Um novo ‘milagre’ financeiro pisca o olho aos pequenos investidores

As promessas são tentadoras, mas investir nos mercados privados envolve lidar com riscos complexos, como a iliquidez dos ativos. O que parece um milagre pode transformar-se num enorme desafio.

ECO Fast
  • As corretoras e gestoras de ativos estão a democratizar o acesso aos mercados privados, permitindo que pequenos investidores participem em oportunidades que antes eram exclusivas de grandes instituições, com potencial de retorno atrativo.
  • O crescimento dos mercados privados na Europa é notável, com 55,4 mil milhões de euros levantados apenas no primeiro semestre de 2024, refletindo uma mudança estrutural que promete transformar o panorama de investimento na região.
  • Apesar das oportunidades, os pequenos investidores enfrentam riscos significativos, como a iliquidez e a complexidade dos investimentos em mercados privados, exigindo uma compreensão profunda antes de se comprometerem a longo prazo.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Durante décadas, o acesso aos mercados privados (empresas não cotadas, infraestruturas e crédito privado) esteve reservado a investidores institucionais, fundos de pensões e fortunas avultadas. Agora, corretoras e gestoras de ativos estão a abrir as portas deste universo aos aforradores e investidores europeus.

Depois de terem popularizado as ações e as obrigações fracionadas e as contas remuneradas, as plataformas digitais de investimento procuram captar as poupanças dos pequenos investidores para os private markets. O movimento não é casual: os mercados privados estão a crescer a um ritmo acelerado na Europa e o potencial de retorno é atrativo, com muitas estatísticas a notarem melhores desempenhos que os alcançados pelos principais índices acionistas. Mas os riscos são igualmente proporcionais ao potencial de ganhos.

A Trade Republic, a corretora alemã que tem ganho terreno em Portugal, anunciou recentemente a entrada neste segmento, em parceria com as gestoras Apollo e EQT, permitindo investimentos a partir de apenas um euro através da sua plataforma de mercados privados que promete ganhos de 12%.

A Scalable Capital, outra corretora digital que opera em vários mercados europeus (mas ainda não em Portugal) foi a primeira plataforma de investimento digital a disponibilizar o acesso ao Blackrock Private Equity Fund, um ELTIF (European Long-Term Investment Fund), que permite investir em empresas privadas a partir de 10 mil euros. Também a HypoVereinsbank, parte do grupo UniCredit, tem vindo a reforçar a sua oferta direcionada a investidores privados. O movimento é global, mas a Europa está no centro da tempestade.

Só no primeiro semestre deste ano foram levantados 55,4 mil milhões de euros nos mercados privados para infraestruturas no continente europeu, ultrapassando o montante global angariado em todo o ano de 2024.

De acordo com a Preqin, uma empresa da Blackrock, os ativos de private markets sob gestão focados na Europa deverão exceder os 5 biliões de euros até 2030, registando uma das taxas de crescimento anualizadas mais elevadas de qualquer região do mundo. E segundo a análise desta consultora especializada em dados de mercados privados, esta expansão não é cíclica, mas estrutural.

O Velho Continente está rapidamente a tornar-se num dos destinos preferenciais para investimento em infraestruturas, com uma taxa de crescimento anual composta dos ativos globais dirigidos a ativos europeus prevista em 14,5% entre 2024 e 2030, ultrapassando todas as outras regiões a nível mundial, apontam as previsões da Preqin.

As infraestruturas representam agora a segunda maior classe de ativos de capital privado na Europa, sustentada por retornos sólidos e procura de investidores de longo prazo. Os números mostram que o ímpeto de captação de fundos está a acelerar.

Só no primeiro semestre deste ano, foram levantados 55,4 mil milhões de euros nos mercados privados para infraestruturas na Europa, ultrapassando o montante global angariado em 2024, que atingiu um recorde de 186,8 mil milhões de euros. “Há menos um problema de reconhecimento e mais um problema de implementação na Europa,” afirmou Philipp Hildebrand, vice-presidente da Blackrock, num recente evento em Frankfurt com os jornalistas que o ECO participou.

Segundo Philipp Hildebrand, não falta capital na Europa, destacando a existência de 10 biliões de euros depositados em contas bancárias por aforradores europeus. A questão é como mobilizar esse capital e que incentivos o setor público pode criar para canalizar essas poupanças para investimentos.

