínio pelas “inúmeras maneiras” através das quais as pessoas se comunicam. Recebeu o Women Who Tech Award em NY e o prémio científico IBM e fundou um laboratório de investigação financiado por fundos Europeus/EUA.

Uma frase… “Temos de deixar os preconceitos de parte e percorrer o nosso caminho com os desafios e oportunidades que vão surgindo.”

Uma inspiração… Sem dúvida a minha madrinha, Raquel Chiappini. É o coração mais nobre que conheço, uma mulher inspiradora que, aos 82 anos, continua sempre a pensar no que pode fazer para que os outros estejam melhor.

Skoach | Rita Ribeiro da Silva

Quem é? Casada e mãe de dois filhos, Rita deixou a consultoria há três anos para se dedicar à Skoach. Do Porto, Rita Ribeiro da Silva estudou economia na Nova e na Católica de Lisboa, onde co-lançou o Move, inicialmente focado em apoiar empreendedores através do microcrédito em Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor. Fez consultoria na BCG de Lisboa desde o início da sua carreira. “Apesar de as oportunidades serem, à partida, iguais, sinto que, em média, as mulheres se posicionam de forma mais modesta, enquanto os homens se vendem melhor”, assinala.

Uma frase… “Acredito que apesar de não ter limitado estruturalmente oportunidades, ser mulher tornou o meu caminho mais solitário e penoso”.

Uma inspiração… A minha avó Zé. Tendo nascido numa época e família que não lhe abriram muito os horizontes e, tendo casado com o meu avô, bastante conservador em relação ao papel da mulher, a minha avó sempre lutou por ter um papel ativo na sociedade, que a preenchesse como pessoa. É das pessoas mais altruístas que conheço.

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