O impacto do empréstimo SAFE, o contributo do setor do Espaço e de drones para a Europa ou como acelerar a entrada das startups na defesa foram os temas da nova talk do eRadar.
Foi uma manhã a discutir os desafios da indústria de Defesa e Espaço em Portugal na nova talk do eRadar, “Portugal na Era da Defesa”, que se realizou na segunda-feira no Estúdio ECO, em Lisboa.
Com as primeiras aquisições via empréstimo SAFE já conhecidas, foi altura de ouvir a indústria nacional sobre o que antecipava de impacto com o ‘cheque’ europeu na dinamização da economia e do setor. Mas também oportunidade de analisar o papel que Portugal — e a indústria do Espaço e Drones — pode contribuir para o posicionamento estratégico da Europa, bem como a forma de acelerar a entrada da startups, e a inovação que propõem, na cadeia de fornecimento das Forças Armadas e no teatro de operações.
Tekever, Fibrenamics, CEiiA, Orion Technik, IPN, AED Cluster, idD Portugal Defence, Agência Espacial Portugal e Pérez Llorca participaram nos debates que reuniu a indústria no encontro promovido pelo ECO/eRadar.
Fique a conhecer os melhores momentos e assista à talk na íntegra.
1.º Painel: “Portugal Tem 5,8 Mil Milhões do SAFE. E a Indústria de Defesa Nacional?”
Mais do que a fatia que cabe à indústria de defesa nacional nas aquisições de equipamentos militares via SAFE, o setor está preocupado em garantir um lugar no desenho das necessidades do futuro. “Ecossistema tem que se preparar para, em 2030, termos um cluster de defesa nacional forte que dê resposta às necessidades permanentes, não só das Forças Armadas portuguesas, mas estrangeiras”, atira José Neves, presidente da AED Cluster Portugal.
E não é o único a ter esta posição relativamente ao potencial impacto do empréstimo europeu SAFE na dinamização da indústria nacional.
“O SAFE tem que ser aproveitado para entrarmos nos projetos, mas não numa ótica de capitalização de muito curto prazo para ir buscar uma fatia de 10, 15 ou 30% [de incorporação da indústria nacional nos projetos]. Temos que utilizar isso para estarmos preparados para daqui a 15 ou 20 anos, para os projetos que vierem a seguir, porque as fragatas que comprámos a Itália, os blindados para os fuzileiros e afins, daqui a 15 ou 20 anos vão ter de ser substituídos outra vez”, considera Francisco Oom Peres, chief operating officer da Orion Technik.
Adolfo Mesquita Nunes fez uma avaliação positiva do que “foi feito, com pouco tempo disponível” no âmbito do SAFE. “Há quatro anos não estávamos a falar disto desta maneira. Há quatro anos dizia-se como é que o Estado vai conseguir, o Estado não vai conseguir, Portugal não sabe, Portugal não fez, Portugal está atrasado, Portugal não sei o quê. E, por isso, acho que o que era urgente está feito e agora o que é estrutural, como é que criamos aqui, isso está por construir”, argumenta o partner da Pérez Llorca.
E apontou vários obstáculos que têm de ser atacados para o setor dar o salto em frente.
2.º Painel: Da Startup ao Campo de Operações: Como Acelerar a Inovação em Defesa?
As startups que estão a investir na defesa e os empreendedores que pretendem desenvolver ideias, produtos ou serviços para este setor devem ir para o terreno e estabelecer uma “relação de confiança com os militares” de forma a conseguirem conquistar contratos duradouros.
A ideia foi partilhada esta segunda-feira por Jorge Pimenta, diretor de Inovação do Instituto Pedro Nunes (IPN), Luís Oliveira, CEO da Fibrenamics, e Ricardo Pinheiro Alves, presidente da idD Portugal Defence.
O trio de especialistas partilhou uma série de conselhos sobre como acelerar a inovação em defesa. Deste painel surgiram dicas como: evitar a dispersão; não forçar uma aposta que, a nível interno, não seja considerada estratégica para acionistas fundadores; analisar se existem recursos financeiros e humanos para desenvolver soluções para as forças de segurança ou ramos das Forças Armadas.
Mas não só. Recorrer a instituições com experiência ou ao Balcão Único da Defesa e avaliar as calls do Fundo Europeu de Defesa foram outras das recomendações dos especialistas do setor.
3.º Painel: Drones, Espaço e Novos Materiais: Onde Pode Portugal Ser Estratégico para a Defesa Europeia?
“O espaço nunca teve tanto dinheiro. Desde 2023 até agora, teve quase 700 milhões de euros”, destacou Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa, durante no painel da talk eRadar – Portugal na Era da Defesa, com o tema “Drones, Espaço e Novos Materiais: Onde Pode Portugal Ser Estratégico para a Defesa Europeia?”.
Mas o país precisa de escala e clientes para transformar investimento em capacidade. “Não é uma questão de dinheiro, de investimento. É uma questão de nós percecionarmos que com este dinheiro podemos fazer alguma coisa, podemos alavancar. É o fator de multiplicação”, afirma o presidente da Agência Espacial Portuguesa.
Emir Sirage, diretor da área do Espaço do CEiiA, lembrou que a agenda New Space Portugal, impulsionada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), trouxe para o setor uma lógica de investimento privado e uma maior exigência de demonstração ao mercado. “Os parceiros que entram na New Space Portugal, os parceiros privados coinvestem na participação do programa”, explicou.
A necessidade de escala foi igualmente apontada por Pedro Petiz, diretor para Portugal da Tekever, que defendeu que o aumento do capital disponível para a indústria só terá impacto se houver procura capaz de sustentar o crescimento.
“Para escalar não é só uma questão financeira. Eu só escalo se tiver cliente que se compre. Escalar, se a propriedade ficar na prateleira, não serve de nada. Onde queremos posicionar-nos enquanto indústria? Porque os recursos são limitados, o talento é limitado, o investimento é limitado, nós temos que ver onde é que pomos o dinheiro”, detalhou.
Encontro reúne setor da Defesa e Espaço
A talk eRadar reuniu no ECO Estúdio o setor de Defesa e Espaço nacional, servindo como ponto de contacto e networking para a indústria.
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