O megacentro de dados da Start Campus que está a ser construído em Sines é um projeto promovido pelos mercados privados, sendo totalmente financiando por fundos de private equity norte-americanos e britânicos (Davidson Kempner e Pioneer Point Partners) num montante de cerca de 8,5 mil milhões de euros. Hugo Amaral/ECO

A fatia de leão dos mercados privados está nas infraestruturas e no crédito

A aposta em infraestruturas é um dos focos principais dos fundos de private markets. Desde a transição energética até à transformação digital, da reconfiguração das cadeias de abastecimento globais ao investimento da Defesa, são muitas as forças estruturais que estão a remodelar os mercados de capitais e a criar novas oportunidades para o capital privado desempenhar um papel central no financiamento do futuro da Europa.

As infraestruturas europeias são atualmente o campo de batalha de uma competição geopolítica silenciosa. A União Europeia mobilizou mais de 350 mil milhões de euros através de dois programas — Invest AI (200 mil milhões) e EU AI Champions (150 mil milhões) — para triplicar a sua capacidade de data centers até 2032, um investimento astronómico que reflete a compreensão de que a inteligência artificial não é apenas um fenómeno de software, mas que exige ecossistemas físicos massivos para funcionar.

O Brookfield AI Data Center, em Estocolmo, representa a escala destes projetos: um investimento de 10 mil milhões de dólares, com capacidade de 75 gigawatts (GW) e um cronograma de 10 a 15 anos. Portugal também entra nesta corrida com o Start Campus Data Hub, em Sines, um investimento de quase 10 mil milhões de dólares com capacidade de 1,2 GW. Espanha, Itália, Finlândia – todas as principais economias europeias estão a mobilizar capital privado para construir a infraestrutura digital que o continente necessita.

Mas não é apenas digitalmente que a infraestrutura está a crescer. A transição energética continua a ser um motor poderoso. As infraestruturas de energia renovável europeia representam uma base de aproximadamente 600 mil milhões de euros, com expectativas de mais que duplicar para cerca de 1,3 biliões de euros no início da década de 2030, segundo dados da Schroders. Os projetos de solar, eólica, biomassa, biogás e hidroelétrica estão a remodelar o panorama energético europeu, e todos são financiados através de mercados privados.

Ao contrário das ações ou obrigações cotadas, que podem ser vendidas em segundos, os investimentos em mercados privados são intrinsecamente ilíquidos. Os ELTIF, por exemplo, podem ter períodos mínimos de detenção e resgates limitados.

O crédito privado, uma das componentes dos mercados privados, também está em expansão. Os ativos sob gestão globais focados na Europa deverão exceder os 450 mil milhões de euros até ao final do ano e ultrapassar todas as outras regiões até ao final da década, apontam os dados da Blackrock.

Os bancos tradicionais, pressionados pela regulação e pela preferência por empréstimos de menor risco, abandonaram parcialmente o segmento de médias e grandes empresas privadas em muitos países europeus. O crédito privado preencheu este vazio, oferecendo financiamento mais rápido, mais flexível e, frequentemente, com melhores condições que os bancos convencionais.

A onda em redor dos private markets é de tal ordem colossal que Larry Fink, o conhecido CEO da Blackrock, propôs recentemente o abandono da “sagrada” alocação 60/40 que, durante décadas, definiu o padrão nas carteiras de investimento globais.

Na sua carta anual de 2025 aos investidores, Larry Fink sugeriu uma nova configuração de portefólio para 50/30/20. Nesta nova alocação, mantêm-se 50% em ações e reduzem-se as obrigações para 30%, mas o essencial — e isto é a grande novidade — é reservar 20% para ativos alternativos, incluindo infraestruturas, imobiliário, crédito privado e outras classes de investimento privado.

A mudança reflete o reconhecimento de que os ativos alternativos não são apenas um complemento de nicho, mas uma componente estrutural de um portefólio moderno. “O portefólio 60/40 tradicional pode não ser o padrão do futuro,” argumentou Fink, sugerindo que a nova alocação 50/30/20 oferece “benefícios potenciais como proteção contra a inflação, estabilidade e retornos reforçados”.

A BlackRock não apenas sugeriu esta mudança, como começou a implementá-la através de uma série de aquisições estratégicas nos últimos anos, com as empresas de tecnologia de mercados privados Global Infrastructure Partners, Preqin e HPS Investment Partners.

