2025 no setor segurador português, num relance…
João Veiga faz observações sobre como correu este ano para a atividade seguradora e deixa pistas sobre o que deve ou seria bom que acontecesse em 2026.
O ano passado, por esta altura, andava eu a falar com meio mundo do setor para recolher opiniões sobre o que achavam de relevante sobre 2024 (que estava a acabar…) e o que previam iria mudar e/ou evoluir em 2025. Além do prazer de estar à conversa com alguns destacados atores do mercado, foi uma experiência muito interessante perceber que é mais o que une os diversos atores, do que o que os separa.
Este ano não tive a possibilidade de encaixar na minha agenda o tempo necessário para voltar a fazer o mesmo exercício, mas não quis deixar de dar uma volta pelos meios digitais e pela minha memória para tentar perceber o que aconteceu de mais relevante neste 2025, que nos deixa com a sensação de ter sido muito marcante para o setor segurador português, com resultados (muito!) sólidos e uma transformação (pouco…) acelerada.
Dos dados analíticos que recolhi sobre o ano de 2025, temos um secor segurador com um crescimento sustentado, onde os lucros líquidos atingiram 414 milhões de euros no primeiro semestre, um que significou um aumento de cerca de 21% face ao ano de 2024. A produção de seguros diretos cresceu 14,2%, ultrapassando os 7,9 mil milhões de euros, com o ramo Vida a crescer 19,4% e o Não Vida a crescer 9,7% (Saúde com + 12,3%, Automóvel com + 9,5%). Quanto a níveis de solvência e de estabilidade, o sctor manteve um rácio de solvência de 210%, muito acima do mínimo regulatório, garantindo confiança e robustez.
Tanto se falava que em 2025 se teria de olhar com mais atenção para os riscos sísmicos e de eventos climáticos, e eis que nos aparece a tempestade Martinho a gerar 26.600 sinistros e 64,7 milhões de euros em indemnizações, reforçando a importância da gestão de riscos e seguros contra catástrofes.
Os projetos tecnológicos iniciados em 2024, pelos maiores distribuidores de seguros, estavam previstos entrar em fase de produção em 2025, mas esta vantagem competitiva só deverá ganhar corpo em 2026, alavancando a necessidade dos restantes operadores da distribuição de seguros de avaliarem objetivamente a tecnologia que utilizam atualmente e planear a sua evolução no curto e médio prazo, de forma a “não perderem o comboio”.
Sentiu-se em 2025 algum crescimento do uso de IA e da automação, quer para uso interno das empresas de seguros, quer para melhorar experiência do cliente, mas só em 2026 se deverá sentir este impacto de forma mais visível.
Ainda sobre o aspeto tecnológico, mais um ano passou sem se terem dado os passos necessários para a implementação do projeto de criação e adopção do MIDAS – Modelo de Integração de Dados na Actividade Seguradora; para todos os operadores continua a ser um pesadelo diário a gestão de toda a informação que é recebida com tão diferentes formatos e regras, mas continua a faltar dar o primeiro e decisivo passo.
E que dizer sobre os desafios de 2026? A pressão regulatória (IFRS 17, DORA,) sobre o setor segurador vai aumentar, os riscos climáticos vão receber mais atenção por parte do mercado, o aumento dos custos médicos vai colocar pressão sobre os seguros de saúde e a cibersegurança vai ter maior impacto no balanço das empresas. O mercado vai ter de implementar mais e melhores modelos preditivos, para poder antecipar cenários e as empresas vão ter de dar muita atenção ao modelo de governação e ética dos projetos de IA que implementam.
Em resumo, se 2025 mostrou que o setor segurador português está mais forte, digital e preparado para responder a novas exigências do mercado, mostrou também que ainda há muito caminho para caminhar. Para mim, para já, fica uma dúvida: em 2026 vai haver mais inovação ou mais regulação?
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