A visão do 5G para a modernização do mundo automóvel

  • Nuno Roso
  • 27 Dezembro 2020

Da experiência no terreno, é por demais evidente que fabricantes, operadores e parceiros estão totalmente preparados para avançar com este salto tecnológico.

Quando pensamos em 5G, devemos considerar as duas grandes vertentes no que concerne a esta oferta tecnológica, o consumidor e indústria. É um facto que na fase inicial de implementação tecnológica, o consumidor retirará benefícios por via da grande largura de banda e velocidade, do desenvolvimento de funcionalidades como a realidade virtual e aumentada ou a muito alta definição. Já a indústria, além da velocidade e da latência, terá no 5G a solução para três fatores cruciais em situações mission critical: a fiabilidade da rede; a segurança (até pelos milhões de dispositivos a funcionar em simultâneo); e a precisão na localização.

Centremo-nos agora na indústria automóvel e nas suas quatro grandes tendências, a conetividade, automatização, redefinição de modelos de negócio e eletrificação. Perante os desafios que se levantam, em especial os referentes à sua inovação e modernização, não existem muitas dúvidas quanto ao papel de vanguarda do 5G como resposta aos mesmos.

Ao analisarmos os casos de uso das redes 5G na indústria automóvel, é possível comprovar os ganhos efetivos que a nova geração de comunicações vai trazer, seja na eficiência, produtividade ou custos, mas também no que respeita à sustentabilidade e competitividade. E na indústria automóvel é possível aferir que as fábricas e a indústria 4.0 andam de mãos dadas com o 5G, numa aliança que se poderá traduzir em poupanças em custos operacionais de até 8,5% e retornos do investimento entre 10 e 20 vezes ao longo de 5 anos.

Dessa forma, serão possíveis novas realidades, como a monitorização remota dos dispositivos da infraestrutura industrial, a automação, robotização ou o tracking com maior precisão dos ativos espalhados pela fábrica. No contexto da Indústria 4.0 as realidades aumentadas e virtuais poderão também ser relevantes, por exemplo, na reparação de máquinas com o auxílio de um especialista que pode estar localizado virtualmente em qualquer parte do mundo. Tudo isto fará com que o floor plan de uma fábrica possa ser dinâmico ao invés de fixo, assumindo assim um importante catalisador da indústria, por via de uma adaptação muito mais célere às condições de mercado e um time to market incomparável ao que se verifica por norma.

A capacidade do 5G de criar mecanismos que visem uma comunicação imediata e sem interferências no interior das fábricas e infraestrutura, alavancada através da utilização em larga escala da Inteligência Artificial e automação, implicará em óbvios ganhos económicos, mas também sociais e ao nível da sustentabilidade.

Dou o exemplo de dois casos, ambos localizados na Alemanha, com multinacionais – de um lado, a Mercedes (Factory 56) e a Telefónica; do outro, a Vodafone e uma fábrica de veículos elétricos, a e.GO. Nestas duas situações foram criadas redes privadas 5G com um ambiente controlado e baixa latência, controlando de um modo seguro os denominados AGVs (autonomous guided vehicles). Esta combinação de tecnologias permite o evoluir da habitual linha de produção sequencial de estação para estação, enviando os materiais necessários a cada veículo para uma localização específica, aumentando a eficiência e minimizando o tempo despendido.

É a quinta geração móvel a assumir papel essencial na concretização de projetos disruptivos, que já se encontram em execução toda a velocidade e naqueles que se encontram em fase de planeamento e aguardando respetiva concretização.

Falta agora completar o primeiro passo crucial de todos este processo de inovação que é começar a efetiva implementação do 5G. Da experiência no terreno que temos, é por demais evidente que fabricantes, operadores e parceiros estão totalmente preparados para avançar com este salto tecnológico. Verificamos que não existem quaisquer limitações, sejam estas de cariz técnico, sejam tecnológicas, sendo comprovado pelo atual Estado da Arte a nível internacional onde existem múltiplas redes 5G já serviço e um ainda maior número de instalações a decorrer com um ritmo superior à anterior tecnologia 4G.

Cabe-nos encetar todos os esforços no sentido de não defraudar as expectativas criadas por consumidores e indústrias. A nossa Economia e todos os portugueses a isso obrigam.

  • Nuno Roso
  • Head of Digital Services da Ericsson Portugal

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