Este movimento não é isolado. Fundos patrimoniais (endowments) e fundações já tinham começado a afastar-se dos modelos 60/40 há décadas para aumentar as suas alocações em mercados privados. Agora, a recomendação vem do topo da maior gestora mundial de ativos, sinalizando um realinhamento tectónico na forma como investidores institucionais, e potencialmente uma nova geração de pequenos investidores, veem a composição ideal de uma carteira.

As classes de ativos de mercados privados apresentam um potencial inegável. Mas também apresenta riscos que exigem maturidade, compreensão profunda e, sobretudo, tempo, particularmente para os investidores que seguirem a indicação de Larry Fink de abandonarem a tradicional alocação 60/40 para 50/30/20 de uma carteira de investimento - em que os 20% se referem à exposição a ativos alternativos como ativos de private markets. Lusa

Porta de entrada dos pequenos investidores

Num contexto de grande ebulição dos private markets, surgem os ELTIF como o veículo preferencial para democratizar o acesso aos mercados privados junto dos pequenos investidores. Criados pela Comissão Europeia em 2015 e significativamente simplificados com o ELTIF 2.0 em janeiro de 2024, estes fundos foram desenhados para permitir que investidores individuais acedam a oportunidades de investimento privado que necessitam de capital de longo prazo, como infraestruturas, imobiliário e pequenas e médias empresas.

“Acreditamos que uma gama mais ampla de investidores deve poder beneficiar dos retornos robustos e dos benefícios de diversificação que o investimento em ativos privados pode proporcionar,” afirmou Karine Szenberg, responsável pela Europa da Schroders, há dois anos, por ocasião do lançamento do primeiro ELTIF da gestora. A Schroders Capital disponibiliza agora dois ELTIF de private equity, focados em investimentos de buyout e crescimento de empresas de pequena e média dimensão, principalmente na Europa.

“À medida que os investimentos alternativos, como o private equity, se tornam cada vez mais relevantes para a participação no crescimento económico, tornamo-los agora acessíveis aos investidores,” referiu Julius Weller, vice-presidente de Broker na Scalable Capital.

A recente sucessão de incumprimentos em empresas financiadas por fundos de crédito privado fez soar os primeiros alarmes. Casos como as quedas da Pluralsight, First Brands e Forever 21 espelham os riscos deste setor para os pequenos investidores.

A regulamentação ELTIF 2.0 trouxe melhorias significativas ao mercado, permitindo expandir os ativos elegíveis, reduziu os limiares de capital, aumentou os limites de endividamento e tornou os ELTIF mais acessíveis aos investidores de retalho, aumentando simultaneamente a flexibilidade para os gestores.

Além disso, esta reforma facilitou investimentos em ativos reais, unidades de participação de fundos de investimento e obrigações verdes, juntamente com ajustes nos limites de diversificação e concentração. Mas se o potencial dos mercados privados é elevado, os riscos não são menores. E aqui reside a grande questão para os pequenos investidores: até que ponto compreendem realmente no que estão a investir?

  • Iliquidez: Esta é a primeira e mais relevante característica. Ao contrário das ações ou obrigações cotadas, que podem ser vendidas em segundos, os investimentos em mercados privados são intrinsecamente ilíquidos. Os ELTIF, por exemplo, podem ter períodos mínimos de detenção e resgates limitados. No caso do BlackRock Private Equity Fund disponível através da Scalable Capital, não há resgates até 30 de junho de 2027, sendo trimestrais a partir dessa data, e limitados a 5% do valor líquido do fundo por trimestre. A Trade Republic oferece a possibilidade de venda mensal através de um marketplace interno, mas isso contrasta com os habituais mínimos de 10 mil euros exigidos pelos fundos e janelas de resgate trimestrais. Para um investidor que possa necessitar do dinheiro a curto prazo, esta característica pode ser problemática. “A falta de um mercado secundário robusto para crédito privado significa que, se um fundo precisar de vender empréstimos problemáticos, fá-lo-á frequentemente com descontos acentuados relativamente ao valor líquido dos ativos, erodindo os retornos dos investidores,” alerta um relatório sobre os desafios dos fundos de crédito privado.
  • Complexidade e opacidade: Os mercados privados são menos transparentes do que os mercados públicos. As avaliações são realizadas com menos frequência, frequentemente trimestralmente ou mensalmente, e não existe a mesma transparência de preços que nas bolsas. “A opacidade do crédito privado e suas características ilíquidas, juntamente com a crescente complexidade e a interconexão com os mercados financeiros mais amplos, tornam provável a proliferação de disputas,” nota um estudo sobre riscos de litígio em crédito privado. As metodologias de avaliação divergentes podem exacerbar estes problemas. O caso da Pluralsight, empresa de tecnologia que acabou por entrar em incumprimento, é ilustrativo: os credores avaliaram os mesmos empréstimos de forma drasticamente diferente, com um credor a marcar a dívida a 83 cêntimos por dólar e outro a avaliar o empréstimo em 97 cêntimos.
  • Risco de concentração e estrutura: O crédito direto, o núcleo do crédito privado, é tipicamente estruturado com maturidades mais curtas de cinco a sete anos e características de taxa flutuante. Os investidores são compensados com prémios de iliquidez de 300 a 500 pontos base acima da dívida pública comparável. Mas a assunção subjacente é que este rendimento extra compensa não apenas os desafios de liquidez e transparência, mas também os riscos de crédito, estruturais e sistémicos.

No centro da avaliação dos pequenos investidores deve também estar bem presente os casos negativos, porque nem tudo são histórias de sucesso nos mercados privados. Recentemente, a BlackRock enfrentou perdas significativas no seu negócio de crédito privado após uma alegada fraude de 500 milhões de dólares. O caso sublinha as vulnerabilidades num mercado onde a due diligence pode ser insuficiente e onde a falta de transparência pode esconder problemas durante demasiado tempo.

A recente sucessão de incumprimentos em empresas financiadas por fundos de crédito privado fez soar os primeiros alarmes que nem tudo corre bem. A Pluralsight, uma plataforma de formação em tecnologia financiada por Vista Equity Partners e que recebeu financiamento de gigantes do crédito privado como Blue Owl, Ares, Oaktree e BlackRock, tornou-se emblemática das dificuldades do setor. A empresa enfrentou competição acelerada no espaço de educação digital e, com taxas de interesse elevadas, tornou-se insustentável garantir o pagamento da sua dívida de 1,3 mil milhões de dólares.

Outro caso emblemático foi a queda da First Brands, uma fabricante americana de componentes automóveis, que consolidou o seu crescimento através de aquisições financiadas com dívida sofisticada e estruturas de financiamento «fora do balanço», incluindo factoring de faturas e financiamento de cadeias de abastecimento, colapsou em setembro com cerca de 10 mil milhões de dólares em passivos — alguns deles ocultos e potencialmente duplicados. Os investigadores descobriram possíveis casos de múltiplas cedências de créditos, sugerindo fraude.

Destaque também para a Forever 21, a gigante de fast-fashion, que regressou à insolvência em março deste ano — a segunda vez em seis anos — com um passivo de mil milhões de dólares. A empresa tinha sofrido perdas superiores a 400 milhões de dólares em três anos e estava projetada a perder 180 milhões de dólares em 2025. Ainda que Forever 21 não tenha sido financiada exclusivamente por crédito privado tradicional, a experiência reflete a fragilidade de empresas altamente alavancadas enfrentando ciclos económicos adversos e competição de plataformas online de comércio eletrónico que conseguem operar a margens menores.

Já há muito tempo que temos assistido a um interesse em private markets por parte dos investidores institucionais, mas agora temos assistido a um aumento do interesse por parte dos investidores de retalho em private markets.

Dirk Schmitz

Responsável da BlackRock para a Alemanha, Áustria e Europa de Leste

A Reserva Federal dos EUA destacou os desafios colocados pela natureza opaca e levemente regulamentada do crédito privado, alertando para potenciais descasamentos de liquidez. “Os empréstimos de crédito privado são ilíquidos devido à falta de um mercado secundário. Há descoberta limitada de mercado, e os investidores que adquirem esses empréstimos devem esperar mantê-los até à maturidade ou enfrentar perdas acentuadas em caso de necessidade de saída de emergência,” alerta a Fed.

O cenário europeu é igualmente preocupante. São muitos os casos de incumprimentos de crédito privado mascarados de reestruturações de empréstimos, extensões de maturidades e conversões para empréstimos payment-in-kind (PIK), fazendo com que as taxas de incumprimento reais sejam significativamente mais elevadas do que as reportadas. Os especialistas apontam para taxas de incumprimento ajustadas (quando se incluem empréstimos em risco severo) que chegam aos 5,4%, bem acima da faixa de 2% a 3% frequentemente citada.

Dirk Schmitz, responsável da BlackRock para a Alemanha, Áustria e Europa de Leste, reconhece a importância de iniciativas como a WIN-Initiative na Alemanha para impulsionar o ecossistema de capital de risco e crescimento. Mas para os pequenos investidores portugueses que considerem investir em ELTIF ou outros produtos de mercados privados, há várias questões essenciais a ponderar:

  1. Horizonte temporal: Os ELTIF são investimentos de longo prazo. A regulamentação exige que pelo menos 55% dos ativos sejam investidos em ativos de longo prazo, como empresas privadas, infraestruturas ou imobiliário. Os investidores devem estar preparados para manter o investimento durante vários anos — frequentemente 5 a 7 anos ou mais. “Passamos tempo a educar e a explicar aos investidores sobre a particularidade destes fundos, que os ativos não podem ser vendidos a qualquer momento”, refere Julius Weller, aos jornalistas durante o evento promovido pela Blackrock em Frankfurt.
  2. Requisitos de adequação: Os ELTIF destinados a investidores de retalho estão sujeitos a uma avaliação de adequação alinhada com os requisitos de teste de adequação da MiFID II, garantindo que compreendem os riscos envolvidos antes de subscrever um ELTIF. Os fornecedores devem também publicar um prospeto detalhando o objetivo de investimento do ELTIF e os principais riscos, e um Documento de Informação Fundamental deve ser fornecido aos investidores de retalho.
  3. Montantes mínimos: Enquanto a Trade Republic permite investimentos a partir de um euro, a realidade é que muitos ELTIF têm mínimos mais elevados. O BlackRock Private Equity Fund na Scalable Capital exige um investimento inicial mínimo de 10 mil euros, e os ELTIF da Schroders Capital variam entre 10 mil e 25 mil euros.
  4. Diversificação: Os ELTIF de retalho estão sujeitos a requisitos de dispersão de risco, incluindo um investimento máximo de 20% numa única empresa ou ativo elegível e um investimento agregado máximo de 100% noutros fundos. Esta diversificação oferece alguma proteção, mas não elimina o risco.
  5. Gestão de liquidez: Para ELTIF que permitam resgates durante a sua vida, a política de resgate deve incluir diretrizes claras sobre condições de resgate, timing, frequência e períodos de aviso prévio. Os investidores devem compreender que os resgates são limitados a uma porção dos ativos líquidos para evitar descasamentos de liquidez.
  6. Custos: Embora estruturas como o ELTIF possam evitar comissões em dupla camada típicas de fundos de fundos, através de co-investimentos diretos, os investidores devem estar atentos às comissões de gestão, que são frequentemente baseadas no valor líquido dos ativos.

A mudança proposta por Larry Fink — do 60/40 tradicional para 50/30/20 — não é apenas uma recomendação de alocação, mas um reconhecimento de que a arquitetura financeira global está em transformação. Os ativos alternativos deixaram de ser periféricos para se tornarem centrais. “Isto é comparável ao que aconteceu com o investimento indexado em 2009,” nota Fink, sugerindo que a convergência entre componentes passivas e ativas em índices deixou de ser uma questão teórica para se tornar uma realidade de mercado.

De modo semelhante, os ativos alternativos que eram uma exclusividade das grandes fortunas estão agora a ser absorvidos pelos fundos de pensões, endowments e, progressivamente, pelos pequenos investidores através de produtos como os ELTIF.

O sentimento dos investidores relativamente às oportunidades de investimento na Europa aumentou acentuadamente nos últimos anos, com mais investidores intrigados pelas oportunidades apresentadas na região. “Já há muito tempo que temos assistido a um interesse em private markets por parte dos investidores institucionais, mas agora temos assistido a um aumento do interesse por parte dos investidores de retalho em private markets”, referiu Dirk Schmitz aos jornalistas em Frankfurt num encontro com jornalistas.

A Europa Ocidental registou um aumento de 12 pontos percentuais na proporção de investidores globais que afirmam ser um mercado que oferece as melhores oportunidades, subindo de 28% em novembro de 2024 para 41% em junho de 2025, destaca a Blackrock no relatório “European Private Markets in 2025”.

Para os pequenos investidores, os mercados privados podem ser uma adição valiosa a um portefólio diversificado de longo prazo — aquela fatia de 20% proposta por Fink — mas apenas para quem compreende verdadeiramente em que se está a meter. Não é uma aposta rápida. Não é um atalho para a riqueza. É sim um compromisso de 10, 15, 20 ou mais anos, depositando capital numa máquina que, diferentemente das bolsas tradicionais, não oferece um painel de controlo transparente ou a capacidade de “bater a tecla” para sair quando o pânico bater à porta.

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